Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (3 )
:214-219
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210029
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a influência da dinâmica pupilar na curva de desfoco de olhos implantados com lente intraoculares multifocais difrativas.
MÉTODOS: Estudo prospectivo e randomizado realizado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo - Departamento de Oftalmologia. Trinta e oito pacientes foram aleatoriamente designados para receber bilateralmente lentes intraoculares SN6AD1 (n=20) (mfIOL) ou SN60WF (n=18) (aIOL). Além da acuidade visual para longe e perto, corrigida e não corrigida, e curva de desfoco, foi ainda realizada pupilometria dinâmica. A área sob a curva de desfoco foi calculada usando um modelo polinomial empírico.
RESULTADOS: Um total de 16 e 17 pacientes (n=32 e 34 olhos) completaram 1 ano de seguimento nos grupos mfIOL e aIOL, respectivamente. Não houve diferenças significativas entre grupos para as acuidades visuais seja para longe ou perto. As curvas de desfoco do grupo mfIOL mostraram um pico duplo; enquanto o SN60WF mostrou apenas um pico, típico para uma lente intraoculares monofocal. A média da área sob a curva de desfoco do grupo aIOL foi (4,66 ± 1,51 logMAR.dp), e essa é estatisticamente significante diferente da métrica do grupo mfIOL (1,99 ± 1,31 logMAR.dp). A pupila na contração máxima após a exposição a um flash de 30 cd/m2 por 1 segundo foi significativamente correlacionada com uma melhor área de foco no grupo mfIOL (r=0,54; p=0,0017), essa relação não foi observada para o grupo aIOL.
CONCLUSÃO: Estes dados indicam que quanto menor a pupila durante contração, melhor é a área sob a curva de desfoco e, portanto, o desempenho visual dos olhos implantados com essa mfIOL. Esta correlação não foi encontrada para lentes intraoculares monofocais.
Keywords: Lentes intraoculares multifocais; Pupila/fisiologia, Catarata; Facoemulsificacão
Arq. Bras. Oftalmol. 2018;81 (2 )
:120-124
| DOI: 10.5935/0004-2749.20180027
Abstract
Objetivos: Avaliar se as concentrações séricas da lectina ligante de manose da via das lectinas do sistema complemento estão associadas à degeneração macular relacionada à idade.
Métodos: Pacientes com degeneração macular relacionada à idade a controles pareados realizaram exame oftalmológico completo e imagens de tomografia de coerência óptica. As concentrações de lectina ligante de manose foram aferidas em amostras de sangue pelo método "time-resolved Immunofluorometric assay".
Resultados: Um total de 136 indivíduos foram avaliados incluindo 68 com degeneração macular relacionada à idade (34 exsudativa e 34 não-exsudativa) e 68 controles. Concentrações medianas de lectina ligante de ma-nose foram 608 ng/mL (30-3,415 ng/mL) nos casos e 739 ng/mL (30-6,039 ng/mL) nos controles, não havendo diferença entre os grupos. Comparando degeneração macular relacionada a idade exsudativa (mediana de lectina ligante de manose 476 ng/mL; 30-3,415 ng/mL) e não-exsudativa (692 ng/mL; 30-2,587 ng/mL) também não apresentaram diferença.
Conclusões: Concentrações séricas de lectina ligante de manose não estão relacionadas à degeneração macular relacionada a idade ou às formas exsudativa e não-exsudativa.
Keywords: Degeneração macular relacionada à idade; Drusas; Imunoregulação; Lectina de ligação a manose; Inflamação; Retina
Arq. Bras. Oftalmol. 2018;81 (5 )
:401-407
| DOI: 10.5935/0004-2749.20180078
Abstract
Objetivo: Estudar a acuidade visual, erros de refração, fixação excêntrica e desempenho de leitura em pacientes com retinocoroidite macular por Toxoplasmose.
Métodos: Vinte e três pacientes com retinocoroidite macular por Toxoplasmose bilateral e quatro com retinocoroidite macular por Toxoplasmose no seu único olho foram avaliados. Os participantes relataram sua dominância ocular, confirmada pelo teste de Portus e Miles. A acuidade visual melhor corrigida, refração em equivalente esférico, magnificação necessária e velocidade de leitura foram medidas. A microperimetria (MAIA, Centervue - Padova, Italy) registrou a estabilidade preferida do locus e da fixação da retina por meio da área da elipse de contorno bivariada. Quatorze olhos de 14 pacientes com boa visão serviram como controles.
Resultados: A média ± DP da acuidade visual melhor corrigida foi melhor no olho dominante do que no não dominante: 0,9 ± 0,2 (logMAR 0,5 a 1,4) vs. 1,2 ± 0,3 (logMAR 0,6 a 1,7) (p<0,0001, teste t pareado). Miopia em equivalente esférico de -4,00 ou maior estava presente em 42% dos olhos. Microperimetria foi realizada em 42 olhos. Fixação excêntrica foi observada em todos os olhos examinados. Em 14 olhos (33%), o locus retiniano preferencial estava localizado, na retina, na região súpero-temporal à lesão macular, em 10 (24%) súpero-nasal, em 6 (14%) ínfero-temporal, e em 12 olhos (29%) ínfero-nasal. Não houve diferença significativa na distribuição da posição do locus retiniano preferencial entre olhos dominantes e não-dominantes (p=0,85, teste de Pearson). Não houve correlação entre velocidade de leitura e distância entre o locus retiniano preferencial e a posição foveal original estimada (r=-0,09; p=0,73), a área bivariada de contorno elipsóide (r=-0,19; p=0,44) ou acuidade visual melhor corrigida (r=0,024; p=0,92).
Conclusões: A miopia é mais prevalente em pacientes com retinocoroidite macular por Toxoplasmose. A velocidade de leitura não é dependente da posição do locus retiniano preferencial, da estabilidade ou da acuidade visual. A documentação do padrão de fixação excêntrica, entretanto, oferece novos dados no impacto da deficiência visual nesses pacientes e pode ser útil em estratégias de reabilitação.
Keywords: Coroidite; Coriorretinite; Miopia; Toxoplasmose ocular; Leitura
Arq. Bras. Oftalmol. 2020;83 (3 )
:209-214
| DOI: 10.5935/0004-2749.20200059
Abstract
Objetivo: Descrever os custos e resultados da facoemulsificação na cirurgia de catarata realizada por médicos residentes de oftalmologia.
Métodos: Foram obtidos prontuários médicos de pacientes operados em 2011 por residentes do terceiro ano (R3) usando facoemulsificação (n=576). Nossa estimativa de despesas incluiu os custos profissionais e hospitalares (taxas, materiais, medicamentos e equipamentos). Os desfechos do estudo incluíram acuidade visual corrigida por óculos pré-operatória e 6 meses após a cirurgia, taxa de complicações intraoperatórias e número total de visitas pós-operatórias. Nós comparamos as variáveis de resultados com procedimentos extracapsulares de extração de catarata (n=274) realizados por residentes R3 em 1997.
Resultados: O custo médio da facoemulsificação foi US$ 416, enquanto uma estimativa geral indicou o custo da extração de catarata extracapsular seria de US$ 284 (em 3 de dezembro de 2011). A acuidade visual corrigida por óculos média pré-operatória foi pior na extração de catarata extracapsular (1,73 ± 0,62 logMAR) do que na facoemulsificação (0,74 ± 0,54, p<0,01); a acuidade visual corrigida por óculos média pós-operatória foi melhor na facoemulsificação (0,21 ± 0,36 logMAR) do que na extração de catarata extracapsular (0,63 à facoemulsificação (85%) atingiram acuidade visual corrigida 45% daqueles submetidos à extrações extracapsulares de catarata obtiveram a mesma acuidade visual pós-operatória (p<0,01). A taxa de complicações intraoperatórias foi significativamente maior após extrações de catarata extracapsular (21%) do que após as facoemulsificações (7,6%) (p<0,01) e o número médio de consultas pós-operatórias também foi maior após extração de catarata extracapsular (5,6 ± 2,3) do que após facoemulsificações (4,5 ± 2,4) (p<0,01).
Conclusão: Esses dados indicam que a cirurgia de catarata realizada por oftalmologistas em treinamento utilizando facoemulsificação é dispendiosa, mas comparada aos resultados da extração de catarata extracapsular, o ensino da facoemulsificação leva a uma taxa de complicações aproximadamente 3 vezes menor, menor número de consultas pós-operatórias e, mais importante, melhor acuidade visual.
Keywords: Extraçãode catarata/economia;Custosde cuidados de saúde; Custos e análises de custos; Cristalino/cirurgia; Facoemulsificação; Resultado do tratamento
Arq. Bras. Oftalmol. 2020;83 (4 )
:318-322
| DOI: 10.5935/0004-2749.20200052
Abstract
Objetivo: O sistema renina-angiotensina está envolvido na patogênese das condições isquêmicas retinianas e no glaucoma. Nosso objetivo foi avaliar a atividade da renina, enzima conversora de angiotensina 1 e 2 no humor aquoso, e amostras de sangue de pacientes com e sem glaucoma primário de ângulo aberto.
Métodos: Foram analisadas amostras de 56 participantes submetidos à cirurgia ocular. Os pacientes foram divididos em dois grupos: pacientes com catarata apenas (n=28), e pacientes com catarata e glaucoma primário de ângulo aberto (n=28). Amostras de sangue venoso (2ml) e humor aquoso (150 µl, via paracentese) foram coletadas durante a facoemulsificação (apenas catarata) ou cirurgia de glaucoma (catarata e glaucoma primário de ângulo aberto). As atividades sérica do humor aquoso de renina, enzima conversora de angiotensina 1 e enzima conversora de angiotensina 2 de todos os pacientes foram avaliadas por ensaios fluorimétricos, e os resultados foram analisados por regressão multivariada.
Resultados: Tanto a atividade da renina no humor aquoso quanto à razão humor aquoso/soro da atividade da renina foram significativamente menores nos pacientes com catarata e glaucoma primário de ângulo aberto do que em pacientes com catarata apenas [(média ± DP): 0,018 ± 0,006 ng/ml/h vs 0,045 ± 0,009 ng/ml/h; p<0,001 e 0,05 ± 0,02 vs 0,13 ± 0,05; p=0,025]. Análises multivariadas mostraram uma releção significativa entre menor atividade de renina no humor aquoso e glaucoma primário de ângulo aberto [coeficiente (±erro padrão): -0,029 ± 0,013; p=0,026].
Conclusões: Como a maioria dos pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto usavam o colírio de timolol, estudos futuros envolvendo um maior número de pacientes e retirada prévia do tratamento são necessários para se discriminar o envolvimento do uso de betabloqueadores na atividade da renina no humor aquoso.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Catarata; Humor aquoso; Sistema renina-angiotensina
Arq. Bras. Oftalmol. 2020;83 (2 )
:141-145
| DOI: 10.5935/0004-2749.20200026
Abstract
Objetivo: Comparar a previsibilidade refrativa pós-operatória do IOLMaster 500 e Pentacam HR com base nos valores de ceratometria e profundidade de câmara anterior nos olhos com indicação de implante de lentes intraoculares multifocais.
Métodos: Estudo retrospectivo realizado em 118 olhos tratados com facoemulsificação e implante de lentes intraoculares multifocal. Apenas os olhos que atingiram a emetropia na refração dinâmica no 30º dia pós-operatório foram incluídos. A fórmula de Haigis foi usada em cada caso para calcular o poder das lentes intraoculares, e a lente intraocular com a refração alvo mais próxima da emetropia foi implantada. Cenários de cálculo de quatro lentes foram testados pela combinação de medidas de ceratometria e profundidade de câmara anterior obtidas usando os dois dispositivos.
Resultados: IOLMaster 500 e Pentacam HR diferiram quanto à média de ceratometria (D 0,07 ± 0,03 D; p=0,0065) e profundidade de câmara anterior (D 0,08 ± 0,01 mm; p<0,001). Na análise da covariância, as seguintes diferenças foram obtidas usando a fórmula de Haigis quando confrontadas com os valores biométricos obtidos pela inserção dos valores de ceratometria e profundidade de câmara anterior, respectivamente: Penta/IOL x IOL/Penta (0,13 ± 0,03; p<0,0001); Penta/Penta x IOL/Penta (0,13 ± 0,03; p<0,0001); Penta/IOL x IOL/IOL (0,11 ± 0,03; p=0,001); Penta/Penta x IOL/IOL (0,11 ± 0,03; p=0,002); IOL/IOL x IOL/Penta (0,02 ± 0,03; p=0,865); Penta/IOL x Penta/Penta (0,002 ± 0,03; p=0,99). A diferença foi menor ao medir a profundidade da câmara anterior usando o IOLMaster 500, independentemente de qual dispositivo foi usado para medir a ceratometria.
Conclusões: O Pentacam HR diferiu significativamente do IOLMaster 500 no cálculo de ceratometria. Quanto à profundidade da câmara anterior, os dois dispositivos foram igualmente precisos.
Keywords: Biometria; Catarata; Interferometria; Lentes intraoculares; Lentes intraoculares multifocais Biometria; Catarata; Interferometria; Lentes intraoculares; Lentes intraoculares multifocais
Arq. Bras. Oftalmol. 2020;83 (6 )
:526-534
| DOI: 10.5935/0004-2749.20200096
Abstract
Objetivo: Comparar as medidas de acuidade visual, espessura macular central e área de neovasos ativos na angiofluoresceinografia submetidos a panfotocoagulação retiniana padrão ETDRS associado a injeção intravítrea de ranibizumabe versus panfotocoagulação padrão PASCAL associado a injeção intravítrea de ranibizumabe versus somente injeção intravítrea de ranibizumabe em pacientes com retinopatia diabética proliferativa.
Métodos: Pacientes com retinopatia diabética proliferativa e virgens de tratamento, randomicamente divididos nas três diferentes terapias retinianas. Panfotocoagulação no grupo ETDRS em 2 sessões (semanas 0 e 2) e no grupo PASCAL, na semana 0. Injeção intravítrea de ranibizumabe realizado ao fim da primeira sessão de laser em ambos os grupos: ETDRS e PASCAL, e na semana 0 no grupo injeção intravítrea de ranibizumabe. Avaliações oftalmológicas, tomografia de coerência óptica e angiofluoesceinografia realizados na visita basal e a cada 4 semanas por 48 semanas.
Resultados: Trinta pacientes (n=40 olhos) completaram as 48 semanas de seguimento. Após o tratamento, a acuidade visual melhorou significantemente em todas a visitas no grupo injeção intravítrea de ranibizumabe (p<0,05); em todas exceto na semana 4 no grupo ETDRS, em todas exceto nas semanas 4 e 8 no grupo PASCAL. Redução significativa na espessura do subcampo central foi evidenciada no grupo PASCAL nas semanas 4, 8 e 48; somente na semana 48 no grupo injeção intravítrea de ranibizumabe, e em nenhuma visita no grupo ETDRS. Redução também na área de neovasos ativos em todas as visitas em todos os grupos. Não houve diferença significante entre os três grupos com relação a mudança media na medidas de acuidade visual, espessura macular central ou área de neovasos ativos da visita inicial para a semana 48.
Conclusões: Somente IVB ou este associado a panfotocoagulação ETDRS ou PASCAL, apresentaram efeitos semelhantes em relação a medidas de acuidade visual, espessura do subcampo central e área de neovasos ativos no decorrer de 48 semanas de seguimento.
Keywords: Retinopatia diabetica; Retina; Diabetes; Fator A de crescimento do endotélio vascular; Inibidorres da angiogenese/uso terapêutico; Ranibizumab/uso terapêutico; Panfotocoagulação; Acuidade visual