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Abstract
OBJETIVO: Analisar os efeitos da ingestão crônica de álcool sobre o nervo óptico em um modelo murino adulto. MÉTODOS: Doze ratos machos da raça Wistar, de 30 dias de idade, foram divididos por sorteio em 2 grupos experimentais: "tratado" (TG), com 8 animais, alimentados com ração-padrão para roedores de laboratório e uma mistura de água de torneira e etanol ad libitum; "controle" (CG), com 4 animais, alimentados com a mesma ração e água de torneira pura ad libitum. Após 40 semanas todos os ratos foram sacrificados, sendo os nervos ópticos de ambos os olhos preparados para microscopia óptica e eletrônica. A área de secção transversal de cada nervo a aumento de 500´, assim como número de fibras axonais dentro de 5 campos aleatoriamente selecionados a aumento de 2000´ foram medidos com auxílio de digitalizador de imagens acoplado ao microscópio óptico. Foram realizadas fotomicrografias de 10 campos aleatoriamente selecionados de cada nervo (5 centrais e 5 periféricos) a aumento de 4200´ em microscópio eletrônico de transmissão. RESULTADOS: A análise morfométrica não mostrou diferenças estatisticamente significativas entre os 2 grupos estudados. Em contraste com o CG, o exame ultra-estrutural dos nervos ópticos do TG mostrou um intenso desarranjo das bainhas de mielina, que se tornaram espessadas, com separação de suas lamelas, apresentando, por vezes, degenerações interlamelares elétron-densas, além da presença de muitas organelas degeneradas. CONCLUSÃO: Os achados desse estudo mostram alterações ultra-estruturais no nervo óptico de ratos adultos após ingestão crônica de álcool, sem modificações morfométricas significativas.
Keywords: Nervo óptico; Nervo óptico; Microscopia eletrônica; Etanol; Ratos
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a ligação entre músculos oculares extrínsecos e esferas de polietileno poroso usando um bioadesivo. MÉTODOS: Estudo experimental envolvendo 8 coelhos albinos submetidos a enucleação do olho direto com colocação de implante esférico de polietileno poroso de 12 mm de diâmetro unido aos músculos oculares extrínsecos por meio do bioadesivo 2-octil-cianoacrilato. Noventa dias após a cirurgia os animais foram sacrificados e o conteúdo orbitário removido. Em 4 animais foi realizado estudo biomecânico, avaliando-se a força de ruptura entre a musculatura e a esfera (grupo implante) e entre a musculatura e a esclera nos olhos contralaterais (grupo controle). Nos outros 4 animais foi realizada análise histológica. RESULTADO: A avaliação biomecânica revelou que a força de ruptura entre esfera-músculo e esclera-músculo foram semelhantes quando se usa o adesivo de cianoacrilato. O exame histológico mostrou reação fibrovascular no local da adesão entre a musculatura e a esfera, sem efeitos deletérios aos tecidos. Ao redor dos implantes foi possível observar pseudocápsula e no interior, neovasos e tecido fibrovascular preenchendo os espaços entre os grânulos do polietileno. CONCLUSÃO: O adesivo 2-octil-cianoacrilato mantém boa força de adesão na união entre os músculos e as esferas de polietileno poroso, com redução do tempo cirúrgico e sem efeitos deletérios aos tecidos orbitais. Desta forma, deve-se considerar o uso do bioadesivo na reconstrução da cavidade anoftálmica.
Keywords: Músculos oculomotores; Cianoacrilatos; Polietileno; Adesivos; Biomecânica; Coelhos; Histologia
Abstract
OBJETIVO: Avaliar as características morfológicas da membrana amniótica desepitelizada por diferentes técnicas. MÉTODOS: A membrana amniótica humana foi coletada no momento do parto, fixada em concentrações crescentes de glicerol (0-50% em DMEM) e preservada a 80°C até a hora de ser usada. O estudo consistiu de 4 grupos: epitélio intacto (controle) e membranas desepitelizadas pela tripsina (2 mg/mL a 1:250), dispase (1,2 U/mL em solução salina balanceada de Hank livre de Mg2+ e Ca2+) e ácido etilenodiaminotetra-acético (EDTA), 0,02%). As amostras foram submetidas à análise por microscopia eletrônica (de varredura e de transmissão). RESULTADOS: A microscopia eletrônica de varredura mostrou epitélio intacto no grupo controle e sua ausência nas membranas amnióticas desepitelizadas pela tripsina e pela dispase. Naquelas tratadas com o ácido etilenodiaminotetra-acético, havia áreas com e sem epitélio. Quando avaliadas pela microscopia eletrônica de transmissão, o epitélio estava intacto e firmemente aderido à membrana basal através de hemidesmossomos nos grupos controle e em parte do ácido etilenodiaminotetra-acético. Havia apenas fibras colágenas nas membranas tratadas com dispase e tripsina. CONCLUSÕES: O tratamento da membrana amniótica com tripsina e dispase pode causar completa retirada do epitélio e da membrana basal, ao passo que o ácido etileno- diaminotetra-acético pode preservar áreas com epitélio intacto e parcialmente destruir a membrana basal em outras.
Keywords: Âmnio; Ácido edético; Doenças da córnea; Tripsina; Endopeptidases; Microscopia eletrônica
Abstract
OBJETIVO: Comparar, por microscopia eletrônica, a integridade anatômica e a presença de fatores de crescimento e citocinas da membrana amniótica preservada com glicerol/MEM (1:1) e dimetilsulfóxido puro. MÉTODOS: As membranas amnióticas preservadas em glicerol/MEM (1:1) ou dimetilsulfóxido puro foram processadas para microscopia eletrônica de transmissão e varredura. Como controle, membrana amniótica fresca foi imediatamente fixada após coleta e processada para microscopia eletrônica. As citocinas e os fatores de crescimento avaliados foram: TGF-beta- fator transformador de crescimento beta; TGF-beta ativ- fator transformador de crescimento beta ativado; EGF- fator recombinante de crescimento epitelial humano; FGF-4- fator de crescimento fibroblástico 4; FGF-beta- fator de crescimento fibroblástico básico; IL-4- interleucina 4; PGE2- prostaglandina E2; IL-10- interleucina 10; KGF- fator de crescimento de queratinócito; HGF- fator de crescimento de hepatócito. RESULTADOS: As membranas amnióticas do grupo controle apresentavam epitélio íntegro, com microvilos na superfície e complexos juncionais entre as células e a membrana basal. As membranas amnióticas preservadas em glicerol/MEM tinham aspecto semelhante às do controle, com maior altura das células epiteliais. Já as membranas amnióticas preservadas em dimetilsulfóxido mostraram redução das junções intercelulares e destacamento do epitélio da membrana basal. As citocinas e fatores de crescimento não apresentaram diferenças entre os grupos, exceto FGF-4, FGF-beta, PGE2 e KGF. CONCLUSÕES: A membrana amniótica preservada em meio glicerol/MEM apresentou melhor integridade tecidual, com menor desprendimento do epitélio da membrana basal, em comparação com a preservada no dimetilsulfóxido puro. Os fatores de crescimento e citocinas estavam, em sua maior parte, preservados com as duas técnicas de preservação.
Keywords: Âmnio; Microscopia eletrônica; Glicerol; Dimetilsulfóxido; Citocina; Fator transformador de crescimento beta
Abstract
OBJETIVO: Desenvolver textos para medida da velocidade de leitura comparáveis com outros quatro idiomas europeus. MÉTODOS: Dez textos com similar grau de dificuldade, número de caracteres, número de palavras e sintaxe (segundo a teoria de Gibson) foram desenvolvidos por um especialista em lingüística, em português (BR), fazendo-se a tradução de textos previamente padronizados em quatro idiomas: inglês, francês, finlandês e alemão. A velocidade de leitura foi medida em 25 indivíduos saudáveis de idade entre 19 e 35 anos (mediana=24 anos) com os dez textos. RESULTADOS: A velocidade de leitura nos textos em português foi em média 1100 ± 167 (desvio padrão) caracteres por minuto. Pequenas diferenças foram encontradas entre as velocidades de leitura medidas com os dez textos, e essas diferenças não foram estatisticamente significantes em grupos de no mínimo seis textos. A velocidade de leitura dos voluntários da mesma faixa etária nos outros idiomas foi: alemão: 1126 ± 105; finlandês: 1263 ± 142; francês: 1214 ± 152 e inglês: 1234 ± 147. CONCLUSÃO: Os autores desenvolveram um conjunto de textos em português (BR) padronizados e homogêneos para medida da velocidade de leitura, que são comparáveis com textos em outros quatro idiomas europeus. Esses textos podem ser usados para estudos multicêntricos internacionais envolvendo leitura e visão subnormal.
Keywords: Leitura; Movimentos oculares; Baixa visão; Fixação ocular; Acuidade visual; Campos visuais; Testes visuais; Tradução (produto); Vocabulário; Processos mentais; Lingüística; Comparação transcultural
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a eficácia da liofilização da membrana amniótica (MA) para a reconstrução da superfície ocular em coelhos. MÉTODOS: A liofilização é processo de preservação que mantém a MA estável durante longo tempo mesmo em temperatura ambiente. A córnea de um olho de cada coelho macho da raça Nova Zelândia foi marcada e desepitelizada. Essa área desepitelizada foi coberta com: Grupo 1: MA criopreservada (n=6); Grupo 2: MA liofilizada (n=6) e Grupo 3: Não coberta (n=3). A MA nos grupos 1 e 2 e a periferia da córnea no grupo 3 foram suturadas com nylon 10-0. A avaliação clínica foi realizada por um observador cego em relação à hiperemia, neovascularização e edema de córnea e reepitelização nos dia 1, 7 e 30 pós-operatórios. Após o dia 30 os ratos foram eutanizados e suas córneas enviadas para análise histopatológica e ultra-estrutural. RESULTADOS: Dois olhos no grupo 2 foram excluídos da análise devido à infecção. Não foi encontrada diferença estatisticamente significante entre os grupos em relação à avaliação clínica. Na microscopia eletrônica de transmissão, a membrana basal nos grupos de MA liofilizada e controle foi mais contínua e homogênea em relação ao grupo da MA criopreservada. CONCLUSÕES: O processo de liofilização parece ser boa opção para a preservação da membrana amniótica humana para utilização na reconstrução da superfície ocular.
Keywords: Amnio; Liofilização; Criopreservação; Procedimentos cirúrgicos reconstrutivos; Preservação de tecido; Coelhos
Abstract
Descrevemos um caso de linfangioma orbitário em uma paciente de nove anos de idade que apresentava proptose à direita (Hertel= 29 mm), acompanhada de restrição da motilidade ocular, dor e perda visual decorrente de neuropatia óptica compressiva. A ressonância magnética demonstrou a lesão expansiva, localizada na órbita direita, de aspecto cístico, não infiltrativa, extraconal e com sinais sugestivos de hemorragia intralesional. Não houve melhora com corticoterapia oral. Foi, então, realizada punção via transconjuntival, com aspiração de 35 ml delíquido "cor-de-chocolate" (confirmado como hemorrágico pela citologia). Ocorreram exacerbações do quadro clínico, manifestadas por dor e piora da proptose, devido à hemorragia intralesional, optando-sepela exérese dos cistos orbitários, usando o acesso orbitário lateral (cantólise e retirada de parede orbitária lateral, a qual não foi recolocada para efeito de descompressão) e inferior (transconjuntival inferior), com resolução do quadro. CONCLUSÃO: Foi relatado um caso de linfangioma, uma doença desafiadora, de difícil tratamento, com potenciais complicações visuais e estéticas, além da possibilidade de recidivas frequentes.
Keywords: Linfangioma; Neoplasias orbitárias; Tumores de vasos linfáticos; Relatos de casos
Abstract
OBJETIVO: Conhecer o perfil epidemiológico e nível de conhecimento de pacientes diabéticos sobre diabetes e retinopatia diabética (RD). MÉTODOS: Estudo transversal com pacientes atendidos no Ambulatório de Retina e Vítreo do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, os quais foram divididos em dois grupos: pacientes diabéticos encaminhados para primeira avaliação oftalmológica (G1) e pacientes já acompanhados no Ambulatório (G2). Os pacientes responderam questionário e submeteram-se a exame oftalmológico. Foram utilizados os testes x², exato de Fisher e não paramétricos de Mann-Whitney, presumindo nível de significância de 5%. RESULTADOS: A amostra total foi composta por 357 pacientes (109 no G1 e 248 no G2). A maioria dos pacientes era do sexo feminino, casada, com ensino fundamental incompleto, com média de idade de 63,3 anos e afirmou saber o que é diabetes. Entretanto, 53,2% não sabiam qual o seu tipo de diabetes. As complicações visuais do diabetes são as mais conhecidas. Menos de um terço dos pacientes já tinha ouvido falar em RD e 77,3% não sabiam se eram acometidos. A maioria dos pacientes nunca havia recebido alguma explicação ou algum tipo de material escrito sobre diabetes ou RD. Somente 3,6% dos pacientes participavam de algum programa de educação sobre diabetes. A AV média na amostra, em logMAR, foi de 0,57 no OD e 0,51 no OE. Metade dos pacientes não tinha RD. CONCLUSÃO: A maioria dos pacientes, apesar de receber acompanhamento multidisciplinar, apresentou pouco conhecimento sobre o diabetes e suas complicações.
Keywords: Diabetes mellitus; Retinopatia diabética; Perfil de saúde; Conhecimentos, atitudes e prática em saúde; Epidemiologia
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a eficácia e aspecto estrutural de células límbicas epiteliais humanas cultivadas sobre membrana amniótica (MA) com e sem epitélio. MÉTODOS: As culturas límbicas foram obtidas a partir de rima corneoescleral remanescentes de transplantes de córnea de 6 diferentes doadores. Cada explante foi cultivado em três diferentes grupos: MA desepitelizada por tripsina (Grupo 1), MA com epitélio íntegro (Grupo 2) e controle (Grupo 3). A migração epitelial foi avaliada por microscopia de contraste de fase. Após 15 dias, as células cultivadas sobre MA foram submetidas à microscopia eletrônica para avaliar migração e adesão epitelial. RESULTADOS: Todas as células do grupo controle cresceram até atingir confluência. Somente uma das culturas em membrana amniótica desepitelizada não apresentou crescimento epitelial. O crescimento de células epiteliais sobre membrana amniótica epitelizada foi observada em apenas uma cultura. CONCLUSÃO: Baseando-se nestes achados, o uso de membrana amniótica desepitelizada aparenta ser o melhor substrato para migração e adesão epitelial comparando com membrana amniótica epitelizada. Remover o epitélio da membrana amniótica demonstra ser um importante passo para estabelecer culturas de células sobre membrana amniótica.
Keywords: Células epiteliais; Técnicas de cultura de células; Membrana amniótica; Células-tronco; Limbo da córnea; Córnea; Adesão celular; Estudo comparativo
Abstract
INTRODUÇÃO: A ceratite fúngica é uma importante causa de infecção corneana, principalmente em países tropicais. Com alta morbidade devido à demora no diagnóstico, o exame laboratorial torna-se obrigatório nesses casos. Dificuldades técnicas na obtenção das amostras, porém, geram um grande número de exames falso-negativos. Nesses casos, uma detalhada avaliação do paciente em busca de características específicas dessa entidade pode auxiliar na elucidação diagnóstica. OBJETIVOS: Formar um perfil epidemiológico dos portadores de ceratomicose para auxiliar no diagnóstico e tratamento precoces. MÉTODOS: Realizou-se estudo retrospectivo em base de dados de portadores de úlceras corneanas em busca de pacientes com diagnóstico de ceratomicose. Foram coletadas informações a respeito de sexo, situação do domicílio, grau de instrução, profissão, idade, fatores desencadeantes e predisponentes (oculares e sistêmicos), hipótese etiológica inicial, resultado laboratorial, tempo de cicatrização, complicações e tratamentos adjuvantes. RESULTADOS: Dos 599 pacientes atendidos por úlcera de córnea, 150 (25%) foram diagnosticados como de etiologia fúngica. Houve maior prevalência em homens em idade produtiva e baixo nível de escolaridade. Trauma com material vegetal esteve presente em 74 (49,33%) casos. Demais fatores identificados como trabalhadores e moradores de áreas rurais também suportam o trauma vegetal como principal fator de risco identificado no estudo. CONCLUSÕES: Com base nos dados do estudo foi possível formar um perfil dos portadores de úlceras fúngicas atendidos pelo HC-UNICAMP.
Keywords: Infecções oculares fúngicas; Micoses; Ceratite; Úlcera da córnea
Abstract
Por mais de meio século, a síndrome de Urrets-Zavalia (pupila fixa e dilatada) foi descrita como uma complicação pós-operatória em oftalmologia. Desde o primeiro relato após ceratoplastia penetrante em pacientes portadores de ceratocone em uso de atropina, seu conceito foi ampliado. Na literatura, um total de 110 casos resultaram em pupila fixa e dilatada. Aumento da pressão intraocular (PIO) no pós-operatório imediato, facia, ar ou gás na câmara anterior parecem ser fatores de risco importantes para o aparecimento da síndrome. Sua prevenção pode ser alcançada com o uso de manitol, controle adequado da PIO e quantidade de ar ou gás na camâra anterior e iridectomia.
Keywords: Pupila/anatomia & fisiologia; Distúrbios pupilares/prevenção & controle; Pressão intraocular; Fatores de risco
Abstract
Objetivos: A qualidade óptica da interface após ceratoplastia lamelar anterior profunda (DALK) utilizando a técnica de "Big Bubble" mostrou-se ser excelente, levando a resultados comparáveis aos da ceratoplastia penetrante. No entanto, há poucos dados na literatura com respeito à controvérsia em torno da preparação da córnea doadora. O objetivo deste estudo foi avaliar a acuidade visual (VA) em pacientes com ceratocone submetidos DALK sem a remoção da membrana de descemet e endotélio do tecido doador. Métodos: Os prontuários de 90 pacientes que foram submetidos a DALK sem a remoção da membrana Descemet (DM) e do endotélio foram avaliados retrospectivamente. Os dados coletados incluíram VA sem correção (UCVA) e VA corrigida por óculos (SCVA) aos 7, 30, 180 dias, e 1 ano de pós-operatório. A acuidade visual corrigida por lente de contato (CLVA) foi avaliada após 1 ano do procedimento. Resultados: UCVA no pós-operatório melhorou após 7 dias (p<0,001); 30 dias (p<0,001); 180 dias (p<0,001); e após 1 ano (p<0,001). Ocorreu melhora da SCVA pré-operatória quando comparada com a SCVA e CLVA após 1 ano (p<0,001 para ambos). Conclusão: Transplante lamelar anterior utilizando córneas doadas com membrana de Descemet e endotélio demonstrou resultados visuais satisfatórios em pacientes com ceratocone.
Keywords: Doenças da córnea/cirurgia; Lâmina limitante posterior/cirurgia; Transplante da córnea/métodos; Epitélio posterior; Ceratoplastia penetrante; Ceratocone/cirurgia; Acuidade visual
Abstract
Objetivo: Demonstrar a eficácia do colírio de tacrolimus 0,03% como único agente antialérgico versus o colírio de cromoglicato de sódio 4% no tratamento de ceratoconjuntivite primaveril (CCP). Métodos: Ensaio clínico randomizado duplo-mascarado comparando a eficácia do colírio de tacrolimus 0,03% 3 vezes ao dia, versus o colírio de cromoglicato 4% 3 vezes ao dia, no controle dos sintomas e sinais de pacientes com o diagnóstico de ceratoconjuntivite primaveril, durante o período de 3 meses, com avaliações nos dias 0, 15, 30, 45 e 90. Acuidade visual, pressão intraocular e outras possíveis complicações foram avaliadas para determinar segurança e efeitos adversos. Resultados: Dezesseis pacientes foram incluídos no estudo, sendo que oito fizeram uso de colírio de tacrolimus 0,03% (Grupo 1) e oito fizeram uso de colírio de cromoglicato de sódio 4% (Grupo 2). Dois pacientes do Grupo 2 foram excluídos da análise dos dias 45 e 90, devido à necessidade de utilização de corticosteroide tópico. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (81,8%) e 56,3% apresentavam a doença em sua forma limbar. Houve diferença estatisticamente significativa entre os Grupos 1 e 2 em relação à graduação de severidade para os sintomas de prurido no dia 90 (p=0,001), sensação de corpo estranho no dia 15 (p=0,042), fotofobia no dia 30 (p=0,041) e para os sinais de atividade inflamatória limbar nos dias 15 (p=0,011), 30 (p=0,007) e 45 (p=0,015), e ceratite no dia 30 (p=0,048). Nenhum efeito adverso relevante foi notado, exceto queixa de queimação ocular quando da instilação de tacrolimus, o que não comprometeu à adesão ao tratamento. Conclusão: O colírio de tacrolimus 0,03% foi superior ao colírio de cromoglicato de sódio 4% comparando a graduação de severidade para os sintomas de prurido, sensação de corpo estranho e fotofobia, assim como para os sinais de atividade inflamatória limbar e ceratite, em determinados períodos de tempo durante o seguimento.
Keywords: Conjuntivite alérgica; Antialérgicos; Tacrolimo; Soluções oftálmicas; Cromolina sódica
Abstract
Keywords:
Abstract
Objetivo: Avaliar a aderência, a eficácia e segurança do uso prolongado de tacrolimus tópico no controle clínico da ceratoconjuntivite vernal.
Métodos: Um estudo retrospectivo foi desenvolvido através da análise de prontuários de pacientes com ceratoconjuntivite vernal em tratamento prolongado com tacrolimus tópico 0,03%. A duração do tempo de uso do tacrolimus e as causas de descontinuação da medicação foram usadas para avaliar a adesão ao tratamento. Para avaliar a eficácia da droga, a necessidade e o número de vezes em que corticoides tópicos foram utilizados para controlar os sintomas foram registrados. Os efeitos colaterais relacionados ao uso do tacrolimus foram monitorados para determinar a segurança da droga.
Resultados: Vinte e um pacientes preencheram os critérios de eleição e foram incluídos no estudo. A duração média do uso de tacrolimus foi de 41,3 ± 18,5 meses. Quatorze pacientes (66,7%) usaram continuamente o tacrolimus e 3 (14,3%) descontinuaram o tratamento após a remissão completa. Quatro pacientes (19%) não usaram o tacrolimus conforme prescrito ou interromperam o uso da droga isoladamente: 2 (9,5%) por desconforto na aplicação e 2 (9,5%) pela falta de melhora. Dez pacientes (47,6%) mantiveram a doença sob controle sem o uso de corticoides, enquanto 11 (52,4%) necessitaram em média 2,70 ± 1,35 ciclos corticoides para controle dos sintomas. O único efeito adverso relatado foi desconforto na aplicação.
Conclusões: Apesar do pequeno tamanho da amostra e das limitações do desenho do estudo, esses resultados suportam o uso prolongado do tacrolimus tópico como opção eficaz e segura para o tratamento da ceratoconjuntivite vernal, com boa adesão dos pacientes ao tratamento.
Keywords: Ceratoconjuntivite vernal, ceratoconjuntivite primaveril, tacrolimus, conjuntivite alérgica, antialérgicos
Abstract
OBJETIVO: A doença de Stargardt é a forma mais comum de distrofia macular de início juvenil. É bilateral e simétrica em aparência, afeta a mácula e sua característica principal é a diminuição da visão central que geralmente inicia-se na primeira ou segunda década de vida. O objetivo do estudo é descrever o perfil clínico dos pacientes avaliados no Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, bem como descrever os achados eletrorretinográficos destes pacientes com o eletrorretinograma de campo total.
MÉTODOS: Foi realizado um estudo observacional retrospectivo, baseado na análise de prontuários e eletrorretinograma de 27 pacientes com Doença de Stargardt e Fundus Flavimaculatus, atendidos em consulta oftalmológica no ambulatório de Eletrofisiologia Ocular e Neuro-Oftalmologia do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, entre 1997 e 2014. Os pacientes incluídos no estudo apresentavam quadro clínico, fundoscopia e/ou achados eletrorretinográficos compatíveis com a doença.
RESULTADOS: A acuidade visual no melhor olho variou de 0 a 1,6 logMAR (20/20 a 20/800), com média de 0,89 ± 0,42 logMAR. A idade de aparecimento dos sintomas variou desde o nascimento a 36 anos (19,2 ± 9,2), sendo a maioria nas 1ª e 2ª década de vida. Em relação ao tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico, a média foi de 7,3 anos. Na fundoscopia, todos os pacientes apresentaram alguma alteração. Na análise do eletrorretinograma, a maioria dos pacientes demonstrou resultados que diferem da amostra de pacientes controles, ou seja, amplitudes reduzidas e tempos de culminação aumentados nas fases fotópicas e escotópicas.
CONCLUSÕES: A acuidade visual e idade de início de aparecimento dos sintomas encontrados neste estudo são compatíveis com a evolução desta distrofia. Achados fundoscópicos típicos da doença de Stargardt e eletrorretinograma alterados foram mais frequentes em decorrência do atraso no diagnóstico. Novos estudos prospectivos são necessários para avaliar estes pacientes, fundamentando-se em novas tecnologias.
Keywords: Eletrorretinografia; Doenças retinianas; Epitélio pigmentado da retina; Degeneração macular; Lipofuscina
Abstract
O presente estudo relatou o caso de um homem caucasiano de 19 anos com diminuição da acuidade visual no olho direito há 3 meses. Na fundoscopia havia um pit de papila associado ao descolamento seroso macular. A tomografia de coerência óptica identificou uma comunicação entre o pit e o descolamento seroso e a angiografia por tomografia de coerência óptica demonstrou uma área subfoveal sugestiva de membrana neovascular sub-retiniana. No entanto, não houve evidência de vazamento na angiofluoresceínografia com contraste e nem de membrana neovascular sub-retiniana na tomografia de coerência óptica na área suspeita. O paciente foi submetido a vitrectomia pars plana 23-gauge no olho direito. Seis semanas após a cirurgia, os exames foram repetidos e houve reabsorção quase completa do líquido sub-retiniano. O sinal da angiografia por tomografia de coerência óptica sobreposto à tomografia de coerência óptica B-scan era normal na região da mácula. Em conclusão, a angiografia por tomografia de coerência óptica pode produzir artefatos em maculopatia secundária a pit de papila que simulam uma membrana neovascular sub-retiniana.
Keywords: Disco óptico; Tomografia de coerência óptica; Angiofluoresceínografia; Vitrectomia; Descolamento retiniano; Artefatos
Abstract
O melanoma uveal é o câncer intraocular primário mais frequente em adultos. Embora a metástase hepática seja comum à história natural da doença, a metástase para o outro olho é extremamente rara. Aqui relatamos o caso de um homem de 59 anos com melanoma de coroide em seu olho direito que foi submetido à enucleação em um centro diferente. O paciente foi encaminhado ao nosso serviço 21 meses após a cirurgia, com queixa de diminuição da visão. Foi encontrado um novo tumor de coróide pigmentado em seu olho esquerdo associado com doença hepática. Ultrassonografia ocular e biópsia hepática com exame histopatológico e imuno-histoquímico foram realizadas e confirmaram o diagnóstico. Poucos casos semelhantes foram descritos na literatura. O diagnóstico diferencial incluiu melanoma de coróide bilateral orimário e tumor coroidal metastático de um melanoma primário da pele.
Keywords: Neoplasias da coroide/secundário; Melanoma; Metástase neoplásica; Diagnóstico diferencial
Abstract
Relatamos o achado intraoperatório de persistência dos depósitos de Distrofia Granular Tipo 1 (GCD1) após pneumodissecção estromal no transplante de córnea lamelar anterior profundo (DALK) em uma mulher de 61 anos. A pneumodissecção começou a partir do centro para a periferia da córnea, caracterizando uma big bubble tipo 1, que disseca o estroma profundo da camada pré-Descemet. Após a remoção do estroma, notamos a persistência de depósitos esbranquiçados no interior da camada pré-Descemet. Na avaliação pós-operatória, a biomicroscopia anterior e a tomografia de coerência óptica do segmento anterior evidenciaram opacidades granulares entre a membrana de Descemet e a córnea doadora, sugerindo o possível envolvimento da camada pré-Descemet na GCD1, o que pode chamar atenção do cirurgião para decidir entre manter o DALK ou converter para transplante penetrante.
Keywords: Distrofias hereditárias da córnea; Transplante de cornea; Córnea; Doenças da córnea; Lâmina limitante posterior
Abstract
Keywords:
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