Arq. Bras. Oftalmol. 2016;79 (6 )
:366-368
| DOI: 10.5935/0004-2749.20160104
Abstract
Objetivos: A qualidade óptica da interface após ceratoplastia lamelar anterior profunda (DALK) utilizando a técnica de "Big Bubble" mostrou-se ser excelente, levando a resultados comparáveis aos da ceratoplastia penetrante. No entanto, há poucos dados na literatura com respeito à controvérsia em torno da preparação da córnea doadora. O objetivo deste estudo foi avaliar a acuidade visual (VA) em pacientes com ceratocone submetidos DALK sem a remoção da membrana de descemet e endotélio do tecido doador. Métodos: Os prontuários de 90 pacientes que foram submetidos a DALK sem a remoção da membrana Descemet (DM) e do endotélio foram avaliados retrospectivamente. Os dados coletados incluíram VA sem correção (UCVA) e VA corrigida por óculos (SCVA) aos 7, 30, 180 dias, e 1 ano de pós-operatório. A acuidade visual corrigida por lente de contato (CLVA) foi avaliada após 1 ano do procedimento. Resultados: UCVA no pós-operatório melhorou após 7 dias (p<0,001); 30 dias (p<0,001); 180 dias (p<0,001); e após 1 ano (p<0,001). Ocorreu melhora da SCVA pré-operatória quando comparada com a SCVA e CLVA após 1 ano (p<0,001 para ambos). Conclusão: Transplante lamelar anterior utilizando córneas doadas com membrana de Descemet e endotélio demonstrou resultados visuais satisfatórios em pacientes com ceratocone.
Keywords: Doenças da córnea/cirurgia; Lâmina limitante posterior/cirurgia; Transplante da córnea/métodos; Epitélio posterior; Ceratoplastia penetrante; Ceratocone/cirurgia; Acuidade visual
Arq. Bras. Oftalmol. 2017;80 (3 )
:154-158
| DOI: 10.5935/0004-2749.20170038
Abstract
Objetivo: Demonstrar a eficácia do colírio de tacrolimus 0,03% como único agente antialérgico versus o colírio de cromoglicato de sódio 4% no tratamento de ceratoconjuntivite primaveril (CCP). Métodos: Ensaio clínico randomizado duplo-mascarado comparando a eficácia do colírio de tacrolimus 0,03% 3 vezes ao dia, versus o colírio de cromoglicato 4% 3 vezes ao dia, no controle dos sintomas e sinais de pacientes com o diagnóstico de ceratoconjuntivite primaveril, durante o período de 3 meses, com avaliações nos dias 0, 15, 30, 45 e 90. Acuidade visual, pressão intraocular e outras possíveis complicações foram avaliadas para determinar segurança e efeitos adversos. Resultados: Dezesseis pacientes foram incluídos no estudo, sendo que oito fizeram uso de colírio de tacrolimus 0,03% (Grupo 1) e oito fizeram uso de colírio de cromoglicato de sódio 4% (Grupo 2). Dois pacientes do Grupo 2 foram excluídos da análise dos dias 45 e 90, devido à necessidade de utilização de corticosteroide tópico. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (81,8%) e 56,3% apresentavam a doença em sua forma limbar. Houve diferença estatisticamente significativa entre os Grupos 1 e 2 em relação à graduação de severidade para os sintomas de prurido no dia 90 (p=0,001), sensação de corpo estranho no dia 15 (p=0,042), fotofobia no dia 30 (p=0,041) e para os sinais de atividade inflamatória limbar nos dias 15 (p=0,011), 30 (p=0,007) e 45 (p=0,015), e ceratite no dia 30 (p=0,048). Nenhum efeito adverso relevante foi notado, exceto queixa de queimação ocular quando da instilação de tacrolimus, o que não comprometeu à adesão ao tratamento. Conclusão: O colírio de tacrolimus 0,03% foi superior ao colírio de cromoglicato de sódio 4% comparando a graduação de severidade para os sintomas de prurido, sensação de corpo estranho e fotofobia, assim como para os sinais de atividade inflamatória limbar e ceratite, em determinados períodos de tempo durante o seguimento.
Keywords: Conjuntivite alérgica; Antialérgicos; Tacrolimo; Soluções oftálmicas; Cromolina sódica
Arq. Bras. Oftalmol. 2019;82 (2 )
:119-123
| DOI: 10.5935/0004-2749.20190026
Abstract
Objetivo: Avaliar a aderência, a eficácia e segurança do uso prolongado de tacrolimus tópico no controle clínico da ceratoconjuntivite vernal.
Métodos: Um estudo retrospectivo foi desenvolvido através da análise de prontuários de pacientes com ceratoconjuntivite vernal em tratamento prolongado com tacrolimus tópico 0,03%. A duração do tempo de uso do tacrolimus e as causas de descontinuação da medicação foram usadas para avaliar a adesão ao tratamento. Para avaliar a eficácia da droga, a necessidade e o número de vezes em que corticoides tópicos foram utilizados para controlar os sintomas foram registrados. Os efeitos colaterais relacionados ao uso do tacrolimus foram monitorados para determinar a segurança da droga.
Resultados: Vinte e um pacientes preencheram os critérios de eleição e foram incluídos no estudo. A duração média do uso de tacrolimus foi de 41,3 ± 18,5 meses. Quatorze pacientes (66,7%) usaram continuamente o tacrolimus e 3 (14,3%) descontinuaram o tratamento após a remissão completa. Quatro pacientes (19%) não usaram o tacrolimus conforme prescrito ou interromperam o uso da droga isoladamente: 2 (9,5%) por desconforto na aplicação e 2 (9,5%) pela falta de melhora. Dez pacientes (47,6%) mantiveram a doença sob controle sem o uso de corticoides, enquanto 11 (52,4%) necessitaram em média 2,70 ± 1,35 ciclos corticoides para controle dos sintomas. O único efeito adverso relatado foi desconforto na aplicação.
Conclusões: Apesar do pequeno tamanho da amostra e das limitações do desenho do estudo, esses resultados suportam o uso prolongado do tacrolimus tópico como opção eficaz e segura para o tratamento da ceratoconjuntivite vernal, com boa adesão dos pacientes ao tratamento.
Keywords: Ceratoconjuntivite vernal, ceratoconjuntivite primaveril, tacrolimus, conjuntivite alérgica, antialérgicos
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (4 )
:367-373
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210053
Abstract
OBJETIVO: A doença de Stargardt é a forma mais comum de distrofia macular de início juvenil. É bilateral e simétrica em aparência, afeta a mácula e sua característica principal é a diminuição da visão central que geralmente inicia-se na primeira ou segunda década de vida. O objetivo do estudo é descrever o perfil clínico dos pacientes avaliados no Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, bem como descrever os achados eletrorretinográficos destes pacientes com o eletrorretinograma de campo total.
MÉTODOS: Foi realizado um estudo observacional retrospectivo, baseado na análise de prontuários e eletrorretinograma de 27 pacientes com Doença de Stargardt e Fundus Flavimaculatus, atendidos em consulta oftalmológica no ambulatório de Eletrofisiologia Ocular e Neuro-Oftalmologia do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, entre 1997 e 2014. Os pacientes incluídos no estudo apresentavam quadro clínico, fundoscopia e/ou achados eletrorretinográficos compatíveis com a doença.
RESULTADOS: A acuidade visual no melhor olho variou de 0 a 1,6 logMAR (20/20 a 20/800), com média de 0,89 ± 0,42 logMAR. A idade de aparecimento dos sintomas variou desde o nascimento a 36 anos (19,2 ± 9,2), sendo a maioria nas 1ª e 2ª década de vida. Em relação ao tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico, a média foi de 7,3 anos. Na fundoscopia, todos os pacientes apresentaram alguma alteração. Na análise do eletrorretinograma, a maioria dos pacientes demonstrou resultados que diferem da amostra de pacientes controles, ou seja, amplitudes reduzidas e tempos de culminação aumentados nas fases fotópicas e escotópicas.
CONCLUSÕES: A acuidade visual e idade de início de aparecimento dos sintomas encontrados neste estudo são compatíveis com a evolução desta distrofia. Achados fundoscópicos típicos da doença de Stargardt e eletrorretinograma alterados foram mais frequentes em decorrência do atraso no diagnóstico. Novos estudos prospectivos são necessários para avaliar estes pacientes, fundamentando-se em novas tecnologias.
Keywords: Eletrorretinografia; Doenças retinianas; Epitélio pigmentado da retina; Degeneração macular; Lipofuscina