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Search for: Mário L. R. Monteiro
Abstract
Objetivo: Descrever dois pacientes que apresentaram constrição campimétrica importante e determinar a origem desta alteração visual causada pelo uso de vigabatrin, um anticonvulsivante que atua aumentando a concentração do ácido gama-aminobutírico no sistema nervoso central. Métodos: Os pacientes foram submetidos a exame e neuroftalmológico completo, avaliação cuidadosa da retina, campo visual com perímetro de Goldmann, tomografia computadorizada de crânio e órbitas, eletrorretinograma (ERG), imagem por ressonância magnética (1 paciente) e potencial visual evocado (1 paciente). Resultados: A acuidade visual se mostrou preservada; o primeiro paciente apresentava campo visual restrito à área central de 20 a 30 graus centrais e o segundo uma constrição leve a moderada. Os exames de neuroimagem foram normais assim como o potencial visual evocado. Observou-se palidez discreta de papila em 3 olhos estudados e estreitamento arteriolar muito discreto dos vasos retinianos. O ERG revelou alterações importantes caracterizada por redução da onda b (caso 1) e dos potenciais oscilatórios (caso 2). Conclusões: As alterações visuais causadas pelo vigabatrin são devidas a uma alteração retiniana, envolvendo provavelmente as células amácrimas, bipolares e ganglionares mas não se acompanham de uma alteração significativa à fundoscopia. Pacientes recebendo esta medicação devem ser seguidos de perto especialmente através da avaliação do campo visual central e periférico.
Keywords: Vigabatrin; Campo visual; Eletrorretinograma
Abstract
Objetivo: Avaliar os resultados e as complicações da descompressão orbitária antro-etmoidal em pacientes com orbitopatia distireoidiana. Métodos: 14 pacientes sendo 10 do sexo feminino, com média de idade de 41,7 anos, foram submetidos a 22 cirurgias de descompressão orbitária. Em 3 cirurgias (2 pacientes), na fase ativa da oftalmopatia a indicação cirúrgica foi ulceração de córnea, com risco de perfuração corneana. Estes pacientes estavam recebendo corticosteróides associados a ciclofosfamida e radioterapia tendo o tratamento prosseguido após a cirurgia. Dezenove órbitas foram operadas em fase inativa da orbitopatia por indicação cosmética associada a desconforto ocular por exposição corneana. Resultados: A redução da proptose oscilou entre 1 e 6 mm (média 3,91 mm). Nos pacientes operados na fase aguda a redução média foi de 5,33 ± 0,27 mm e na fase sequelar foi de 3,68 ± 0,25 mm. Nenhum paciente apresentou diplopia conseqüente a cirurgia. Correção de estrabismo prexistente foi realizada em 2 pacientes e tarsorrafia temporária foi associada a cirurgia descompressiva nas 3 cirurgias realizadas na fase aguda. Seis pacientes foram subseqüentemente submetidos à correção de retração palpebral prexistente. Em uma paciente houve piora da retração palpebral inferior como conseqüência da descompressão orbitária. Houve diminuição transitória da sensibilidade na região malar em quase todos os pacientes mas em nenhum deles ela foi definitiva. Conclusões: A descompressão óssea antro-etmoidal da órbita é eficiente em reduzir a proptose em pacientes com orbitopatia distireoidiana e apresenta baixa incidência de complicações. Associada a outras modalidades terapêuticas pode ser um procedimento útil em casos graves na fase congestiva. Da mesma forma, se mostrou benéfica na reabilitação cosmética de indivíduos na fase seqüelar.
Keywords: Doenças orbitárias; Descompressão; Exoftalmia; Doença de Graves
Abstract
Objetivo: Estudar o comportamento da refração e da curvatura corneana em pacientes com esotropia essencial submetidos à cirurgia monocular para correção do estrabismo. Métodos: Estudo prospectivo em que 42 olhos de 21 pacientes com esotropia essencial de ângulo moderado, sem quaisquer outros estrabismos associados, foram selecionados e submetidos ao exame oftalmológico completo e à cirurgia monocular. O olho contralateral serviu como grupo controle. Foram feitas avaliações de pré-operatório, pós-operatório de 1 mês e pós-operatório de 6 meses. O astigmatismo pré-operatório foi confrontado com os astigmatismos pós-operatórios por análise vetorial e cálculo do valor polar. Resultados: Obtivemos, nos olhos operados, redução significante (p<0,05) na médio do equivalente esférico, de 3,28 ±1,98 dioptrias para 3,05 ± 1,95 dioptrias. Na refração houve um aumento significante da média do componente a 90° do astigmatismo, de 0,458 ± 0,594 dioptrias para 1,002 ± 0,718 dioptrias, também observado na ceratometria: 1,083 ± 0,560 dioptrias para 1,690 ± 0,591 dioptrias. A média do astigmatismo induzido pela cirurgia, na refração, foi de 0,63 ± 0,27 dioptrias a um eixo médio de 92,30 ± 14,91 graus e de 0,71 ± 0,27 dioptrias a um eixo médio de 94,45 ± 15,69 graus na ceratometria, evidenciáveis graficamente pelo mapa diferencial da topografia corneana. Conclusões: Observa-se aumento estatisticamente significante e clinicamente relevante do astigmatismo a-favor-da-regra em pacientes esotrópicos submetidos ao retrocesso/ressecção monocular. Essa mudança é estável ao longo do tempo e é acompanhada de diminuição significante do equivalente esférico.
Keywords: Esotropia; Refração ocular; Estrabismo; Astigmatismo; Procedimentos cirúrgicos operatórios
Abstract
Objetivos: Avaliar a eficácia da descompressão da bainha do nervo óptico (DBNO) realizada em olhos com papiledema e perda visual, de pacientes com pseudotumor cerebral. Métodos: Foram estudados 17 pacientes (24 olhos) submetidos à descompressão da bainha do nervo óptico entre janeiro de 1991 e janeiro de 1999. Todos tinham diagnóstico de pseudotumor cerebral e foram operados por apresentar perda da acuidade (AV) e/ou do campo visual (CV). Duas pacientes não toleraram o tratamento clínico com diuréticos e corticóides e, nos demais, a medicação não surtiu efeito satisfatório. Quatro pacientes já haviam sido submetidas à derivação lombo-peritoneal. Resultados: A cirurgia foi unilateral em dez pacientes e bilateral em sete. Quatro tiveram cirurgia bilateral e simultânea devido à gravidade da perda visual. A acuidade visual e/ou o campos visuais melhorou em 14, permaneceu inalterada em 9 e piorou em apenas 1 dos 24 olhos operados. A paciente que apresentou piora já tinha perda visual acentuada e rapidamente progressiva, com apenas uma ilha paracentral de visão e conta dedos no pré-operatório. Houve resolução do edema em todos os olhos operados, seguido de atrofia óptica em muitos deles. Os pacientes que não melhoraram a função visual foram aqueles operados já com perda acentuada da função visual. Hemorragia moderada trans-operatória ocorreu em duas cirurgias. Conclusões: A descompressão da bainha do nervo óptico pode ser útil para proteger a função visual de pacientes com papiledema por pseudotumor cerebral que não respondem adequadamente ao tratamento clínico, além de poder servir como tratamento complementar para pacientes já submetidos à derivação lombo-peritoneal.
Keywords: Papiledema; Pseudotumor cerebral; Pseudotumor cerebral; Pseudotumor cerebral; Descompressão cirúrgica; Nervo óptico; Acuidade visual; Campos visuais
Abstract
Objetivo: Descrever a apresentação clínica e os achados diagnósticos aos exames de imagem de um caso incomum de cisto hemático intraconal espontâneo da órbita. Métodos: O paciente foi submetido a exame clínico e oftalmológico completos, tomografia computadorizada, ultra-sonografia orbitária, imagem por ressonância magnética e abordagem cirúrgica da lesão. Resultados: Observou-se proptose intensa com sinais congestivos e baixa visual. A tomografia computadorizada mostrou massa homogênea de limites bem definidos na órbita, comprimindo o globo ocular anteriormente. A ultra-sonografia mostrou lesão com baixa refletividade no seu interior. A imagem por ressonância magnética revelou lesão arredondada que nos cortes enfatizando T1 apresentava sinal isointenso em seu interior associado a halo de hipersinal periférico e possuía hipersinal nos cortes enfatizando T2, achados estes indicativos de lesão com sangue no seu interior. A abordagem cirúrgica confirmou a presença de cisto hemático da órbita que foi drenado com excelente recuperação funcional. Conclusões: Cisto hemático intraconal deve ser incluído no diagnóstico diferencial das lesões bem delimitadas e de evolução aguda ou subaguda da órbita que apresentem hipersinal em T1 e em T2 à imagem por ressonância magnética. O tratamento deve ser feito em caráter de urgência, nos casos em que há proptose intensa ou risco de comprometimento visual.
Keywords: Doenças orbitárias; Cistos; Hemorragia; Tomografia computadorizada por raios-x; Ultra-sonografia
Abstract
Objetivo: Relatar um caso de doença de Erdheim-Chester com envolvimento orbital bilateral e informar os oftalmologistas a respeito dessa condição incomum. Métodos: Relato de caso. Paciente do sexo masculino, 41 anos de idade, apresentou com proptose, xantelasmas, edema do disco óptico e restrição dos músculos extraoculares. A suspeita diagnóstica era de linfoma com envolvimento sistêmico e já havia sido submetido à biópsia do retroperitônio, mas o diagnóstico ainda era inconclusivo. Resultados: O paciente foi submetido a exame de tomografia computadorizada e imagem por ressonância magnética da órbita. Foi feita a suspeita de pseudotumor orbitário e biópsia orbital foi realizada. Esta não revelou o diagnóstico correto que foi feito apenas após análise detalhada dos dados clínicos e de imagem e após revisão dos exames histopatológicos. O diagnóstico sistêmico só foi feito após o diagnóstico da afecção orbitária embora o paciente já estivesse sendo investigado do ponto de vista clínico por mais de um ano. Conclusão: A doença de Erdheim-Chester é condição sistêmica idiopática caracterizada por processo xantogranulomatoso envolvendo o retroperitônio, coração, pulmões, ossos e outros tecidos. A condição freqüentemente é fatal devido a complicações renais e cardiovasculares. Os achados oculares são incomuns e podem auxiliar no diagnóstico. Os oftalmologistas devem, portanto, conhecer as manifestações clínicas e os achados de imagem dessa doença e auxiliar no seu diagnóstico precoce.
Keywords: Histiocitose de células de Langerhans; Doenças orbitárias; Xantomatose; Órbita; Tomografia computadorizada por raios x; Imagem por ressonância magnética; Relato de caso
Abstract
OBJETIVO: Relatar um caso raro de proptose unilateral associada à paralisia oculomotora e cegueira causados por adenoma pituitário gigante. MÉTODOS: A paciente foi submetida a exame clínico e oftalmológico completo, campimetria, exame de imagem por ressonância magnética e estudo histopatológico do tumor após intervenção cirúrgica. RESULTADOS: Paciente de 21 anos apresentou perda visual progressiva bilateral associada à proptose e limitação da motilidade ocular do olho esquerdo. A campimetria revelou hemianopsia temporal completa no olho direito e havia ausência de percepção luminosa no olho esquerdo. O exame de imagem por ressonância magnética mostrou extenso tumor infiltrando o terceiro ventrículo, seio cavernoso e ápice da órbita à esquerda. O estudo histopatológico revelou se tratar de adenoma hipofisário produtor de hormônio de crescimento e prolactina sem sinais de malignidade. CONCLUSÃO: Este caso é de interesse não apenas pelo fato do envolvimento orbitário pelos adenomas ser extremamente raro, mas também para salientar a importância de diagnóstico precoce uma vez que apesar da histologia benigna, os adenomas invasivos nem sempre seguem curso clínico favorável.
Keywords: Exoftalmia; Neoplasias hipofisárias; Neoplasias hipofisárias; Adenoma; Campimetria; Cegueira; Glândula pituitária; Relato de caso
Abstract
OBJETIVO: Analisar os achados ao perímetro de Humphrey em pacientes com defeitos campimétricos discretos por compressão quiasmática e verificar a melhor estratégia na detecção destas alterações. MÉTODOS: Doze pacientes com defeitos campimétricos por compressão quiasmática foram estudados, prospectivamente, por meio das perimetrias manual e computadorizada. Dezessete olhos com defeitos discretos, selecionados pelo Goldmann, foram estudados pela perimetria computadorizada, com o programa 24-2 do Humphrey Field Analizer. Foram analisados o gráfico em escalas de cinza, o "mean deviation" fornecido pelo aparelho, e o número de falhas encontradas ao "total deviation" e ao "pattern deviation" nos hemicampos nasal e temporal. Além disso, foi calculado um desvio médio para 12 pontos situados nos quadrantes nasal superior e temporal superior. Os achados do setor nasal do campo visual foram comparados com aqueles do setor temporal pelo teste t de Student. RESULTADOS: A análise do gráfico na escala de cinzas não identificou o defeito campimétrico em seis olhos. Os valores médios do "mean deviation" temporal superior e nasal superior foram respectivamente -9,65 ± 6,48 e -3,98 ± 2,30. O estudo estatístico mostrou diferença significativa entre os dois valores. A média do número de pontos de falhas observadas ao "total deviation" no hemicampo temporal foi 11,64 ± 7,35 e no nasal de 8,11 ± 5,07. Não houve diferença significativa entre eles. Ao "pattern deviation", a média de pontos de falhas no hemicampo temporal foi de 5,82 ± 5,42 e no nasal foi de 2,41 ± 2,64. O estudo estatístico revelou diferença significativa entre estes valores. CONCLUSÕES: A simples análise do gráfico em tons de cinza deixa de identificar defeitos quiasmáticos discretos em número considerável de pacientes. Da mesma forma a observação dos pontos de falhas ao "total deviation" parece não ser suficiente para identificar defeitos quiasmáticos iniciais. A comparação dos desvios médios calculados para os quadrantes temporal e nasal superior e a observação de um maior número de falhas ao "pattern deviation" no campo temporal comparado ao nasal parecem ser critérios úteis para identificar tais defeitos.
Keywords: Perimetria; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Neoplasias hipofisárias
Abstract
A doença de Lyme é afecção sistêmica causada pela espiroqueta Borrelia burgdorferi, transmitida pelo carrapato. É descrita principalmente nos países do hemisfério norte, sendo pouco relatada no Brasil. O objetivo deste trabalho é documentar uma paciente com doença de Lyme que apresentou pupila tônica bilateral como única seqüela oftálmica da afecção. Trata-se de uma menina de 13 anos de idade, com diagnóstico de doença de Lyme, que apresentou paralisias facial periférica e do oculomotor bilaterais. Após recuperação do quadro neurológico manteve anisocoria, fraco reflexo fotomotor, amplitude de acomodação inferior ao normal, constrição pupilar tônica para perto e redilatação lenta em ambos os olhos. O teste com pilocarpina a 0,1% foi positivo em ambos os olhos, confirmando a suspeita clínica de pupila tônica bilateral. Este é o primeiro caso relatado de pupila tônica bilateral causado pela doença de Lyme.
Keywords: Pupila tônica; Doença de Lyme; Doença de Lyme; Ceftriaxona; Doença de Lyme; Papiledema; Meningoencefalite; Relato de caso
Abstract
OBJETIVO: Comparar os resultados da descompressão orbitária antro-etmoidal isolada àqueles da mesma cirurgia associada à remoção de tecido orbitário em paciente com orbitopatia distiroidiana seqüelar. MÉTODOS: Foram analisadas 2 modalidades de descompressão orbitária. Ambas tiveram como indicação apenas a correção estética e do desconforto ocular dos pacientes. Todos pacientes se apresentavam na fase inativa da orbitopatia distiroidiana. Em um grupo de 12 pacientes (grupo 2) foram realizadas 19 cirurgias de descompressão orbitária antro-etmoidal isolada. No outro grupo (grupo 1) composto por 8 pacientes foram realizadas 10 cirurgias de descompressão óssea antro-etmoidal associada à remoção de aproximadamente 1 centímetro cúbico de tecido adiposo da órbita. Os resultados das cirurgias nos dois grupos foram comparados entre si. RESULTADOS: No grupo 2 a redução da proptose oscilou entre 1 e 5 mm (média 3,68±1,10 mm) e no grupo 1 variou de 1 a 5 mm (média 3,25±1,36 mm). CONCLUSÕES: Tanto a descompressão óssea isolada como aquela associada à remoção de tecido adiposo orbitário apresentam redução semelhante na proptose, não havendo diferença significativa entre elas. A remoção de gordura temporal inferior, em torno de 1 centímetro cúbico parece não aumentar a redução da proptose quando comparada com a cirurgia descompressiva óssea isolada. Porém fatores como a complacência de tecidos moles, a quantidade de gordura retirada e as janelas ósseas realizadas em cada grupo devem ser considerados na conclusão deste trabalho retrospectivo de comparação entre técnicas.
Keywords: Doença de Graves; Descompressão cirúrgica; Órbita; Osso etmóide; Lipectomia; Estudo comparativo; Estudos retrospectivos
Abstract
O objetivo é relatar um caso de trombose de seio venoso cerebral causando síndrome de pseudotumor, onde a principal manifestação clínica foi uma perda visual bilateral grave. Homem de 24 anos apresentando perda visual bilateral grave, obscurecimentos transitórios da visão, cefaléia, papiledema bilateral e campos visuais constrictos. Tomografia computadorizada, bem como exame neurológico, apresentavam-se normais. Punção lombar mostrou um aumento da pressão liquórica inicial e o hemograma mostrou aumento do número de plaquetas. A ressonância magnética de crânio apresentava sinais característicos de papiledema crônico e sinais sugestivos de trombose de seio sagital superior. A venorressonância magnética de crânio mostrou trombose de seios sagital superior, transversos e sigmóides. Paciente foi tratado com descompressão de bainha de nervo óptico do olho esquerdo, acetazolamida e anticoagulação. O exame oftalmológico após o tratamento mostrou redução do papiledema, mas com persistência de perda visual acentuada. O pseudotumor cerebral com perda visual severa pode ser um sinal de apresentação de trombose venosa cerebral secundária a doença hematológica grave.
Keywords: Papiledema; Pseudotumor cerebral; Trombose de seios intracranianos; Pressão intracraniana; Trombocitose; Acuidade visual; Relato de caso
Abstract
OBJETIVO: Estudar, ao perímetro de Goldmann, um grupo de pacientes com hemianopsia completa ao perímetro Humphrey (24-2 full threshold test), e verificar em quantos casos a perimetria computadorizada deixou de identificar a presença de campo visual periférico residual. MÉTODOS: Dezenove pacientes com defeitos campimétricos por compressão quiasmática foram estudados prospectivamente por meio das perimetrias manual e computadorizada. Vinte e cinco olhos com hemianopsia temporal completa pelo programa 24-2 do Humphrey Field Analyzer foram selecionados e estudados pela perimetria manual de Goldmann para avaliar a presença de campo visual periférico residual. De acordo com os resultados ao perímetro de Goldmann, os olhos foram divididos em 2 grupos: grupo 1, os portadores de hemianopsia temporal completa ao Goldmann e grupo 2, os portadores de campo visual temporal periférico residual. Foi calculada a média do "mean deviation" fornecido pelo aparelho nos dois grupos e o resultado foi comparado pelo teste t de Student. RESULTADOS: A perimetria computadorizada deixou de identificar a presença de campo visual periférico residual em 17 dos 25 olhos (68%). Os valores médios do "mean deviation" no grupo 1 e grupo 2 foram respectivamente -15,43 e -15,93. O estudo estatístico não mostrou diferença significativa entre os dois valores. CONCLUSÕES: A perimetria computadorizada Humphrey com o programa 24-2 threshold test deixa de identificar remanescentes temporais de campo visual em grande porcentagem de pacientes com compressão quiasmática grave. A análise do "mean deviation" fornecido pelo aparelho não permite identificar estes casos. Pacientes estudados ao perímetro automático e apresentando hemianopsia temporal completa, devem complementar sua avaliação perimétrica com a pesquisa por áreas remanescentes no campo visual temporal.
Keywords: Perimetria; Campos visuais; Quiasma óptico; Transtornos da visão; Neoplasias hipofisárias; Técnicas de diagnóstico oftalmológico
Abstract
Lesões que acometem o corpo geniculado lateral (CGL) são as mais raras entre as afecções da via óptica. Os exames de neuro-imagem têm a importante função de identificar tais lesões. Entretanto, devido a seus tamanho e localização, a demonstração neuro-radiológica do corpo geniculado lateral e de suas lesões, podem eventualmente, ser dificultadas levando a confusão diagnóstica. O objetivo desse relato é documentar um caso raro de acometimento do corpo geniculado lateral e em que tomografia por coerência óptica teve participação relevante na confirmação do diagnóstico anatômico de lesão do corpo geniculado lateral. Paciente feminina de 39 anos, com diagnóstico prévio de uveíte e vasculite de sistema nervoso central por doença de Behçet, apresentou-se para a investigação de quadrantopsia temporal à direita. A imagem por ressonância magnética não mostrava lesão na via óptica. Evidenciou-se à oftalmoscopia, perda da camada de fibras nervosas retinianas peripapilar "em banda", que foi confirmada pela tomografia por coerência óptica. Esta observação, associada aos achados do exame neurológico levaram à forte suspeita de lesão no corpo geniculado lateral sendo então solicitada nova imagem por ressonância magnética, que evidenciou lesão isquêmica de corpo geniculado lateral. O caso apresentado confirma a importância do tomógrafo por coerência óptica em determinar o padrão de perda de camada de fibras nervosas retinianas em afecções neuroftálmicas, e assim cooperar na localização da lesão dentro da via óptica.
Keywords: Corpos geniculados; Hemianopsia; Células do gânglio retiniano; Fibras nervosas; Doenças do nervo óptico; Tomografia de coerência óptica; Condutos visuais
Abstract
Cegueira como complicação de septoplastia nasal é uma ocorrência devastadora com apenas poucos casos relatados na literatura. Na maioria destes casos, a perda visual foi atribuída a embolismo retiniano após injeção intra-arterial de substâncias no corneto nasal. Este trabalho documenta um caso de cegueira unilateral completa decorrente de trauma direto do nervo óptico durante uma septorrinoplastia aparentemente sem intercorrências. Oftalmologistas e otorrinolaringologistas devem portanto estar cientes da possibilidade da ocorrência desta complicação.
Keywords: Cegueira; Rinoplastia; Nervo óptico; Complicações pós-operatórias; Perda visual; Relatos de casos
Abstract
OBJETIVO: Relatar alterações na camada de fibras nervosas retiniana (CFNR) com o uso da tomografia de coerência óptica (Stratus OCT TM) em pacientes com adenoma hipofisário. MÉTODOS: Dois pacientes com defeito perimétrico bitemporal de longa duração e atrofia em banda do nervo óptico foram examinados com tomografia de coerência óptica (Stratus OCT TM). RESULTADOS: Ambos pacientes demonstraram perda difusa da camada de fibras nervosas retiniana com redução acentuada nas regiões nasal e temporal do disco óptico. A perda da camada de fibras nervosas retiniana se correlacionou com o defeito de campo visual e com os estudos histológicos de atrofia em banda do nervo óptico. CONCLUSÕES: A tomografia de coerência óptica (Stratus OCT TM) pode apresentar grande utilidade no diagnóstico da atrofia em banda decorrente de lesões quiasmáticas tais como os adenomas pituitários.
Keywords: Neoplasias hipofisárias; Células do glângio retiniano; Tomografia de coerência óptica; Quiasma óptico; Fibras nervosas; Transtornos da visão; Relato de casos
Abstract
Proptose e diplopia decorrentes de alargamento de músculo extra-ocular representam importante sinal de apresentação de várias afecções da órbita. Embora a causa mais comum de alargamento de músculo extra-ocular seja a orbitopatia distiroidiana, o diagnóstico diferencial destas doenças é extenso. Relatamos neste trabalho o caso de um paciente com história de diplopia e proptose unilateral de três meses que apresentava importante espessamento isolado do músculo reto inferior direito e após investigação clínica, radiológica e biopsia incisional teve o diagnóstico de tumor metastático de células renais para o músculo reto inferior. Há poucos casos relatados de metástases para a musculatura ocular extrínseca sendo assim nosso objetivo relatar um novo caso, revisar a literatura e reforçar a inclusão deste distúrbio no diagnóstico diferencial do espessamento da musculatura extra-ocular.
Keywords: Carcinoma de células renais; Metástase neoplásica; Exoftalmia; Músculos oculomotores; Neoplasias orbitárias; Diplopia; Relatos de casos [tipo de publicação]
Abstract
OBJETIVO: Comparar a capacidade do polarímetro de varredura a laser (GDx), do tomógrafo de coerência óptica (OCT) 1 e do Stratus-OCT em diferenciar olhos normais de olhos com atrofia em banda do nervo óptico e hemianopsia temporal. MÉTODOS: Vinte e três olhos de pacientes com atrofia em banda do nervo óptico e 23 olhos de indivíduos normais foram incluídos em estudo prospectivo observacional caso-controle. Todos foram submetidos à análise da camada de fibras nervosas retiniana (CFNR) utilizando GDx, OCT-1 e Stratus-OCT. As médias dos valores obtidos em cada aparelho foram comparadas entre olhos com atrofia em banda e controles normais. Curvas ROC (receiver operating characteristic) e sensibilidade para especificidades fixas (80% e 95%) foram calculadas para cada parâmetro produzido pelos três instrumentos e comparadas entre si. RESULTADOS: Quando comparados aos indivíduos normais, os resultados dos pacientes referentes à camada de fibras nervosas retiniana (média global e quatro quadrantes estudados) foram significativamente menores (p<0,05) em todos os aparelhos estudados, com exceção do parâmetro referente ao setor temporal quando avaliado pelo GDx. A comparação das áreas sob a curva ROC (AROC) dos parâmetros referentes aos três aparelhos mostrou valores significativamente maiores para o Stratus-OCT quando comparados ao OCT-1 na média global e no setor temporal. O Stratus-OCT foi significativamente mais sensível do que o GDx na média global e nos quadrantes temporal, nasal e inferior. Por sua vez, o OCT-1 foi superior ao GDx na discriminação dos defeitos apenas no quadrante temporal, não mostrando diferença significativa na média global e nos demais quadrantes. Os três aparelhos mostraram capacidade semelhante na identificação dos defeitos referentes ao quadrante superior. CONCLUSÃO: O Stratus-OCT demonstrou a maior capacidade em diferenciar olhos com atrofia em banda do nervo óptico de olhos normais embora todos os três aparelhos consigam identificar a maioria dos olhos anormais. O OCT-1 se mostrou inferior ao Stratus-OCT e superior ao GDx no quadrante temporal. Embora o GDx tenha sido capaz de identificar algum tipo de alteração na maioria dos olhos estudados, este aparelho se mostrou pouco sensível na detecção da perda axonal nos quadrantes nasal e temporal do disco óptico, devendo ser utilizado com cuidado no estudo de afecções neuroftalmológicas que acometem estas regiões do disco óptico.
Keywords: Tomografia de coerência óptica; Nervo óptico; Retina; Perimetria; Lasers; Fibras nervosas; Atrofia óptica; Microscopia confocal; Quiasma óptico; Axônios; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Sensibilidade e especificidade; Estudo comparativo
Abstract
Descrevemos uma paciente de 9 anos, sexo feminino, com perda visual bilateral grave tratada com corticóide por via oral apresentando melhora em apenas um olho. Nove anos depois apresentou recidiva que inicialmente respondeu à pulsoterapia corticóide mas foi seguida de perda progressiva e completa da visão após a redução do tratamento. Novas tentativas terapêuticas não melhoraram a visão. Avaliação clínico-laboratorial não revelou doença sistêmica, mas apresentava anticorpos antinucleares (1/640), anti-Ro e anti-La positivos. Neuropatia óptica auto-imune é uma afecção rara, que simula neurite óptica idiopática e se caracteriza por perda visual aguda, sem doença sistêmica, mas com evidências laboratoriais de doença auto-imune, em especial o FAN positivo. Biópsia de pele freqüentemente mostra evidências de vasculite. Esta condição deve ser tratada agressivamente, com corticóide e imunossupressores, uma vez que o acometimento visual geralmente é mais grave do que o da neurite óptica idiopática/desmielinizante e pode ser irreversível.
Keywords: Doenças do nervo óptico; Auto-imunidade; Neurite óptica; Doenças do colágeno
Abstract
OBJETIVO: Calcular a área do disco óptico de pacientes com neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) e com neuropatia óptica isquêmica anterior por arterite temporal (NOIA-A) comparando os resultados entre si e com o grupos controle para verificar a existência e a magnitude de fatores anatômicos predisponentes ao desenvolvimento da neuropatia óptica isquêmica anterior. MÉTODOS: Estudo prospectivo, caso-controle das áreas dos discos ópticos de 24 pacientes acometidos por NOIA-NA, 13 com NOIA-A e 24 indivíduos controles normais. As medidas da área do disco óptico foram realizadas a partir de retinografias projetadas, sendo as medidas corrigidas levando em conta o erro refracional e a ceratometria de acordo com o método de Littmann em cada um dos grupos estudados. Os resultados foram comparados usando-se análise de variância. RESULTADOS: Os valores médios e desvios-padrão para as áreas do disco óptico dos olhos com NOIA-NA, NOIA-A e normais foram respectivamente de 1,99 ± 0,35 mm²; 2,29 ± 0,39 mm² e 2,49 ± 0,53 mm². A análise estatística revelou diferença significativa entre o grupo de olhos de pacientes com NOIA-NA e os controles normais. Não houve diferença significativa entre os olhos com NOIA-A e os controles. CONCLUSÕES: A forma não arterítica da NOIA ocorre em olhos com discos ópticos pequenos, ao passo que a forma arterítica da doença não mostra esta preferência. Fatores anatômicos estruturais do disco óptico têm um papel importante na fisiopatogenia da NOIA-NA. A ocorrência de NOIA em disco óptico de grandes dimensões deve reforçar a suspeita de arterite temporal. Discos ópticos pequenos, por outro lado não permitem excluir aquela vasculite.
Keywords: Neuropatia óptica isquêmica; Disco óptico; Doenças do nervo óptico; Arterite temporal
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a capacidade da perimetria com tecnologia de freqüência duplicada (FDT) de identificar defeitos de campo visual associados a tumores pituitários. MÉTODOS: Vinte e três olhos de pacientes com tumores pituitários (TP) e 28 olhos normais foram estudados. Os indivíduos eram selecionados quando apresentavam acuidade visual normal e defeito temporal discreto ou moderado em pelo menos um olho ao perímetro de Goldmann e à perimetria automatizada padrão (SAP). O teste com FDT foi realizado usando os programas "C-20-5 screening" e "C-20 full-threshold test". A sensibilidade e a especificidade para identificação de defeito campimétrico foram determinados e os grupos comparados com relação a diversos parâmetros. Por fim, nós comparamos a capacidade do FDT e da SAP em detectar o padrão característico de hemianopsia/quadrantopsia temporal. RESULTADOS: No teste de "screening", a sensibilidade oscilou entre 21,74% e 43,48% ao passo que a especificidade foi 100%. No "threshold test", a sensibilidade variou entre 52,17% e 82,61% (especificidade entre 85,71% e 60,71%), na análise do "total deviation", e de 30,43% a 73,91% (especificidade de 96,42% a 64,28%), de acordo com a análise do "pattern deviation". Pacientes com TP apresentaram número significativamente maior de pontos de falhas no hemicampo temporal. Em 12 olhos FDT e SAP foram ambos capazes de identificar o padrão característico de defeito de campo visual, em 4 olhos FDT foi melhor que SAP; em 4 olhos, SAP foi melhor que o FDT, ao passo que em 3 olhos, nenhum dos dois testes foi capaz de determinar o padrão característico de defeito de campo visual corretamente. CONCLUSÕES: A perimetria FDT "threshold" parece ser instrumento sensível para identificar anormalidades em olhos com defeito de campo induzidos por compressão quiasmática detectados à perimetria convencional.
Keywords: Perimetria; Neoplasias hipofisárias; Campos visuais; Transtornos da visão
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