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Abstract
O caso descrito apresentava uma hipotropia pouco severa com acuidade visual normal e binocularidade em infra-versão; além de uma hipotonia muscular generalizada, ao contrário da severa hipotropia e ambliopia encontrada nessa afecção. O procedimento cirúrgico levou estes fatos em consideração, tendo-se optado por um retrocesso pequeno do reto inferior para que se corrigisse o torcicolo sem interferir na posição de leitura. Os resultados pós-operatórios foram satisfatórios.
Keywords: Fibrose congênita de reto inferior; Ambliopia; Hipotonia muscular generalizada
Abstract
A paracoccidioidomicose (Pbmicose) é a micose profunda mais freqüente no Brasil, mas o acometimento ocular é raro e, quando presente, geralmente secundário. Os autores relatam caso de Pbmicose pálpebro-conjuntival em que não foi encontrado foco extra-ocular. É feita uma revisão da literatura e discutida a importância da suspeita diagnóstica em população de risco e do tratamento precoce desta condição para o bom prognóstico visual.
Keywords: Paracoccidioidomicose; Pálpebras; Conjuntiva; Doenças palpebrais
Abstract
Objetivo: Comparar os valores dos limites de normalidade da amplitude e tempo de culminação do eletrorretinograma (ERG) de 2 laboratórios diferentes. Métodos: Dados normativos do ERG disponibilizados pelo fabricante de aparelhos de eletrofisiologia com o programa UTAS (LKC Technologies), que incluíam 110 indivíduos normais de 22 a 79 anos de idade, foram comparados com valores normais de nosso laboratório publicados anteriormente, referentes a 42 indivíduos normais com idades variando de 6 a 72 anos, cujo exame foi realizado em um dos modelos LKC (EPIC 2000). O método de registro do ERG foi o de estimulação simples ("single flash") e seguiu as recomendações da ISCEV (International Society of Clinical Electrophysiology of Vision). Resultados: Todos os parâmetros do ERG, tanto de amplitude quanto de tempo de culminação, com exceção da amplitude dos potenciais oscilatórios (p = 0,0779) e do tempo de culminação da onda-b da resposta máxima combinada (p = 0,7771), foram significativamente (p < 0,0001) diferentes. Conclusão: Cada laboratório de eletrofisiologia deve ter seus próprios parâmetros de normalidade, os quais podem ser resultado do intervalo de confiança de 95% da média de sua amostra de normais, ou os percentis 2,5 e 97,5. No primeiro caso os limites serão bastante estreitos, aumentando a sensibilidade do teste, ocorrendo o inverso no segundo.
Keywords: Eletrorretinografia; Valores de referência; Eletrofisiologia; Intervalos de confiança; Estudo comparativo
Abstract
Objetivo: Relato clínico-patológico de três casos de paracoccidioidomicose multifocal comprometendo pálpebra e secundariamente a conjuntiva em dois deles. Métodos: Revisão dos prontuários e preparações histopatológicas obtidas das biópsias. Resultado: O estudo histopatológico realizado nos três casos, evidenciou reação inflamatória de tipo granulomatoso. A coloração pelo método de Grocott demonstrou a presença do Paracoccidioides brasiliensis. Conclusão: É importante a inclusão da paracoccidioidomicose no diagnóstico diferencial de lesões tumorais acometendo as pálpebras.
Keywords: Paracoccidioidomicose; Doenças palpebrais; Diagnóstico diferencial; Pálpebras; Conjuntiva; Relato de caso
Abstract
OBJETIVO: Avaliar as alterações que ocorrem na sensibilidade corneana e secreção lacrimal após a cirurgia de "laser in situ keratomileusis" (LASIK). MÉTODOS: Foram examinados 38 olhos de 19 pacientes, 9 homens e 10 mulheres submetidos à cirurgia de LASIK para correção de miopia com equivalente esférico médio de -3,79 D (± 1,29 D). A sensibilidade corneana foi medida com o estesiômetro de Cochet-Bonnet, na região central da córnea. A secreção lacrimal foi avaliada pelos testes de Schirmer I, secreção basal, medida do tempo de rotura do filme lacrimal, e sintomatologia apresentada. Os exames foram realizados antes e após 7, 30, 90, 180 e 270 dias da cirurgia ou até que os níveis pré-operatórios fossem atingidos. RESULTADOS: Antes da cirurgia, o valor mediano da sensibilidade tátil corneana foi de 60,0 mm (variando de 50 a 60 mm); o teste de Schirmer I apresentou mediana de 21,5 mm (variando de 10 a 30 mm); o teste de secreção basal obteve mediana de 11,5 mm (variando de 6 a 20 mm); o tempo de rotura do filme lacrimal alcançou mediana de 16,0 segundos (variando de 8 a 22 segundos). Todos os pacientes recuperaram seus valores pré-operatórios de sensibilidade corneana e secreção lacrimal entre 90 e 180 dias após a cirurgia. Durante os 9 meses de seguimento, 5 pacientes (10 olhos) não apresentaram qualquer sintoma relacionado a olho seco. CONCLUSÃO: Após a cirurgia de LASIK a sensibilidade corneana e a secreção lacrimal podem ficar reduzidos por até 6 meses. Neste período, 73,6% dos pacientes apresentaram sintomas de olho seco. Estudos futuros são necessários para avaliar os efeitos destas alterações sobre a fisiologia corneana.
Keywords: Miopia; Ceratomileuse assistida por excimer laser in situ; Complicações pós-operatórias; Síndromes do olho seco; Lagrimas; Córnea
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a incidência de lesões de fundo de olho em pacientes com tuberculose no Distrito Federal e identificar fatores de risco para o aparecimento dessas lesões. MÉTODOS: Em estudo prospectivo, foi realizada oftalmoscopia binocular indireta em 292 pacientes com tuberculose sistêmica. Estes pacientes foram avaliados em cinco diferentes Hospitais Regionais do Distrito Federal, entre 1ºde agosto de 1997 e 30 de julho de 1998. Análise multivariada foi aplicada para identificar associações entre a variável "lesão de fundo de olho" e as variáveis "sexo, idade, baciloscopia, HIV, localização da tuberculose, internação dos pacientes, tempo de sintomas, procedência e experiência anterior com tratamento". RESULTADOS: Os resultados deste estudo mostraram incidência de 5,5% de lesões fundoscópicas em pacientes com tuberculose. Análise multivariada mostrou que a co-infecção pelo HIV, internação dos pacientes e tuberculose miliar foram fatores de risco para a presença de lesões de fundo de olho. Quando essas características estiveram presentes simultaneamente, a probabilidade de um indivíduo apresentar estas lesões foi de 66%. CONCLUSÕES: Na avaliação da incidência de lesões de fundo de olho em pacientes com tuberculose, devem ser levadas em consideração certas características individuais, visto que fatores de risco como a co-infecção pelo HIV, tuberculose miliar, e internação, influenciaram na presença destas lesões.
Keywords: Tuberculose; Fundo de olho; Coróide; Tuberculose ocular; Tuberculose miliar; Síndrome de Imunodeficiência Adquirida
Abstract
OBJETIVO: Relatar um caso de atrofia girata de coróide e retina com confirmação por meio da bioquímica do plasma. MÉTODO: Aferiu-se a melhor acuidade visual corrigida de ambos olhos (AO) em tabela de Snellen. Foram realizados biomicroscopia do segmento anterior, refração, mapeamento de retina, angiografia fluoresceínica, campo visual e dosagem da ornitina sérica (aminoacidograma). RESULTADOS: Paciente de 22 anos, sexo feminino, cor branca, apresentando alta miopia e acuidade visual (AV) 20/100 em AO. À biomicroscopia do segmento anterior apresentava catarata subcapsular posterior em AO. À oftalmoscopia foram verificadas lesões atróficas da coróide e da retina bem delimitadas em meia periferia de AO. O aminoacidograma constatou elevação correspondente ao complexo da ornitina. CONCLUSÃO: Relata-se um caso típico de atrofia girata, distrofia retiniana rara associada a hiperornitinemia.
Keywords: Atrofia girata; Coróide; Retina; Coroideremia
Abstract
OBJETIVO: Verificar a técnica da instilação de colírio em pacientes portadores de glaucoma crônico. MÉTODOS: Estudo prospectivo realizado em 193 pacientes glaucomatosos. Para cada participante era entregue um frasco de colírio lubrificante (Dunason®, Laboratório Alcon, São Paulo, Brasil) e solicitado que realizasse uma instilação. RESULTADOS: Os participantes utilizaram, em média, 1,64 ± 1,26 gotas de colírio por instilação e 54,5% dos pacientes fizeram contato do bico do colírio com a superfície ocular. Em 3,1% das instilações nenhuma gota de medicamento atingiu o olho, com o paciente não se dando conta do fato. A oclusão do ponto lacrimal ou a manutenção do olho fechado por dois minutos após a instilação não foi realizada em 87,0% dos participantes, e 61,6% piscaram repetidas vezes imediatamente após instilar a droga. CONCLUSÕES: Verificou-se que a maior parte dos participantes deste estudo efetuou a instilação do colírio de modo incorreto. Isto significa desperdiçar grande parte do conteúdo do frasco, aumentar as possibilidades de toxicidade sistêmica, não aproveitar a plenitude do efeito hipotensor das drogas e contaminar a extremidade do frasco de colírio. Portanto, o ensino da técnica adequada da instilação de colírio é absolutamente necessária para todos os pacientes.
Keywords: Glaucoma; Soluções oftálmicas; Instilação de medicamentos; Prescrição de medicamentos
Abstract
OBJETIVO: Comparar a eficácia entre duas modalidades de tratamento das abrasões corneanas após a retirada de corpo estranho da córnea: curativo oclusivo e sem curativo. MÉTODOS: Cinqüenta e quatro pacientes com abrasão corneana após retirada de corpo estranho foram randomizados, de forma alternada, em dois grupos: um grupo com curativo oclusivo e o outro sem curativo. Os pacientes foram avaliados diariamente até a cura, em relação aos seguintes parâmetros: área da abrasão corneana, intensidade de dor, presença de fotofobia, lacrimejamento, sensação de corpo estranho e visão turva. RESULTADOS: Não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos quanto a: área da abrasão corneana, tempo para se obter a cura, dor, fotofobia, lacrimejamento, sensação de corpo estranho e visão turva. Não ocorreu nenhuma complicação ocular ou sistêmica durante o tratamento em ambos os grupos. CONCLUSÃO: Abrasão corneana após retirada de corpo estranho, menor que 9 mm² , pode ser tratada apenas com antibiótico tópico de largo espectro e colírio cicloplégico, sem a necessidade do curativo oclusivo, tornando o tratamento mais simples e menos dispendioso.
Keywords: Traumatismos oculares; Córnea; Corpos estranhos no olho; Cicatrização de feridas
Abstract
OBJETIVO: Analisar retrospectivamente a evolução de pacientes portadores de hifema decorrente de trauma ocular contuso quanto à acuidade visual inicial e final, aumento da pressão intra-ocular, ocorrência de ressangramento, tempo de absorção do coágulo, e necessidade de cirurgia. MÉTODOS: Foram avaliados 54 pacientes com idade superior a 15 anos, com diagnóstico de traumatismo ocular fechado, assistidos no Pronto Socorro de Oftalmologia do Hospital São Paulo, no período de dezembro de 2000 a janeiro de 2002. O hifema foi classificado em cinco subgrupos: microscópico; grau I; grau II; grau III e grau IV (hifema total). Os pacientes foram divididos em dois grupos, de acordo com o comprometimento ou não do segmento posterior, para comparação dos dados pelo teste de Mann-Whitney e o teste exato de Fisher. A acuidade visual final foi avaliada por meio de regressão linear múltipla. RESULTADOS: Noventa e um por cento dos pacientes eram do sexo masculino, com idade média de 32 anos. Na admissão, 37% dos pacientes apresentaram PIO superior a 24 mmHg. O ressangramento ocorreu em 8% deles. Durante a evolução, seis pacientes necessitaram de intervenção cirúrgica. No grupo I (sem lesões de segmento posterior) houve melhora estatisticamente significante da AV (p<0,001), o que não foi observado no grupo II (p=0,4772). CONCLUSÃO: A classificação do hifema permite avaliação da gravidade da lesão, prognóstico e conduta. A baixa de visão persistente correlacionou-se principalmente ao comprometimento do seguimento posterior e à acuidade visual na admissão. O sucesso do tratamento depende da identificação dos fatores de risco, medicação apropriada e indicação cirúrgica precisa.
Keywords: Traumatismos oculares; Hifema; Acuidade visual; Estudos prospectivos; Câmara anterior; Pressão intra-ocular; Seguimentos
Abstract
OBJETIVOS: Fazer estudo epidemiológico do tracoma no povoado de Serrolândia, município de Ipubi, na chapada do Araripe, sertão de Pernambuco, região historicamente conhecida como bolsão. MÉTODOS: Em outubro e novembro de 2002 foi realizado trabalho de campo prospectivo, no qual se examinaram 1.239 indivíduos. A idade dos indivíduos variou de 1 a 93 anos (média de 25,3 anos). O exame foi realizado com lupa binocular de 2,5 vezes de magnificação e obedeceu-se a classificação clínica de tracoma preconizada pela OMS. RESULTADOS: O tracoma foi diagnosticado clinicamente em 250 (20,5%) indivíduos, com predileção pelo sexo masculino. A média de idade dos indivíduos com tracoma folicular (TF) foi 13 anos e com tracoma cicatricial (TS) 49 anos. Observaram-se as seguintes gradações do tracoma: 107 (8,6%) casos de TF, 2 (0,2%) de TI (tracoma inflamatório), 139 (11,2%) de TS, 1 (0,1%) de TT (triquíase tracomatosa) e nenhum caso de CO (opacificação corneana). CONCLUSÕES: Pode-se considerar que o tracoma na comunidade de Serrolândia, Ipubi-PE, apresenta baixa endemicidade (8,8% TF / TI), apesar de localizar-se em região de baixo nível socio-econômico da chapada do Araripe, conhecida como bolsão de tracoma. Não é, portanto, um grave problema de saúde pública nessa comunidade.
Keywords: Tracoma; Tracoma; Chlamydia trachomatis; Infecções por Chlamydia; Conjuntivite; Cegueira; Brasil
Abstract
OBJETIVO: Avaliar aspectos clínicos e econômicos da cirurgia de catarata pela técnica de facoemulsificação, quando comparada à técnica de extração extracapsular do cristalino no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. MÉTODOS: Estudo prospectivo em que foram selecionados consecutivamente 162 pacientes, portadores de catarata senil, atendidos em projetos comunitários para identificação e posterior tratamento da catarata (Projetos-Catarata), que atenderam aos critérios de inclusão para o estudo. Esses projetos foram realizados pelo Hospital das Clínicas, entre outubro de 2001 e junho de 2002. Os pacientes selecionados foram randomizados para comporem dois grupos, que seriam submetidos à cirurgia de catarata pela técnica de facoemulsificação e de extração extracapsular. RESULTADOS: Nas condições do estudo, a técnica de facoemulsificação permitiu o uso de anestesia tópica, reduziu o número de retornos e o tempo de duração do período pós-operatório. A utilização da facoemulsificação tornou a cirurgia mais rápida, otimizou o centro cirúrgico e apresentou vantagens econômicas para o hospital. CONCLUSÃO: No tocante às condições do Hospital das Clínicas, os custos totais da cirurgia de catarata mediante a técnica de facoemulsificação são maiores do que os custos com a técnica de extração extracapsular; e a remuneração efetuada pelo Sistema Único de Saúde para a cirurgia por facoemulsificação confere maiores vantagens econômicas ao hospital do que a cirurgia por extração extracapsular.
Keywords: Extração de catarata; Extração de catarata; Facoemulsificação; Facoemulsificação; Cegueira; Fatores econômicos; Hospitais de ensino; Estudo comparativo
Abstract
OBJETIVO: Verificar, por meio de estudo espectrofotométrico, o poder de filtração da radiação ultravioleta A (UVA) e B (UVB) e transmitância da luz visível em lentes incolores de visão simples. MÉTODOS: Análise espectrofotométrica (espectrofotômetro modelo Humphrey Lens Analyzer LA 360) de 14 tipos de lentes oftálmicas incolores, confeccionadas em material orgânico de diferentes características. Cada tipo de lente foi representado por 20 exemplares, totalizando amostra de 280 lentes estudadas. Posteriormente procedeu-se a análise da curva de transmitância na faixa do espectro entre 290 e 700 nm. RESULTADOS: Em relação à radiação UVB, todas as lentes estudadas apresentaram transmitância de 0 a 1%. Tiveram melhor desempenho (0% de transmitância): Trivex, Rugged Fashion Wear, AO Lite, Hard Resin, Sola Light 1.56, MAR 1.56, MAR CR39, Stylis Crizal, Crizal, AirWear e Orma 15. Quanto à radiação UVA a transmitância oscilou de 1 a 18%. Tiveram melhor desempenho (transmitância de 1%): Miolight anti-reflexo 1.56, Trivex, Miolight Excellence, Rugged Fashion Wear, Sola Light, MAR 1.56, Stylis Crizal e Air Wear. Nenhuma das lentes estudadas filtrou completamente a radiação UVA. Todas as lentes estudadas apresentaram transmitância superior a 95% em relação ao espectro visível, havendo variação de 95 a 100%. CONCLUSÕES: Todas as lentes estudadas apresentaram poder de filtração UVB de 99 a 100%, UVA de 82 a 99% e 95 a 100% de transmitância da luz visível. A presença de tais filtros em lentes incolores amplia as possibilidades de prescrição deste recurso de proteção ocular.
Keywords: Espectrofotometria ultravioleta; Lentes; Radiação; Luz
Abstract
OBJETIVO: Investigar a associação entre a presença de sintomas depressivos e a deficiência visual causada por catarata no paciente idoso. MÉTODOS: Vinte e três pacientes com catarata e acuidade visual inferior a 20/200 no melhor olho foram avaliados. As idades variavam de 60 a 93 anos. Antes da cirurgia de catarata e um mês após, os sintomas depressivos foram avaliados pela Escala de Depressão Geriátrica (EDG). RESULTADOS: A cirurgia melhorou a visão para 20/50, ou melhor, em todos os pacientes. Antes e após a cirurgia de catarata foram encontrados 11 (47,82%) e 10 (43,47%) indivíduos com escores indicativos de depressão respectivamente (p=1,0; teste de McNemar). Antes da cirurgia observamos o valor mediano da EDG de 5,0 e após a cirurgia a EDG apresentou o valor mediano de 4,0 (p = 0,012; Wilcoxon pareado). Neste período os sintomas indicativos de depressão diminuíram significativamente, de valores entre 3 a 8 pontos para valores entre 3 a 6 pontos. CONCLUSÕES: Sintomas depressivos são prevalentes e persistentes entre pacientes idosos, entretanto os níveis dos sintomas indicativos de depressão diminuem significativamente com a melhora da visão.
Keywords: Catarata; Facoemulsificação; Depressão; Transtorno depressivo; Transtorno depressivo; Avaliação geriátrica; Escala de graduação psiquiátrica; Transtornos visuais; Atividades cotidianas; Idoso
Abstract
OBJETIVO: Avaliar, do ponto de vista técnico-econômico, o tratamento cirúrgico da correção do estrabismo. MÉTODOS: Procedeu-se um levantamento retrospectivo, de forma consecutiva, dos prontuários médicos da Fundação Altino Ventura - Recife/PE. Incluíram-se 100 pacientes submetidos à cirurgia de estrabismo (janeiro de 2001 a fevereiro de 2003) e 100 submetidos à cirurgia de catarata (janeiro de 2003). Observou-se o tempo para a realização dos procedimentos cirúrgicos. Foi comparado o tempo para a realização das cirurgias de estrabismo com o tempo das cirurgias de catarata e a variabilidade de tempo dentre as diferentes cirurgias de estrabismo. RESULTADOS: Verificou-se que o tempo cirúrgico médio para a correção de estrabismo foi maior do que o de cirurgia de catarata (77,3±27,6 min vs 58,3±12,7 min;"t" =6,26; p<0,0001). Houve variabilidade significante no tempo de realização das cirurgias de estrabismo. Nos casos de cirurgias com intervenção em até dois músculos o tempo médio foi menor que nos casos de intervenção em mais de dois músculos (66,0±16,6 min vs 97,5±31,7 min; "t" =5,56; p<0,0001). CONCLUSÃO: O tempo cirúrgico maior das cirurgias de estrabismo em relação ao tempo das cirurgias de catarata dá suporte à idéia de que a remuneração de honorários daquele procedimento seja, pelo menos, equivalente ao da cirurgia de catarata. Além do mais, o fato do tempo cirúrgico médio do estrabismo ser significantemente variável, sugere que esse procedimento seja remunerado distintamente.
Keywords: Estrabismo; Estrabismo; Honorários médicos; Extração de catarata; Estudo comparativo
Abstract
OBJETIVO: Determinar a prevalência das ametropias em estudantes das redes pública e privada de Natal-RN. MÉTODOS: Foi realizada refratometria de 2.048 olhos de estudantes matriculados no ano letivo de 2001 e os dados avaliados com planilha do SPSS Data Editor 11. As ametropias foram divididas em: 1- de 0,1 até 0,99D (dioptria); 2- 1,0 até 2,99D; 3- 3,00 até 5,99D e 4- 6D ou maior. O astigmatismo foi reagrupado em I- a favor da regra (eixo entre 0 a 30 e 150 a 180 graus), II- contra a regra (eixo entre 60 e 120 graus) e III- oblíquo (eixo entre >30 e <60 e >120 e <150 graus). A faixa etária foi categorizada em 1- 5 a 10 anos, 2- 11 a 15 anos, 3- 16 a 20 anos, 4- 21anos ou mais. RESULTADOS: Dos erros refrativos, a hipermetropia foi o mais comum com 71%, em seguida astigmatismo, 34% e miopia, 13,3%. 48,5% dos míopes e 34,1% dos hipermétropes tinham astigmatismo. De acordo com as dioptrias, 58,1% dos míopes estão no grupo 1, 39% distribuídos entre os grupos 2 e 3. Os hipermétropes enquadram-se em sua maioria no grupo 1 (61,7%) e o astigmatismo no mesmo grupo com 70,6%. A associação dos eixos do astigmatismo dos dois olhos mostrou 95,2% com eixo a favor da regra nos dois olhos, diminuindo a porcentagem para os do eixo contra a regra (82,1%) e menor ainda para os do eixo oblíquo, apenas 50%. CONCLUSÃO: Os resultados encontrados mostraram discordância com a maioria dos trabalhos internacionais, principalmente os orientais, que apontam a miopia como o erro refrativo mais comum e corrobora os nacionais, com a grande parte sendo hipermétropes.
Keywords: Erros de refração; Miopia; Astigmatismo; Hiperopia; Estudantes
Abstract
OBJETIVOS: Identificar a freqüência das alterações oculares em pacientes hansenianos residentes em hospital-colônia; comprovar a predileção pelo segmento anterior do olho em relação ao posterior. MÉTODOS: Fez-se estudo transversal de 115 olhos de 58 pacientes internados no abrigo João Paulo II, em Marituba - Pará, no período de agosto a outubro de 1999. Os dados epidemiológicos da pesquisa foram obtidos da ficha de cada paciente e de dados colhidos durante o exame oftalmológico. Todos os pacientes estudados estavam curados da hanseníase segundo as normas do Ministério da Saúde. RESULTADOS: Em 114 olhos (99,1%) foi observado envolvimento ocular, sendo a maioria (77,2%) pertencente à forma virchowiana. Os achados oculares mais freqüentes nos anexos oculares foram a madarose ciliar parcial (70,4%) e a madarose superciliar parcial (59,1%). Quanto ao bulbo ocular, o achado mais freqüente relacionado à hanseníase foi a diminuição e/ou ausência de sensibilidade corneana observada em 42,6% dos olhos, seguida da midríase paralítica (16,5%) encontrada no pós-operatório dos pacientes submetidos a facectomia, achado ligado intimamente à atrofia de íris (8,7%), comumente observada nestes pacientes. Não foi encontrada nenhuma alteração à fundoscopia que pudesse ser atribuída à hanseníase. CONCLUSÕES: A alta prevalência de alterações do bulbo ocular e anexos em pacientes portadores de hanseníase, principalmente na forma virchowiana, indicam a necessidade da assistência contínua a esses pacientes mesmo após a cura da doença.
Keywords: Hanseníase; Hanseníase virchowiana; Mycobacterium leprae; Manifestações oculares; Infecções oculares bacterianas; Oftalmopatias; Hospitais; Estudos transversais
Abstract
OBJETIVO: Verificar a ocorrência de movimentos torcionais do globo ocular no momento da cirurgia refrativa em pacientes astigmatas e suas possíveis conseqüências no resultado da cirurgia. MÉTODOS: Estudo prospectivo de 49 olhos de 40 pacientes atendidos no Hospital de Olhos do Paraná, portadores de astigmatismo, e que seriam submetidos à cirurgia refrativa. A técnica cirúrgica utilizada em todos os pacientes foi o LASIK. Os pacientes foram divididos em dois grupos, de acordo com o poder do astigmatismo, que variou no primeiro grupo 0,25 a 2,00D; e no segundo grupo de 2,25 a 6,00D. Todos os pacientes foram examinados para avaliar a ocorrência de torção do globo ocular no momento da cirurgia, e com base nestes dados foi corrigido o eixo do tratamento por meio de programa específico do aparelho de laser. Os resultados dos dois grupos foram analisados e comparados estatisticamente. Os resultados foram relacionados com os dados existentes sobre influência da variação do eixo do tratamento com o resultado da cirurgia. RESULTADOS: Observou-se torção média de 3,5º+/- no grupo A; e de 4,5º+/- no grupo B. Não houve diferença estatística significativa entre os grupos. CONCLUSÕES: Os movimentos torcionais ocorrem de forma significativa em quase todos os pacientes submetidos à cirurgia refrativa e portanto, devem ser sempre corrigidos para se evitar redução na eficiência do tratamento. Isto é especialmente importante nos casos de cirurgia personalizada.
Keywords: Astigmatismo; Movimentos oculares; Postura; Rotação; Erros de refração; Reflexo vestíbulo-ocular
Abstract
Apresenta-se um caso de maculopatia isquêmica, secundária a injeção intravítrea de amicacina em paciente de 38 anos que apresentou endoftalmite após facoemulsificação com implante de lente intra-ocular. O tratamento foi realizado por meio de injeção intravítrea de amicacina, vancomicina e dexametasona. Após a melhora do quadro clínico, observou-se obstrução arteriolar na região macular. Embora a amicacina seja efetiva, por via intravítrea, para o tratamento de endoftalmite, pode causar infarto macular e baixa de acuidade visual significativa.
Keywords: Endoftalmite; Degeneração macular; Amicacina; Amicacina; Injeções endovenosas; Aminoglicosídeo; Vancomicina; Acuidade visual; Complicações pós-operatórias
Abstract
INTRODUÇÃO: O descolamento da membrana de Descemet é complicação rara, mas devastadora após facectomia. Algumas alternativas têm sido usadas para reposição da Descemet: bolha de ar, sutura com transfixação da córnea, viscoelástico associado com bolha de ar e gás SF6 ou C3F8. O transplante de córnea é o último recurso utilizado. OBJETIVO: Avaliar os resultados anatômicos e funcionais, do descolamento iatrogênico da membrana de Descemet, com uso de C3F8 (16%) na câmara anterior em seis olhos pós-facectomia. MÉTODOS: Após colocação de 0,5 ml do gás em câmara anterior avaliou-se localização justa-estromal da membrana de Descemet em lâmpada de fenda. Os olhos com deslocamento superior/central eram orientados a ficar em decúbito elevado por dois dias e no caso do deslocamento inferior solicitamos decúbito dorsal com leve supraversão. RESULTADOS: A média de idade foi de 71,3 ± 9,3 anos, sendo quatro do sexo feminino e dois do sexo masculino. Todos os olhos tiveram sucesso com a colocação do C3F8, havendo aumento da pressão intra-ocular em um caso. O edema corneano regrediu a partir do segundo dia com resolução completa até o quarto dia. A acuidade visual melhorou em todos os casos logo após regressão do edema, sendo reavaliada quarenta e cinco dias depois. CONCLUSÃO: A introdução unicamente do gás C3F8 não expansivo para colar a membrana de Descemet é citado pela primeira vez na literatura brasileira. O restabelecimento da acuidade visual é rápida, o método é seguro, efetivo e de fácil execução, sendo realizado sob anestesia tópica.
Keywords: Extração de catarata; Membrana de Descemet; Fluorocarbonetos; Edema da córnea; Injeções
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