Arq. Bras. Oftalmol. 2014;77 (4 )
:222-224
| DOI: 10.5935/0004-2749.20140057
Abstract
Objetivo: Avaliar a incidência da opacificação da cápsula posterior com o implante de uma lente intraocular acrílica hidrofílica. Métodos: Cinquenta e oito olhos, de 58 pacientes, selecionados de forma aleatória, foram examinados 4 anos após a cirurgia de facoemulsificação com implante da lente intraocular Ioflex em uma campanha comunitária para pessoas carentes. Os pacientes foram submetidos ao exame oftalmológico a fim de detectar opacificação da cápsula posterior. Foi obtido histórico médico detalhado. A acuidade visual corrigida antes e 1 mês após a cirurgia foi obtida através de revisão em prontuário médico. O teste t de student foi utilizado para a análise estatística. Resultados: A idade média dos pacientes sem opacificação da cápsula posterior foi 74,6 ± 9,5 anos, e 70,3 ± 15 anos nos pacientes com opacificação da cápsula posterior. Após 4 anos da cirurgia, 39 olhos (67%) foram diagnosticados com opacificação da cápsula posterior, e 24 olhos (41,3%) tiveram redução da acuidade visual causada pela opacificação da cápsula posterior, sendo encaminhados para realização de capsulotomia com Nd:YAG laser. Três olhos (5,1%) tiveram redução da acuidade visual causada por glaucoma, opacificação da lente intraocular e degeneração macular relacionada á idade. Em outros 12 olhos (20,7%) que apresentaram opacificação da cápsula posterior, a acuidade visual ficou mantida. Dentre as doenças sistêmicas, a hipertensão arterial foi relatada por 45% da amostra avaliada e 3,5% referiram diabetes mellitus. Conclusão: O estudo encontrou incidência de 67% de opacificação da cápsula posterior na lente intraocular Ioflex 4 anos após a cirurgia.
Keywords: Cápsula posterior do cristalino; Opacificação da cápsula; Complicações pósoperatórias; Catarata/epidemiologia; Acuidade visual
Arq. Bras. Oftalmol. 2014;77 (6 )
:373-376
| DOI: 10.5935/0004-2749.20140093
Abstract
Objetivo: Avaliar se o implante de uma lente intraocular (LIO) asférica reduz a aberração ocular (alta ordem e esférica), melhora a sensibilidade ao contraste e consequentemente, provoca mudanças nos valores da perimetria de frequência dupla (FDT ). Métodos: Trata-se de um estudo prospectivo envolvendo 25 pacientes com catarata bilateral (50 olhos) que foram randomizados para receberem uma LIO asférica (Akreos AO) em um olho e uma LIO esfércia (Akreos Fit) no olho contralateral. Com 12 meses de pós-operatório a sensibilidade ao contraste (condições fotópicas e mesópicas) e a aberração de alta ordem foram computados. A FDT foi dividida em 4 áreas para análise da variação dos valores em diferentes localizações. Os valores médios dos limiares locais (área média de sensibilidade ao contraste [MACS]) obtidos com essa divisão foram calculados. Resultados: O grupo da Akreos AO apresentou menores valores de aberração de alta ordem e aberração esférica. Houve diferença estatisticamente significativa na sensibilidade ao contraste em condições mesópicas em todas frequências. Não houve diferença estatística nos valores do mean deviation e pattern standard deviation da FDT. A LIO asférica apresentou maiores MACS em todas as áreas, embora diferença estatística foi encontrada apenas na área de 20 graus de campo visual (P=0,043). Conclusões: A lente asférica reduziu significativamente a quantidade de aberração de alta ordem e esférica, melhorando a sensibilidade ao contraste em condições mesópicas. Embora houve uma melhora nos valores da FDT no grupo da LIO asférica, essa diferença não foi estatisticamente significativa.
Keywords: Catarata; Facoemulsificação; Sensibilidade ao contraste; Lentes intraoculares
Arq. Bras. Oftalmol. 2015;78 (3 )
:173-174
| DOI: 10.5935/0004-2749.20150044
Abstract
Objetivo: Avaliar a segurança da cirurgia de catarata com anestesia tópica em pacientes em uso de varfarina. Métodos: Estudo comparativo não aleatorizado, prospectivo de 30 olhos de 30 indivíduos sob terapia anticoagulante por via oral com Varfarina que se submeteram à cirurgia de catarata com anestesia tópica. O grupo controle foi composto por 30 olhos de 30 pacientes, com indicação de cirurgia de catarata, que não faziam uso de terapia anticoagulante. Resultados: Não houve registro de complicações hemorrágicas intracamerais transoperatórias ou pós-operatórias em ambos os grupos. Na visita pós-operatória de 30 dias, 90,0% dos pacientes apresentavam acuidade visual corrigida por óculos de pelo menos 20/40. Conclusão: A cirurgia de catarata por facoemulsificação com anestesia tópica pode ser realizada com sucesso sem interrupção da terapia com varfarina.
Keywords: Extração de catarata; Anticoagulantes; Varfarina/efeitos adversos; Hemorragia
Arq. Bras. Oftalmol. 2017;80 (4 )
:238-241
| DOI: 10.5935/0004-2749.20170058
Abstract
Objetivo: Avaliar a técnica de instilação de colírio em portadores de glaucoma e identificar fatores independentes que pode influenciar o desempenho. Métodos: Neste estudo transversal 71 pacientes consecutivos com glaucoma ou hipertensão ocular que auto instilam seus colírios há pelo menos 6 meses, foram avaliados. Todos os pacientes instilaram um colírio lubrificante no olho de pior visão utilizando a mesma técnica de instilação de colírio que utilizam rotineiramente em casa. Foram avaliados parâmetros como: idade, número de anos em tratamento com colírios hipotensores oculares, tempo gasto para instilação da primeira gota, número de gotas instiladas, localização correta do colírio, contato do frasco com o olho, fechamento de pálpebras ou oclusão do ponto lacrimal e assepsia das mãos. Resultados: A idade média dos pacientes foi de 66 ± 10,8 anos. Os pacientes esta vam em tratamento com colírios hipotensores oculares por, em média, 11,3 ± 7,3 anos (variando de 2 a 35 anos). Apenas 28% dos pacientes foram capazes de instilar corretamente o colírio (instilação de 1 gota em saco conjuntival sem contato com a ponta do frasco). Contato da ponta do frasco com o olho ou tecido periocular ocorreu em 62% dos pacientes. Em 49% dos casos, o colírio caiu nas pálpebras ou fora do saco lacrimal na primeira tentativa. Duas ou mais gotas foram instiladas por 27% dos pacientes. Conclusão: A maioria dos pacientes com glaucoma é incapaz de instilar o colírio corretamente. A idade é um fator independente que influencia o desempenho da instilação de colírio.
Keywords: Glaucoma/quimioterapia; Adesão à medicação; Soluções oftálmicas/uso terapêutico; Instilação de medicamentos
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (4 )
:316-323
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210045
Abstract
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi analisar a segurança do implante de lente intraocular primária em um grande número de olhos em crianças <24 meses.
MÉTODOS: Foram revisados os prontuários de pacientes com idade entre 5-24 meses, submetidos a implante primário de lente intraocular no saco capsular. Uma lente intraocular acrílica de três peças dobrável foi implantada pelo mesmo cirurgião usando uma única técnica cirúrgica. Pacientes que tiveram <1 ano de acompanhamento após a cirurgia foram excluídos. Os principais resultados incluíram medidas de acuidade visual, mudança miópica, complicações pós operatórias e cirurgias adicionais.
RESULTADOS: Foram analisados 68 pacientes (93 olhos). A média de idade dos pacientes no momento da cirurgia foi de 15,06 ± 6,19 (5 a 24) meses, e o equivalente esférico 1 mês após a cirurgia foi de 3,62 ± 2,32 D. Após 5,67 ± 3,10 anos, o equivalente esférico foi de -0,09 ± 3,22 D, e a acuidade visual corrigida à distância foi de 0,33 ± 0,33 e 0,64 ± 0,43 logMAR em casos bilaterais e casos unilaterais, respectivamente (p=0,000). A maior mudança míopica foi observado em bebês submetidos à cirurgia aos 5 e 6 meses de idade. As complicações mais frequentes incluíram opacificação do eixo visual e corectopia. Glaucoma e descolamento de retina não foram relatados.
CONCLUSÃO: O implante primário de lente intraocular no saco capsular em crianças de 5-24 meses é seguro e está associado à baixas taxas de eventos adversos e cirurgias adicional.
Keywords: Catarata pediátrica; Lente intraocular; Implante primário LIO; Mudança miópica; Catarata congênita
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (6 )
:1-5
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0325
Abstract
Objetivo: O objetivo deste estudo é comparar as medições de diâmetro corneano de dois dispositivos normalmente utilizados na prática clínica (IOL Master 500 e Atlas topógrafo corneal) para ver se são permutáveis. O fornecimento de informações sobre a permutabilidade de instrumentos poderia eliminar vários testes desnecessários e, consequentemente, reduzir a carga econômica para o paciente e para a sociedade.
Métodos: Nesta série de casos prospectivos e comparativos, a distância do diâmetro corneano foi medida por examinadores independentes utilizando o Topógrafo Atlas (Carl Zeiss Meditec) e o IOL Master 500 (Carl Zeiss Meditec), em um olho de 184 pacientes. A análise estatística foi realizada utilizando o teste t pareado, a correlação Pearson e a análise Bland-Altman para comparar os métodos de medição.
Resultados: As medições médias da distância do diâmetro corneano com o topógrafo Atlas e o IOL Master 500 foram de 12,20 ± 0,44 mm e 12,12 ± 0,41 mm, respectivamente (p<0,001). A diferença média de WTW entre os dois dispositivos foi de 0,07 mm (intervalo de confiança de 95% da diferença média: 0,04 - 0,11 mm). O coeficiente de correlação Pearson entre os dois dispositivos foi de 0,85, p<0,0001. Os limites de concordância de 95% entre os dois dispositivos foram de -0,38 mm a 0,53 mm.
Conclusões: O Atlas topographer e o IOL Master 500 podem ser utilizados permutavelmente em relação à medição do diâmetro corneano, uma vez que a gama de diferenças encontradas é pouco susceptível de afetar a prática clínica e a tomada de decisões.
Keywords: Topografia da córnea; Comprimento axial do olho; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Procedimentos cirúrgicos oftalmológicos.
Arq. Bras. Oftalmol. 2019;82 (5 )
:377-380
| DOI: 10.5935/0004-2749.20190071
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a prevalência do astigmatismo corneano antes da cirurgia de catarata em pacientes brasileiros.
MÉTODOS: Este estudo transversal de base clínica foi realizado no Hospital Federal de Bonsucesso, Rio de Janeiro, Brasil. Os prontuários de pacientes submetidos à cirurgia de catarata durante um período de dois anos foram revisados retrospectivamente, e as medidas ceratométricas pré-operatórias foram coletadas e analisadas.
RESULTADOS: Um total de 1.707 olhos de 1045 pacientes foram incluídos. O astigmatismo corneano foi menor que 1,0 D em 971 olhos (56,9%), 1,0-1,99 D em 496 olhos (29,1%), 2,0-2,99 D em 157 olhos (9,2%) e mais de 3,0 D em 83 olhos (4,9%). A média do astigmatismo corneano foi de 0,92 ± (SD) 0,96 D (intervalo 0-10,25 D).
CONCLUSÃO: Mais de 40% dos pacientes estudados submetidos à cirurgia de catarata incluídos neste estudo tinham mais de 1,0 D de astigmatismo corneano e podem se beneficiar do uso de lentes intraoculares tóricas. Esses dados podem ser úteis no planejar a disponibilização dessa tecnologia para os pacientes.
Keywords: Astigmatismo/epidemiologia; Extração de catarata/ efeitos adversos; Lentes intraoculares; Estudo transversal; Brasil
Arq. Bras. Oftalmol. 2026;89 (1 )
:1-4
| DOI: 10.5935/0004-2749.2024-0402
Abstract
PURPOSE: This study evaluated the proportion of corneas discarded by the Eye Bank of Londrina, Paraná, due to positive serology over a 5-year period and its impact on transplant availability.
METHODS: A cross-sectional study was conducted, analyzing 1,968 corneas from 1,056 donors collected between January 2014 and December 2018 at the Eye Bank of Londrina. Serological tests for hepatitis B (HBsAg and anti-HBc), hepatitis C (anti-HCV), and HIV (anti-HIV 1 and 2) were performed using chemiluminescent microparticle immunoassays. Data were analyzed descriptively and presented in tables and graphs.
RESULTS: Of the 1,968 corneas processed, 897 (45.57%) were discarded. Among these, 333 (37.12%) tested positive for serological markers. Hepatitis B accounted for 34.67% of positive cases (15% of total donations), hepatitis C for 1.11% (0.50% of total), and HIV for 0.89% (0.4% of total). Hepatitis cases remained stable between 2014 and 2016, with a marked decline in 2017 and 2018. Most discarded corneas were positive for anti-HBc (31.88%) and negative for HBsAg; however, the anti-HBs test was not performed to confirm immunity to the hepatitis B virus.
CONCLUSION: The findings highlight the importance of serological testing to identify and eliminate contaminated corneas, thereby preventing the transmission of infectious diseases to recipients. Positive serology for hepatitis, particularly hepatitis B, was the leading cause of corneal disposal.
Keywords: Cornea; Corneal transplantation; Corneal donation; Eye banks; Hepatitis B virus; Hepatitis C virus; HIV infections; Seropositivity; Serologic tests