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Abstract
Objetivo: Estudar os custos de correção dos vícios de refração em grupos de pessoas de distinto poder aquisitivo. Métodos: Os autores estudaram cinqüenta pacientes portadores de vícios de refração. Estes foram separados em dois grupos: grupo I com pacientes escolhidos de forma aleatória na primeira consulta ao ambulatório de Oftalmologia do Hospital Evangélico de Curitiba (HUEC), e grupo II com voluntários médicos do HUEC e acadêmicos de medicina da Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR). Foram analisados dados referentes a sexo, faixa etária, profissão, renda, grau de instrução, uso de correção (óculos ou lentes) e seu custo, consultas oftalmológicas. Os pacientes foram submetidos ao exame oftalmológico de rotina. Resultados: Encontramos no grupo I predominância de pacientes de meia idade (48,5 anos), com renda entre 1 a 5 salários mínimos (SM) e hipermétropes; e no grupo II, pacientes jovens (24,4 anos), com renda acima de 20 SM e míopes foram mais freqüentes. Conclusão: O gasto médio anual com óculos fica no mínimo em R$ 46,50 (0,3 SM); com lentes de contato, no mínimo R$ 196,66 (1,4 SM); e com cirurgia refrativa em R$ 800,00 (5,9 SM). O estudo sugere a cirurgia refrativa como boa indicação para ambos os grupos.
Keywords: Vícios de refração; Aspectos socioeconômicos
Abstract
Objetivo: Descrever os achados do exame de autofluorescência do fundo de olho (AFF) em pacientes vítimas de trauma ocular contuso. Métodos: Estudo retrospectivo, não intervencionista, realizado através da revisão de prontuários e exames de imagem. Os dados analisados foram: sexo, idade, lateralidade, etiologia do trauma, tempo decorrente entre o trauma e a realização do exame, acuidade visual, alterações na periferia da retina, diagnóstico fundoscópico e achados ao exame de AFF (realizada no aparelho Topcon TRC-50DX Retinal Camera). Resultados: Oito olhos de 8 pacientes foram estudados. A idade média foi de 27,6 anos (de 19 a 43 anos), o sexo masculino (n=7) foi mais acometido do que o feminino (n=1), agressão física foi a etiologia mais comum do trauma (n=3), seguido de acidente com fogos de artifício (n=2). Outras causas foram acidente automobilístico (n=1), trauma ocupacional com lixadeira (n=1) e pedrada (n=1). A acuidade visual variou de 20/80 a percepção luminosa. Epiteliopatia pigmentar traumática (EPT ) foi identificada em 5 casos, rotura de coroide em 3, hemorragia subretiniana em 3 e retinopatia de Purtscher em 1 caso. Hipoautofluorescência foi observada nos casos de rotura de coroide, hemorragia subretiniana recente, hemorragia intrarretiniana e em 2 casos de EPT. Hiperautofluorescência foi visualizada nos casos de hemorragia subretiniana em degradação, na borda de 2 casos de roturas de coroide e discretamente no polo posterior na retinopatia de Purtcher. Três casos de EPT apresentaram hipoautofluorescência com pontos hiperautofluorescentes difusos. Conclusão: O exame de AFF permite avaliar as alterações do segmento posterior do olho decorrentes do trauma ocular contuso de forma não invasiva, somando informações valiosas. Foram descritos achados do exame em casos de epiteliopatia pigmentar traumática, rotura de coroide, hemorragia sub-retiniana e retinopatia de Purtscher.
Keywords: Trauma; Epitélio pigmentado da retina; Doenças retinianas; Traumatismos oculares
Abstract
Os autores descrevem um caso de otite média aguda pós-perfuração de membrana timpânica, que evoluiu com trombose de seio transverso esquerdo, paresia facial central à direita e paresia troclear bilateral assimétrica. O exame oftalmológico mostrou hipofunção do OS e hiperfunção do OI nos dois olhos, mais intensas no olho direito. O sinal de Bielchowsky era positivo à direita e negativo à esquerda. A acuidade visual estava preservada, além de ausência de papiledema à fundoscopia. A arteriografia cerebral revelou unicamente trombose do seio transverso à esquerda. O tratamento instituido foi antibioticoterapia via oral e cumarínico. Após seis meses de evolução a diplopia persistia apenas em infralevoversão, porém persistia a paresia facial central à direita. Não se encontrou na literatura relato semelhante ao descrito.
Keywords: Paresia; Nervo troclear; Trombose dos seios intracranianos; Otite; Relato de caso
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Objetivo: Avaliar as possíveis alterações na camada de fibras nervosas da retina (CFNR) em pacientes com enxaqueca com aura, detectada por meio da polarimetria de varredura a laser. Métodos: Vinte pacientes com enxaqueca com aura e vinte indivíduos normais foram estudados. Os critérios de inclusão para os dois grupos compreenderam: idade de pelo menos 18 anos; ausência de história de doenças oculares, exceto erro refracional ou estrabismo; e ausência de história familiar de hipertensão ocular ou glaucoma. Foram excluídos pacientes com erro refracional maior que 5 DE e/ou 2 DC; acuidade visual corrigida menor que 20/40; pressão intra-ocular maior que 21 mmHg; discos ópticos anômalos ou com escavação maior que 0,5 ou assimetria de escavação maior que 0,2; ou com presença de doenças retinianas concomitantes. Os pacientes foram submetidos a exame de campo visual (Humphrey 30-2) e análise da CFNR com a polarimetria a laser (GDx - Nerve Fiber Analyzer). Um olho de cada paciente foi randomizado para análise estatística. Resultados: Nenhum dos pacientes do grupo controle apresentou defeitos de campo visual. Nove olhos (45%) dos pacientes com enxaqueca tiveram anormalidades de campo visual além de 95% do intervalo de confiança do normal, como indicado pelos índices MD, CPSD ou GHT. Os valores de retardo no setor superior da CFNR dos pacientes com enxaqueca foram significativamente menor que no grupo controle (p=0,005). Não houve diferença significativa entre os valores de retardo dos dois grupos nas medidas globais e nos setores inferior, nasal e temporal. Conclusão: As medidas de retardo obtidas com a polarimetria a laser foram significativamente menores na porção superior da CFNR dos pacientes com enxaqueca com aura, sugerindo possível dano isquêmico às fibras nervosas, relacionadas à enxaqueca.
Keywords: Fibras nervosas; Retina; Enxaqueca clássica; Lasers
Abstract
Objetivos: Estabelecer a importância das disfunções dos músculos oblíquos na etiopatogenia das variações alfabéticas ("A" e "V") nos pacientes portadores de estrabismo do Hospital das Clínicas da Faculdadede Medicina da Universidadede São Paulo (HCFMUSP); estabelecer qual a disfunção de oblíquo mais comumente associada a cada variação alfabética. Métodos: Estudo retrospectivo realizado por meio de levantamento dos prontuários dos pacientes atendidos pelo Serviço de Motilidade Extrínseca Ocular do HCFMUSP de 1983 a 1988. Foram incluídos no trabalho 178 pacientes portadores de eso/exodesvios mais variações alfabéticas ("A" e "V"), com ou sem disfunções de oblíquos. Foram excluídos os pacientes portadores de formas especiais de estrabismo (síndromes e paresias) e os com cirurgia de estrabismo prévia à primeira consulta em nosso serviço. Resultados: Foram estudados os prontuários de 78 pacientes portadores de variação alfabética em "A": 44 mulheres e 34 homens; 61 pacientes com menos de 20 anos e 17 com mais; 59 esodesvios e 19 exodesvios. 58 pacientes com variação em "A" de até 30 dioptrias prismáticas, 12 pacientes com "A" diagnosticado apenas pelas versões e 8 com variação maior que 30; disfunções de oblíquos encontradas em 70 dos 78 pacientes estudados (89,74%), sendo as mais freqüentes a hiperfunção de oblíquo superior bilateral associada à hipofunção bilateral de oblíquo inferior (31 casos) e hiperfunção de oblíquo superior bilateral isolada (12 casos). Foram estudados 100 prontuários de pacientes portadores de variação alfabética em "V": 58 mulheres e 42 homens; 77 pacientes com menos de 10 anos de idade; 65 esodesvios, 34 exodesvios e 1 ortoforia; grande maioria dos pacientes com "V" entre 10 e 30 dioptrias prismáticas (71 casos); disfunções de oblíquos encontradas em 93 pacientes, sendo as mais freqüentes a hiperfunção de oblíquo inferior bilateral isolada (33 casos) e a hiperfunção de oblíquo inferior bilateral associada à hipofunção de oblíquo superior bilateral (30 casos). Conclusões: Os resultados desse trabalho confirmam a importância das disfunções de oblíquos na etiopatogenia das anisotropias em "A" e "V". Nas anisotropias em "A" a disfunção de motilidade extrínseca ocular mais freqüente foi a hiperfunção de oblíquo superior; nas anisotropias em "V", foi a hiperfunção de oblíquo inferior.
Keywords: Músculos oculomotores; Anisotropia; Estrabismo
Abstract
Os autores descrevem um caso de síndrome de Moebius associada a artogripose múltipla congênita, uma situação rara, sem relatos prévios na literatura latino-americana. A síndrome de Moebius é caracterizada por paralisia dos VII e VI pares cranianos, geralmente associada a outras anomalias ósseas e musculares, mais freqüentemente localizadas na parte distal das extremidades. A artrogripose múltipla congênita consiste de um grupo heterogêneo de alterações, sendo caracterizada por extrema rigidez e contratura das articulações, associada a hipoplasia ou ausência de desenvolvimento muscular e de tecidos moles. Pode ser parte de um complexo de anomalias congênitas multissistêmicas. Uma criança do sexo masculino, de cor branca, 3 anos, apresentava estrabismo convergente, oftalmoplegia, paralisia do VII par craniano e disgenesia da musculatura lingual, alterações compatíveis com a síndrome de Moebius. Associada às alterações oculares, foram encontradas alterações músculo-esqueléticas - mãos e antebraços em flexão e hipotrofia da cintura escapular - compatíveis com artrogripose. Foi realizado o tratamento cirúrgico do estrabismo com boa evolução pós-operatória. Sugerimos que, nos pacientes que apresentam síndrome de Moebius associada a alterações congênitas ósseas e musculares de extremidades, seja investigada a presença de artrogripose, pois acreditamos que tal síndrome não está sendo bem diagnosticada por ser pouco conhecida.
Keywords: Síndrome de Moebius; Artrogripose; Estrabismo; Oftalmoplegia; Relato de caso
Abstract
Objetivo: Apresentar a importância do uso da tabela de Ishihara para o diagnóstico das discromatopsias congênitas e avaliação da incidência em motoristas, observando-se os erros mais comuns no teste da Caixa de Cores. Além disso, abordar a relação entre discromatopsias congênitas, condução de veículo e acidentes de tráfego. Métodos: Foram examinados 523 motoristas, seguindo as normas da resolução 734/89 do Contran. Os motoristas foram submetidos ao teste de cores com a Tabela de Ishihara, e os que tinham discromatopsias foram submetidos ao teste da Caixa de Cores, com luzes dispostas como em um semáforo. Resultados: Encontrou-se uma incidência de discromatopsias de 5,5% (29 pacientes). Destes, 3 pacientes foram excluídos do estudo, 16 possuíam o grau forte e 10, o grau moderado. Desse último grupo, 7 apresentaram-se com deuteranomalia e 3 com protanomalia. Dos 7 com deuteranomalia, 3 apresentaram alterações no teste da Caixa de Cores. Dos 3 com protanomalia, 1 paciente teve exame alterado. Dos pacientes de grau forte, 14 possuíam deuteranopia e 2 protanopia, sendo que todos apresentaram alterações no teste da Caixa de Cores. Conclusão: Todos os pacientes com discromatopsias de grau forte e metade dos pacientes com grau moderado cometeram erros no teste da Caixa de Cores. Conclui-se que não haveria necessidade de ser realizado o teste para diferenciar as cores, desde que se faça o uso da tabela de Ishihara para diagnosticar as discromatopsias congênitas.
Keywords: Percepção de cores; Defeitos da visão de cores; Defeitos da visão de cores; Testes de percepção de cores; Condução de veículo
Abstract
Objetivo: Avaliar o perfil epidemiológico dos pacientes vítimas de queimadura ocular pelo agente químico cal, no Serviço de Oftalmologia do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, enfatizando-se os casos de queimaduras oculares pela "Bomba de Cal". Métodos: Estudo prospectivo de 88 pacientes com queimadura ocular pela cal (cal sem explosão ou bomba de cal), que procuraram o serviço de Pronto Atendimento do referido hospital no período de setembro de 1999 a setembro de 2000. Resultados: Dos 88 pacientes avaliados 73 (82,95%) foram vítimas de queimadura ocular pela cal no ambiente de trabalho e 15 (17,24%) foram vítimas da "Bomba de Cal" (brincadeira regional). A maioria dos pacientes examinados foi do sexo masculino, com faixa etária entre 20 e 40 anos, com predomínio de queimadura ocular unilateral e grau I quando vítimas de acidente de trabalho e bilateral e grau IV quando a queimadura foi resultante da "Bomba de Cal". Conclusão: Comparando-se os grupos estudados observou-se que o grupo vítima de queimadura ocular pela "Bomba de Cal" apresentou maior agravo à saúde ocular demonstrado, neste estudo, pela bilateralidade, gravidade das lesões e idade mais precoce de acometimento dos pacientes.
Keywords: Queimaduras oculares; Olho; Queimaduras químicas; Álcalis; Acidentes de trabalho; Serviço hospitalar de emergência; Hospitais universitários
Abstract
Objetivo: Avaliar o emprego da membrana fetal (membrana amniótica, córion e alantóide) eqüina como enxerto em ceratoplastia lamelar em cães. Métodos: Foram utilizados 9 animais SRD, respeitando as normas para experimentos em animais da ARVO - Association for Research in Vision and Ophthalmology. Ceratectomia semipenetrante foi realizada com o auxílio de trépano de 5 mm de diâmetro em região temporal superior, com subseqüente fixação de fragmento de membrana fetal eqüina de 6 mm de diâmetro com fio mononylon 8-0. Realizou-se avaliação clínica durante 2, 7, 15 e 60 dias. Os animais foram sacrificados e os olhos enucleados submetidos a estudo histológico. Resultados: Observou-se clinicamente edema moderado nas áreas circunjacentes ao implante desde o início até a fase intermediária do experimento. A neovascularização apareceu de maneira progressiva, com maior intensidade no período intermediário, regredindo paulatinamente. Aos 60 dias, notava-se uma mácula no local da cirurgia. Os achados histológicos demonstraram epitelização e perfeita integração do enxerto ao tecido autóctone logo aos 7 dias de evolução, quando também evidenciou respostas celular e vascular mais intensas. Aos 15 dias, verificou-se diminuição dos elementos vasculares em relação à quantidade de matriz e elementos celulares proliferados. Constatou-se ausência quase total de infiltrado inflamatório no enxerto e nos pontos de sutura. Conclusão: O emprego da membrana fetal (membrana amniótica, córion e alantóide) eqüina como enxerto em ceratoplastia lamelar em cães é factível e produz bons resultados.
Keywords: Transplante de córnea; Membranas fetais; Animal; Cães; Cavalos
Abstract
Objetivo: Este estudo tem como objetivo investigar a existência de diferença da espessura corneana central (ECC) em pacientes com glaucoma de pressão normal (GPN), glaucoma crônico simples (GCS) e pacientes normais (Controle). Métodos: Foram avaliados 113 pacientes dos quais 40 apresentavam GPN, 51 eram normais (Controles) e 22 apresentavam GCS. Todos os pacientes foram submetidos a exame oftalmológico completo e tiveram aferidas sua Po (Goldmann) e ECC (Topcon SP-2000P). Resultados: A média da espessura corneana central (ECC) dos pacientes com GPN foi de 500,95 µ (d.p. 28,65 µ), o grupo controle teve média de 521,11 µ (d.p. de 43,30 µ) e o grupo de GCS apresentou média de 522,23 µ (d.p. de 27,87 µ.). O grupo de GPN apresentou uma ECC significativamente menor quando comparado com os grupo controle (p = 0,01) e GCS (p=0,006). Entre os grupos controle e GCS não houve diferença estatística significativa (p = 0,91). Conclusão: Observou-se que numa amostra da população brasileira a ECC dos olhos com GPN é significativamente menor do que a ECC dos pacientes com GCS e do grupo controle.
Keywords: Pressão intra-ocular; Glaucoma; Córnea
Abstract
OBJETIVO: Investigar a utilização da membrana amniótica como adjuvante no tratamento e restabelecimento de espessura dos afinamentos córneo-esclerais e epitelização corneal. MÉTODOS: A membrana amniótica foi captada a partir de parto cesáreo e conservada em meio de preservação de córnea e glicerol 1:1 e conservada a -80ºC. Sete olhos de 7 pacientes, sendo 4 portadores de afinamento corneal por afecções neurotróficas (Grupo 1: 2 herpes simples vírus; 1 após transplante de córnea; 1 por radioterapia) e 3 portadores de afinamento escleral após exérese de pterígio (Grupo 2: 2 com beta-terapia e 1 sem beta-terapia) foram submetidos à cirurgia para restabelecimento da superfície ocular e espessura córneo-escleral empregando membrana amniótica. RESULTADOS: O tempo médio de seguimento foi de 12 meses (variação entre 11 meses e 15 meses). Um caso de úlcera neurotrófica secundária a radioterapia apresentou insucesso. Obtivemos sucesso do restabelecimento da superfície ocular e da espessura nos outros 6 casos. Em relação à acuidade visual, 1 caso obteve melhora e os outros 6 permaneceram inalterados. A média de tempo de epitelização foi de 26,6 ± 5,8 dias para o grupo 1 e 10,6 ± 4,0 dias para o grupo 2. CONCLUSÕES: O uso de membrana amniótica constitui opção alternativa de grande utilidade na reconstrução da superfície ocular dos casos de afinamento córneo-escleral. Estudos com maior casuística e tempo de seguimento são necessários para melhor avaliar esse procedimento.
Keywords: Âmnio; Transplante de tecido fetal; Preservação de tecido; Transplante homólogo; Córnea; Córnea; Conjuntiva; Esclera; Epitélio da córnea; Seguimentos
Abstract
OBJETIVOS: Avaliar o efeito do transplante de membrana amniótica no alívio da dor e melhora dos defeitos epiteliais recorrentes em portadores de ceratopatia bolhosa assintomática e pobre potencial visual. MÉTODOS: Foi realizado estudo prospectivo com 9 pacientes, no período compreendido entre abril/2000 e dezembro/2001 no Serviço de Oftalmologia do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba - HUEC. Pré-operatoriamente, a história médica de cada paciente foi avaliada e exame oftalmológico completo foi realizado. Os pacientes foram avaliados com freqüência maior ou igual a uma vez por semana, incluindo o 1º pós-operatório (PO), 7º PO, 14º PO e 30º PO dia. Avaliação mensal foi realizada até o 6º mês pós-operatório. RESULTADOS: A amostra foi composta por 3 (33,3%) pacientes do sexo masculino e 6 (66,6%) pacientes do sexo feminino, com idade entre 29 e 74 anos. Todos os pacientes apresentavam dor ocular, 7 (77,7%) apresentavam lacrimejamento, 8 (88,8%) pacientes queixavam-se de fotofobia e 4 (44,4%) apresentavam olho vermelho. A acuidade visual no pré-operatório era conta dedos em 6 (66,6%) pacientes, movimento de mãos em 2 (22,2%) pacientes e amaurose em 1 (11,1%) paciente. Após o procedimento, observou-se reepitelização de todos os pacientes entre o 12º e 21º dia pós-operatório. Os pacientes apresentaram melhora da dor e fotofobia após a 1ª semana do transplante de membrana amniótica e permaneceram assintomáticos até o final do seguimento. CONCLUSÃO: A membrana amniótica tem potencial para restaurar a superfície corneana em pacientes com ceratopatia bolhosa sintomática, reduzindo a dor desses pacientes em pouco tempo. Contudo, o número de pacientes avaliados é pequeno e o seguimento curto, mas essa terapêutica é uma alternativa que tem nos encorajado, assim como a outros pesquisadores, devido ao excelente resultado obtido.
Keywords: Amnio; Epitélio da córnea; Doenças da córnea; Curativos biológicos; Procedimentos cirúrgicos oftalmológicos; Dor; Acuidade visual
Abstract
OBJETIVO: Determinar a eficácia do transplante de membrana amniótica associada ao transplante de conjuntiva autólogo no tratamento do pterígio primário. MÉTODOS: Analisou-se prospectivamente 26 pacientes (14 mulheres e 12 homens) com idade entre 20 e 60 anos, atendidos no ambulatório de oftalmologia do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e que foram submetidos ao tratamento do pterígio primário com cirurgia de exérese do pterígio e uso de membrana amniótica associada ao transplante de conjuntiva autólogo, entre abril e novembro de 2001. Foram analisados: grau do pterígio, complicações pós-operatórias e recidivas. RESULTADOS: No pós-operatório 4 casos (15,38%) tiveram complicações, nenhuma considerada séria, sendo a mais freqüente a retração do enxerto em 2 casos. No sexto mês após a cirurgia, 24 pacientes (92,3%) obtiveram sucesso cirúrgico e 2 pacientes (7,69%) tiveram recidiva corneana ou conjuntival. Dos pacientes que tiveram complicações, 50% sofreram recidiva do pterígio (P<0,05). CONCLUSÃO: Trata-se de procedimento seguro e com baixo grau de recidiva. As complicações pós-operatórias estão associadas com maior chance de recidiva. É também opção nos casos em que não há conjuntiva doadora suficiente para cobrir toda a área a ser incisada.
Keywords: Pterígio; Conjuntiva; Curativos biológicos; Amnio; Complicações pós-operatórias; Transplante autólogo; Recidiva
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a influência da adesão ao tratamento, da gravidade da ambliopia e da idade de início do tratamento em pacientes com ambliopia por estrabismo submetidos à terapia oclusiva. MÉTODOS: Analisaram-se 569 prontuários de pacientes com ambliopia por estrabismo atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP no período de 1983 a 2000. Os critérios de exclusão foram: perda de seguimento, idade maior que 12 anos, presença de nistagmo e outras doenças oculares. Todos foram submetidos a exame oftalmológico completo com avaliação da motilidade ocular, divididos por faixas etárias e classificados quanto ao tipo de estrabismo, gravidade da ambliopia e adesão ao tratamento. Os dados foram analisados estatisticamente pelo método de Fisher. RESULTADOS: Foram incluídos 198 pacientes (34,8%). Não houve diferença de adesão nos diversos grupos etários. A taxa de sucesso foi maior nos pacientes com boa adesão independente da gravidade da ambliopia. Porém a adesão ao tratamento foi menor no grupo com ambliopia grave, que foi o mais freqüente e obteve menor taxa de sucesso em nossa amostra. Não houve relação entre idade e sucesso terapêutico. CONCLUSÕES: O estudo demonstrou que a adesão ao tratamento oclusivo desempenha papel fundamental na eficácia terapêutica. Com isto, idade de início do tratamento isoladamente não teve influência no sucesso terapêutico, uma vez que foi possível obter boa adesão a despeito da idade. Além disto, os resultados foram piores nos casos de ambliopia grave, nos quais a adesão foi menor.
Keywords: Ambliopia; Cooperação do paciente; Curativos oclusivos; Eficácia; Estrabismo; Acuidade visual; Hospitais universitários; Estudos retrospectivos
Abstract
Relatar o caso de um paciente que apresentou hemangioma racemoso de retina (síndrome de Wyburn-Mason) e seu acompanhamento por 10 anos. Dez anos após o diagnóstico da doença o exame oftalmológico não sofreu alterações, assim como o campo visual e a retinografia. O prognóstico a longo prazo é controverso. Alguns autores relatam estabilidade das lesões oculares, como no caso descrito, enquanto outros referem perda progressiva da visão.
Keywords: Angiomatose; Retina; Malformações arteriovenosas; Síndrome
Abstract
OBJETIVO: Descrever surto de endoftalmite por Pseudomonas aeruginosa após facectomia. Os achados clínicos, o tratamento e o resultado são discutidos. MÉTODOS: Revisão dos prontuários de quarenta e cinco pacientes tratados para endoftalmite em um período de dois dias. Todos os pacientes foram tratados por vitrectomia primária, irrigação da câmara anterior e injeção vítrea de antibióticos. Culturas do vítreo e de amostras de câmara anterior foram realizadas em todos os pacientes. RESULTADOS: Quarenta e cinco pacientes (23 homens e 22 mulheres) foram identificados. A idade média foi 71,2 anos (variação, 56-83 anos). O olho direito (62%) foi mais afetado do que o esquerdo (38%). O intervalo médio entre a cirurgia e a apresentação da endoftalmite foi de 5,5 dias (intervalo de 5-6 dias). A acuidade visual no momento do diagnóstico foi melhor que 20/40 em um paciente (2%), de 20/40 a 20/200 em um paciente (2%), de 20/400 para contar dedos em dois pacientes (4%), movimento de mão em onze pacientes (24%), percepção de luz em trinta pacientes (68%). Pseudomonas aeruginosa foi o agente isolado em 26 amostras de vítreo e em três amostras da câmara anterior. No geral, um paciente (2%) obteve acuidade visual final melhor que 20/40, oito pacientes (18%) obtiveram acuidade visual final de 20/40 a 20/200, seis pacientes (13%) obtiveram acuidade visual final de 20/400 para contar os dedos; onze pacientes (25%) obtiveram acuidade visual final de movimento de mão; treze pacientes (29%) obtiveram acuidade visual final de percepção de luz e seis (13%) pacientes não havia percepção luminosa no último exame. Nenhum olho foi submetido à evisceração ou enucleação em três meses de acompanhamento. CONCLUSÃO: Mesmo com toda a segurança da cirurgia de catarata nos dias atuais, endoftalmite permanece um risco e uma complicação temível deste procedimento. No presente estudo não foi possível identificar a fonte do surto.
Keywords: Facoemulsificação; Endoftalmite; Pseudomonas aeruginosa; Vitrectomia; Infecções por pseudomonas; Contaminação de equipamentos
Abstract
O tumor vasoproliferativo da retina é uma lesão rara, cujo principal diagnóstico diferencial é o hemangioma capilar da retina. O tumor tem natureza reacional. Pode ser idiopático ou secundário a outras doenças como: uveítes, retinose pigmentar, retinopatia da anemia falciforme, cirurgia prévia e retinopatia da prematuridade. Lesões sem exsudação ou baixa visual podem ser observadas. Quando há indicação de tratamento este pode ser feito pela crioterapia, vários tipos de lasers, excisão cirúrgica, radioterapia e injeções intravítrea de antiangiogênicos, isoladamente ou em associação.
Keywords: Retina; Neoplasias da retina; Neoplasias da retina; Neoplasias da retina
Abstract
Os autores descrevem os achados do exame de autofluorescência do fundo de olho (AF) e da tomografia de coerência óptica (TCO) de domínio-espectral em dois pacientes consecutivos apresentando melanocitoma disco óptico (MDO) em um estudo retrospectivo, por revisão dos prontuários e exames oftalmológicos de imagem. Os achados no exame de tomografia de coerência óptica foram hiperrefletividade e elevação da superfície anterior da lesão, desorganização da retina adjacente, e, sombreamento óptico posterior. Sementes vítreas foram encontrados em um paciente. O exame de autofluorêscencia do fundo de olho revelou hipoautofluorescência marcante na área do tumor e isoautofluorescência nas demais áreas da retina. As características encontradas na tomografia de coerência óptica dos pacientes apresentados são consistentes com os achados relatados na literatura atual. A autofluorêscencia do fundo de olho tem sido utilizada na avaliação de tumores melanocíticos da coroide, mas ainda não em melanocitomas. Acreditamos que este seja a primeira descrição dos achados de autofluorêscencia do fundo de olho em pacientes com melanocitoma de disco óptico e que, quando seu padrão de tornar-se claramente definido, a autofluorêscencia do fundo de olho será uma ferramenta útil para evitar erros de diagnóstico em casos suspeitos.
Keywords: Melanoma/diagnóstico; Neoplasias do nervo óptico/diagnóstico; Tomografia de coerência óptica; Angiofluoresceinografia; Humanos; Masculino; Feminino; Adulto; Relato de casos
Abstract
Descrevemos um raro caso de estafiloma anterior adquirido em um paciente viciado em crack. No início do uso do crack, paciente observou hiperemia e irritação nos seus olhos. Durante os próximos 4 meses, evoluiu com piora progressiva da visão em seu olho direito (OD). Inicialmente, sua visão no OD era de percepção luminosa e ao exame de biomicroscopia observava-se um importante infiltrado corneano com uma perfuração periférica e hérnia de íris. O paciente foi hospitalizado para garantir seu correto tratamento e indicado ceratoplastia terapêutica; no entanto, o paciente abandou o hospital e ficou 6 meses sem acompanhamento. Após esse período, paciente retornou queixando-se de importante fotofobia e inabilidade em ocluir o OD. Neste momento, sua córnea havia desenvolvido um importante estafiloma anterior e necessitou de uma escleroceratoplastia no OD. Após a cirurgia, mais uma vez o paciente abandonou o tratamento e perdeu o seguimento pós-operatório.
Keywords: Infecção ocular/etiologia; Úlcera de córnea/complicações; Cocaina crack/efeitos adversos
Abstract
Keywords:
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