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Abstract
Objetivo: Apresentar a freqüência e o tipo de fungos identi-ficados de infecções corneanas. Métodos: Levantamento retrospectivo dos casos de ceratites micóticas, no Laboratório de Microbiologia Ocular do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) no período entre 1995 a 1998. Descrição dos isolamentos de fungos, análise dos fatores desencadeantes e relação com o número de ceratites infecciosas no mesmo período. Resultados/Conclusão: Ceratites micóticas foram diagnos-ticadas em 61 (5,48%) dos 1113 pacientes que apresentaram úlcera de córnea de etiologia infecciosa, com variação de 3,46-9,25%, ao ano. Fungos filamentosos foram identificados em 47 casos (77,04%) e leveduras em 14 (22,95%). Fusarium foi o gênero mais freqüente (50,82%), seguido de Candida (22,95%) e Aspergillus (8,19%). Foram também isolados fungos raros como agentes etiológicos de ceratites como: Phaeosiaria sp; Phoma sp; Fonsecaea pedrosoi e Exserohilum rostratum.
Keywords: Infecções oculares micóticas; Úlceras de córnea; Ceratite; Córnea
Abstract
Objetivo: Os autores desenvolveram um videoceratógrafo para uso durante a cirurgia. Uma região central da córnea de aproximadamente 7,00 mm de diâmetro pode ser analisada, fornecendo informação ao cirurgião sobre poder dióptrico e astigmatismo. Métodos: O sistema é baseado em discos de Plácido em forma cônica, iluminados por uma fonte de luz construída com fibras ópticas. O cone é acoplado à lente objetiva de um microscópio padrão Zeiss. Uma placa de captura é instalada num microcomputador IBM compatível e imagens de Plácido são digitalizadas numa resolução de 640x480 pontos. Processamento digital das imagens é utilizado para detecção dos discos de Plácido. Resultados: Curvas de calibração baseadas em 4 esferas foram geradas e aproximadamente 3600 valores de poder dióptrico são computados para cada exame. Exames preliminares em 10 córneas sadias foram comparados com exames nos mesmos olhos feitos num Videoceratógrafo Eyesys System 2000. O desvio médio padrão foi de 0,05 mm para o raio de curvatura, 0,24 dioptrias para o poder e 5 graus para o cilindro. Conclusões: Este videoceratoscópio cirúrgico poderá ser utilizado para reduzir o astigmatismo residual em procedimentos convencionais de catarata e ceratoplastia. Poderá também ser utilizado para colher dados imediatamente anteriores às em cirurgias refrativas (PRK e LASIK).
Keywords: Topografia da córnea; Ceratometria; Discos de Plácido
Abstract
Descrevemos o tratamento da descompensação localizada do endotélio corneano secundária à iridosquise primária utilizando a punção estromal anterior em uma paciente de 81 anos. O exame ocular revelou iridosquise inferior no olho direito, com edema corneano localizado no local de contato entra as fibras irianas e o endotélio corneano. Foi realizada a fotocoagulação com laser de argônio das fibras irianas em contato com o endotélio, sem melhora do quadro clínico. Optou-se por realizar a punção estromal anterior, com resolução total da sintomatologia. Assim, sugerimos que a punção estromal anterior deve ser considerada uma opção terapêutica no controle da sintomatologia da descompensação corneana localizada secundária à iridosquise. Foi feita uma revisão da literatura sobre tratamentos paliativos para descompensação endotelial.
Keywords: Córnea; Endotélio da córnea; Doenças da íris; Assistência paliativa; Edema; Relato de caso
Abstract
OBJETIVO: Avaliar o grau de entendimento dos pacientes que foram submetidos a transplante de córnea no setor de Patologia Externa e Córnea da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), quanto ao tipo de doença corneana, tratamento realizado, prognóstico e satisfação com o resultado final. MÉTODOS: Quarenta e dois pacientes submetidos a transplante de córnea foram entrevistados por meio de um formulário com diversas variáveis que avaliou: o conhecimento geral sobre o procedimento ao qual foi submetido, o tratamento pós-operatório, os sinais de rejeição e a satisfação final com o tratamento. Também foram revisados os prontuários e colhidos dados em relação ao diagnóstico e ao transplante. Posteriormente os resultados foram tabulados e analisados. RESULTADOS: Dos 42 pacientes entrevistados 64% não sabiam o que é um transplante de córnea, 67% não sabiam o que é rejeição, 30% não sabiam para que servem os colírios receitados e 71% dos pacientes estavam satisfeitos com o resultado final do transplante. CONCLUSÕES: A grande maioria dos pacientes desconhece o que é um transplante de córnea, qual é a importância do uso correto das medicações no pós-operatório e os sinais de rejeição, embora tenham sido submetidos ao procedimento.
Keywords: Transplante de córnea; Soluções oftálmicas; Resultado de tratamento; Questionários; Satisfação do paciente; Rejeição de enxerto
Abstract
OBJETIVO: Estudar as características clínicas, tratamento e evolução de pacientes com acometimento da córnea e esclera associados a doenças do tecido conectivo. MÉTODO: Descrição das alterações de segmento anterior em nove pacientes com doenças do tecido conectivo, previamente diagnosticada (5 casos) ou no qual o acometimento ocular foi sua primeira manifestação (4 casos). Todos os pacientes foram atendidos no setor de Doenças Externas Oculares e Córnea da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM), acompanhados no ambulatório no período de julho/1999-dezembro/2000 e submetidos a exame oftalmológico completo, avaliação sistêmica e investigação laboratorial. Tratamento clínico e/ou cirúrgico foi proposto de acordo com a gravidade e evolução das manifestações oculares. RESULTADOS: Os diagnósticos sistêmicos observados nos portadores de doença inflamatória do segmento anterior foram de artrite reumatóide em sete pacientes (77,8%), esclerose sistêmica e granulomatose de Wegener em um paciente cada (22,2%). As manifestações oculares mais freqüentes foram esclerite (66,6%), ceratite ulcerativa periférica (55,5%) e ceratoconjuntivite seca (44,4%). Oitenta e nove por cento dos pacientes necessitaram de terapia imunossupressora sistêmica para o controle da inflamação ocular. A remissão da inflamação observou-se no período de três meses após o início do imunos-supressor (metotrexato, ciclofosfamida e/ou ciclosporina A). Em 55,5% dos pacientes uma abordagem cirúrgica (ressecção da conjuntiva do limbo, adesivo tecidual com lente de contato terapêutica, enxerto de esclera, transplante de córnea) se fez necessária. CONCLUSÃO: O envolvimento da córnea e da esclera associado à doença do tecido conectivo é sinal de atividade da doença e geralmente necessita de terapia imunossupressora para o seu controle. O oftalmologista deve estar alerta para detecção precoce e tratamento apropriado da doença de base.
Keywords: Esclerite; Esclerite; Úlcera de córnea; Úlcera de córnea; Tecido conjuntivo; Imunossupressão; Relato de caso
Abstract
INTRODUÇÃO: Esclerite é uma doença grave, rara e progressiva, que envolve inflamação e edema dos tecidos episcleral superficial, profundo e escleral e está associada com doenças sistêmicas reumatológicas em muitos casos. OBJETIVOS: Realizar um estudo prospectivo comparativo entre as manifestações oftalmológicas, achados sorológicos e resposta terapêutica de pacientes com esclerite isolada e com esclerite associada a doenças sistêmicas reumatológicas. MÉTODOS: Trinta e dois pacientes com esclerite não infecciosa participaram do estudo, de março de 2006 a março de 2008. O tratamento realizado baseou-se no uso de colírios de corticoides associados aos anti-inflamatórios não-hormonais, seguidos de corticoides sistêmicos e imunossupressores, se necessário. O sucesso do tratamento foi considerado como seis meses sem crises de esclerite. RESULTADOS: Quatorze dos 32 pacientes apresentaram esclerite associada à doença sistêmica, dos quais nove com artrite reumatóide, dois com lúpus eritematoso sistêmico, um com doença de Crohn, um com doença de Behçet e um com gota. Não houve diferenças em relação ao envolvimento ocular e suas complicações, predominando a esclerite anterior nodular e o afinamento escleral, respectivamente. O grupo com esclerite associada a doenças sistêmicas apresentou 64,3% de positividade de autoanticorpos contra 27,8% no grupo com esclerite isolada, sendo tal diferença estatisticamente significante. No grupo com esclerite isolada, 16,7% fez uso de apenas anti-inflamatórios, 33,3% de corticoide sistêmico, 27,8% de corticoide com um imunossupressor, 5,5% dois imunossupressores, 16,7% corticoide com dois imunossupressores e 33,3% pulsoterapia com imunossupressor; sendo que houve sucesso do tratamento em 88,9%. No grupo com esclerite associada à doença sistêmica, 7,1% fez uso de anti-inflamatórios, 7,1% corticoide sistêmico, 50% corticoide com um imunossupressor, 7,1% dois imunossupressores e 22,2% pulsoterapia com imunossupressor; com 100% de sucesso no tratamento nesse grupo. CONCLUSÃO: Em ambos os grupos houve predomínio da esclerite nodular unilateral e o grupo com esclerite associada a doença sistêmica apresentou taxas maiores de todos os autoanticorpos testados. Não houve diferença entre os grupos em relação ao uso de imunossupressores e à resposta terapêutica, a qual foi totalmente satisfatória no grupo com esclerite associada à doença sistêmica e satisfatória no grupo com esclerite isolada.
Keywords: Esclerite; Doenças reumáticas; Autoanticorpos; Inflamação; Imunossupressores
Abstract
Os autores apresentam um caso de sucesso no tratamento com rituximabe de esclerite necrosante após cirurgia de pterígio refratário a altas doses de corticosteroides e drogas imunossupressoras. Uma revisão da literatura direcionada ao uso de rituximabe para tratamento de esclerites necrosantes revelou relatos de casos e um estudo clínico randomizando fase I/II. Este é o único caso descrito de rituximabe para o tratamento de esclerite necrosante pós cirúrgica. O uso de anticorpo anti-CD20 pode ser uma opção em casos refratários aos imunossupressores no tratamento da esclerite necrosante pós-cirúrgica.
Keywords: Esclerite; Pterígio/cirurgia; Rituximabe/uso terapêutico; Anticorpos monoclonais/administração & dosagem
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