Arq. Bras. Oftalmol. 2014;77 (3 )
:173-177
| DOI: 10.5935/0004-2749.20140044
Abstract
Objetivos: Avaliar a eficácia e eficiência de um novo corante à base de luteína para coloração da cápsula anterior durante cirurgia de facoemulsificação em humanos. Métodos: Vinte e cinco olhos de 25 pacientes foram operados por 25 cirurgiões diferentes que realizaram capsulorrexis circular contínua e facoemulsificação após coloração da cápsula anterior com corante à base de luteína. Um questionário avaliou a opinião dos cirurgiões sobre a eficácia do corante. Exames pós-operatórios foram realizados nos dias 1, 7 e 30 por meio de exame oftalmológico completo, topografia/ paquimetria e contagem de células endoteliais. Resultados: De acordo com o questionário aplicado, o corante facilitou a cirurgia em todos os olhos. A classificação da catarata de acordo com o LOCS III foi de 3,24 ± 1,12. A acuidade visual pré-operatória com melhor correção foi de 0,89 ± 0,59 (logMAR), passando a 0,23 ± 0,22 no pós-operatório. A pressão intraocular (PIO) permaneceu estável e houve reação de câmara leve que desapareceu em todos os casos durante os primeiros 7 dias de pós-operatório. Não houve significância estatística comparando a paquimetria e PIO pré e pós-operatórios. Conclusão: O novo corante se mostrou eficiente e sem sinais de toxicidade ou efeitos adversos, após 30 dias, quando usado para auxiliar a cirurgia de facoemulsificação.
Keywords: Extração de catarata/métodos; Luteína; Facoemulsificação; Capsulorrexe; Lentes intraoculares
Arq. Bras. Oftalmol. 2015;78 (4 )
:216-219
| DOI: 10.5935/0004-2749.20150056
Abstract
RESUMOObjetivo:Reportar os resultados clínicos do tratamento local da retinocoroidite toxoplásmica com injeções intravítreas de clindamicina e dexametasona.Métodos:População do estudo: 16 olhos (16 pacientes) com retinocoroidite toxoplásmica ativa sem comprometimento da mácula e da área juxtapapilar, tratados com injeções intravítreas de clindamicina (1 mg) e dexametasona (1 mg) sem terapia sistêmica anti-toxoplásmica ou anti-inflamatória concomitante. Procedimento de observação: A melhor acuidade visual corrigida (BCVA) foi medida através da tabela ETDRS. A BCVA e as características clínicas da retinocoroidite foram avaliadas na qualificação, primeiro, terceiro, sexto e 12º mês. Medidas do resultado principal: resolução da retinocoroidite e mudanças na BCVA.Resultados:O controle da retinocoroidite toxoplásmica foi atingido em todos os casos com um intervalo médio de 2,48 ± 1,03 semanas (intervalo de 2 a 6 semanas). Uma única injeção intravítrea de clindamicina e dexametasona foi aplicada em 12 pacientes, e quatro pacientes precisaram de duas injeções durante o seguimento. Quatorze olhos (87,5%) melhoraram ≥ 2 linhas ETDRS de BCVA, a BCVA ficou estável em 2 olhos (12,5%) e nenhum paciente apresentou diminuição da acuidade visual no final do seguimento. Não foram observados eventos adversos sistêmicos ou oculares.Conclusão:O tratamento local com injeções intravítreas de clindamicina e dexametasona sem terapia sistêmica concomitante esteve associado com a resolução da retinocoroidite toxoplásmica em pacientes sem comprometimento macular ou juxtapapilar. A clindamicina e dexametasona intravítrea representam um tratamento promissor em pacientes com intolerância, contraindicação ou resposta inadequada a medicação oral.
Keywords: Coriorretinite/quimioterapia; Toxoplasmose ocular; Injeções intravítreas; Clindamicina/administração & dosagem; Dexametasona /administração & dosagem
Arq. Bras. Oftalmol. 2015;78 (6 )
:356-358
| DOI: 10.5935/0004-2749.20150094
Abstract
Objetivo: Analisar o uso do PCR em tempo real (qPCR) na detecção do DNA do T. gondii no sangue periférico e no humor aquoso de pacientes com lesões de retinocoroidite focal, ativa por toxoplasmose. Métodos: Cinquenta e cinco pacientes com uveite infecciosa foram incluídos neste estudo. Os pacientes foram atendidos entre 2009 a 2013, no Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo. Quarenta e três pacientes tiveram o diagnóstico de lesões de retinocoroidite focal, ativa por toxoplasmose e, os outros 12 tiveram o diagnóstico de uveíte infecciosa não toxoplásmica e, por isso foram usados como grupo controle. A técnica de qPCR foi utilizada na detecção de DNA do T. gondii em amostras de sangue periférico e humor aquoso. Resultados: O qPCR foi positivo para o DNA do T. gondii em 37,21% (16/43) das amostras de humor aquoso, 2,33% (1/43) nas amostras de sangue periférico e, 16,27% (7/43) em ambas amostras simultaneamente. Conclusão: O qPCR foi capaz de detectar o DNA do T. gondii em pacientes com lesões de retinocoroidite focal, ativa por Toxoplasmose, no sangue bem como, no humor aquoso, podendo ajudar no diagnostico.
Keywords: Toxoplasmose ocular/diagnóstico; Toxoplasma; Sangue/parasitologia; Coriodite; Reação em cadeia da polimerase em tempo real; Humor aquoso
Arq. Bras. Oftalmol. 2016;79 (1 )
:1-3
| DOI: 10.5935/0004-2749.20160002
Abstract
Introdução: No ano de 2015, foi identificado no Brasil um aumento da prevalência de microcefalia em vinte vezes. Esta malformação foi associada pelo Ministério da Saúde à transmissão vertical do Zika vírus (ZIKV). Método: Investigamos dez lactentes com diagnóstico clínico presumido de microcefalia relacionada à ZIKV, que apresentavam anormalidades oculares, nascidos entre maio e dezembro de 2015. Resultados: Sete mães (70,0%) relataram sintomas (mal-estar, rash e artralgia) durante a gestação, sendo seis (85,7%) no primeiro trimestre. No dia da avaliação nenhuma alteração ocular foi identificada nas mães e elas não relataram sintomas oculares durante a gestação. Sorologia foi negativa para toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, sífilis e vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) em todos os lactentes. Os achados oculares incluíram alterações maculares (depósito pigmentar grosseiro e/ou atrofia coriorretiniana) em 15 olhos (75,0%) e alterações do nervo óptico (hipoplasia do disco com sinal do duplo anel, palidez e/ou aumento da escavação papilar) em nove olhos (45,0%). Conclusões: Os pacientes apresentaram segmento anterior normal e importantes e anormalidades maculares e do nervo óptico. Estudos futuros vão avaliar a importância destas alterações visuais.
Keywords: Microcefalia; Zika vírus; Achados oculares; Transmissão vertical, Retina
Arq. Bras. Oftalmol. 2016;79 (1 )
:37-41
| DOI: 10.5935/0004-2749.20160011
Abstract
Objetivo: Comparar células endoteliais de córnea humana (HCECs) criopreservadas e cultivadas em meio suplementado com soro humano (HS-SM) com HCEC criopreservadas e cultivadas em meio suplementado com soro bovino fetal (FBS-SM). Métodos: Três pares de córneas humanas de doadores com 8, 28 e 31 anos de idade foram obtidos do banco de olhos e, de cada par, uma córnea foi utilizado para iniciar uma cultura com HS-SM e outra com FBS-SM. Ao atingir a confluência, as populações de células foram congeladas utilizando-se dimetil-sulfóxido 10% no respectivo meio de cultura. Após descongeladas, as células cultivadas em HS-SM foram comparados com as cultivadas em FBS-SM por meio de morfologia, curva de crescimento, imuno-histoquímica, reação em cadeia de Reação em cadeia da polimerase da transcrição reversa em tempo real (RT-PCR) para marcadores de células endoteliais e tempo de descolamento. Resultado: Não foram observadas diferenças morfológicas antes ou após a criopreservação. Curva de crescimento mostrou contagens celulares semelhantes em ambos os meios, com discreta tendência para um maior número em FBS-SM. As células cultivadas em ambos os meios mostraram expressão semelhante de marcadores celulares endoteliais quando avaliadas por imuno-histoquímica, embora a expressão genética de marcadores para HCEC tenha sido maior em HS-SM quando avaliado por RT-PCR. Houve uma tendência de maior tempo de descolamento com FBS-SM e passagens iniciais. Conclusões: HS-SM foi semelhante ao FBS-SM na criopreservação de HCEC cultivadas in vitro quando avaliadas por morfologia celular, proliferação celular e expressão proteica, embora a expressão genética de marcadores endoteliais tenha sido maior em células cultivadas em HS-SM quando comparadas a células cultivadas em FBS-SM. O tempo de descolamento foi maior quando utilizado FBS-SM e em passagens iniciais.
Keywords: Criopreservação; Córnea; Endotélio corneano; Técnicas de cultura de células; Meios de cultura
Arq. Bras. Oftalmol. 2017;80 (3 )
:154-158
| DOI: 10.5935/0004-2749.20170038
Abstract
Objetivo: Demonstrar a eficácia do colírio de tacrolimus 0,03% como único agente antialérgico versus o colírio de cromoglicato de sódio 4% no tratamento de ceratoconjuntivite primaveril (CCP). Métodos: Ensaio clínico randomizado duplo-mascarado comparando a eficácia do colírio de tacrolimus 0,03% 3 vezes ao dia, versus o colírio de cromoglicato 4% 3 vezes ao dia, no controle dos sintomas e sinais de pacientes com o diagnóstico de ceratoconjuntivite primaveril, durante o período de 3 meses, com avaliações nos dias 0, 15, 30, 45 e 90. Acuidade visual, pressão intraocular e outras possíveis complicações foram avaliadas para determinar segurança e efeitos adversos. Resultados: Dezesseis pacientes foram incluídos no estudo, sendo que oito fizeram uso de colírio de tacrolimus 0,03% (Grupo 1) e oito fizeram uso de colírio de cromoglicato de sódio 4% (Grupo 2). Dois pacientes do Grupo 2 foram excluídos da análise dos dias 45 e 90, devido à necessidade de utilização de corticosteroide tópico. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (81,8%) e 56,3% apresentavam a doença em sua forma limbar. Houve diferença estatisticamente significativa entre os Grupos 1 e 2 em relação à graduação de severidade para os sintomas de prurido no dia 90 (p=0,001), sensação de corpo estranho no dia 15 (p=0,042), fotofobia no dia 30 (p=0,041) e para os sinais de atividade inflamatória limbar nos dias 15 (p=0,011), 30 (p=0,007) e 45 (p=0,015), e ceratite no dia 30 (p=0,048). Nenhum efeito adverso relevante foi notado, exceto queixa de queimação ocular quando da instilação de tacrolimus, o que não comprometeu à adesão ao tratamento. Conclusão: O colírio de tacrolimus 0,03% foi superior ao colírio de cromoglicato de sódio 4% comparando a graduação de severidade para os sintomas de prurido, sensação de corpo estranho e fotofobia, assim como para os sinais de atividade inflamatória limbar e ceratite, em determinados períodos de tempo durante o seguimento.
Keywords: Conjuntivite alérgica; Antialérgicos; Tacrolimo; Soluções oftálmicas; Cromolina sódica
Arq. Bras. Oftalmol. 2017;80 (3 )
:159-164
| DOI: 10.5935/0004-2749.20170039
Abstract
Objetivos: Determinar a visão, achados oftalmológicos e qualidade de vida em longevos. Métodos: Estudo observacional transversal em indivíduos com idade entre 80 anos ou mais. Realizado exame oftalmológico com medida da acuidade visual apresentada e da acuidade visual melhor corrigida. Foram administrados os questionários: Qualidade de Vida Forma Curta - 36 (SF-36) e Qualidade de Função Visual (VFQ-25). Resultados: Total de 150 indivíduos não-institucionalizados foram estudados, divididos em três faixas etárias: 80 a 89 anos (n=70); 90 a 99 anos (n=50) e 100 anos ou mais (n=30). Acuidade visual apresentada normal (≥20/30) foi encontrada em 20 (13,3%) participantes; deficiência visual leve (<20/30 a ≥20/60), em 53 (35,4%); deficiência visual moderada (< 20/60 a ≥20/200) em 50 (33,3%); deficiência visual grave (<20/200 para ≥20/400) em 8 (5,3%) e cegueira (<20/400) em 19 (12,7%). A acuidade visual com a melhor correção aumentou para 37 (24,7%) indivíduos normais; deficiência leve aumentou para 55 (36,7%); deficiência visual moderada diminuiu para 38 (25,3%); deficiência visual grave foi reduzida para 5 (3,3%) e cegueira foi reduzida para 15 (10%). As principais causas de deficiência visual/cegueira foram: catarata (43,8%) erro refrativo (21,5%), degeneração macular relacionada à idade (17,7%), e degeneração miópica (3,8%). A pontuação no Questionário de Qualidade de Vida foi pior naqueles com baixa visão para perto. No questionário VFQ -25 os domínios com menor pontuação ocorreram nos indivíduos com baixa visão/cegueira. Conclusão: Deficiência visual/cegueira mostrou-se presente em três quartos desta amostra de longevos. A prescrição de óculos adequados proporcionou melhora da acuidade visual, reforçando a necessidade de atendimento oftalmológico regular desses pacientes para assegurar a qualidade de vida e de visão.
Keywords: Envelhecimento; Transtornos da visão/diagnóstico; Avaliação geriátrica; Cegueira; Baixa visão; Qualidade de vida; Inquéritos e questionários. Idoso; Idoso de 80 anos ou mais