Arq. Bras. Oftalmol. 2001;64 (1 )
:39-43
| DOI: 10.1590/S0004-27492001000100008
Abstract
Objetivo: Realizou-se um estudo em cem pacientes no Serviço de Emergência Oftalmológica do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas a fim de analisar as características pessoais e as dificuldades para obter assistência oftalmológica de forma resolutiva. Métodos: A amostra apresentou as seguintes características: distâncias entre 20 e 100 quilómetros percorridas por 50,0% dos pacientes a serem atendidos no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, sendo que 75,0% destes necessitaram de acompanhante e 67,0% eram procedentes de outros municípios. As longas distâncias percorridas representaram despesas adicionais no tratamento de doenças que muitas vezes deveriam ser resolvidas localmente. Resultados: Entre os pacientes encaminhados por oftalmologistas de outros serviços ao Hospital das Clínicas- Universidade Estadual de Campinas, 87,5% poderiam ter seu problema resolvido em nível secundário de atendimento e 66,7% das urgências verdadeiras e 60,0% das urgências falsas levaram mais de 7 dias para chegar ao Pronto Socorro- Universidade Estadual de Campinas, sugerindo, nas condições desta pesquisa, uma estruturação precária dos serviços secundários quanto ao preparo para o atendimento de urgência e a orientação do paciente. Conclusão: Recomenda-se a preparação de médicos generalistas e oftalmologistas em participação resolutiva dos casos de emergência ocular além da instalação de serviços públicos ou conveniados, secundários e terciários, estrategicamente distribuídos por todo o Estado de São Paulo.
Keywords: Emergência; Oftalmopatias; Acesso aos serviços de saúde
Arq. Bras. Oftalmol. 2010;73 (5 )
:423-427
| DOI: 10.1590/S0004-27492010000500007
Abstract
OBJETIVO: Verificar a ocorrência de pós-consulta, a compreensão pelo paciente e a avaliação do plantonista sobre a eficácia do processo, em pronto-socorro de oftalmologia. MÉTODOS: Foi realizada pesquisa transversal, analítica em plantonistas e pacientes atendidos consecutivamente no pronto-socorro de oftalmologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. RESULTADOS: A amostra foi composta por 28 plantonistas e 561 pacientes, 51,3% do sexo masculino e 48,7% do sexo feminino, com média de idade de 39,8 anos. Dos 34,1% pacientes que passaram previamente por outros serviços, 8,4% procuraram dois serviços e 5,7% três ou mais serviços. No atendimento dos serviços prévios, 56,9% dos pacientes mencionaram não ter recebido explicação sobre o diagnóstico. Dos pacientes atendidos no Hospital das Clínicas da FMUSP, 95,1% referiram que os oftalmologistas explicaram o diagnóstico e desses 84,0% entenderam o que foi explicado. Dentre os 40,4% pacientes que receberam prescrição de medicação nos serviços prévios, 85,5% mencionaram terem recebido explicação do seu uso e 82,9 % seguiram a orientação. No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP, 95,0% dos pacientes entenderam como e porque usar a medicação. Na percepção dos oftalmologistas, mais de 90,0% dos pacientes entenderam o diagnóstico e o tratamento prescrito. CONCLUSÃO: Nas condições desta pesquisa, para grande maioria dos pacientes, houve o fornecimento de orientação pós-consulta e a compreensão do paciente sobre a doença e tratamento propostos.
Keywords: Serviço Hospitalar de Emergência; Oftalmopatias; Referência e consulta; Relações médico-paciente; Serviços médicos de emergência
Arq. Bras. Oftalmol. 2010;73 (6 )
:491-493
| DOI: 10.1590/S0004-27492010000600003
Abstract
Objetivo: Analisar o benefício gerado nas atividades profissionais após a cirurgia de catarata. Métodos: Foi realizado um estudo prospectivo, randomizado, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Os pacientes foram submetidos à facoemulsificação (FACO) e à extração extracapsular (EECP). Resultados: A amostra foi composta de 205 pacientes, destes, 101 realizaram cirurgia pela técnica de facoemulsificação. A média de idade no grupo da facoemulsificação foi de 68,3 anos ± 9 anos e de 69,1 anos ± 8,5 anos no grupo da extração extracapsular (p=0,70). A porcentagem de pacientes empregados no grupo facoemulsificação foi de 16,83%, e no outro grupo de 13,46%. A maioria dos pacientes que não remunerados formalmente sentiu-se motivada a procurar trabalho. A maioria dos analisados relatou aumento da produtividade no trabalho após a cirurgia, 82,50% no grupo facoemulsificação e 78,60% no grupo extração extracapsular (p=0,20). Conclusão: A cirurgia de catarata por ambas as técnicas proporcionou melhora da produtividade no trabalho, e estimulou indivíduos economicamente inativos a procurar trabalho remunerado.
Keywords: Extração de catarata; Facoemulsificação; Catarata; Cegueira; Conduta na prática dos médicos; Lentes intraoculares; Acuidade visual; Percepção
Arq. Bras. Oftalmol. 2010;73 (6 )
:494-496
| DOI: 10.1590/S0004-27492010000600004
Abstract
Objetivo: Analisar a evolução do número de cirurgias realizadas no centro cirúrgico ambulatorial de um hospital universitário e avaliar sua viabilidade financeira durante e após a interrupção da Campanha Nacional de Catarata em 2006. Métodos: Foi realizado um estudo analítico retrospectivo entre 2005 e 2009 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) em que foram avaliados a viabilidade econômica do centro cirúrgico ambulatorial, o número de cirurgias de catarata realizados e o número de cirurgiões presentes diariamente naquela unidade. Resultados: Seria necessária a realização de pelo menos 400 procedimentos mensais para garantir a viabilidade financeira do centro cirúrgico ambulatorial. Este número ficou abaixo do esperado nos anos de 2008 e 2009 (média de 370,6 e 390,1 cirurgias respectivamente). O número de estagiários de catarata diminuiu de 13 em 2005 para 3 em 2009. Conclusão: O principal fator para a redução no número de cirurgias de catarata realizadas no centro cirúrgico ambulatorial após 2006 foi a dificuldade de acesso da população necessitada ao hospital, decorrente de restrições à realização de projetos de triagem. A maior utilização das salas cirúrgicas por outras clínicas e a diminuição na admissão de novos cirurgiões, adequaram e viabilizaram o centro cirúrgico ambulatorial para a nova realidade políticoeconômica.
Keywords: Extração de catarata; Otimização; Facoemulsificação; Hospitais de ensino; Cegueira
Arq. Bras. Oftalmol. 2011;74 (5 )
:323-325
| DOI: 10.1590/S0004-27492011000500002
Abstract
OBJETIVO: Estimar o valor dos Projetos Catarata para a comunidade, identificando características e dificuldades de acesso ao diagnóstico e ao tratamento da catarata na rotina de atendimento de diversos Sistemas de Saúde. MÉTODOS: Durante uma campanha de catarata realizada em um hospital universitário foi aplicado um questionário de múltipla escolha somente aos pacientes selecionados para a cirurgia de catarata. Foram avaliadas, dentre outras, as seguintes variáveis: acesso prévio à consulta oftalmológica (serviço público ou privado); motivo(s) para a não realização da cirurgia no serviço inicial. RESULTADOS: Foram avaliados 627 pacientes com diagnóstico de catarata. A maioria 595 (95%) já havia consultado um oftalmologista previamente, sendo que em 63% das situações (375 pacientes) a consulta havia sido realizada há menos de um ano. A última avaliação oftalmológica foi realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 52% dos casos (307 pacientes), e entre estes, a fila de espera foi apontada pela maioria como sendo a causa da não realização da cirurgia. Com relação aos pacientes previamente atendidos em serviços privados, o motivo da não realização da cirurgia foi o custo da cirurgia e custo da lente intraocular. CONCLUSÃO: Os resultados deste estudo sugerem que a rotina de atendimento oftalmológico no SUS em São Paulo não está preparada para atender a demanda por cirurgias de catarata, e o sistema de saúde privado ainda exclui uma parcela da população que possuí acesso à consulta clínica da cirurgia de catarata. É importante a continuidade da realização de campanhas comunitárias para atender a população que não teria como acessar a cirurgia pelas vias convencionais.
Keywords: Catarata; Extração de catarata; Cegueira; Aces-so aos serviços de saúde; Custos de cuidados de saúde; Questionários; Brasil
Arq. Bras. Oftalmol. 2012;75 (5 )
:316-319
| DOI: 10.1590/S0004-27492012000500004
Abstract
OBJETIVO: Investigar a possibilidade de efeitos na sensibilidade ao contraste e nos resultados da campimetria azul-amarelo com implante de uma lente intraocular (LIO) asférica ou de pigmentação amarela. MÉTODOS: Trata-se de um estudo prospectivo, randomizado, duplo-mascarado, envolvendo 52 pacientes portadores de catarata senil bilateral, divididos em dois grupos; 25 pacientes (50 olhos) receberam uma LIO asférica em um olho e uma esférica no olho contralateral; e 27 pacientes (54 olhos) com implante de uma LIO de pigmentação amarela e uma LIO convencional no olho contralateral. O principal resultado do estudo foi a sensibilidade ao contraste e os dados da perimetria azul-amarelo ("mean deviation" [MD] e "pattern standard deviation" [PSD]). Os resultados foram analisados interindividualmente. RESULTADOS: Houve diferença estatística entre os grupos (lentes asféricas e esféricas) na sensibilidade ao contraste em condições fotópicas (12 ciclos por grau) e em condições mesópicas (todas frequências). Não houve diferença estatística na sensibilidade ao contraste entre as lentes de pigmentação amarela e convencionais. Não houve diferença estatística nos valores de MD e PSD entre os grupos. CONCLUSÃO: A sensibilidade ao contraste foi melhor em condições mesópicas com as lentes asféricas. A campimetria azul-amarelo parece não ser influenciada por LIOs asféricas e com pigmentação amarela. Mais estudos com uma amostra maior são necessários para confirmar ou afastar essa hipótese.
Keywords: Lentes intraoculares; Extração de catarata; Facoemulsificação; Glaucoma; Testes de campo visual; Campos visuais; Implante de lente intraocular; Sensibilidade de contraste