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Search for: Maria de Lourdes Veronese Rodrigues
Abstract
Objetivo: Foram estudados 58 casos com diagnóstico de endoftalmite no intuito de se obter as características regionais desta patologia. Avaliaram-se os fatores predisponentes, quadro clínico, exames complementares, tratamento e resultado funcional. Métodos: Foi feita a análise retrospectiva dos prontuários dos pacientes atendidos no HCFMRP-USP, com diagnóstico de endoftalmite, no período de 1993 a 1998. Resultados: Trauma e cirurgia foram os principais fatores desencadeantes (39,05% cada). O quadro clínico predominante foi dor e diminuição da acuidade visual associado a hiperemia conjuntival e hipópio. Em 70,48% dos casos colheu-se cultura, sendo o resultado positivo em 85,36% das amostras. O agente etiológico mais freqüente foi o S. aureus (26,08%), seguido do S. epidermidis e P. aeruginosa (13,04% cada). Todos agentes isolados foram sensíveis à vancomicina e à ceftazidima. Em 65,51% dos casos a acuidade visual final foi ausência de percepção luminosa. Conclusões: Os resultados sugerem algumas alterações a serem efetuadas para se melhorar o prognóstico visual destes casos, como o uso de vancomicina e ceftazidima intra-ocular.
Keywords: Endoftalmite
Abstract
Objetivo: Avaliar o comportamento da pressão intra-ocular (PIO) e a possibilidade de eventuais complicações do uso da mitomicina-C (MMC) nas trabeculectomias de pacientes com glaucoma refratário. Métodos:Foram estudados prospectivamente 108 olhos de 92 pacientes submetidos à trabeculectomia com mitomicina-C a 0,2 mg/ml por 5 minutos. O tempo de seguimento foi de 11,92 ± 5,13 meses, com mínimo de 6 e máximo de 24 meses. A média de idade foi de 39,59 ± 24,05 anos, variando de 3 a 87 anos. A média da pressão intra-ocular no período pré-operatório dos 108 olhos foi de 32,36 ± 9,90 mmHg, e a mediana de 30 mmHg, variando de 18 a 68 mmHg. Resultados:A média da pressão intra-ocular no período pós-operatório foi de 13,74 ± 9,68 mmHg e a mediana de 12 mmHg, variando de 1 a 60 mmHg. Houve sucesso em 90,7% dos olhos. Em 76,8% não houve necessidade de medicação suplementar. Não houve diferença significante (p > 0,75) quanto aos resultados pressóricos e às complicações, nos pacientes submetidos ou não à intervenção prévia. Em 25% dos olhos houve complicações; atalamia (11,11%) e hipotonia (7,41%) foram as mais freqüentes. Conclusão:Trata-se de procedimento eficaz para o tratamento de glaucomas refratários com baixo índice de complicações.
Keywords: Trabeculectomia; Mitomicina; Mitomicina; Glaucoma de ângulo aberto; Pressão intra-ocular
Abstract
OBJETIVO: Estudar a eficácia da associação de testes diagnósticos na detecção de pacientes com glaucoma. MÉTODOS: Quarenta e seis olhos de 46 indivíduos com relação escavação/disco >0,4 ou com assimetria de escavação >0,2 foram submetidos a tonometria, campimetria de estímulos supraliminares (CES) e limiares (CEL). A seleção dos pacientes foi realizada por meio de oftalmoscopia direta e a campimetria de estímulos liminares foi adotada como padrão-ouro ("gold standard") para o diagnóstico de glaucoma. RESULTADOS: A probabilidade de haver alterações na campimetria de estímulos liminares em olhos com relação escavação/disco >0,4 foi de 34,8% (valor preditivo positivo). A sensibilidade, especificidade e os "likelihood ratios" positivo e negativo da campimetria de estímulos supraliminares foram, respectivamente, 75%, 93%, 10,7 e 0,27. Para a tonometria esses valores foram respectivamente 19%, 90%, 1,9 e 0,9. A associação do exame supraliminar com o exame do disco óptico aumentou a probabilidade de haver alterações na campimetria de estímulos liminares de 34,8% para 85% se o primeiro for positivo (alterado) e diminui para 12% se este for negativo (normal). Quando o exame do disco é associado à tonometria, a probabilidade inicial aumenta de 34,8% apenas para 50% se o teste for positivo (PO>20 mmHg) e diminui para 32% se o teste for negativo (PO<20mmHg). CONCLUSÃO: A eficácia em identificar pacientes com glaucoma foi maior quando a oftalmoscopia direta foi associada ao exame de campimetria de estímulos supraliminares do que quando foi associada à tonometria.
Keywords: Glaucoma; Tonometria; Perimetria; Cegueira; Disco óptico; Degeneração macular; Seleção visual
Abstract
OBJETIVO: Analisar o perfil oftalmológico dos pacientes com diabetes melito atendidos pelo programa de atendimento multidisciplinar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. MÉTODOS: Foi realizada a análise dos prontuários oftalmológicos de 2.360 pacientes atendidos entre 1983 e 2002, por um único médico oftalmologista de um hospital público. Todos os pacientes participavam de um programa de atendimento multidisciplinar, tendo sido encaminhados do Ambulatório de Endocrinologia com diagnóstico confirmado de diabetes. Os grupos foram divididos de acordo com o tempo de seguimento em: grupo A - 0 a 4, grupo B - 5 a 9, grupo C - 10 a 14 e grupo D - 15 a 19 anos. RESULTADOS: a freqüência de retinopatia diabética por grupo foi de: grupo A - 16%, B - 29%, C - 36% e D - 44%. Houve diferença estatisticamente significante entre o grupo A e os demais (p<0,05) e não houve diferença entre os grupos B, C e D (p>0,05). CONCLUSÃO: Mesmo dentro de uma estrutura organizada e com atendimento multidisciplinar visando melhor atenção aos pacientes com diabetes, a retinopatia diabética permanece como complicação freqüente e de difícil controle entre os diabéticos.
Keywords: Retinopatia diabética; Programas médicos regionais; Prestação de cuidados de saúde; Hospitais públicos
Abstract
OBJETIVO: Comparar achados diagnósticos de olho seco em crianças normais e com artrite reumatóide juvenil. MÉTODOS: Neste estudo transversal, 30 olhos de 15 pacientes com artrite reumatóide juvenil (grupo 1) e 22 olhos de 11 crianças-controle (grupo 2) foram examinados clinicamente e submetidos a testes para ceratoconjuntivite seca: Schirmer tipo 1, tempo de quebra do filme lacrimal e coloração com rosa bengala. RESULTADOS: Seis crianças com artrite reumatóide juvenil apresentaram um ou mais sintomas de ceratoconjuntivite seca (40%) e cinco destas (83,3%) mostravam meibomite ou outros sinais dessa afecção. Nenhuma criança do grupo 2 apresentou sinais ou sintomas de ceratoconjuntivite seca. No teste de Schirmer não se observou diferença significativa entre os grupos 1 e 2 (p=0,156). Entretanto, o tempo de quebra do filme lacrimal foi significativamente menor no grupo 1 (p=0,0005) e de maneira semelhante, o escore do teste de rosa bengala foi significativamente maior no grupo 1 (p=0,0038). Cinco das 15 crianças estudadas do grupo 1 apresentaram um ou mais testes alterados e tiveram diagnóstico definitivo de ceratoconjuntivite seca, ao passo que quatro (26%) tiveram o diagnóstico de provável ceratoconjuntivite seca. No grupo 2, nenhuma criança apresentou mais de um teste positivo. CONCLUSÕES: Sinais e sintomas de ceratoconjuntivite seca constituem achados comuns em crianças com artrite reumatóide juvenil. Embora apenas o tempo de quebra do filme lacrimal e a marcação com rosa bengala tenham tido diferença significativa entre os grupos, parece haver tendência a resultados piores nos testes de olho seco realizados em crianças com artrite reumatóide juvenil.
Keywords: Artrite reumatóide juvenil; Ceratoconjuntivite seca; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Lágrimas; Rosa bengala; Criança; Estudo comparativo
Abstract
OBJETIVO: Avaliar as condições oftalmológicas atuais de pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), previamente avaliados por oftalmologista, levando em consideração algumas características gerais relacionada com essa doença. MÉTODOS: Estudo observacional de 42 pacientes com SIDA, subdivididos em dois grupos: Grupo I: 8 pacientes com SIDA e diagnóstico prévio de retinite por citomegalovírus; Grupo II: 34 pacientes com SIDA sem retinite por citomegalovírus. Os dados gerais relacionados com a SIDA foram obtidos pela análise dos prontuários médicos. RESULTADOS: A maioria dos pacientes apresentou acuidade visual no melhor olho entre logMAR 0,0 (68,3%) e 0,1 (26,9%). Prescrição óptica para longe beneficiou 39,4% dos pacientes do Grupo II mas nenhum dos paciente do Grupo I. Presbiopia foi corrigida em 27,3% no Grupo II e 12,5% no Grupo I. Não foram encontradas manifestações oculares atuais relacionadas a SIDA em nenhum dos grupos. As alterações fundoscópicas encontradas em 10 pacientes foram todas alterações cicatriciais de retinite/retinocoroidite, sendo 7 (16,7%) pacientes pertencentes ao Grupo I e 3 (7,1%) pacientes pertencentes ao Grupo II. CONCLUSÃO: Dez (24,4%) pacientes apresentaram alteração visual decorrente do envelhecimento. Com exceção dos pacientes com cicatrizes prévias de retinite ou retinocoroidite, todos os outros participantes estavam em boas condições oftalmológicas e a maioria dos mesmos se encontrava em recuperação imunológica, devido ao uso da terapia anti-retroviral de alta potência.
Keywords: Síndrome de imunodeficiência adquirida; Manifestações oculares; Retinite por citomegalovírus; Terapia anti-retroviral de alta atividade
Abstract
A síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada é doença crônica, sistêmica e auto-imune, com manifestações oculares, nervosas, auditivas e tegumentares. Descrevemos aqui o caso de uma criança com início dos sintomas aos quatro anos e dois meses de idade, com positividade para o HLA DRB1*01.
Keywords: Síndrome uveomeningoencefálica; Criança; Antígenos HLA-DR; Uveite; Uveite; Relatos de casos
Abstract
OBJETIVO: O filme lacrimal pode ser alterado por medicações crônicas, que podem comprometer o equilíbrio responsável pela função da glândula lacrimal e da superfície ocular. O objetivo desse estudo foi determinar se o tratamento crônico com drogas antiglaucomatosas induz alterações no filme lacrimal e superfície ocular. MÉTODOS: Após o consentimento informado, 21 pacientes usando drogas antiglaucomatosas por mais de 8 meses e 20 voluntários com similar distribuição etária e por sexo, não usuários de medicação ocular ou sistêmica (grupo controle) foram incluídos. Os dados do desconforto ocular, coloração com fluoresceína e lissamina verde, tempo de ruptura do filme lacrimal e teste de Schirmer foram colhidos e analisados pelo teste t de Student. A citologia de impressão foi avaliada e comparada pelo teste de qui-quadrado. RESULTADOS: Pacientes usando cronicamente medicação antiglaucomatosa apresentaram ignificativamente maior coloração por fluoresceína (p=0,003), lissamina verde (p=0,02) e menor TRFL (p=0,001). Os outros parâmetros comparados, incluindo a citologia de impressão foram similares entre o grupo tratado e controle (p>0,05). CONCLUSÕES: Esse estudo demonstra que o filme lacrimal e a superfície ocular estão alterados em usuários de medicação antiglaucomatosa. Essas medicações apresentam em comum o cloreto de benzalcônio como conservante. Esforços para minimizar efeitos adversos do uso crônico de drogas antiglaucomatosas devem ser considerados.
Keywords: Compostos de benzalcônio; Compostos de benzalcônico; Timolol; Timolol; Disco óptico; laucoma; Síndrome do olho seco; Indicadores e reagentes
Abstract
OBJETIVOS: Avaliar aspectos epidemiológicos dos traumas oculares num pronto-socorro de referência. MÉTODOS: O estudo teve dois grupos distintos de indivíduos: no primeiro (A) composto por vítimas de trauma ocular, em que 1.483 pacientes atendidos consecutivamente ao longo de 2003 tiveram os dados epidemiológicos analisados, e o segundo (B), em que 133 pacientes tiveram aspectos clínicos e fatores de risco e de proteção analisados consecutivamente por meio de questionário padrão, de 17 de maio a 28 de junho de 2004. RESULTADOS: No levantamento A, a maioria dos pacientes era do sexo masculino (1.314 ou 89%). Os traumas por corpos estranhos (CE) da superfície ocular foram os mais comuns, respondendo por 863 (58%) casos. O levantamento B mostrou que a proteção ocular foi usada em apenas 17% (22) dos pacientes. Os acidentes geralmente ocorreram no local de trabalho 70% (93), e o domicílio foi o segundo local de maior freqüência (22%). Ainda no levantamento B, 34% dos entrevistados tinham acidentes oculares prévios. CONCLUSÕES: O perfil dos pacientes vítimas de trauma ocular no presente estudo observou a maior ocorrência entre homens e de acidentes por corpos estranhos. O uso de proteção ocular ainda é incipiente e, por outro lado, a recorrência de trauma é considerável. Uma estratégia contínua junto à população, de forma preventiva e educativa com especial atenção ao ambiente de trabalho e doméstico, é necessária para reduzir a ocorrência de trauma ocular.
Keywords: Emergências; Corpos estranhos no olho; Traumatismos oculares; Serviços médicos de emergência; Serviço hospitalar de emergência; Acidentes de trabalho; Oftalmopatias
Abstract
OBJETIVO: As células intersticiais de Cajal estão presentes no trato gastrintestinal de diversas espécies animais, em íntima relação com o sistema nervoso entérico. Uma vez que as células intersticiais de Cajal expressam o produto do gene c-kit, realizou-se um ensaio imuno-histoquímico a fim de se verificar a marcação da proteína c-kit no músculo ciliar de amostras de olhos de macacos. MÉTODOS: Oito olhos de quatro macacos do novo mundo (Cebus apella) foram estudados. Após bloqueio da peroxidase endógena e de ligação protéica não específica, os tecidos receberam aplicação de anticorpos de camundongos antioncoproteína c-kit humana (1:100). A reação antígeno-anticorpo foi verificada através da aplicação do complexo avidina-biotinilada-peroxidase em cada lâmina. RESULTADOS: Foram observados grupos de células que expressam c-kit, localizadas entre as fibras do músculo ciliar. Mastócitos e outras células pigmentadas também foram observadas. CONCLUSÃO: Algumas células que expressam c-kit, observadas no músculo ciliar de Cebus apella, não mostraram similaridade com mastócitos ou melanócitos e podem ser classificadas como análogas das células intersticiais de Cajal gastrintestinais.
Keywords: Corpos enovelados; Corpo ciliar; Sistema nervoso entérico; Motilidade gastrointestinal; Proteínas proto-oncogênicas c-kit; Cebus
Abstract
OBJETIVOS: Determinar a frequência de retinopatia da prematuridade no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP) e verificar a associação da retinopatia da prematuridade com fatores de risco conhecidos. MÉTODOS: Foi realizada análise prospectiva de 70 pacientes, nascidos no HCFMRP-USP, com peso inferior a 1.500 gramas, no período de um ano. Os pacientes foram divididos em dois grupos (Retinopatia da prematuridade e Normal) para realização de análise estatística com relação a fatores de risco conhecidos. Adotou-se nível de significância de 5%. RESULTADOS: A frequência de retinopatia da prematuridade foi de 35,71% entre os pré-termos estudados. Os fatores pesquisados que apresentaram relação de risco para o desenvolvimento da doença foram: peso (p=0,001), idade gestacional (p=0,001), escore SNAPPE II (p=0,008), uso de oxigenoterapia por intubação (p=0,019) e por pressão positiva de vias aéreas (p=0,0017), múltiplas transfusões sanguíneas (p=0,01) e uso de diuréticos (p=0,01). CONCLUSÃO: A frequência de retinopatia da prematuridade foi de 35,71% entre os prétermos nascidos com menos de 1.500 g. Vários fatores de risco foram identificados nos recém-nascidos do HCFMRP-USP, sendo constatado que crianças mais pré-termos apresentam formas mais graves de retinopatia da prematuridade.
Keywords: Retinopatia da prematuridade; Recém-nascido; Fatores de risco; Estudos retrospectivos; Idade gestacional; Peso ao nascer
Abstract
OBJETIVO: Considerando que a não-adesão ao tratamento do glaucoma é um dos fatores de risco para a sua progressão, o objetivo do presente trabalho foi coletar informações sobre: 1) conhecimento e sentimentos dos pacientes sobre a doença; 2) a não-fidelidade ao tratamento e fatores relacionados; e 3) eventual influência da doença no estilo de vida participantes. MÉTODOS: Foram realizadas entrevistas, utilizando questionário semiestruturado, com 50 pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto. A análise das respostas foi feita utilizando a técnica do ''Discurso do Sujeito Coletivo'' (DSC) (qualitativa/quantitativa). RESULTADOS: Trinta e oito por cento dos pacientes não se consideraram bem informados sobre o glaucoma. A porcentagem de pacientes que declararam nãofidelidade ao tratamento foi de 20%. Os principais fatores relacionados foram: efeitos colaterais dos medicamentos (24%); falta de informação sobre a doença (22%); dificuldade de comunicação com o médico (14%); dificuldades na administração do tratamento (14%); falta de recursos financeiros para adquirir medicamentos (10%); atitudes e crenças (10%). Dezoito por cento dos participantes afirmaram que a doença alterou a qualidade de vida. CONCLUSÃO: Na população estudada, os fatores relacionados à não-adesão ao tratamento de glaucoma, abrangem desde o desconhecimento do que é a doença até atitudes, valores e crenças. Na sua maioria, podem causar a progressão da doença. A influência desses fatores pode ser diminuída com medidas educacionais, intervenções sobre comportamentos e atitudes, melhora da relação médico-paciente e suprimento de medicamentos.
Keywords: Glaucoma; Atitude frente a saúde; Conhecimentos, atitudes e prática em saúde; Cooperação do paciente; Relações médico-paciente; Anti-hipertensivos; Soluções oftálmicas
Abstract
OBJETIVO: Avaliar as mudanças terapêuticas, dadas por decisão médica, relativas ao tratamento do glaucoma primário de ângulo aberto em um centro de referência e a possível relação entre a persistência do tratamento e progressão da doença em casos controlados com medicação. MÉTODOS: Uma revisão de prontuários foi realizada em 65 pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto encaminhados a um hospital terciário Os seguintes dados clínicos foram analisados: primeira medicação instituída, persistência com o tratamento inicial, melhor acuidade visual corrigida, índice ''desvio médio'' do campo visual, relação escavação/disco óptico e pressão intraocular. Os pacientes foram classificados em quatro categorias, a fim de se verificar a evolução clínica. RESULTADOS: A média do número de visitas/ano foi de 4,4 ± 3,5 e o período de seguimento foi de 40,7 ± 22,8 meses. A média de tempo persistência foi de 12,9 ± 13,9 meses. Em seis e doze meses, respectivamente, 39,1% e 62,5% dos pacientes tinham interrompido o regime terapêutico inicialmente previsto, principalmente pela adição (42%) ou mudança (26%) do esquema terapêutico. Treze pacientes (21%) evoluíram para uma pior categoria de glaucoma primário de ângulo aberto, no entanto, apesar desta tendência, nenhuma correlação significativa foi encontrada entre baixa persistência e agravamento do glaucoma primário de ângulo aberto. CONCLUSÕES: As taxas de persistência com o esquema terapêutico inicial foram baixas, quando medidas através das mudanças observadas por decisões médicas, durante o curso do tratamento. Uma melhor decisão terapêutica inicial é crítica, a fim de poder se oferecer um tratamento mais estável e eficaz para o glaucoma primário de ângulo aberto.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Pressão intraocular; Cegueira; Atitude frente a saúde; Comunicação; Cooperação do paciente; Relações médico-paciente; Avanço da doença
Abstract
Objetivo: Verificar a frequência de assimetrias superiores a 0,2 na razão escavação/disco em uma população de adolescentes. Métodos: Retinografias de ambos os olhos de 123 jovens foram digitalizadas na resolução de 300 pixels por polegada (300 dpi), 8 bits, padrão de cor RGB. Para a realização das medidas foi utilizado o software Image J, versão 1.42, desenvolvido pelo National Institute of Health (NIH), plataforma Java versão 1.6. Resultados: Os valores das diferenças, entre os dois olhos do mesmo indivíduo, na razão das medidas do diâmetro vertical da escavação/diâmetro vertical do disco óptico variaram de 0 a 0,30. A média das diferenças foi 0,07, a mediana 0,06 e o desvio padrão 0,05. Assimetrias de até 0,06 apresentaram frequência de 54,4% e assimetrias de até 0,1 estiveram presentes em 79,7% da amostra. Dois indivíduos (1,63%) apresentaram assimetrias superiores a 0,2. Conclusão: A frequência de assimetrias no grupo de adolescentes estudado é similar à encontrada em estudos realizados com população adulta normal.
Keywords: Glaucoma; Disco óptico; Doenças do nervo óptico; Fundo de olho; Campos visuais; Retina; Fotografia; Adolescentes
Abstract
OBJETIVO: Verificar se pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto portadores de haplotipos HLA de classe I (HLA - A9-B12; -A2-B40; e -A1-B8) associados a essa doença poderiam ter progressão maior do que pacientes que não apresentassem esses haplotipos. Método: Avaliação anatômica e funcional de 25 pacientes (6 dos quais com um dos haplotipos associados a glaucoma), seguidos no Ambulatório de Glaucoma do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), por dez anos depois da tipificação de seus antígenos HLA, para comparação com as condições anteriores. RESULTADOS: Houve aumento maior da relação escavação/disco em pacientes com haplotipos HLA associados com predisposição para glaucoma primário de ângulo aberto, no entanto não foram encontradas diferenças significantes entre esses e outros pacientes com glaucoma na progressão do dano fisiológico e nem na perda de fibras nervosas da retina. CONCLUSÃO: Os resultados indicam a associação de haplotipos HLA de classe I com maior taxa de progressão das alterações anatômicas da cabeça nervo óptico em pacientes com glaucoma.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Antígenos HLA; Campos visuais; Haplotipos
Abstract
OBJETIVO: Descrever os procedimentos utilizados no desenvolvimento de Protocolos Clínicos e de Regulação, para equipes de atenção primária à saúde, voltados à condução dos cenários clínicos mais comuns de dificuldade visual observados na região sudeste do Brasil. MÉTODOS: Realizou-se a revisão retrospectiva de 1.333 guias de encaminhamento advindas de todos os profissionais da atenção primária da cidade de Ribeirão Preto, durante um período de 30 dias. As principais categorias diagnósticas oftalmológicas foram avaliadas nessas guias de referência. O processo de desenvolvimento dos Protocolos Clínicos e de Regulação ocorreu na sequência e envolveu a cooperação científica entre a universidade e o sistema de saúde, sob a forma de oficinas com médicos da atenção primária e membros da equipe do sistema de regulação, composto por gestores de saúde, oftalmologistas, além de professores de oftalmologia e medicina social. RESULTADOS: A dificuldade visual foi escolhida como tema central, uma vez que representou 43,6% dos encaminhamentos oftalmológicos advindos de serviços de atenção primária de Ribeirão Preto. Os Protocolos Clínicos e de Regulação desenvolvidos envolveram diferentes procedimentos diagnósticos e terapêuticos que podem ser executados na atenção primária e outros níveis ou contextos de cuidados à saúde. As intervenções clínicas e de encaminhamento mais relevantes foram expressas como algoritmos, a fim de facilitar a utilização do protocolo pelos profissionais da saúde. CONCLUSÕES: Os Protocolos Clínicos e de Regulação poderão representar uma ferramenta útil para os sistemas de saúde que contam com acesso universal, bem como para as redes de cuidados de saúde baseadas na atenção primária e nos sistemas de regulação. A implementação de Protocolos Clínicos e de Regulação poderá minimizar a disparidade entre as necessidades dos pacientes com dificuldade visual e as formas de condução de casos oftalmológicos, resultando em uma rede de saúde mais eficiente.
Keywords: Transtornos da visão; Assistência à saúde; Saúde Pública; Serviços de Saúde; Atenção primária à saúde; Sistema de saúde; Protocolos clínicos
Abstract
OBJETIVO: Determinar a incidência de contaminação com o vírus Piry entre os instrumentos cirúrgicos e acessórios usados durante cirurgias sequenciais de facoemulsificação. MÉTODOS: Um modelo experimental foi realizado com quatro olhos de porcos que foram contaminados com o vírus Piry e quatro olhos de porcos não contaminados. A facoemulsificação foi realizada alternando um olho contaminado para outro olho não contaminado. Entre as cirurgias, os campos de operação, luvas, bisturi, pinças, agulhas, seringas, pontas e bolsa coletora foram trocados, mantendo somente a caneta e os sistemas de irrigação e aspiração do facoemulsificador. RESULTADOS: No saco coletor, três amostras de olhos contaminados (3/4) foram positivos, e duas amostras de olhos não contaminados (2/4) também foram positivos; na ponta do facoemulsificador, uma amostra dos olhos contaminados (1/4) e duas amostras de olhos não contaminados (2/4) apresentaram resultados positivos. No sistema de irrigação, uma amostra de um olho não contaminado (1/4) foi positivo, e no sistema de aspiração, duas amostras de olhos contaminados (2/4) e duas amostras de olhos não contaminados (2/4) foram positivos. Nas luvas, as amostras foram positivos em dois olhos não contaminados (2/4) e duas amostras de olhos contaminados (2/4). Nas amostras de bisturi, três olhos contaminados (3/4) e nenhum dos olhos não contaminados (0/4) foram positivos e, finalmente, duas amostras da câmara anterior dos olhos não contaminados (2/4) reunidos após a cirurgia foram positivos. CONCLUSÕES: Em dois olhos não contaminados, a presença de material genético foi detectado após a cirurgia de facoemulsificação, demonstrando que a transmissão do material genético do vírus Piry ocorreu em algum ponto durante a cirurgia para estes olhos não contaminados, quando a caneta de facoemulsificação e o sistema de irrigação e aspiração foram reutilizados entre as cirurgias.
Keywords: Facoemulsificação; Reutilização de equipamento; Arbovírus; Contaminação de equipamentos
Abstract
OBJETIVOS: Determinar a frequência de cegueira e investigar a relação entre os fatores de risco, com base nas características clínicas e no desenvolvimento da cegueira, em pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) tratados por mais de 15 anos. MÉTODOS: Realizou-se a revisão dos prontuários (estudo retrospectivo, observacional) de 403 pacientes referidos a um hospital de nível terciário, todos com diagnóstico de glaucoma primário de ângulo aberto feito em 1974 ou posteriormente, e tratados por no mínimo 15 anos. Cegueira atribuível ao glaucoma foi definida com base na acuidade visual e/ou exames de campo visual. Variáveis consideradas possíveis fatores de risco para cegueira (uni ou bilateral) foram avaliados usando odds ratio (OR), intervalo de confiança (IC95%) e análises uni e multivariadas. RESULTADOS: Trinta e um pacientes ficaram cegos [13/53 (24,5%) - um olho cego e 18/53 (34%) - cegueira bilateral] durante o período de seguimento (19,5 ± 4,6 anos, variando de 15 a 31 anos). Estatística multivariada com análise de regressão mostrou que persistência com a terapia inicial ≤6 meses está significantemente associada com cegueira, unilateral (OR: 8,4; 95% IC: 1,3-56,4) e bilateral (OR: 7,2; 95% IC: 1,3-39,6). Outros potenciais fatores como raça, idade, gênero ou número de medicações não estiveram associados com cegueira. CONCLUSÃO: Cegueira por glaucoma primário de ângulo aberto não foi incomum na população de pacientes tratados e seguidos por um longo período. As taxas de persistência com a terapia inicial, medidas pela decisão médica de mudar o tratamento, foram baixas. Persistência ≤6 meses foi estatisticamente associada com o desenvolvimento de cegueira uni ou bilateral por glaucoma.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Cegueira; Disco óptico; Glaucoma de ângulo aberto; Acuidade visual; Fatores de risco
Abstract
OBJETIVOS: Verificar a correlação entre os achados da relação escavação/diâmetro do nervo óptico retrobulbar (E/DNO) obtidos pelo exame de ultrassom (US) modo B de alta resolução com sonda de 20 MHz e a relação escavação/disco (E/D) obtidos pela biomicroscopia de fundo de olho (BIO) e pela tomografia de coerência óptica (OCT). MÉTODOS: Foram analisados 30 olhos de 15 pacientes com diagnóstico de glaucoma com qualquer proporção da relação E/D. Todos os pacientes foram submetidos ao exame de BIO, com lente 78D, e de OCT, com tecnologia de domínio temporal, para a análise da relação E/D vertical e exame de US modo B, com sonda de 20 MHz, para determinação da proporção E/DNO vertical. Todos os resultados foram analisados por métodos de correlação e concordância. RESULTADOS: Observou-se forte correlação entre as medidas E/D obtidas pela BIO, e as medidas E/DNO (US) (r=0,788; p<0,0001), e com as medidas E/D obtidas pelo OCT (r=0,8529; p<0,0001). Porém, a análise entre as medidas E/DNO (US) e E/D (OCT) mostrou apenas níveis moderados de correlação (r=0,6727, p<0,0001). O teste de Bland-Altman não mostrou bons níveis de concordância entre E/D (BIO) e E/DNO (US). CONCLUSÕES: Os resultados demonstraram que o exame de US modo B com sonda de 20 MHz pode ser um bom método adicional para avaliar a relação E/D de pacientes com glaucoma, a ser considerado como uma ferramenta alternativa na avaliação de pacientes glaucomatosos com opacidades dos meios ópticos.
Keywords: Glaucoma; Nervo óptico; Fundo de olho; Ultrassonografia; Tomografia de coerência óptica
Abstract
O bevacizumabe (um agente anti-fator de crescimento endotelial vascular) tem sido sugerido como potencial modulador cicatricial na cirurgia do glaucoma. Este estudo objetivou melhorar a biodisponibilidade do bevacizumabe, investigando a viabilidade de uma nova mistura de bevacizumabe-metilcelulose (BMM) como terapia adjuvante para a esclerectomia profunda não-penetrante (DS). Dez olhos sem cirurgias prévias de 10 pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto foram submetidos à DS associada à uma injeção subconjuntival de 0,3 ml da mistura de bevacizumabe-metilcelulose (bevacizumabe 3,75 mg incorporado em metilcelulose 4%) no sítio cirúrgico. A liberação de bevacizumabe foi avaliada in vitro através de cromatografia líquida de alta performance por exclusão de tamanho (HPLC). A pressão intraocular (PIO), a morfologia da ampola de filtração, a contagem de células endoteliais da córnea (CECC) e as complicações foram estudadas aos seis meses de seguimento. O bevacizumabe foi detectado a partir da mistura de bevacizumabe-metilcelulose por meio do HPLC até 72 horas. Além disso, todas as ampolas cirúrgicas permaneceram expandidas com material hialino durante a primeira semana. Uma redução significativa da pressão intraocular (média ± DP= -10,3 ± 5,4 mmHg, P<0,001) e ampolas difusas foram observadas ao final do período de seguimento. Embora a contagem de células endoteliais da córnea se mostrou discretamente diminuída (-7,4%), nenhuma complicação foi observada. Neste estudo, o bevacizumabe foi liberado da mistura de bevacizumabe-metilcelulose e o uso desta nova mistura se associou com bons resultados cirúrgicos e nenhuma complicação. Estudos futuros serão necessários para determinar sua eficácia, antes de se estabelecer a mistura de bevacizumabe-metilcelulose como um tratamento adjuvante às cirurgias penetrantes e não-penetrantes para o glaucoma.
Keywords: Trabeculectomia/efeitos adversos; Glaucoma/cirurgia; Esclerostomia; Anticorpos monoclonais humanizados/uso terapêutico; Metilcelulose/uso terapêutico; Mitomicina/uso terapêutico; Quimioterapia adjuvante; Pressão intraocular/fisiologia
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