Arq. Bras. Oftalmol. 2001;64 (1 )
:45-51
| DOI: 10.1590/S0004-27492001000100009
Abstract
Objetivo: 1) Verificar a auto-avaliação do preparo e a necessidade de orientações entre professores do sistema regular de ensino, para atuarem junto a alunos portadores de visão subnormal; 2) Obter informações para subsidiar treinamento de professores do sistema regular de ensino na área da deficiência visual. Métodos: Realizou-se levantamento entre professores do ensino fundamental de escolas públicas municipais e estaduais da cidade de Campinas/SP, que atuavam com alunos portadores de visão subnormal em 1999. Foram incluídas neste estudo 11 escolas municipais e 9 escolas estaduais, respectivamente 79,0% e 90,0% das unidades existentes. Foi utilizado questionário auto-aplicável como instrumento de coleta de dados. Resultados: A amostra foi composta por 50 professores. O tempo médio de magistério foi de 20 anos. A maioria (94,0%) não relatou formação específica na área da deficiência visual. Somente 18 (36,0%) professores declararam ter recebido informações/orientações para atuar com seus alunos portadores de visão subnormal, embora todos tivessem manifestado o desejo de receber informações. Entre as informações solicitadas, destacaram-se: ampliação de materiais (66,0%), desempenho visual (50,0%), doença ocular (50,0%), acuidade visual/campo visual (46,0%). Conclusão: Os professores do ensino regular referiram pouco ou nenhum preparo para atuar com alunos deficientes visuais; a maioria dos professores não recebeu informações para lidar com o aluno portador de visão subnormal, mas manifestou desejo de recebê-las.
Keywords: Baixa visão; Baixa visão; Serviços de saúde escolar; Relações interpessoais; Baixo rendimento escolar; Saúde do escolar; Professor
Arq. Bras. Oftalmol. 2001;64 (2 )
:123-126
| DOI: 10.1590/S0004-27492001000200006
Abstract
Objetivos: Ambliopia é o defeito visual mais comum em crianças e por mais de 250 anos a terapia oclusiva vem sendo o melhor tratamento. Sendo assim, propusemo-nos a determinar os fatores que influenciam no sucesso do tratamento da ambliopia por terapia oclusiva em nosso meio. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo com 169 crianças amblíopes atendidas no Ambulatório de Ambliopia do Hospital de Clínicas da UNICAMP, Campinas (SP), entre janeiro de 1996 e maio de 1998. A população atendida foi classificada quanto ao sexo, idade de início do tratamento por faixa etária (3 grupos), olho afetado, tipo de ambliopia (estrabísmica, anisometrópica, por deprivação, associação de dois tipos), tempo de seguimento, gravidade da ambliopia (leve, moderada, grave), adesão ao tratamento (regular, irregular) e resposta obtida (cura, melhora, sem cura). Resultados: A adesão ao tratamento não diferiu entre as faixas etárias (p=0,68) e não foi influenciada pela gravidade da ambliopia (p=0,82). Dos pacientes estudados 52,67% curaram-se, 19,52% melhoraram e 27,81% não obtiveram cura. Os pacientes com adesão regular tiveram índice de cura significativamente maior do que os pacientes com adesão irregular (p=0,0009). O resultado do tratamento não dependeu da idade de início do mesmo (p=0,39) e da gravidade da ambliopia (p=0,30). Conclusão: Concluímos, assim, que, no nosso grupo de estudo, a adesão é o principal fator prognóstico no sucesso da terapia oclusiva.
Keywords: Ambliopia; Prognósticos; Estrabismo; Curativos oclusivos; Cooperação do paciente
Arq. Bras. Oftalmol. 2002;65 (4 )
:445-449
| DOI: 10.1590/S0004-27492002000400010
Abstract
Objetivo: Identificar melhora no desempenho visual de escolares portadores de visão subnormal após avaliação e conduta realizadas no Serviço de Visão Subnormal da Disciplina de Oftalmologia/FCM/UNICAMP. Métodos: Foram avaliados 14 escolares portadores de visão subnormal (VSN), de seis a 30 anos de idade, que freqüentaram salas de recursos para deficientes visuais, nos municípios de Americana e Santa Bárbara d'Oeste -- São Paulo, durante o ano de 1998. Os escolares foram submetidos à avaliação oftalmológica especializada completa e intervenção pedagógica. Resultados: A doença mais prevalente foi a catarata congênita operada, com quatro casos (28,6%) seguida da coriorretinite macular bilateral e malformações oculares, com dois casos (14,3%) cada uma. Oito escolares (57,2%), apresentaram VSN grave, quatro (28,6%) VSN profunda, um (7,1%) VSN moderada e um (7,1%) visão quase normal. Desses escolares, 85,7% tiveram auxílios ópticos prescritos mas apenas 58,3% adquiriram-nos melhorando o seu desempenho visual. Dos escolares estudados, 12 (85,7%) encontravam-se em atraso em relação à escolaridade esperada. Conclusão: Todos os escolares apresentaram melhora do desempenho visual na escola ainda que 85,7% apresentassem VSN grave e profunda. O desempenho do grupo poderia ter sido ainda melhor se todos pudessem ter adquirido o auxílio óptico prescrito. Faz-se, portanto, necessária uma ação social para que os escolares carentes possam adquirir os auxílios e dessa forma concretizar as prescrições. Para o bom desempenho do escolar portador de VSN, se faz necessária a parceria entre a área da saúde, escola, família e ensino especializado. É altamente recomendável a divulgação dos benefícios das salas de recurso.
Keywords: Baixa visão; Condutas terapêuticas; Estudo de avaliação; Criança
Arq. Bras. Oftalmol. 2004;67 (1 )
:65-71
| DOI: 10.1590/S0004-27492004000100011
Abstract
OBJETIVOS: 1) Verificar os conhecimentos e ações desenvolvidas por professores do ensino fundamental, que atuam com alunos que apresentam visão subnormal, em relação aos sinais e sintomas indicativos de dificuldades visuais dos alunos; 2) Obter informações indispensáveis ao planejamento de ações preventivas direcionadas à saúde ocular na escola. MÉTODOS: Realizou-se levantamento entre professores do ensino fundamental de escolas públicas do município de Campinas/SP, que atuavam com alunos que apresentavam visão subnormal, no ano letivo de 1999. Foram incluídas 23 escolas onde se localizava essa população. Foi utilizado questionário auto-aplicável como instrumento de coleta de dados. RESULTADOS: De 84 professores, 68 (81%) responderam ao questionário. A média de tempo de experiência profissional de magistério era de 20,8 anos. A maioria (92,6%) não relatou formação na área da deficiência visual. Em relação ao conhecimento sobre os sinais e sintomas indicativos de dificuldade visual, a maioria indicou a dificuldade para ler na lousa (94,1%), seguida da cefaléia (89,7%) e a aproximação exagerada dos objetos aos olhos (88,2%). Desses professores, 55,9% identificaram alunos que apresentavam dificuldades visuais. Entre os que declararam ter identificado esses alunos, 84,2% proveram orientações ao escolar e 63,2% aos familiares para encaminhamento do problema. Somente 26,3% orientaram o aluno a procurar o oftalmologista. CONCLUSÃO: Os professores apresentaram conhecimento insuficiente quanto à saúde ocular e, portanto, as ações desenvolvidas não foram completas e abrangentes. Sugere-se a implantação de um programa de saúde ocular em todo o sistema público de ensino, visando desenvolver ações de prevenção da incapacidade visual, promoção e recuperação da saúde ocular.
Keywords: Baixa visão; Transtornos da visão; Saúde escolar; Saúde ocular; Conhecimentos atitude e prática; Educação em saúde; Estudantes; Acuidade visual; Serviços de saúde escolar
Arq. Bras. Oftalmol. 2008;71 (6 )
:837-840
| DOI: 10.1590/S0004-27492008000600014
Abstract
OBJETIVO: Avaliar o controle binocular em crianças com dislexia. MÉTODOS: Estudo transversal do qual participaram 26 crianças, nas quais foram aplicadas uma série de exames oftalmológicos e visuais. RESULTADOS: Nas crianças com dislexia observou-se controle menor na convergência voluntária e na estabilidade da fixação binocular. CONCLUSÃO: Os resultados apóiam a hipótese de que na dislexia do desenvolvimento podem ocorrer déficits que envolvem a via visual magnocelular e uma parte da rede cortical posterior da atenção.
Keywords: Dislexia; Atenção; Visão binocular; Percepção visual; Transtornos da motilidade ocular; Transtornos de aprendizagem
Arq. Bras. Oftalmol. 2012;75 (4 )
:256-258
| DOI: 10.1590/S0004-27492012000400007
Abstract
OBJETIVOS: Descrever as principais atitudes de sucesso de jovens oftalmologistas na primeira década de exercício da profissão. MÉTODOS: Tratou-se de um estudo descritivo. Os sujeitos da pesquisa foram selecionados a partir de amostra de participantes de congresso de oftalmologia, utilizando-se questionário semi-estruturado. Os critérios de inclusão foram: médico oftalmologista com menos de 40 anos e que tivesse entre 5 e 10 anos de conclusão da residência médica. Questionou-se sobre quais foram as três principais atitudes de sucesso na experiência pessoal durante esses primeiros anos do exercício da medicina. Após os resultados iniciais, foram relacionadas as dez atitudes mais citadas e os voluntários foram mais uma vez entrevistados para que escolhessem, dentro desta última listagem, as três principais atitudes. RESULTADOS: Foram entrevistados 48 oftalmologistas, destes 24 (50%) eram do gênero masculino, a média da idade foi 37 anos (DP 2 anos, intervalo de 33 a 40 anos) e a média do tempo de conclusão do curso de 8 anos (DP 1 ano, intervalo de 5 a 10 anos). A frequência de citação das atitudes de sucesso foi: investir continuadamente na formação profissional (22,9%), manter bom relacionamento com pacientes e colegas de profissão (18,8%), priorizar a felicidade individual e familiar (12,5%), inicialmente prestar serviço para grupo estabelecido (11,1%), ingressar no serviço público (9,7%), montar consultório próprio junto a grupo homogêneo (7,6%), hábito de poupança (7,6%), estar pronto para o recomeço profissional (4,2%), investir na formação complementar em administração (4,2%), e contratação de seguro profissional (0,7%). CONCLUSÕES: As três principais atitudes foram: investir continuadamente na formação profissional, manter bom relacionamento com pacientes e colegas de profissão, e priorizar a felicidade individual e familiar. Embora estes resultados não devam ser universalmente generalizados, eles ajudam não apenas aos ingressantes na profissão, mas todo oftalmologista que deseja refletir sobre o que priorizar em seu exercício profissional.
Keywords: Prática profissional; Educação médica continuada; Oftalmologia; Mercado de trabalho; Gestão em saúde