Arq. Bras. Oftalmol. 2001;64 (1 )
:63-65
| DOI: 10.1590/S0004-27492001000100012
Abstract
Objetivo: Avaliar a contaminação bacteriana dos frascos de soro autólogo após o uso tópico. Métodos: Frascos de soro autólogo utilizados por pacientes portadores de várias doenças de superfície ocular foram submetidos à cultura após o seu uso tópico. Foram cultivados os resíduos de 127 frascos de colírios de soro autólogo usados por pacientes após a devolução do frasco vazio ao laboratório. Resultados: Os resultados das culturas realizadas demonstram que 76,03% dos frascos estavam contaminados. O total de 92 microrganismos foram encontrados: Staphylococcus coagulase-negativo (35,86%), Alcaligenes sp (21,73%), Klebsiella sp (20,65%) e Bacillus sp (9,78%) e outras bactérias (11,94%). Conclusões: Verificamos que a contaminação dos frascos pode ocorrer tanto por microrganismos presentes na microbiota normal quanto por microrganismos da pele e meio ambiente. Estes resultados ressaltam a risco de contaminação dos frascos no momento da instilação. Futuras investigações serão feitas em busca de contaminação fúngica e relacionando a microbiota dos pacientes com os microrganismos isolados dos frascos.
Keywords: Soluções oftálmicas; Contaminação de medicamentos; Infecções bacterianas do olho; Staphylococcus; Alcalígenes; Klebsiella
Arq. Bras. Oftalmol. 2001;64 (5 )
:461-463
| DOI: 10.1590/S0004-27492001000500016
Abstract
Os autores relatam um caso de paciente do sexo masculino, 27 anos, com síndrome de Alport. Anteriormente ao tratamento cirúrgico do déficit visual por facoemulsificação e implante de lente intra-ocular, o paciente tinha sido submetido a transplante renal com recuperação total da função do órgão. Acuidade visual do paciente após o tratamento foi de 20/20 em ambos os olhos. Descrevem sucintamente a etiopatogenia, sinais clínicos e critérios diagnósticos da síndrome.
Keywords: Nefrite hereditária; Nefrite hereditária; Nefrite hereditária; Acuidade visual; Relato de caso
Arq. Bras. Oftalmol. 2004;67 (2 )
:211-217
| DOI: 10.1590/S0004-27492004000200006
Abstract
OBJETIVO: Descrever os achados da biomicroscopia ultra-sônica (UBM) em pacientes com síndrome de Sturge-Weber associada ou não a glaucoma. MÉTODOS: Onze olhos (dois sem glaucoma e nove com glaucoma) de oito pacientes portadores de síndrome de Sturge-Weber foram submetidos à biomicroscopia ultra-sônica objetivando-se estudar o seio camerular, a esclera, o corpo ciliar e a pars plana. RESULTADOS: Identificou-se pela biomicroscopia ultra-sônica imagens compatíveis com a suspeita de vaso intra-escleral dilatado em todos os olhos com ou sem glaucoma. Efusão supraciliar foi encontrada em oito (88,9%) dos nove olhos com glaucoma, porém, em nenhum dos olhos sem glaucoma. Descolamento da pars plana foi diagnosticado em um olho com glaucoma e nos dois olhos sem glaucoma. Em oito (88,9%) olhos com glaucoma e nos dois sem glaucoma, observou-se imagem arredondada apresentando baixa a média ecogenicidade no interior do corpo ciliar, sugestiva de vaso dilatado (possível angioma) do corpo ciliar. CONCLUSÃO: Na síndrome de Sturge-Weber, a biomicroscopia ultra-sônica mostrou a presença de imagens sugestivas de vasos dilatados no interior da esclera e do corpo ciliar (possíveis angiomas) em olhos glaucomatosos e não glaucomatosos. Paradoxalmente, diagnosticou-se efusão supraciliar em oito (88,9%) dos nove olhos com glaucoma. Estes achados combinados com o angioma coroidiano e o aumento da pressão venosa episcleral em percentual elevado de olhos com esta síndrome, podem contribuir para explicar a patogenia do glaucoma, bem como as complicações per e pós-operatórias que acompanham as cirurgias antiglaucomatosas nesses olhos.
Keywords: Síndrome de Sturge-Weber; Angiomatose; Glaucoma; Microscopia; Esclera; Corpo ciliar
Arq. Bras. Oftalmol. 2004;67 (3 )
:411-414
| DOI: 10.1590/S0004-27492004000300007
Abstract
OBJETIVOS: Estudar as respostas dos testes de punctura cutâneos nos pacientes portadores de ceratoconjuntivite vernal e comparar as respostas com as da população alérgica sem acometimento ocular. MÉTODOS: Foram realizados testes alérgicos de punctura em 48 pacientes portadores de ceratoconjuntivite alérgica primaveril, sendo 10 da forma limbar, 19 da forma palpebral e 19 da forma mista. O grupo controle foi formado por 52 pacientes do ambulatório de alergia da Santa Casa de São Paulo, portadores de alergia sistêmica, porém sem acometimento ocular. Testes cutâneos de punctura foram realizados em 48 pacientes do Setor de Córnea e Doenças Externas Oculares, do Ambulatório de Alergia Ocular do Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo, no período de julho de 2001 a setembro de 2002. O indicativo de resposta alérgica positiva era reação cutânea maior que 2 mm ocorrendo até 15 minutos da aplicação do alérgeno. Foram avaliadas as respostas aos seguintes alérgenos: pó doméstico, Dermatophagoides pteronissynus, Dermatophagoides farinae, Tyrophagus putrescentiae, Blomia tropicalis, Rhizopus spp, Penicillium, Alternaria alternata e pólens de gramíneas, disponíveis naquele serviço no dado período. RESULTADOS: Na população estudada, o sexo masculino foi mais freqüente, com 32 pacientes (66,6%) no grupo de estudo e 27 no controle (51,9%). A idade média foi 10,0 ± 4,7 anos no grupo de estudo e 6,83 ± 3,6 anos no grupo controle. O alérgeno mais comumente causador de crises nos pacientes foi Dermatophagoides pteronissynus, com positividade em 26 pacientes, seguido por Dermatophagoides farinae, com 24 pacientes, Blomia tropicalis com 22, pó doméstico com 17, T. putrescentiae com 15, e Rhizopus com 3. Os alérgenos Penicillium, Alternaria alternata, e pólen de gramíneas tiveram cada um apenas 1 paciente com positividade no grupo com CCP. CONCLUSÕES: A semelhança do resultado do teste nos pacientes sem acometimento ocular nos indica que a conjuntivite alérgica nada mais é que uma das formas de expressão da atopia, assim como são a rinite, a bronquite e a dermatite.
Keywords: Conjuntivite alérgica; Alérgenos; Córnea; Córnea; Diagnóstico diferencial; Testes cutâneos
Arq. Bras. Oftalmol. 2005;68 (1 )
:136-139
| DOI: 10.1590/S0004-27492005000100026
Abstract
O tricoepitelioma é tumor cutâneo benigno derivado dos folículos pilosos. É comum na face, porém há poucos relatos sobre a ocorrência na pálpebra. não é freqüentemente reconhecido devido à sua raridade, controvérsias na sua classificação, origem e potencial biológico. O objetivo deste artigo é apresentar 2 casos de tricoepitelioma solitário na pálpebra, o exame histopatológico e seu tratamento. Esta lesão deve ser considerada quando for encontrado um nódulo solitário na região facial e diferenciada do carcinoma basocelular. A confirmação por meio do exame histopatológico é essencial.
Keywords: Carcinoma basocelular; Folículo piloso; Neoplasias palpebrais; Carcinoma adenóide cístico; Relato de caso
Arq. Bras. Oftalmol. 2006;69 (2 )
:181-185
| DOI: 10.1590/S0004-27492006000200009
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a influência da adesão ao tratamento, da gravidade da ambliopia e da idade de início do tratamento em pacientes com ambliopia por estrabismo submetidos à terapia oclusiva. MÉTODOS: Analisaram-se 569 prontuários de pacientes com ambliopia por estrabismo atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP no período de 1983 a 2000. Os critérios de exclusão foram: perda de seguimento, idade maior que 12 anos, presença de nistagmo e outras doenças oculares. Todos foram submetidos a exame oftalmológico completo com avaliação da motilidade ocular, divididos por faixas etárias e classificados quanto ao tipo de estrabismo, gravidade da ambliopia e adesão ao tratamento. Os dados foram analisados estatisticamente pelo método de Fisher. RESULTADOS: Foram incluídos 198 pacientes (34,8%). Não houve diferença de adesão nos diversos grupos etários. A taxa de sucesso foi maior nos pacientes com boa adesão independente da gravidade da ambliopia. Porém a adesão ao tratamento foi menor no grupo com ambliopia grave, que foi o mais freqüente e obteve menor taxa de sucesso em nossa amostra. Não houve relação entre idade e sucesso terapêutico. CONCLUSÕES: O estudo demonstrou que a adesão ao tratamento oclusivo desempenha papel fundamental na eficácia terapêutica. Com isto, idade de início do tratamento isoladamente não teve influência no sucesso terapêutico, uma vez que foi possível obter boa adesão a despeito da idade. Além disto, os resultados foram piores nos casos de ambliopia grave, nos quais a adesão foi menor.
Keywords: Ambliopia; Cooperação do paciente; Curativos oclusivos; Eficácia; Estrabismo; Acuidade visual; Hospitais universitários; Estudos retrospectivos
Arq. Bras. Oftalmol. 2006;69 (2 )
:203-206
| DOI: 10.1590/S0004-27492006000200013
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a presença de alterações fundoscópicas em pacientes portadores de miopia degenerativa. MÉTODOS: Quarenta pacientes com erro refrativo de pelo menos -6,00 dioptrias foram selecionados para exame oftalmológico, complementado por retinografia do pólo posterior e ecobiometria. RESULTADOS: Foram estudados 57 olhos de 37 pacientes com erro refrativo de -6,25 a -28,50 dioptrias, com média de -14,05, e comprimento axial de 26,06 a 32,86 mm, com média de 28,01. Encontramos crescente temporal em 36,5% e circunferencial em 21% dos olhos. Vasos da coróide foram visualizados em 35% dos olhos. As alterações do pólo posterior foram as seguintes: estafiloma posterior em 10,5%, mancha de Fuchs em 3,5% e "lacquer cracks" em 1,5%. O exame da periferia retiniana evidenciou atrofia corio-retiniana tipo pavimentosa em 17,5%, branco sem pressão em 10,5%, degeneração "lattice" em 5%, ruptura retiniana em 3,5% e retinosquise em 1,5% dos olhos examinados. CONCLUSÕES: Alterações fundoscópicas que levam à baixa visual são freqüentes em pacientes com miopia degenerativa. O exame da periferia retiniana é muito importante nestes pacientes devido ao risco aumentado de descolamento de retina.
Keywords: Miopia; Miopia; Erros de refração; Retina; Degeneração macular; Fundus oculi
Arq. Bras. Oftalmol. 2006;69 (6 )
:915-918
| DOI: 10.1590/S0004-27492006000600022
Abstract
OBJETIVO: Investigar a microbiota fúngica de pacientes portadores de hanseníase residentes no hospital-colônia e seus comunicantes. MÉTODOS: Foram estudados por meio da cultura em meio de ágar-Saboraud-dextrose, o material do fórnice conjuntival, de sessenta e um pacientes portadores de hanseníase, residentes no hospital-colônia de Goiânia e 25 indivíduos que residiam ou trabalhavam com os referidos pacientes, no mínimo há cinco anos. RESULTADOS: Nos portadores de hanseníase foram isolados fungos da conjuntiva de 12 pacientes (19,67%), sendo o gênero Candida o mais isolado, e no grupo controle de 5 indivíduos (20%), em que o gênero mais isolado foi Penicillium spp. CONCLUSÃO: Candida foi o gênero predominante na flora conjuntival dos portadores de hanseníase: fato que poderia ser explicado pela imunodeficiência celular que estes pacientes apresentam, além do olho seco e uso prolongado de antibiótico.
Keywords: Infecções oculares fúngicas; Conjuntiva; Hanseníase
Arq. Bras. Oftalmol. 2008;71 (2 )
:176-181
| DOI: 10.1590/S0004-27492008000200009
Abstract
HISTÓRICO: Apesar dos esforços que vêm sendo realizados mais recentemente, a falta de córneas para transplantes ainda é uma realidade no Brasil, principalmente em algumas regiões. O Banco de Olhos do Hospital São Paulo tem como objetivo garantir a qualidade e conservação dos tecidos oculares humanos para disponibilizá-los para transplantes. A qualidade do tecido encontra-se diretamente ligada a todos os processos realizados pela equipe do banco de olhos, a partir da seleção dos doadores. OBJETIVO: Conhecer o perfil dos doadores de córneas do Banco de Olhos do Hospital São Paulo num período de dez anos. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de fichas de doadores, no período de janeiro de 1996 a dezembro de 2005. RESULTADOS: Chegaram ao Banco de Olhos do Hospital São Paulo 3.624 córneas. A idade média dos doadores foi de 56,8 anos. A faixa etária com maior doação foi de 70-79 anos. A causa mortis mais freqüente foi doença cardiovascular, seguida por neoplasias, doenças respiratórias e trauma. O tempo "enucleação" foi em média de 3,8 horas e o tempo "preservação" foi em média de 3,6 horas. A maioria dos tecidos foi preservada em meios Optisol GS®. Os doadores jovens tiveram maior proporção de córneas consideradas de qualidade "Excelente" ou "Boa". CONCLUSÃO: Ao longo do período estudado de 10 anos, houve tendência de redução no recebimento de tecidos de outros bancos de olhos e progressivo aumento na captação e preservação de tecidos pela equipe do próprio Banco, com redução significativa no tempo de preservação dos tecidos. Os doadores foram, na maioria, do sexo masculino e as doenças cardiovasculares lideraram as causas de óbito. Apesar da maioria das córneas serem provenientes de doadores acima de 60 anos, o maior percentual de aproveitamento de córneas para transplantes ópticos foi de doadores jovens.
Keywords: Bancos de Olhos; Transplante de córnea; Endotélio da córnea; Transplante de tecidos; Doadores de tecidos
Arq. Bras. Oftalmol. 2009;72 (1 )
:79-83
| DOI: 10.1590/S0004-27492009000100016
Abstract
OBJETIVO: Relatar a experiência com o uso do fio de politetrafluoretileno nas cirurgias de suspensão ao músculo frontal para correção de blefaroptose. MÉTODOS: Foram estudados todos os casos de blefaroptose grave submetidos à cirurgia pela técnica de suspensão ao músculo frontal como fio de politetrafluoretileno, no período de fevereiro de 2003 a abril de 2007. Foram realizadas 36 cirurgias em 23 pacientes, a média de seguimento foi de 15,8 meses (variando de 3 a 36 meses). A técnica cirúrgica utilizada foi a descrita por Fox. RESULTADOS: Entre as causas de blefaroptose foram encontradas: congênita em 20 (86,95%) pacientes, blefarofimose em 2 (8,69%) pacientes e traumática em 1 (4,35%) paciente. Na primeira semana de pós-operatório, 6 (26,08%) pacientes referiram assimetria palpebral, 4 (17,39%) notaram edema local, 3 (13,04%) pacientes apresentaram granuloma no local do fio e 1 (4,35%) paciente apresentou celulite facial na região frontal unilateral. Após 3 meses de seguimento, 3 (13,04%) pacientes referiram assimetria palpebral, e em 1 (4,35%) paciente persistia o granuloma. CONCLUSÃO: O politetrafluoretileno - Modelo CV3, 6.0 (Gore-Tex®; W.L. Gore & Associates Inc, Flagstaff, AZ, EUA) é um material adequado com bons resultados funcionais (86,9%), baixos índices de complicação (4,35%) e insatisfação (13,4%), podendo ser uma alternativa em relação à fáscia lata, na cirurgia de suspensão ao frontal para tratamento de ptose palpebral grave.
Keywords: Blefaroplastia; Blefaroptose; Politetrafluoretileno; Politetrafluoretileno
Arq. Bras. Oftalmol. 2009;72 (2 )
:159-163
| DOI: 10.1590/S0004-27492009000200005
Abstract
OBJETIVO: Relatar o uso da ressecção do tarso da pálpebra superior e enxerto na pálpebra inferior para a elevação da rima palpebral e liberação do eixo visual, sem causar complicações corneanas em pacientes portadores de ptose miogênica mitocondrial. MÉTODOS: Estudo prospectivo. A técnica cirúrgica consiste na tarsectomia da pálpebra superior e autoenxerto do tarso na lamela posterior da pálpebra inferior. As cirurgias foram realizadas sob anestesia local. No caso de diplopia, a cirurgia foi realizada em apenas um olho. RESULTADOS: O procedimento foi realizado em 9 olhos de 6 pacientes com miopatia mitocondrial. Cinco pacientes eram do sexo feminino, a média de idade foi de 59,8 anos e o seguimento variou de 30 a 60 meses. A rima palpebral elevou em todos os pacientes, descobrindo o eixo visual na posição primária do olhar e melhorando a posição viciosa de cabeça. Não houve complicações decorrentes da exposição do globo ocular. CONCLUSÃO: A técnica de transposição da rima palpebral é útil na correção do mau posicionamento das pálpebras em pacientes sem mecanismos de proteção porque eleva a pálpebra superior e a inferior, diminuindo ou eliminando o risco de causar lagoftalmo com complicações corneanas.
Keywords: Blefaroptose; Blefaroptose; Oftalmoplegia externa progressiva crônica; Procedimentos cirúrgicos oftalmológicos; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Miopatias mitocondriais