Arq. Bras. Oftalmol. 2003;66 (3 )
:305-309
| DOI: 10.1590/S0004-27492003000300009
Abstract
OBJETIVO: Realizar análise histopatológica dos tecidos uveal e retiniano em modelo murino que fortemente se assemelha ao desenvolvimento de malária cerebral humana, correlacionando as alterações oculares com achados encontrados em órgãos-alvo como o cérebro. MÉTODOS: Utilizamos camundongos de linhagem isogênica CBA/J por desenvolverem malária e evoluírem para forma grave ou cerebral quando inoculados com Plasmodium berghei (ANKA). Foi realizada inoculação via intraperitoneal e a parasitemia obtida diariamente. Para correlacionarmos as alterações com a evolução da malária, os camundongos foram sacrificados no 3º, 7º e 9º dia de infecção. Após a enucleação, o globo ocular foi fixado em solução de Bouin e incluído em parafina. Os cortes foram corados com hematoxilina-eosina, tricrômica de Gomori e Giemsa. RESULTADOS: Foram observados acúmulos de pigmentos maláricos (hemozoína) em diversas estruturas oculares, na fase inicial da doença, até alterações endoteliais de vasos retinianos, adesão de monócitos na parede vascular e congestão do lúmen vascular por hemácias parasitadas (seqüestro) em tecido uveal na fase tardia da infecção. Os níveis de parasitemia mostraram curva ascendente e significativa por volta do sétimo dia. Neste modelo observamos alterações semelhantes àquelas encontradas em outros órgãos-alvo como o cérebro. CONCLUSÕES: O modelo de malária murina permite a correlação dos achados oculares com outros órgãos-alvo da infecção. O seqüestro de células vermelhas parasitadas, na fase tardia, é responsável pela maioria das alterações oculares da malária, provavelmente com base nos fenômenos obstrutivos similares aos processos que envolvem o sistema nervoso central.
Keywords: Malária; Malária; Malária cerebral; Plasmodium berghei; Olho; Hemorragia retiniana; Doenças retinianas; Infecções oculares parasitárias; Camundongos
Arq. Bras. Oftalmol. 2004;67 (5 )
:721-732
| DOI: 10.1590/S0004-27492004000500006
Abstract
OBJETIVO: Avaliar os benefícios de uma técnica alternativa de capsulotomia anterior, criada para garantir a completa implantação da lente intra-ocular no saco capsular, durante a extração extracapsular da catarata. MÉTODOS: Cento e nove olhos foram operados por meio dessa técnica e acompanhados durante o período de 1 ano. As possibilidades da técnica foram ava-liadas em relação a dois aspectos: a garantia de perfeita colocação da lente no saco capsular e a capacidade de promover eficiente fixação do implante, por meio das características apresentadas pelas porções remanescentes da cápsula anterior. O primeiro aspecto foi analisado considerando o número de casos em que as duas abas puderam ser adequadamente observadas durante a implantação. O segundo aspecto foi avaliado em função do posicionamento da lente, 1 ano após a cirurgia. Dificuldades e complicações específicas dessa técnica foram também, investigadas. RESULTADOS: Durante a implantação, as duas abas puderam ser adequadamente identificadas em 96 (90,6%) casos. Um ano após a cirurgia, a lente se encontrava centralizada em 81,9% dos casos, discretamente descentralizada (menos de 1 mm), em 13,3% e descentralizada (mais de 1 mm) em 4,8%. CONCLUSÕES: Esses resultados, quando comparados aos apresentados em relação a outros tipos de capsulotomia, indicam que essa técnica é boa alternativa para promover a adequada implantação da lente no saco capsular, na extração extracapsular da catarata.
Keywords: Extração da catarata; Implantação de lente intra-ocular; Capsulotomia; Intercapsular; In the bag; Catarata; cápsula; cristalino; Implantação; lente; intra-ocular; Alterações visuais