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Abstract
INTRODUÇÃO: A biomembrana de látex natural foi utilizada com sucesso nas reconstruções do esôfago, da parede abdominal e do pericárdio de animais, em que puderam ser comprovadas a biocompatibilidade e a capacidade de favorecimento do reparo tecidual desse material. No homem, ela já está sendo testada como material indutor de neoformação tecidual, tendo sido aplicada em pacientes com úlceras crônicas de membros inferiores e meringoplastias. OBJETIVO: Verificar o efeito da biomembrana de látex no processo de reparo da conjuntiva ocular. MÉTODOS: Promoveu-se a retirada de retângulos da conjuntiva nasal superior, de ambos os olhos, de 15 coelhos neo-zelandeses adultos. Nos olhos direitos, foram implantadas biomembranas de látex com suturas contínuas presas às bordas das lesões cirúrgicas. Nos esquerdos, foram deixadas as escleras nuas. Para as análises histológicas, sacrificaram-se os animais com cinco, sete, catorze, vinte e um e vinte e oito dias. Os olhos de um coelho, não submetido a qualquer procedimento, foram usados como controle histológico. RESULTADOS: Considerando o período total de estudo, o grupo com biomembrana de látex apresentou cicatrização satisfatória em maior número de olhos do que o grupo com esclera nua (p=0,06). O número de vasos perilímbicos também foi significativamente maior nos casos com implante de biomembrana do que nos olhos sem biomembrana (p=0,0284). A freqüência de infecções foi idêntica nos dois grupos. CONCLUSÃO: Tal como o descrito na literatura para outros tecidos, a biomembrana de látex natural também parece favorecer a cicatrização conjuntival e a neoangiogênese. Se esses resultados se repetirem nos humanos, a biomembrana poderá se converter num promissor recurso terapêutico de reconstrução da conjuntiva ocular, particularmente nos casos em que a revascularização tecidual seja importante.
Keywords: Conjuntiva; Cicatriz; Membranas artificiais; Regeneração; Coelhos
Abstract
Objetivo: Estudar o uso da biomembrana de látex e o transplante conjuntival autólogo na cicatrização conjuntival em coelhos.
Métodos: Em nove coelhos albinos, neo-zelandeses, machos foram removidas áreas retangulares idênticas, do quadrante supero nasal, adjacente ao limbo, de ambos os olhos. As áreas desnudas da camada esclerótica nos olhos direitos foram recobertas com biomembrana de látex e a dos olhos esquerdos com enxerto conjuntival autólogo. Os animais foram sacrificados em grupos de três, aos 7, 14 e 21 dias após a cirurgia. Os tecidos do local cirúrgico, incluindo a córnea, foram fixados em formaldeído, antes de serem processados em parafina e corados com hematoxilina e eosina. A natureza e a intensidade da resposta inflamatória e o padrão de epitelização da superfície conjuntival foram avaliados sob microscopia óptica, em seções histológicas longitudinais, passando pelo centro dos espécimes anatômicos.
Resultados: Até o décimo quarto dia pós-operatório, o grupo que recebeu a biomembrana apresentou reação inflamatória mais intensa do que o grupo com auto enxerto conjuntival. Aos 14 dias, os olhos com biomembrana apresentavam-se menos inflamados e com estroma mais espesso do que aos 7 dias. Aos 21 dias, a reparação conjuntival de ambos os grupos apresentavam características semelhantes.
Conclusão: Apesar de apresentar uma cicatrização mais lenta, a biomembrana de látex se mostrou tão eficaz quanto o auto enxerto conjuntival na reconstrução da superfície ocular após três semanas de cicatrização pós-operatória. Devido as suas baixas toxicidade e alergenicidade, este material parece ser uma opção terapêutica promissora na reconstrução da conjuntiva.
Keywords: Cicatrização de feridas; Latex; Conjuntiva/transplante; Transplante autólogo; Histologia; Coelhos
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