Arq. Bras. Oftalmol. 2014;77 (3 )
:143-147
| DOI: 10.5935/0004-2749.20140037
Abstract
Objetivos: Avaliar as frequências do estrabismo e as características cronológica, etiológica e morfológica das cataratas pediátricas. Método: Estudo retrospectivo dos prontuários de crianças atendidas no Ambulatório de Catarata Congênita do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo no período entre 2001 e 2011. Foram incluídos pacientes com diagnóstico de catarata congênita ou de desenvolvimento. Foram excluídos os pacientes com catarata traumática; secundárias a uveíte, radiação ou medicamentos; pacientes operados em outro serviço; pacientes com glaucoma; leucocorias não cristalinianas (retinoblastoma, retinopatia da prematuridade, leucocorias pré-cristalinianas), e com sub-luxação do cristalino. Foram avaliadas: as frequências cronológicas, etiológicas e morfológicas das cataratas; a lateralidade e a ocorrência de estrabismo associado nestes pacientes. Resultados: Foram incluídos 207 pacientes. Cento e dezessete (56,5%) apresentavam catarata congênita e 90 (43,5%) apresentavam catarata de desenvolvimento. Cento e nove (52,6%) pacientes eram portadores de catarata unilateral. Quanto à morfologia, 72 crianças (33,8%) apresentavam catarata zonular e 66 (31,9%) apresentavam catarata total. A etiologia idiopática foi a mais frequente (72,5%) afetando 150 pacientes. Foram observados 108 pacientes (52,2%) com estrabismo associado, especialmente endotropias secundárias. Conclusões: A etiologia idiopática foi a mais frequente neste estudo. O tipo morfológico zonular foi o mais frequentemente diagnosticado. Cataratas unilaterais ocorreram mais frequentemente em pacientes com persistência da vasculatura fetal. O estrabismo associado ocorreu em 52% dos pacientes. A análise dos resultados deste estudo pode contribuir para diagnosticar a catarata pediátrica precocemente e de modo mais preciso.
Keywords: Catarata/congênito; Catara/diagnóstico; Estrabismo; Síndrome da persistência do padrão de circulação fetal; Humanos; Criança
Arq. Bras. Oftalmol. 2019;82 (6 )
:476-480
| DOI: 10.5935/0004-2749.20190093
Abstract
Objetivos: Avaliar a sensibilidade, especificidade e os valores de pontos de corte do ROPScore, um escore baseado em fatores de risco cumulativos capaz de prever a ocorrência da retinopatia da prematuridade em prematuros de baixo peso no sul do Brasil.
Métodos: Estudo retrospectivo por meio de análise de prontuários de todos os prematuros com peso ao nascer ≤1500g e/ou idade gestacional ≤32 semanas selecionados para retinopatia da prematuridade em duas instituições brasileiras entre agosto de 2009 e dezembro de 2015.
Resultados: O estudo incluiu 322 pacientes. A média do peso ao nascer foi de 1181,8 ± 292,5 gr e a idade gestacional média foi de 29,5 ± 2,3 semanas. A incidência de retinopatia da prematuridade em qualquer estágio e retinopatia da prematuridade grave foi de 68,3% e 17%, respectivamente. Os valores do ROPScore variaram de 8,7 a 19,9. O melhor ponto de corte para sensibilidade e especificidade foi estabelecido em 11 para retinopatia da prematuridade em qualquer estágio e 14,5 para retinopatia da prematuridade grave. Para retinopatia da prematuridade em qualquer estadiamento, o ROPScore apresentou sensibilidade de 98,6% (95%IC 97,9-99,3) e especificidade de 35,3% (95%IC 32,3-38,3), valor preditivo positivo (VPP) de 76,6% (95%IC 74,0-79,2) e valor preditivo negativo de 92,3% (IC95% 90,6-94,0). Para retinopatia da prematuridade grave, foi registrada sensibilidade de 100%, especificidade de 57,3% (95%IC 54,2-60,4), valor preditivo positivo de 22% (95%IC 19,4-24,6) e valor preditivo negativo de 100%. Os pontos de corte identificaram corretamente todos os pacientes que desenvolveram qualquer estágio ou retinopatia da prematuridade grave no estudo.
Conclusão: O ROPScore foi importante para detectar pacientes prematuros com risco de retinopatia da prematuridade. Nesta população, o ROPScore detectou todos os pacientes em risco para qualquer retinopatia da prematuridade em estágio e retinopatia da prematuridade grave. Este estudo mostrou valores semelhantes aos descritos anteriormente, validando com sucesso a ROPScore para detecção precoce de retinopatia da prematuridade em prematuros de muito baixo peso.
Keywords: Recém-nascido prematuro; Retinopatia da prematuridade; Baixo peso ao nascer; Fatores de risco; ROPScore; Índice de gravidade de doença; Cegueira