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Objetivo: Avaliar indicações, evolução e complicações do uso do adesivo de cianoacrilato no tratamento dos afinamentos e perfurações corneanas. Material e Métodos: Vinte e seis olhos de 26 pacientes portadores de afinamento ou perfuração corneana (£ 2,5 mm de diâmetro) receberam adesivo tecidual à base de metil 2-cianoacrilato e, a seguir, lente de contato terapêutica hidrofílica sobre a área colada. Resultados: Entre as indicações para aplicação do adesivo de cianoacrilato, detectaram-se 12 (46%) casos de perfuração corneana causada por úlcera de córnea infecciosa. Dos 26 olhos que receberam adesivo, 15 (57,7%) necessitaram de uma única aplicação e 11 (42,3%) de duas aplicações. Houve evolução para leucoma corneano após desprendimento da cola em 13 (50%) olhos; necessidade de intervenção cirúrgica em 4 (15%) e permanência da cola em 9 (35%). A acuidade visual manteve-se inalterada em 15 (57,7%) olhos, melhorou em 7 (27%) e diminuiu em 4 (15,3%). Conclusões: O adesivo de cianoacrilato pode ser usado com sucesso no tratamento imediato dos afinamentos e perfurações corneanas, prorrogando ou até mesmo dispensando um futuro procedimento cirúrgico.
Keywords: Córnea; perfurações; adesivo
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Objetivo: Avaliar a presença de RNA de coronavírus 2 causador de síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) na superfície ocular de indivíduos clinicamente suspeitos com COVID-19 e determinar a precisão de diferentes abordagens de testes moleculares na superfície ocular com base no status de positividade do RT-qPCR de nasofaringe para COVID-19.
Métodos: 152 indivíduos com sintomas suspeitos para a COVID-19 foram submetidos a coleta de reação em cadeia da polimerase de nasofaringe simultaneamente a duas técnicas diferentes de coleta de filme lacrimal para RT-qPCR: aleatoriamente, um olho com a tira filtro do teste de Schirmer e, o olho contralateral, com citologia (swab) conjuntival no fórnice inferior. Todos os indivíduos foram submetidos à biomicroscopia com lâmpada de fenda.
Resultados: Dos 152 pacientes, 86 (56,6%) tiveram a COVID-19 confirmada por PCR de nasofaringe. Ambas as técnicas de coleta detectaram partículas virais: o teste de Schirmer foi positivo em 16,3% (14/86) e a citologia conjuntival em 17,4% (15/86), sem diferenças estatisticamente significativas. Não houve testes oculares positivos entre aqueles com reação em cadeia da polimerase de nasofaringe negativo. A concordância geral dos testes oculares foi de 92,7% e, em combinação, a sensibilidade aumentaria para 23,2%. Os valores médios do limiar de ciclo nos testes de nasofaringe, Schirmer e citologia conjuntival foram 18,2 ± 5,3, 35,6 ± 1,4 e 36,4 ± 3,9, respectivamente.
Conclusão: Os testes de Schirmer (16,3%) e swab conjuntival (17,4%) foram igualmente capazes de detectar RNA de SARS-CoV-2 na superfície ocular por RT-PCR e demonstraram sensibilidade e especificidade indistintas. A coleta simultânea de amostras ao processamento dos testes de RT-PCR de nasofaringe, Schirmer e citologia (swab) conjuntival demonstraram carga viral significativamente menor em ambas as abordagens da superfície ocular em comparação com o teste de nasofaringe. As manifestações oculares detectadas pela biomicroscopia com lâmpada de fenda não foram claramente associadas à positividade do RT-PCR ocular.
Keywords: COVID19; SARS-CoV-2; Túnica conjuntiva; Lágrimas; Reaçao em cadeia da polimerae via transcriptase reversa; RNA; viral.
Abstract
Os autores descrevem o caso de paciente portadora de leucemia mielóide aguda que apresentou como primeira manifestação da doença, infiltração leucêmica conjuntival. São feitas considerações a respeito das manifestações sistêmicas e oftalmológicas e atualização desta doença.
Keywords: Leucemia mielóide; Infiltração; Conjuntiva; Cloroma; Sarcoma granulocítico
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Contexto: A vasculite leucocitoclástica é uma doença que acomete pequenos vasos mais comumente associada a distúrbios do tecido conectivo, caracterizada clinicamente pela presença de lesões purpúricas palpáveis. Manifestações oftalmológicas são raras. Objetivo: Descrever quadro clínico de paciente portador de vasculite leucocitoclástica como manifestação incomum de padrão granulomatoso do erythema elevatum diutinum (EED). Relato de Caso: Paciente de 64 anos, masculino, apresentando baixa de acuidade visual e aparecimento de lesões nodulares em mãos. Ao exame oftalmológico, evidenciou-se afinamento corneano superior bilateral com perfuração corneana do olho esquerdo e espessamento da conjuntiva limbar em ambos os olhos, associada a intensa atividade inflamatória. Exame anatomopatológico da conjuntiva revelou vasculite granulomatosa com intenso exsudato neutrofílico, células gigantes multinucleadas, além de proliferação fibroblástica. Exame anatomopatológico de biopsia da pele evidenciou alterações semelhantes compatíveis com EED, porém não foi visto célula gigante sugerindo lesão granulomatosa. Conclusão: Ceratólise auto-imune secundária a vasculite leucocitoclástica cutânea (EED) não havia sido descrito na literatura, tampouco encontramos referências sobre a reação granulomatosa (encontrada na conjuntiva) em EED.
Keywords: Vasculite leucocitoclástica; Ceratólise; Erythema elevatum diutinum; Perfuração ocular
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OBJETIVO: Investigar a utilização da membrana amniótica como adjuvante no tratamento e restabelecimento de espessura dos afinamentos córneo-esclerais e epitelização corneal. MÉTODOS: A membrana amniótica foi captada a partir de parto cesáreo e conservada em meio de preservação de córnea e glicerol 1:1 e conservada a -80ºC. Sete olhos de 7 pacientes, sendo 4 portadores de afinamento corneal por afecções neurotróficas (Grupo 1: 2 herpes simples vírus; 1 após transplante de córnea; 1 por radioterapia) e 3 portadores de afinamento escleral após exérese de pterígio (Grupo 2: 2 com beta-terapia e 1 sem beta-terapia) foram submetidos à cirurgia para restabelecimento da superfície ocular e espessura córneo-escleral empregando membrana amniótica. RESULTADOS: O tempo médio de seguimento foi de 12 meses (variação entre 11 meses e 15 meses). Um caso de úlcera neurotrófica secundária a radioterapia apresentou insucesso. Obtivemos sucesso do restabelecimento da superfície ocular e da espessura nos outros 6 casos. Em relação à acuidade visual, 1 caso obteve melhora e os outros 6 permaneceram inalterados. A média de tempo de epitelização foi de 26,6 ± 5,8 dias para o grupo 1 e 10,6 ± 4,0 dias para o grupo 2. CONCLUSÕES: O uso de membrana amniótica constitui opção alternativa de grande utilidade na reconstrução da superfície ocular dos casos de afinamento córneo-escleral. Estudos com maior casuística e tempo de seguimento são necessários para melhor avaliar esse procedimento.
Keywords: Âmnio; Transplante de tecido fetal; Preservação de tecido; Transplante homólogo; Córnea; Córnea; Conjuntiva; Esclera; Epitélio da córnea; Seguimentos
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OBJETIVO: Avaliar a função visual e satisfação dos pacientes submetidos à cirurgia de catarata com implante de lente intra-ocular acomodativa e o impacto na sua qualidade de vida. MÉTODOS: Retrospectivamente, foram avaliados questionários aplicados após um ano da cirurgia de 22 pacientes que foram incluídos num estudo clínico para avaliar segurança e eficácia de uma lente intra-ocular de silicone de câmara posterior designada para corrigir visão para longe e perto. RESULTADOS: Do total dos pacientes operados, 16 (73%) eram bilaterais e 6 (27%) unilaterais, com idade média de 70,2 anos. Dos pacientes com implante unilateral, 5 (83,3%) declararam melhora acentuada da visão e 1 (16,7%) referiu máxima melhora. Quanto ao nível de satisfação, 5 (83,3%) ficaram satisfeitos e 1 (16,7%) muito satisfeito com o resultado cirúrgico. A visão noturna foi declarada como sem dificuldade por 3 (50,0%), pouca dificuldade por 2 (33,3%) e dificuldade moderada por 1 (16,7%). No grupo bilateral, 7 (43,8%) consideraram excelente a qualidade da visão para perto, 7 (43,8%) muito boa, 1 (6,2%) adequada e 1 (6,2%) ruim. A visão intermediária foi classificada como excelente por 6 (37,5%), muito boa por 9 (56,3%) e adequada por 1 (6,2%). A qualidade da visão para longe foi considerada excelente por 9 (56,3%), muito boa por 3 (43,8%), adequada por 2 (12,5%) e não muito boa por 2 (12,5%). Em relação à visão noturna 9 (56,3%) declararam não ter dificuldade alguma, 5 (31,2%) pouca dificuldade e 2 (12,5%) dificuldade moderada. CONCLUSÕES: Considerando a propriedade óptica da LIO, a maioria dos pacientes apresentou uma melhora considerável da função visual, sem a necessidade de correção óptica, e, portanto, com impacto positivo na qualidade de vida.
Keywords: Qualidade de vida; Pseudofacia; Pseudofacia; Extração de catarata; Lentes intra-oculares
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OBJETIVO: Avaliar eficácia da utilização da lente intra-ocular na correção da afacia na infância, segundo a acuidade visual e alteração refracional no pós-operatório. MÉTODOS: Foram estudados trinta e três olhos de 27 crianças portadores de catarata, unilateral ou bilateral, submetidos à cirurgia de lensectomia via pars plana com implante de lente intra-ocular, associada à capsulectomia posterior primária e vitrectomia anterior. O cálculo da lente intra-ocular foi realizado com o objetivo da emetropia no pós-operatório imediato. As crianças apresentavam idades inferiores a seis anos no momento da cirurgia e foram acompanhadas em média durante 2,9 anos. Foram divididas em três grupos: crianças portadoras de catarata unilateral operadas com idade inferior a três anos (Grupo I) e superior a três anos (Grupo II) e grupo III formado pelas crianças portadoras de cataratas bilaterais. RESULTADOS: Acuidade visual pós-operatória obtida no último controle igual ou superior a 20/40 foi encontrada em 85% dos olhos operados. Equivalente esférico no primeiro mês pós-operatório próximo da emetropia foi obtido em 70% das crianças do grupo III e em apenas 30% do grupo I. Quanto à variação refracional pós-operatória, a miopização foi encontrada em 81,81% dos casos, sendo maior esta alteração refracional quanto menor a idade em que a criança foi submetida à cirurgia. CONCLUSÃO: Apesar da miopização pós-operatória que ocorre com o implante de lente intra-ocular na correção da afacia em crianças com menos de seis anos de idade, o resultado visual é bastante satisfatório e a correção refracional residual de fácil execução. Um seguimento pós-operatório mais prolongado há de ser necessário para o acompanhamento dos resultados a longo prazo.
Keywords: Afacia pós-catarata; Catarata; Lentes intra-oculares; Extração de catarata
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a exeqüibilidade, eficácia e segurança do uso de microcerátomo e câmara anterior artificial para o transplante lamelar (sistema ALTK®). MÉTODOS: 21 olhos com opacidades corneanas superficiais foram submetidos ao transplante lamelar semi-automatizado de córnea. Nos olhos receptores a ceratectomia foi realizada de modo semelhante a uma cirurgia refrativa. As lamelas doadoras foram obtidas a partir de botões esclero-corneanos utilizando o mesmo microcerátomo e uma câmara anterior artificial. As medidas das espessuras corneanas foram feitas através da biomicroscopia ultra-sônica. RESULTADOS: As cirurgias obtiveram êxito em 19 olhos. Em 80% das lamelas obtidas em córneas doadoras e em 84,2% das lamelas em olhos receptores houve uma variação de até 0,5 mm do diâmetro desejado. Verificou-se alta semelhança entre as espessuras das lamelas obtidas nos olhos receptores e lamelas doadoras. Obteve-se acuidade visual corrigida pós-operatória igual ou superior a 20/40 em 52,6% dos olhos. Foram observadas complicações como diâmetro inadequado da lamela, perfuração intra-operatória no olho receptor e ectasia corneana pós-operatória (um caso). CONCLUSÕES: O transplante lamelar semi-automatizado de córnea mostrou-se exequível pela reprodutibilidade das espessuras e diâmetros das lamelas; eficaz pela melhora da acuidade visual pós-operatória e seguro, devido ao baixo índice de complicações cirúrgicas.
Keywords: Córnea; Câmara anterior; Opacidade da córnea; Ceratoplastia penetrante; Transplante de córnea; Doadores de tecido; Endotélio da córnea; Acuidade visual; Resultado de tratamento
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OBJETIVOS: Relatar os resultados de 7 olhos de 7 pacientes em que foi realizado o implante de dexametasona 0,7 mg (Ozurdex®) no saco capsular após facoemulsificação e implante de lente intraocular (LIO) e comparar com os olhos contralaterais, que foram operados pela mesma técnica e receberam colírio de dexametasona no pós-operatório. MÉTODOS: Relato de casos de 7 olhos de 7 pacientes que receberam o implante de dexametasona 0,7 mg após facoemulsificação e implante de LIO, comparando-os com os olhos contralaterais. Todos os pacientes foram submetidos a cirurgia de catarata bilateral, com intervalo de um mês entre as cirurgias, pela mesma técnica, por cirurgiões experientes e sem complicações. No pós-operatório foi utilizado colírio de moxifloxacino em todos os 14 olhos e dexametasona tópica nos olhos que não receberam o implante. RESULTADOS: A classificação da catarata de acordo com o LOCS III foi de 3,28 ± 0,69 no grupo que recebeu o implante e 3,14 ± 0,83 no grupo de olhos contralateral. A acuidade visual com melhor correção foi de 0,85 ± 0,12 e 0,87 ± 0,13 respectivamente nos grupos com e sem implante. A pressão intraocular permaneceu estável e similar aos valores pré-operatórios. A reação de câmara anterior e o edema de córnea foram similares nos dois grupos. Dois dos 4 implantes sem sutura migraram para a câmara anterior durante a primeira semana de pós-operatório e necessitaram de reposicionamento. Outro implante sem sutura teve deslocamento e permaneceu parcialmente dentro do saco capsular. Os 3 pacientes com implante suturado não tiveram complicações. CONCLUSÃO: No presente estudo, o implante de dexametasona 0,7 mg foi efetivo no controle da inflamação intraocular após cirurgia de facoemulsificação e implante de LIO, sem efeitos colaterais significativos.
Keywords: Catarata; Dexametasona; Administração tópica; Facoemulsificação
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Uma paciente de 26 anos foi examinada 24 horas após observar a formação de plasma induzido por laser em um processo de produção de nanopartículas, referindo escotoma central bilateral. A avaliação oftalmológica incluiu observação dilatada da retina, angiofluoresceinografia e tomografia de coerência óptica (OCT). Na primeira avaliação, a acuidade de 20/20 no olho direito e 20/25 no olho esquerdo. A avaliação oftalmológica revelou mudanças de coloração da região macular de ambos os olhos. A tomografia de coerência óptica mostrou uma interrupção central da camada de fotorreceptores em ambos os olhos, e a angiografia fluoresceínica foi normal. Nas consultas subsequentes a acuidade sempre foi 20/20 em ambos os olhos. Os achados da tomografia de coerência óptica anormais desapareceram em menos de cinco meses, mas as queixas subjetivas de escotoma no olho esquerdo permaneceram. Cuidado extra deve ser tomado para este tipo de experiência, por exemplo, reduzindo o tempo em que a retina é diretamente exposta à radiação de plasma.
Keywords: Retina; Tomografia de coerência óptica; Escotoma; angiofluoresceinografia; Lasers; Relato de caso
Abstract
RESUMOApresentamos os casos de três meninas (duas de seis anos e uma de onze anos), com uveíte bilateral e suspeita de catarata em ambos os olhos e doença de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) em dois casos. No terceiro caso, oftalmia simpática e suspeita de catarata em um olho e trauma com ceratoplastia penetrante no outro olho. Após controle da inflamação, indicou-se facoemulsificação sem LIO. No per-operatório, após retirada da membrana epicristaliniana, a transparência do cristalino foi percebida, não sendo realizada a facoemulsificação. No período de acompanhamento as pacientes não desenvolveram catarata e a acuidade visual variou de 20/30 a 20/100. O exame de fundoscopia reforçou o diagnóstico de VKH e oftalmia simpática. Portanto, é muito importante que o oftalmologista esteja sempre atento quando se deparar com um caso de uveíte com suspeita de catarata, porque, por trás da membrana epicristaliniana pode existir um cristalino transparente, o que leva a uma conduta terapêutica menos agressiva.
Keywords: Membrana epicristaliniana; Uveíte; Catarata; Facoemulsificação; Crianças; Oftalmia simpática
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