Arq. Bras. Oftalmol. 2018;81 (4 )
:271-275
| DOI: 10.5935/0004-2749.20180055
Abstract
Objetivo: Este estudo visa a criação de um programa para a formação de uma base de dados dos pacientes com diagnóstico de glaucoma pediátrico do Departamento de oftalmologia e ciências visuais da Universidade Federal de São Paulo. O armazenamento das informações se dará por meio de uma plataforma digital, possibilitando que outros centros também possam cadastrar pacientes. Este registro será uma ferramenta importante para avaliar o perfil dos pacientes e agrupá-los, permitindo identificar fatores de risco, estimar prevalência e recrutar indivíduos para futuras pesquisas.
Métodos: Um formulário on-line foi projetado para criar um registro de pacientes com diagnóstico de glaucoma congênito do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo. Além disso, um estudo piloto foi conduzido para validar a base de dados criada.
Resultados: Foi criado um questionário usando a plataforma Google Forms, de preenchimento online e armazenamento na nuvem, para registro dos pacientes com diagnóstico de glaucoma infantil do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo. Tal registro permite armazenar dados epidemiológicos e clínicos, detectar padrões e avaliar o tratamento atual de crianças com glaucoma da infância, com a possibilidade de intercâmbio e uso de informações com outros centros, já que a coleta e o armazenamento dos dados se dá de forma online. O formulário é extenso e engloba dados sociais, histórico gestacional, antecedentes familiares, dados clínicos de entrada no nosso centro e o tratamento recebido.
Conclusão: Este estudo demonstrou que o Google Forms é uma ferramenta útil para coleta e análise de dados estatísticos, facilitando o processo de registro de pacientes e análise de informações. A criação do questionário online e a consequente análise das informações permitirá o maior conhecimento do perfil dos pacientes acompanhados em nosso centro e, com a centralização dos dados num ambiente único - nuvem digital - tornar-se-á possível criar um banco de dados online multicêntrico que permitirá a identificação de fatores de risco e avaliar o resultado das intervenções e tratamentos, assim como recrutar as crianças para pesquisas futuras.
Keywords: Glaucoma; Glaucoma congênito; Banco de dados; Epidemiologia; Criança
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (5 )
:425-429
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210066
Abstract
Objetivo: Investigar picos de pressão intraocular em pacientes fácicos e pseudofácicos com glaucoma primário de ângulo aberto no teste de sobrecarga hídrica.
Método: Quarenta pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto foram avaliados; vinte eram fácicos e vinte eram pseudofácicos. Um olho (selecionado aleatoriamente) foi incluído no estudo, todos os pacientes foram submetidos às curvas da pressão intraocular imediatamente após o teste de sobrecarga hídrica.
Resultados: Observou-se uma diferença estatisticamente significante na média dos picos nas curvas da pressão intraocular para os pacientes fácicos e pseudofácicos (p=0,045). Houve diferença estatisticamente significante nos picos da pressão intraocular no teste de sobrecarga hídrica entre os grupos, sendo observados valores mais altos nos pacientes fácicos (p=0,004).
Conclusão: Os picos da pressão intraocular no teste de sobrecarga hídrica foram maiores no grupo fácico que no grupo pseudofácico.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Água potável; Pressão intraocular
Arq. Bras. Oftalmol. 2019;82 (3 )
:176-182
| DOI: 10.5935/0004-2749.20190035
Abstract
Objetivo: Correlacionar os parâmetros de variação da pressão intraocular (flutuação e pico) com o dano funcional em pacientes tratados com glaucoma primário de ângulo aberto, e comparar esses parâmetros de pressão intraocular entre olhos com dano funcional assimétrico.
Métodos: Estudo observacional prospectivo foi realizado incluindo consecutivamente pacientes tratados com glaucoma primário de ângulo aberto. Foram excluídos indivíduos com outras doenças oculares que não o glaucoma ou cirurgia prévia incisional de glaucoma. Os principais critérios de inclusão foram: ≥3 testes de campo visual e ≥2 anos de acompanhamento, sem quaisquer alterações no regime medicamentoso atual. Parâmetros de pressão intraocular de longo prazo foram obtidos através de medidas de pressão intraocular isoladas de cada consulta (as últimas 5 consultas de cada paciente foram consideradas para análise). Para avaliação dos parâmetros de pressão intraocular de curto prazo, todos os pacientes foram submetidos ao teste de sobrecarga hídrica. Inicialmente, calculamos os coeficientes de correlação parcial de cada parâmetro de variação da pressão intraocular com o nível de dano funcional, baseado no índice Mean Deviation (MD), ajustando para a pressão intraocular basal e o número de medicações antiglaucomatosas. Além disso, comparamos cada parâmetro de pressão intraocular entre os olhos com melhor e pior nível de dano funcional em pacientes com perda de campo visual assimétrica (definida como diferença no índice mean deviation entre os olhos de pelo menos 3 dB).
Resultados: Foram incluídos 87 olhos (87 pacientes) com glaucoma primário de ângulo aberto. A idade média foi de 61,9 ± 12,5 anos e 59,8% eram mulheres. Em geral, os pacientes foram submetidos a 5 testes (mediana) de campo visual, com um seguimento médio de 4,3 ± 1,4 anos. Nem os parâmetros de variação da pressão intraocular de longo prazo nem aqueles obtidos pelo teste de sobrecarga hídrica se correlacionaram significativamente com o nível de dano no campo visual (p≥0,117). No subgrupo com perda de campo visual assimétrica (64 olhos de 32 pacientes; idade média, 65,0 ± 11,4 anos), nem os parâmetros de variação da pressão intraocular de longo prazo nem os obtidos pelo teste de sobrecarga hídrica diferiram significativamente entre olhos com melhor e pior nível de dano funcional
(p≥ 0,400).
Conclusão: Nossos resultados indicam que não apenas parâmetros de variação da pressão intraocular de longo prazo, mas também medidas de pressão intraocular derivadas do teste de sobrecarga hídrica, não parecem se correlacionar com o nível de dano do campo visual, nem diferem significativamente entre olhos com nível de dano funcional assimétrico. Esses achados sugerem que outros fatores poderiam explicar essa assimetria funcional e que o teste de sobrecarga hídrica não acrescenta informações significativas a esses casos.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Pressão intraocular/ fisiologia; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Ingestão de líquidos; Água; Ritmo circadiano
Arq. Bras. Oftalmol. 2019;82 (6 )
:463-470
| DOI: 10.5935/0004-2749.20190089
Abstract
Objetivo: Avaliar o impacto da acuidade visual, danos no campo visual e outros fatores na qualidade de vida em pacientes brasileiros com glaucoma.
Métodos: Este foi um estudo transversal prospectivo incluindo 49 pacientes com glaucoma selecionados com base na presença de defeitos por perimetria automatizada padrão reprodutíveis em pelo menos um olho no momento da avaliação. Um exame oftalmológico detalhado foi realizado em cada paciente. Todos os pacientes possuíam perimetria automatizada padrão reprodutível e preencheram um questionário NEI VFQ-25. As associações dos escores de qualidade de vida à acuidade visual melhor corrigida e à perda de campo visual dos melhores e piores olhos foram investigadas.
Resultados: A média dos escores de qualidade de vida dos pacientes foi de 58,8 ± 18,7 unidades. Os maiores e menores valores médios (85,0 ± 24,2 e 37,5 ± 36,5 unidades) foram observados nas subescalas “Social Functioning Subscale” e “Driving Subscale”, respectivamente. Pacientes com glaucoma avançado (desvio médio <-12 dB) no pior olho tiveram escores de qualidade de vida significativamente menores (p=0,007). Houve correlação significativa entre escores de qualidade de vida e a acuidade visual dos olhos melhores e piores (r2=13%; p=0,010 e r2=32%; p<0,001; respectivamente). Houve também uma correlação significativa entre os escores de qualidade de vida e desvios médios da perimetria automatizada padrão dos olhos melhores e piores (r2=13%; p=0,023 e r2=47%; p<0,001; respectivamente). Em um modelo multivariado contendo dados socioeconômicos e de comorbidades, a qualidade de vida permaneceu significativamente relacionada ao desvio médio padrão da perimetria automatizada do olho melhor e pior (r2=23%; p=0,29 e r2=49%; p<0,001, respectivamente) bem como para a acuidade visual do olho melhor e pior (r2=18%; p= 0,017 e r2=40%; p<0,001, respectivamente).
Conclusão: O desvio padrão da perimetria automatizada padrão e a acuidade visual dos olhos melhor e pior foram associados à menor qualidade de vida em pacientes brasileiros com glaucoma. A qualidade de vida foi em grande parte altamente associada ao desvio padrão da perimetria automatizada padrão do pior olho.
Keywords: Glaucoma; Saúde ocular; Qualidade de vida; Campo visual; Inquéritos e questionários/normas; Acuidade visual
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (4 )
:345-351
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210050
Abstract
OBJETIVO: Investigar a ação de colírios esteróides na doença de superfície ocular em pacientes a serem submetidos a cirurgia de trabeculectomia.
MÉTODOS: Foram incluídos 31 olhos de 31 pacientes com glaucoma em uso de pelo menos 3 medicações tópicas anti- hipertensivas há mais de 6 meses. Todos os pacientes foram tratados com colírio de etabonato de loteprednol 0,5% (1 gota a cada 6 horas) durante os 7 dias precedentes à cirurgia de trabeculectomia. Além disso, foram submetidos a exame oftalmológico completo e responderam questionário validado que visa avaliar parâmetros subjetivos correlacionados a doenças da superfície ocular (Ocular Surface Disease Index). Os aspectos clínicos avaliados foram: tempo de ruptura lacrimal, coloração da córnea após colírio de fluoresceína (ceratite) e hiperemia conjuntival. Os pacientes foram, ainda, submetidos à análise da superfície ocular através de novo
software tecnológico denominado “Keratographic”, tecnologia não invasiva que permite avaliar a doença da superfície ocular. A comparação da doença de superfície ocular antes e após a trabeculectomia foi avaliada estatisticamente através do teste pareado.
RESULTADOS: A média de idade dos participantes foi de 69,90 ± 10,77 anos. A AV média foi de 0,40 ± 0,34 logMAR. A taxa de prevalência global da Ocular Surface Disease Index foi de 27,20 ± 17,56 unidades. Em relação à avaliação clínica, não houve diferença significativa em relação hiperemia, ruptura lacrimal e ceratite antes e após a cirurgia (p>0,05 para todas as comparações). Em relação à análise com o “keratograph (menisco lacrimal, hiperemia, tempo de ruptura do filme lacrimal, meibografia para a pálpebra superior e inferior), os dois únicos parâmetros que diferiram significativamente antes e após a trabeculectomia, foram hiperemia e a média do tempo de rupture do filme lacrimal. Após a cirurgia de trabeculectomia, os pacientes apresentaram aumento da hiperemia conjuntival e diminuição do tempo de ruptura do filme lacrimal (p=0,013 e p=0,041, respectivamente).
CONCLUSÕES: O presente estudo, não somente confirma a elevada prevalência da doença de superfície ocular em pacientes com glaucoma, como também demonstra que a mesma pode ser mensurada objetivamente através de parâmetros mensurados pelo Keratograph. Apesar de ter utilizado etabonato de loteprednol 0,5% uma semana antes da cirurgia, nossa amostra apresentou piora da hiperemia conjuntival e diminuição no tempo de ruptura do filme lacrimal no pós-operatório.
Keywords: Glaucoma; Soluções oftálmicas; Doença de superfície ocular; Trabeculectomia
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (6 )
:1-7
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0525
Abstract
Objetivo: Determinar a relação entre doença da superfície ocular (OSD), número de medicamentos prescritos para o glaucoma, e como isso influencia na adesão ao tratamento.
Métodos: Neste estudo transversal, pacientes com glaucoma foram submetidos à coleta de dados demográficos, preenchimento do questionário Ocular Surface Disease Index e do Glaucoma Treatment Compliance Assessment Tool. Os parâmetros da superfície ocular foram avaliados pelo “Keratograph 5M”. Indivíduos foram estratificados em 2 grupos de acordo com a quantidade de colírios hipotensores oculares prescritos (Grupo 1: uma ou duas classes de medicamentos; Grupo 2: três ou quatro classes).
Resultados: No total, 27 olhos de 27 pacientes com glaucoma foram incluídos: 17 usando 1 ou 2 medicamentos tópicos (Grupo 1) e 10 olhos usando 3 ou 4 classes (Grupo 2). Na avaliação do Keratograph, os pacientes em uso de 3 ou mais medicamentos apresentaram altura do menisco lacrimal significativamente menor (0,27 ± 0,10 vs. 0,43 ± 0,22; p=0,037). Análise do questionário OSDI mostrou escores mais altos entre o grupo que usou mais colírios hipotensores (18,67 ± 13,53 vs. 38,82 ± 19,72; p=0,004). Em relação ao Glaucoma Treatment Compliance Assessment Tool, o Grupo 2 apresentou piores escores nos componentes de esquecimento (p=0,027) e barreiras por falta de colírios (p=0,031).
Conclusão: O estudo demonstrou que pacientes com glaucoma usando mais colírios hipotensivos apresentaram piores escores de altura do menisco lacrimal e Ocular Surface Disease Index, em comparação com aqueles que usaram menos medicamentos tópicos. Pacientes em uso de 3 ou 4 classes de colírios tiveram piores preditores de adesão ao glaucoma. Apesar dos piores resultados de doença da superfície ocular, não houve diferença significativa nos efeitos colaterais relatados.
Keywords: Adesão à medicação; Doenças da superfície ocular; Soluções oftálmicas; Glaucoma
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (3 )
:1-5
| DOI: 10.5935/0004-2749.2022-0198
Abstract
OBJETIVO: Associar os resultados refrativos a longo prazo da cirurgia de catarata e a função visual autorreferida pelo questionário Catquest-9SF.
MÉTODOS: Paciente recrutados no ambulatório de catarata da VER MAIS Oftalmologia, foram submetidos a exame oftalmológico completo. Após diagnóstico de catarata com indicação de tratamento cirúrgico com facoemulsificação e implante de lente intraocular, o questionário foi aplicado antes da intervenção, 30 dias após cirurgia e 1 ano após, novamente.
RESULTADOS: Foram recrutados 133 pacientes. No decorrer do seguimento, 32 pacientes foram perdidos e ao final foram analisados os dados de 101 pacientes, dos quais 48 foram homens e 53 foram mulheres. A variância bruta explicada por dados foi de 69,9% e a inexplicada em primeiro contraste por 2,39 eigenvalores, sendo maior que 2, o que nos mostra que são resultados diferentes dos esperados de dados aleatórios. O índice de separação de pessoas foi de 2.95 (>2) e o valor de confiança de pessoas foi de 0,9 (>0,8). Estes índices são os valores mínimos aceitáveis na diferenciação de níveis de habilidade. Acuidade visual foi a principal variável correlacionada com o score do Catquest.
CONCLUSÕES: O Catquest-9SF traduzido para o português se demonstrou unidimensional e uma ferramenta psicometricamente válida para avaliar disfunção visual em pacientes com catarata, além de ter tido sucesso para quantificar objetivamente melhoras após a intervenção cirúrgica. Essa ferramenta pode ser utilizada como preditiva e concordante da melhora da acuidade visual.
Keywords: Extração de catarata; Acuidade visual; Inquéritos e questionários; Qualidade de vida; Medidas de resultados relatados pelo paciente