Arq. Bras. Oftalmol. 2018;81 (1 )
:42-46
| DOI: 10.5935/0004-2749.20180010
Abstract
Objetivos: Reportar os resultados das imagens de pacientes com Ceratoprótese de Boston tipo I (KPro) usando tomografia de coerência óptica de alta resolução do seguimento anterior (AS-OCT).
Métodos: Nós realizamos um estudo retrospectivo de pacientes submetidos à KPro. Um total de 11 olhos de 11 pacientes foram incluídos. As imagens de AS-OCT foram realizadas em um único tempo de pós-operatório. Os principais resultados incluem formação de membrana retroprostética atrás do prato posterior e atrás do cilindro ótico, afinamento e lacunas na córnea doadora (melt) e graus de ângulo fechado.
Resultados: Os diagnósticos pré-operatórios inclui queimadura química (55%), falência pós transplante de córnea (36%) e síndrome de Stevens Johnson (9%). A idade média foi de 58.4 anos (escala, 34-83 anos). A média de tempo de pós-operatório foi de 38.5 meses (escala, 12-72 meses). Os achados mais frequentes de AS-OCT foram: membrana retroprostética, 63% (7/11); afinamento da córnea doadora (melting), 55% (6/11); angulo estreito ou fechado, 91% (10/11). Outros achados menos comuns foram crescimento epitelial sobre a superfície ótica e cistos periprostéticos. Todos os pacientes com melting (6/11) apresentaram membrana retroprostética.
Conclusões: O exame pós-operatório e a visualização detalhada das mudanças em olhos com KPro pela lâmpada de fenda pode ser difícil. AS-OCT é uma técnica de imagem útil, não invasiva e quantitativa que permite o monitoramento da estabilidade anatômica no seguimento de KPro implantadas.
Keywords: Ceratoprótese; Doenças da córnea; Próteses visuais; Tomografia de coerência óptica; Seguimento anterior do olho
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (4 )
:365-371
| DOI: 10.5935/0004-2749.20230043
Abstract
Objetivo: Avaliar as alterações da superfície ocular em pacientes com Rosácea, e comparar com grupo controle.
Métodos: Noventa e três indivíduos foram selecionados para este estudo transversal, observacional e não intervencionista, dividido em dois grupos: rosácea (n=40) e controles (n=53). Foram avaliados parâmetros objetivos da superfície ocular (hiperemia conjuntival, estabilidade e volume do filme lacrimal, disfunção da glândula meibomiana, doença do olho seco, coloração da superfície ocular) e comparado indivíduos saudáveis com pacientes com rosácea.
Resultados: 69,23% dos indivíduos com rosácea eram mulheres, com média de idade de 47,34 ± 12,62 anos. Em comparação com controles pareados, não foram evidenciadas diferenças estatisticamente significativas em relação à acuidade visual (p=0,987) e parâmetros do filme lacrimal (altura do menisco lacrimal (p=0,338), tempo de ruptura do filme lacrimal não invasivo (p=0,228), tempo invasivo de ruptura (p=0,471) e teste de Schirmer (p=0,244), bem como hiperemia conjuntival (p=0,106) e coloração com fluoresceína (p=0,489). Associação significativa foi encontrada na avaliação da meibografia (p=0,026), integridade da camada mucosa (p=0,015) e sintomas de superfície ocular (p<0,0001). Pacientes com rosácea também apresentaram alterações importantes na borda palpebral: expressibilidade glandular (p<0,001), padrão de secreção glandular (p<0,001) e telangiectasia (p<0,001).
Conclusão: A disfunção da glândula de Meibômio está frequentemente associada a condições dermatológicas e é caracterizada por achados morfológicos na meibografia, bem como comprometimento da secreção lipídica que leva ao olho seco evaporativo e alterações da superfície ocular e inflamação.
Keywords: Rosácea/complicações; Disfunção da glândula tarsal; Túnica conjuntiva; Síndromes do olho seco; Técnicas de diagnóstico oftalmológico.
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (4 )
:1-7
| DOI: 10.5935/0004-2749.2022-0166
Abstract
Objetivo: Avaliar e interpretar como os cirurgiões vitreorretinianos utilizam os vídeos cirúrgicos disponíveis nas mídias sociais como ferramentas complementares de aprendizagem para melhorar, revisar ou atualizar suas habilidades, considerando seus diferentes níveis de especialização.
Métodos: Nesta pesquisa transversal, um survey online foi enviado à especialistas e aprendizes na área vítreo-retiniana.
Resultados: Esta pesquisa incluiu 258 participantes, dos quais 53,88% atuavam há mais de 10 anos (cirurgiões seniores), 29,07% entre 4 e 10 anos (cirurgiões jovens) e 17,05% há menos de 3 anos (cirurgiões em treinamento). Vídeos cirúrgicos de retina nas mídias sociais foram usados por 98,84% dos participantes (intervalo de confiança de 95%, 97,52%-100%). A fonte mais comum de acesso aos vídeos foi o YouTube (91%), e o grupo de cirurgiões com menos de 3 anos de experiência assistiu mais vídeos no YouTube em comparação aos cirurgiões seniores. Assistir a vídeos cirúrgicos nas redes sociais foi o método preferido na preparação para um procedimento para 49,80% dos participantes versus 26,27% que preferiram “consultar colegas” e 18,82% que preferiram buscar informações em artigos científicos. A “qualidade de imagem” (88%) e a presença de “dicas e truques cirúrgicos” (85%) foram as características dos vídeos mais valorizadas pelos participantes.
Conclusão: O uso de vídeos cirúrgicos pode trazer benefícios na aquisição de habilidades estratégicas, como tomada de decisão, planejamento cirúrgico e consciência situacional. Sua aplicação como auxiliar de ensino foi utilizada por cirurgiões de retina independentemente de seu nível de especialização, apesar de ser relativamente mais valioso para cirurgiões em formação ou com menos de 10 anos de experiência.
Keywords: Aprendizagem; Educação a distância; Mídias sociais; Cirurgia vítreo-retiniana; Cirurgiões; Inquéritos e questionários