Arq. Bras. Oftalmol. 2006;69 (4 )
:471-475
| DOI: 10.1590/S0004-27492006000400003
Abstract
OBJETIVO: Relatar a prevalência de cistos iridociliares em olhos de pacientes submetidos à biomicroscopia ultra-sônica (UBM). MÉTODOS: Analisaram-se retrospectivamente as imagens de UBM de 1.557 pacientes examinados de setembro de 1995 a junho de 2004. O critério de inclusão foi a UBM ter sido realizada nos quatro quadrantes (superior, inferior, nasal e temporal) do globo ocular. Avaliaram-se e classificaram-se os cistos quanto: a) ao número em cada quadrante; b) ao quadrante de localização; c) à morfologia, medindo o maior diâmetro (vertical ou horizontal), a maior espessura da parede e a área da lesão cística; d) à área de recesso angular (ARA) para cada um dos quadrantes em que havia cisto; e) à hipótese diagnóstica e/ou indicação da UBM. Utilizou-se o "software" UBM Pro 2000 para medir o diâmetro, a espessura da parede, a área do cisto e a ARA. RESULTADOS: Foram encontrados 103 cistos em 56 pacientes correspondendo à prevalência de 4,9% numa amostra de 1.132 pacientes selecionados. Dos 1.132 pacientes, 650 (57,4%) eram do sexo feminino e 482 (42,6%) eram do sexo masculino. Dos 56 pacientes com cisto, 37 (66,1%) eram do sexo feminino e 19 (33,9%) eram do sexo masculino. Dos 1.480 olhos examinados, 774 (52,3%) eram olhos direitos e 706 (47,7%) eram olhos esquerdos. Foram encontrados cistos em 38 (64,4%) olhos direitos e 21 (35,6%) olhos esquerdos. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os sexos nem entre os olhos direito e esquerdo. Os cistos com maior média de diâmetro e área estavam localizados nos quadrantes temporal e superior, onde foram encontrados os menores valores de grau de abertura do seio camerular. CONCLUSÕES: Os cistos iridociliares são mais prevalentes nos quadrantes inferior e temporal. Os cistos de maior diâmetro e área situam-se nos quadrantes temporal e superior onde encontram-se menores valores médios de grau de abertura do seio camerular. A espessura da parede dos cistos é praticamente a mesma nos quatro quadrantes. Em 64,3% dos pacientes, a presença de cistos foi um achado ocasional do exame de UBM.
Keywords: Prevalência; Cistos; Neoplasias da íris; Microscopia; Ultra-sonografia
Arq. Bras. Oftalmol. 2010;73 (2 )
:155-160
| DOI: 10.1590/S0004-27492010000200011
Abstract
OBJETIVO: Investigar, através de imagens de biomicroscopia ultrassônica, a presença de configuração da íris em platô em olhos com seio camerular estreito em portadores de glaucoma primário de ângulo aberto e em olhos com fechamento angular primário agudo. Avaliar as características biométricas nestes olhos, comparando-os a olhos normais. MÉTODOS: As imagens de biomicroscopia ultrassônica foram analisadas retrospectivamente, sendo que 196 pacientes eram portadores de glaucoma primário de ângulo aberto e 32 pacientes eram portadores de fechamento angular primário agudo. O critério de inclusão para configuração da íris em platô baseado em imagens de biomicroscopia ultrassônica foi definido pela presença de corpo ciliar posicionado anteriormente, íris acentuadamente angulada em seu ponto de inserção seguida de uma angulação descendente a partir da parede corneoescleral, íris central plana e sulco ciliar ausente (configuração da íris em platô completa) ou parcialmente ausente (configuração da íris em platô incompleta). Os parâmetros biométricos medidos pela biomicroscopia ultrassônica foram comparados entre os olhos com configuração da íris em platô completa e incompleta. Os mesmos parâmetros de ambos os grupos foram comparados com os de olhos normais. Foram medidos: profundidade central da câmara anterior; a distância da abertura do ângulo a 500 µm do esporão escleral; a espessura da íris a 500 µm do esporão escleral; a distância íris-processo ciliar, a distância faixa trabecular-processo ciliar e a área de recesso angular. RESULTADOS: A configuração da íris em platô foi encontrada em 33 olhos de 20 pacientes portadores de glaucoma primário de ângulo aberto (10,2% de um total de 196) e 4 olhos de 2 pacientes portadores de fechamento angular primário agudo (6,3% de um total de 32). Dezessete (77,3%) eram do sexo feminino e 5 (22,7%) do sexo masculino. Dos 37 olhos, 23 (62,2%) apresentaram configuração da íris em platô completa e 14 (37,8%) apresentaram configuração da íris em platô incompleta. Olhos com configuração da íris em platô completa e incompleta apresentaram características biométricas muito similares exceto para a distância íris-processo ciliar. Olhos com configuração da íris em platô possuem características biométricas completamente diferentes das de olhos normais exceto a espessura da íris a 500 µm do esporão escleral. CONCLUSÕES: A configuração da íris em platô esteve presente em 10,2% dos pacientes portadores de glaucoma primário de ângulo aberto e em 6,3% dos pacientes portadores de fechamento angular primário agudo. Entre a configuração da íris em platô completa e incompleta, foi encontrada diferença estatisticamente significativa apenas na distância íris-processo ciliar. Quando comparados olhos normais e olhos com configuração da íris em platô, todos os parâmetros apresentaram diferenças altamente significativas, à exceção de espessura da íris a 500 µm do esporão escleral.
Keywords: Glaucoma de ângulo fechado; Câmara anterior; Gonioscopia; Doenças da íris