Arq. Bras. Oftalmol. 2006;69 (6 )
:857-863
| DOI: 10.1590/S0004-27492006000600014
Abstract
OBJETIVO: O objetivo deste estudo é descrever o traçado eletrorretinográfico no gambá sul-americano (Didelphis aurita) obtido com estímulo cromático de comprimento de onda seletivo. O eletrorretinograma é o registro das variações de voltagem nas células retinianas, desencadeadas por estímulo luminoso. O eletrorretinograma representa a atividade elétrica combinada de diferentes células, e sofre variações dependendo da fisiologia retiniana e do método de exame. MÉTODOS: Foram registrados os eletrorretinogramas de seis animais em adaptação ao escuro utilizando filtros cromáticos Kodak Wratten®, e registrada a sensibilidade espectral para comprimentos de onda específicos nas faixas de cores do azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. RESULTADOS: Os resultados eletrorretinográficos mais consistentes foram obtidos quando o animal foi estimulado por faixas espectrais seletivas, ao invés de luz branca; e são consistentes com a curva de absorbância das opsinas descritas em fotorreceptores de marsupiais. Estudos prévios sugeriram a tricromacia dos marsupiais por microespectrofotometria de opsinas e imuno-histoquímica de retina. Esse fundamento morfológico não tinha demonstração fisiológica eletrorretinográfica, até este estudo. CONCLUSÃO: O gambá sul-americano tem se mostrado interessante como animal experimental no estudo comparativo da fisiologia visual em mamíferos, especialmente no estudo filogenético da visão cromática. Os marsupiais apresentam um modelo retiniano que superpõe os sistemas fotópico e escotópico; e o gênero Didelphis conserva características encontradas em fósseis do período pleoceno. Portanto, o sistema visual de um marsupial resgata características dos primórdios da evolução dos mamíferos, até o desenvolvimento dos padrões retinianos modernos.
Keywords: Percepção de cores; Retina; Eletrorretinografia; Opsina
Arq. Bras. Oftalmol. 2007;70 (3 )
:471-479
| DOI: 10.1590/S0004-27492007000300015
Abstract
OBJETIVO: Avaliar e correlacionar os picos e a flutuação da pressão intra-ocular verificados na associação da curva ambulatorial com o teste de sobrecarga hídrica com os picos e a flutuação verificados na curva diária de pressão intra-ocular. MÉTODOS: A amostra foi constituída de 77 olhos de 77 pacientes divididos em três grupos compostos por 31 olhos de 31 pacientes portadores de glaucoma primário de ângulo aberto, 26 olhos de 26 pacientes com glaucoma de pressão normal e 20 olhos normais de 20 indivíduos. RESULTADOS: Houve correlação significativa entre os picos de pressão obtidos na curva diária de pressão intra-ocular e os picos de pressão verificados na curva ambulatorial, no teste de sobrecarga hídrica e na associação da curva ambulatorial com o teste de sobrecarga hídrica. O procedimento em que os picos de pressão apresentaram maior correlação com os picos da curva diária de pressão intra-ocular foi a curva ambulatorial (r²= 0,81), embora não tenha havido diferença estatisticamente significativa com os coeficientes de correlação verificados nos outros métodos. A correlação entre a flutuação da pressão intra-ocular obtida na associação da curva ambulatorial com o teste de sobrecarga hídrica e a flutuação da pressão verificada na curva diária de pressão intra-ocular apresentou uma fraca associação (r²= 0,21). CONCLUSÃO: A associação da curva ambulatorial com o teste de sobrecarga hídrica não se mostrou eficaz para predizer os picos e a flutuação da curva diária de pressão intra-ocular. A curva ambulatorial e o teste de sobrecarga hídrica, devem ser analisados separadamente. O procedimento mais eficaz em prever o pico e a flutuação da pressão da curva diária de pressão intra-ocular foi a curva ambulatorial.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Pressão intra-ocular; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Tonometria ocular; Estudo comparativo
Arq. Bras. Oftalmol. 2008;71 (1 )
:118-121
| DOI: 10.1590/S0004-27492008000100026
Abstract
Os autores descrevem pela primeira vez no país um caso de criança do sexo feminino, com 10 anos de idade, atendida no ambulatório de Oftalmologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho - UFRJ, portadora da síndrome de Leigh, que faz parte de um grupo de enfermidades metabólicas conhecidas como encefalomiopatias mitocondriais. É doença hereditária transmitida por diferentes modos de herança: mitocondrial, autossômica recessiva e recessiva ligada ao X. O início das manifestações clínicas é variado, ocorrendo em geral, dentro dos primeiros dois anos de vida, com evolução insidiosa, progressiva e com períodos de exacerbações. O diagnóstico é difícil pelo pleomorfismo de sua apresentação, sendo baseado nos achados clínicos e estudos complementares relacionados à deficiência na produção mitocondrial de ATP e da citocromo C oxidase. Como não há tratamento específico, este é baseado em medidas paliativas, portanto a identificação desta síndrome é importante como diagnóstico correto permitindo condutas adequadas à melhor qualidade de vida de seus portadores.
Keywords: Doença de Leigh; Encefalomiopatias mitocondriais; Doenças metabólicas; Mitocôndria; Citocromos C; Relatos de casos
Arq. Bras. Oftalmol. 2008;71 (3 )
:446-458
| DOI: 10.1590/S0004-27492008000300029
Abstract
Os objetivos deste estudo são: informar os oftalmologistas sobre as diferenças existentes entre as listas em língua inglesa e portuguesa de termos equivalentes para as estruturas do olho, ambas aprovadas pela Comissão Federativa Internacional de Terminologia Anatômica; apresentar os termos anatômicos incluídos na lista de descritores publicada pela Biblioteca Nacional de Medicina Norte-Americana e traduzida pela Biblioteca Regional de Medicina (BIREME); para propor uma lista em português de termos de uso comum pelos oftalmologistas.
Keywords: Terminologia; Anatomia; Olho; Oftalmologia; Descritores em medicina; Epônimos; História da medicina
Arq. Bras. Oftalmol. 2011;74 (1 )
:37-43
| DOI: 10.1590/S0004-27492011000100009
Abstract
OBJETIVOS: Padronizar e validar a técnica de realização do eletrovisuograma axonal (EVA), definir seus valores normativos e caracterizar os achados em indivíduos normais. MÉTODOS: Estudo descritivo com 140 indivíduos (280 olhos) normais. Os participantes foram divididos em sete grupos de acordo com a idade, cada qual com 10 indivíduos do sexo masculino e 10 do sexo feminino. Definiu-se como técnica de exame a estimulação monocular por flash luminoso com intensidade de 0 dB na cúpula de Ganzfeld a uma frequência de 1,4 Hz. Foram utilizados eletrodos com cúpula de ouro e foram analisados os traçados elétricos obtidos após rejeição de artefatos. Para cada amplitude e tempo de culminação foram calculados a média, a mediana, o desvio-padrão, os valores mínimo e máximo e o intervalo de confiança de 95% representando uma faixa de normalidade para os valores. RESULTADOS: A técnica de exame padronizada foi a estimulação visual monocular por flash em condições mesópicas. O traçado normal do eletrovisuograma axonal consistiu numa onda positiva inicial (P1, com amplitude média de 2,0 mV e tempo de culminação médio de 23,1 ms) seguida de uma onda negativa (N1, com amplitude média de -3,9 mV e tempo de culminação médio de 41,4 ms). Não foram observadas diferenças significativas entre os sexos e entre os olhos direito e esquerdo, mas os tempos de culminação de P1 e de N1 aumentaram proporcionalmente com a idade. CONCLUSÕES: O eletrovisuograma axonal é um exame de potencial visual evocado pré-quiasmático, capaz de registrar de forma confiável e reprodutível a atividade elétrica do nervo óptico e da retina interna, podendo ser utilizado na propedêutica eletrofisiológica na investigação de lesões neurorretinianas.
Keywords: Eletrofisiologia; Eletrorretinografia; Potenciais evocados visuais; Nervo óptico; Estimulação luminosa; Eletrodiagnóstico; Retina