Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (6 )
:1-5
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0481
Abstract
Objetivos: A pandemia de COVID-19 foi iniciada em março de 2020 e mudou o sistema de saúde. Mudanças na alocação de recursos, sobrecarga de unidades de terapia intensiva, apreensão dos pacientes em procurar atendimento médico não relacionado ao COVID-19 e redução abrupta de todas as consultas e cirurgias não urgentes. Este estudo avalia o impacto em um pronto-socorro oftalmológico após 1 ano de pandemia, avaliando a correlação entre as fases de lockdown, a mortalidade do COVID-19 e as visitas ao pronto-socorro.
Métodos: Estudo observacional retrospectivo que incluiu todos os pacientes admitidos no serviço de emergência oftalmológica do Hospital São Paulo, vinculado a UNIFESP/EPM, entre 1º de janeiro de 2019 e 28 de março de 2021. As visitas foram classificadas e comparadas em um grupo pré-pandemia e pandemia.
Resultados: No período pré-pandemia, o hospital registrou um total de 71.485 atendimentos com média de 194,78 ± 49,74 atendimentos diários, e no grupo pandemia, um total de 41.791 com média de 114,18 ± 43,12 atendimentos diários, redução de 41,4%. Uma diminuição significativa de 16,4% (p<0,001) foi observada na prevalência de conjuntivite aguda e um aumento significativo de 6,4% (p<0,01) na prevalência de corpo estranho da córnea. Foi identificada uma correlação negativa entre a taxa de mortalidade do COVID-19 e as taxas de visita ao pronto-socorro.
Conclusão: Esta análise de um ano mostrou uma redução de 41,4% nas visitas ao pronto-socorro, e uma diminuição significativa nas conjuntivites agudas. A mudança nos hábitos de higiene e o distanciamento social poderiam explicar essa redução, e o aumento da prevalência de traumas corneanos. Achados destacam a necessidade de medidas preventivas e educativas durante os períodos restritivos.
Keywords: SARS-CoV-2; COVID-19; Infecções por coronavírus; Pandemias; Serviços médicos de emergência; Trauma ocular.
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (4 )
:322-329
| DOI: 10.5935/0004-2749.20230058
Abstract
Introdução: Os oftalmologistas têm alto risco de contrair a doença do Coronavírus-19 devido à proximidade com os pacientes durante os exames com lâmpada de fenda. Usamos um modelo de computação para avaliar a eficácia das proteções para lâmpadas de fenda e propusemos uma nova proteção ergonomicamente projetada.
Métodos: As simulações foram realizadas no software comercial Star-CCM +. Os aerossóis de gotículas foram considerados 100% de água em fração de volume com distribuição de diâmetro de partícula representada por uma média geométrica de 74,4 ± 1,5 (desvio padrão) μm ao longo de uma duração de quatro minutos. A massa total de gotículas de água acumulada no manequim e a massa expelida pela boca do paciente foram medidas em três condições diferentes: 1) Sem protetor de lâmpada de fenda, 2) com protetor padrão, 3) Com o novo protetor proposto.
Resultados: A massa total acumulada das gotas de água (kg) e a porcentagem da massa expelida acumulada no escudo para cada uma das respectivas condições foram; 1) 5,84e-10 kg (28% do peso total da partícula emitida que assentou no manequim), 2) 9,14e-13 kg (0,045%), 3,19e-13 (0,015%). O escudo padrão foi capaz de proteger 99,83% das partículas que, de outra forma, teriam se depositado no manequim, o que é semelhante a 99,95% para o projeto proposto.
Conclusão: Protetores com lâmpada de fenda são ferramentas eficazes de controle de infecção contra gotículas respiratórias. O protetor proposto mostrou eficácia comparável em comparação com os protetores de lâmpada de fenda convencionais, mas potencialmente oferece uma melhor ergonomia para oftalmologistas durante o exame de lâmpada de fenda.
Keywords: Oftalmologistas; Infeções por coronavírus/prevenção & controle; Pandemias; Gotículas lipídicas; SARS-CoV-2; Lâmpada de fenda; Simulação por computador; Equipamentos de proteção; Desenho de equipamento.
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (5 )
:454-461
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210071
Abstract
Objetivo: Comparar a estrutura da córnea e as alterações morfológicas endoteliais após cirurgia de catarata por facoemulsificação sem intercorrências entre pacientes com diabetes mellitus tipo 2 e não diabéticos; e determinar quais fatores pré e intra-operatórios relacionados com a maior redução da densidade celular endotelial.
Métodos: Quarenta e cinco diabéticos (45 olhos) e 43 (43 olhos) controlos com catarata relacionada à idade foram incluídos neste estudo observacional prospectivo. Os parâmetros da córnea (espessura e volume) e do segmento anterior foram medidos pela tomografia Scheimpflug; a densidade e morfologia celular endotelial (coeficiente de variação do tamanho das células, células hexagonais) foram registrados usando microscopia especular não contato. Os pacientes foram avaliados no pré-operatório, 1 e 6 meses após a cirurgia. Foi realizada uma análise de regressão linear uni e multivariada para avaliar a relação entre os parâmetros demográficos, clínicos, oculares e intra-operatórios com a redução da densidade celular endotelial aos 6 meses.
Resultados: Nos dois grupos houve uma perda significativa de células endoteliais ao 1º mês pós-operatório (p<0,001), que permaneceu estável até ao 6º mês; sem diferenças estatisticas entre os grupos diabetes mellitus e não diabetes mellitus em qualquer avaliação. A espessura média da córnea no pós-operatório central aos 1 e 6 meses não mudou significativamente em relação ao valor médio pré-operatório nos dois grupos (p>0.05). A análise de regressão multivariada linear mostrou que a idade avançada (p=0.042) e os graus mais elevados de catarata (p=0.001) foram significativamente associados à maior redução densidade celular endotelial aos 6 meses de seguimento.
Conclusão: Este estudo mostrou que a idade avançada e as cataratas mais densas podem predispor a uma maior redução densidade celular endotelial após a cirurgia de catarata. Outros fatores, como diabetes mellitus e parâmetros pré-operatórios do segmento anterior, não influenciaram significativamente as alterações pós-operatórias da densidade celular endotelial.
Keywords: Catarata; Facoemulsificação; Diabetes mellitus tipo 2; Retinopatia diabética; Epitélio posterior; Paquimetria corneana; Perda de células endoteliais da córnea
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (6 )
:1-8
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0419
Abstract
Objetivo: Investigar sintomas oculares subjetivos e medir a secreção lacrimal objetivamente em pacientes com diagnóstico confirmado da doença coronavírus 2019 (COVID-19).
Métodos: Vinte e quatro pacientes que sobreviveram à infecção pela COVID-19 e 27 controles saudáveis foram incluídos neste estudo transversal prospectivo. Citologia de impressão da conjuntiva, teste de Schirmer, tempo de separação do filme lacrimal, pontuações de coloração da córnea foram aplicados a todos os participantes.
Resultados: Concluiu-se que não houve diferença significativa em relação ao gênero e idade média entre os dois grupos (p=0,484 e p=0,599, respectivamente). A análise dos resultados da citologia de impressão da conjuntiva revelou que a densidade das células do cálice diminuiu, enquanto os linfócitos e neutrófilos aumentaram nos pacientes do grupo COVID-19 quando comparados com os do grupo controle. Quando a classificação de Nelson foi aplicada às amostras de citologia de impressão da conjuntiva, determinou-se que 25% dos pacientes do grupo COVID-19 e 14,8% dos pacientes do grupo controle apresentaram alterações consistentes com grau 2 ou superior. O tempo médio de separação do filme lacrimal, teste de Schirmer e os resultados das pontuações de coloração da córnea foram determinados, diferindo entre o grupo COVID-19 e o grupo controle (p=0,02, p<0,001, and p=0,003, respectivamente).
Conclusões: As análises realizadas neste estudo revelaram as alterações conjuntivais patológicas de pacientes com diagnóstico confirmado de COVID-19 e mostraram que é possível que alterações patológicas da superfície ocular ocorram mesmo no final da infecção pela COVID-19, sem a ocorrência de manifestações oculares clínicas significativas.
Keywords: Infecções por coronavirus; COVID-19; SARS-CoV-2; Manifestações oculares; Lágrimas.
Arq. Bras. Oftalmol. 2025;88 (4 )
:1-6
| DOI: 10.5935/0004-2749.2024-0236
Abstract
PURPOSE: This study was conducted to report the histopathological and clinical features of the Marcus Gunn phenomenon and other similar conditions of upper eyelid misfiring.
METHODS: This was a retrospective study of patients with congenital ptosis with Marcus Gunn phenomenon who have undergone surgical repair over a period of 12 years and another two patients with upper eyelid misfiring in association with extraocular movements to identify their histopathological findings as subtypes representing ocular congenital cranial dysinnervation disorder.
RESULTS: Among 136 patients with congenital ptosis, 11 (8%) patients with Marcus Gunn phenomenon or misfiring were identified, of whom 9 (6.6%) had typical known Marcus Gunn phenomenon and 2 (1.4%) had eyelid misfiring similar to Marcus Gunn phenomenon. In all patients, the histopathological changes of the excised levator muscle included overall loss and/or atrophy of muscle fibers and irregular-modified Gomori trichrome staining.
CONCLUSION: The Marcus Gunn phenomenon and similar misfiring conditions with synkinetic extraocular muscle movements share findings that are consistent with the neurogenic type of muscle atrophy. This result suggests a common underlying etiology with variable clinical findings, representing the ocular counterpart of congenital cranial dysinnervation disorder, which has been reported as ocular congenital cranial dysinnervation disorder.
Keywords: Eyelid diseases; Ocular motility disorders/surgery; Ophthalmologic surgical procedures
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (6 )
:1-5
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0482
Abstract
OBJETIVO: Nos últimos 20 anos, o número de escolas médicas no Brasil aumentou, mas as vagas para especialização em Oftalmologia não acompanharam a demanda crescente. Este estudo quer estimar a demanda por especialização e avaliar a oferta de oportunidades de aprendizado em Oftalmologia.
MÉTODOS: Estudo epidemiológico com pesquisa em banco de dados provenientes do Ministério da Educação e Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Estes dados foram checados através de 120 editais publicados pelos serviços de Residência em 2021.
RESULTADOS: De 2002 a 2021, o número de vagas em faculdades de Medicina aumentou 370%, enquanto o número de vagas certificadas de especialização em Oftalmologia aumentou 64%. Houve um desalinhamento de 11.4% entre os dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e do Ministério da Educação.
CONCLUSÃO: A proporção de graduados em Medicina aumentou muito mais do que a oferta de oportunidades de especialização em Oftalmologia, o impacto disto na busca por vagas de especialização não acreditadas é desconhecido, políticas de monitoramento das vagas de especialização em Oftalmologia devem ser estabelecidas.
Keywords: Oftalmologia; Ensino; Educação médica; Especialização
Arq. Bras. Oftalmol. 2025;88 (3 )
:1-6
| DOI: 10.5935/0004-2749.2024-0112
Abstract
PURPOSE: To describe the ophthalmological findings of dry eye disease and its relation to the quality of life of COVID-19 survivors.
METHODS: COVID-19 survivors who had previously been hospitalized at Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto complex underwent an ophthalmological evaluation, which included a dry eye disease questionnaire, break-up time, fluorescein staining, and Schirmer test. We collected the presenting and best-corrected visual acuity, sociodemographic data, personal medical history, and scores from a self-reported quality of life questionnaire (WHOQOL-bref). According to the severity of the acute phase of the disease, the patients were classified into mild-to-moderate, severe, and critical groups.
RESULTS: Ninety-five patients (190 eyes) were evaluated 100 ± 44 days after the onset of COVID-19 symptoms. Of these, 83 patients (87.3%) completed the WHOQOL-bref questionnaire. Ten patients (12.0%) had mild-to-moderate COVID-19, 41 (49.4%) had severe COVID-19, and 32 (38.6%) had critical COVID-19. The median best-corrected visual acuity was logMAR 0 (0-1). Approximately 26.3% patients had a history of dry eye disease or severe dry eye symptoms (frequent or constant ocular dryness and irritation). There was an association between the proportion of patients with dry eye disease and the quality of life (p=0.014) and health (p=0.001). Furthermore, there was a significant trend between the proportion of patients with dry eye disease and how they rated their health and quality of life (p=0.0004 and 0.0027, respectively.
CONCLUSIONS: There is a significant negative correlation between the proportion of patients with dry eye disease and their self-reported quality of life.
Keywords: COVID-19; Coronavirus infections; SARS-CoV-2; Eye diseases; Epidemiology; Ocular surface; Public health