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Search for: Eye injuries; Blindness/prevention & control; United Sates/epidemiology
Abstract
Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico dos casos de evisceração e enucleação no pronto-socorro oftalmológico de um hospital terciário brasileiro.
Métodos: Análise retrospectiva dos casos tratados no pronto-socorro oftalmológico do Hospital São Paulo (Universidade Federal de São Paulo) entre os anos de 2013 a 2018. Os casos urgentes de evisceração e enucleação foram incluídos e os casos eletivos foram excluídos. A análise dos prontuários médicos foi baseada em: dados demográficos, causas imediatas e associadas ao procedimento, acuidade visual informada, duração dos sintomas antes do atendimento oftalmológico, complicações, distância da residência até o hospital e tempo de hospitalização.
Resultados: 61 enucleações e 121 eviscerações foram incluídas no estudo. Os pacientes tinham uma média de idade de 63,27 ± 18,68 anos; 99 eram do sexo masculino (54,50%) e 83 do sexo feminino (45,60%). As indicações de evisceração e enucleação foram: perfuração corneana com (44,50%) e sem (23,63%) sinais infecciosos, endoftalmite (15,38%), trauma ocular (14,29%), neoplasia (0,55%), queimadura (1,10%) e phthisis bulbi (0,55%). A acuidade visual informada foi de ausência de percepção luminosa (87,36%), percepção luminosa (1.10%), ausência de colaboração (3,30%) e sem dados informados (8,24%). A média de tempo até a busca pelo serviço oftalmológico foi de 18,32 dias. Houve 2 casos de oftalmia simpática após evisceração.
Conclusões: Eviscerações foram predominantemente realizadas em comparação a enucleações em todo o período de estudo. As características demográficas mais comuns foram idade >60 anos e sexo masculino. As principais indicações para procedimentos urgentes de evisceração e enucleação foram perfuração corneana com e sem infecção, endoftalmite e trauma ocular. Este estudo poderia guiar medidas preventivas para evitar procedimentos oculares destrutivos.
Keywords: Evisceração do olho; Enucleação ocular; Úlcera da córnea/epidemiologia; Endoftalmite; Traumatismos oculares; Serviços médicos de emergência; Serviços de saúde ocular.
Abstract
Objetivos: Examinar as mudanças nos olhos após a aplicação com compressa fria.
Método: Sessenta e dois olhos de 62 adultos saudáveis foram incluídos neste estudo transversal e comparativo. A espessura da coróide subfoveal e a espessura da fibra nervosa retiniana foram mensuradas por tomografia de coerência óptica de domínio espectral (OCT). A espessura central da córnea, o volume e a profundidade do segmento anterior, o ângulo iridocorneano e o diâmetro da pupila foram mensurados por meio do método de imagem do segmento anterior de Scheimpflug. As medições foram repetidas após 10 minutos de aplicação de compressas frias, aplicadas com embalagens especiais. Os procedimentos foram repetidos com embalagens não frias para excluir o efeito da pressão.
Resultados: A média de idade dos participantes foi de 30,74 ± 5,82 anos. Embora não tenha havido alteração significativa na espessura central da córnea após a aplicação da compressa fria, houve diminuição significativa no volume do segmento anterior (p<0,001), na profundidade do segmento anterior (p<0,001) e no diâmetro da pupila. Além disso, o ângulo iridocorneano aumentou (p=0,002). A espessura da coróide subfoveal diminuiu após a aplicação da compressa fria (p<0,001). A espessura total do disco (p=0,034) e a escala nasal superior (p=0,007) diminuíram significativamente após a administração da compressa fria durante a avaliação da espessura da fibra do nervo óptico. Ao contrário da aplicação com compressa fria, a espessura da coróide subfoveal e a espessura da fibra do nervo óptico não mudaram após a aplicação da compressa não fria (p>0,05).
Conclusão: A aplicação de compressa fria pode causar algumas alterações fisiológicas nos olhos e o seu uso e efeitos devem ser observados.
Keywords: Glaucoma; Traumatismo do nervo óptico; Traumastismo ocular; Vasoconstrição; Crioterapia/instrumentação; Tomografia de coerência óptica
Abstract
Introdução: Os oftalmologistas têm alto risco de contrair a doença do Coronavírus-19 devido à proximidade com os pacientes durante os exames com lâmpada de fenda. Usamos um modelo de computação para avaliar a eficácia das proteções para lâmpadas de fenda e propusemos uma nova proteção ergonomicamente projetada.
Métodos: As simulações foram realizadas no software comercial Star-CCM +. Os aerossóis de gotículas foram considerados 100% de água em fração de volume com distribuição de diâmetro de partícula representada por uma média geométrica de 74,4 ± 1,5 (desvio padrão) μm ao longo de uma duração de quatro minutos. A massa total de gotículas de água acumulada no manequim e a massa expelida pela boca do paciente foram medidas em três condições diferentes: 1) Sem protetor de lâmpada de fenda, 2) com protetor padrão, 3) Com o novo protetor proposto.
Resultados: A massa total acumulada das gotas de água (kg) e a porcentagem da massa expelida acumulada no escudo para cada uma das respectivas condições foram; 1) 5,84e-10 kg (28% do peso total da partícula emitida que assentou no manequim), 2) 9,14e-13 kg (0,045%), 3,19e-13 (0,015%). O escudo padrão foi capaz de proteger 99,83% das partículas que, de outra forma, teriam se depositado no manequim, o que é semelhante a 99,95% para o projeto proposto.
Conclusão: Protetores com lâmpada de fenda são ferramentas eficazes de controle de infecção contra gotículas respiratórias. O protetor proposto mostrou eficácia comparável em comparação com os protetores de lâmpada de fenda convencionais, mas potencialmente oferece uma melhor ergonomia para oftalmologistas durante o exame de lâmpada de fenda.
Keywords: Oftalmologistas; Infeções por coronavírus/prevenção & controle; Pandemias; Gotículas lipídicas; SARS-CoV-2; Lâmpada de fenda; Simulação por computador; Equipamentos de proteção; Desenho de equipamento.
Abstract
PURPOSE: Glaucoma is one of the leading causes of irreversible blindness worldwide. When topical hypotensive agents or laser trabeculoplasty fail to adequately control the disease, escalation of therapy becomes necessary, with transscleral cyclophotocoagulation being one of the available options. Several variations of transscleral cyclophotocoagulation exist, including traditional continuous wave, MicroPulse, and slow-coagulation techniques. We propose a novel variation – custom slow-coagulation transscleral cyclophotocoagulation – which combines elements of both continuous wave and slow-coagulation approaches. This study aimed to evaluate the outcomes of this technique in patients with refractory glaucoma.
METHODS: This retrospective, interventional study included 104 eyes of 83 patients with refractory glaucoma who underwent custom slow-coagulation transscleral cyclophotocoagulation. Changes in intraocular pressure, visual acuity, the number of glaucoma medications, and postoperative complications were analyzed. A paired t test was used to compare changes in intraocular pressure and visual acuity, while the Wilcoxon signed-rank test was applied to categorical variables. Success rates following custom slow-coagulation transscleral cyclophotocoagulation were estimated using Kaplan–Meier survival analysis.
RESULTS: Mean intraocular pressure decreased significantly from 38.9 ± 15.8 mmHg at baseline to 16.3 ± 9.9 mmHg at Month 12 (p<0.001). The mean number of glaucoma medications also decreased significantly from 3.6 ± 0.6 to 1.8 ± 1.4 (p<0.001). No significant reduction in mean visual acuity was observed during follow-up.
CONCLUSIONS: Custom slow-coagulation transscleral cyclophotocoagulation effectively reduced baseline intraocular pressure and the number of glaucoma medications, with a low rate of complications and no decline in visual acuity over a 12-month follow-up period. This novel technique demonstrated a high safety profile in a Hispanic population and represents a low-cost, minimally invasive procedure with rapid recovery and promising efficacy in intraocular pressure control.
Keywords: Glaucoma/surgery; Sclera; Filtering surgery; Laser coagulation/methods; Lasers, semiconductor/therapeutic use; Intraocular pressure; Blindness/prevention & control; Vision, low/epidemiology; Visual acuity
Abstract
PURPOSE: To report the ophthalmological signs, symptoms, and clinical management observed during an unprecedented outbreak of chemical ocular injuries related to cosmetic hair ointments in Brazil.
METHODS: This descriptive, cross-sectional study reviewed medical records of patients treated at the emergency center of Fundação Altino Ventura for chemical ocular trauma associated with cosmetic hair ointment use between February 2022 and February 2023. Records with incomplete medical information were excluded.
RESULTS: The study included 168 patients (95.2% [n=160] female), with a mean age of 30.8 ± 9.7 years. The most frequently reported symptoms at presentation were pain (167/168, 99.4%) and photophobia (92/168, 54.8%). Severe pain was reported by 137 patients (80%). Keratitis was present in 280 of 336 eyes (83.3%), conjunctival hyperemia in 256 eyes (76.4%), and corneal abrasions in 174 eyes (51.8%). A decrease in visual acuity (worse than 20/25) was documented in 18.5% (31/168) of cases. Lubricants, antibiotics, and re-epithelialization
ointments were prescribed to 64.8% (109/168) of the patients. Topical corticosteroids and oral vitamin C were administered to 34% (57/168) and 1.2% (2/168) of patients, respectively. Followup visits were required in 19% (33/168) of cases.
CONCLUSION: The outbreak of chemical ocular injuries linked to cosmetic ointments used for braiding and hair modeling in Brazil was marked by intense ocular pain, conjunctival hyperemia, keratitis, and corneal abrasions. Most patients were treated with lubricants, antibiotics, and re-epithelialization ointments, although approximately one-fifth required followup care, and one-third received additional treatment with either topical corticosteroids and/or oral vitamin C.
Keywords: Cosmetics; Hair preparations; Eye injuries; Burns, chemical; Eye burns; Keratitis; Cornea; Corneal diseases; Visual low.
Abstract
Objetivo: Determinar o impacto do uso de unidade móvel no acesso à saúde ocular e avaliar o perfil da população que necessita de cuidados oftalmológicos, as doenças oculares mais frequentes e o tratamento. Métodos: Estudo transversal realizado em 14 municípios da região sudoeste do Estado de São Paulo utilizando uma unidade móvel oftalmológica. Os participantes eram usuários do Sistema Único de Saúde que procuraram atendimento oftalmológico, sem restrição quanto a idade, gênero ou condição socioeconômica. Os dados foram transferidos para a tabela Excel para análise estatística. Resultados: Participaram do estudo 6.878 pessoas, com média de idade de 44 anos (variação de 4 meses a 96 anos) e 65,5% eram mulheres. Erros refrativos estavam presentes em 78,6% dos participantes, catarata em 9,6% e pterígio em 8,3%. Para 60% foram prescritos óculos, para 10% foi mantida a correção óptica em uso e para 28% foram necessárias apenas orientações. Exames especializados ou procedimentos cirúrgicos foram indicados para 18,1% dos casos que foram encaminhados para tratamento em serviço terciário. Dentre os pacientes referenciados, 36,4% necessitavam de cirurgia oculoplástica ou para tratar afecções externas do olho e 31,8%, de cirurgia de catarata. Conclusão: A grande maioria dos pacientes que procurou atendimento na unidade móvel necessitava de prescrição de óculos. A unidade móvel oftalmológica possui alto grau de resolutividade para os problemas oculares, com oportunidade de tratar os erros refrativos e referenciar os pacientes que necessitam de atendimento especializado, geralmente relacionado a condições cirúrgicas. Unidades móveis podem ser uma alternativa aos cuidados oftalmológicos básicos, melhorando o acesso, atuando na promoção da saúde ocular e prevenindo a cegueira.
Keywords: Unidades móveis de saúde; Saúde ocular; Transtornos da visão; Erros de refração; Óculos; Cegueira/prevenção & controle
Abstract
Objetivo: Comparar a acuidade visual prevista pelo Escore de Trauma Ocular com a acuidade visual final dos pacientes vítimas de trauma ocular aberto atendidos em hospital no sul do Brasil.
Métodos: Foram analisados 120 olhos de 119 vítimas de trauma ocular aberto. Foi realizado um estudo observacional e retrospectivo em hospital universitário. Foram extraídos dados de prontuários relacionados a idade, sexo, olho acometido e mecanismo de trauma, bem como dados para o cálculo do Escore de Trauma Ocular (acuidade visual inicial, presença de ruptura de globo, perfuração, endoftalmite, descolamento de retina, defeito pupilar aferente) e acuidade visual final.
Resultado: Houve concordância entre a acuidade visual prevista pelo Escore de Trauma Ocular e a acuidade visual final prevista no presente estudo. A análise isolada das variáveis demonstrou significância para acuidade visual inicial (p<0,001), para descolamento de retina (p=0,001) e para defeito pupilar aferente (p<0,004). Não houve diferença significativa entre a acuidade visual final do estudo original do Escore de Trauma Ocular. e na população abordada no presente estudo.
Conclusão: O Escore de Trauma Ocular pode ser aplicado à população estudada no presente estudo como ferramenta de determinação do prognóstico visual em vítimas de trauma ocular aberto. As variáveis mais significativas são acuidade visual inicial, descolamento de retina e defeito pupilar aferente. Estudos prospectivos com amostras maiores são necessários para comprovar tal hipótese.
Keywords: Índices de gravidade do trauma; Acuidade visual; Traumatismos oculares; Prognóstico
Abstract
Objetivo: Uma das desvantagens mais importantes do uso de stents Mini Monoka no reparo de lacerações canaliculares pediátricas é a perda prematura do stent. Neste estudo, objetivamos comparar os resultados clínicos dos stents monocanaliculares Mini Monoka e Masterka em crianças e discutir as possíveis causas da perda prematura do stent.
Métodos: Foram incluídos nesta revisão retrospectiva 36 pacientes <18 anos de idade que se submeteram ao reparo cirúrgico de uma laceração canalicular com um stent Mini Monoka ou Masterka e tiveram pelo menos 6 meses de acompanhamento após a remoção do stent. Foram analisados os dados demográficos, o mecanismo da lesão, o tipo de stent utilizado, a ocorrência de perda prematura de stent e o sucesso da intervenção. O sucesso foi definido como a ausência de epífora após a remoção do stent, sem a perda prematura deste.
Resultados: Vinte e sete pacientes preencheram os critérios do presente estudo e foram incluídos nas análises. O stent Mini Monoka foi usado em 14 pacientes (51,9%), enquanto o Masterka foi usado em 13 pacientes (48,1%). As características clínicas pré-operatórias, incluindo idade, sexo e mecanismo de lesão, foram semelhantes entre os dois grupos. A média de idade foi de 8,3 ± 5,5 anos no grupo Mini Monoka e de 7,8 ± 5,9 anos no grupo Masterka (p=0,61). Três pacientes do grupo Mini-Monoka (21,4%) tiveram que ser operados novamente por perda prematura do stent. Nenhuma perda prematura do stent foi observada no grupo Masterka. Como resultado, a taxa de sucesso foi de 78,6% no grupo Mini Monoka e de 100% no grupo Masterka (p=0,22).
Conclusões: Embora nenhuma diferença estatisticamente significativa tenha sido detectada entre os dois grupos em termos de taxas de sucesso, não observamos nenhuma perda prematura de stent no grupo Masterka. São necessários mais estudos, com séries maiores e randomizadas, para chegar a maiores conclusões sobre esses achados.
Keywords: Traumatismos oculares; Aparelho lacrimal/lesões; Ducto nasolacrimal; Lacerações; Stents; Microcirurgia; Intubação/métodos; Laceração canalicular; Criança; Estudo comparativo
Abstract
OBJETIVO: Os Estados Unidos têm a maior taxa de posse de armas de fogo de todos os países de alta renda e essas armas foram identificados como uma das maiores causas de trauma ocular e deficiência visual. O objetivo deste estudo foi caracterizar as lesões oculares associadas a armas de fogo e identificar grupos de risco.
MÉTODOS: Foram identificados pacientes hospitalizados com lesões oculares associadas a armas de fogo no período de 2008 a 2014, a partir do Banco de Dados Nacional de Trauma (National Trauma Data Bank), usando os códigos de diagnósticos da CID9MC e códigos “E” para causas externas. A análise estatística foi efetuada usando o programa SPSS. O nível de significância considerado foi de p<0,05.
RESULTADOS: De um total de 235.254 pacientes hospitalizados com trauma associado a armas de fogo, 8.715 (3,7%) tinham lesões oculares. A média de idade foi de 33,8 (DP 16,9) anos. A maioria foi de homens (85,7%), brancos (46,6%) e da região Sul (42,9%); 35% dos pacientes eram negros. As lesões mais comuns foram fraturas de órbita (38,6%) e lesões de globo aberto (34,7%). Os locais mais frequentes foram a residência (43,8%) e a rua (21,4%). Pacientes negros tiveram maior probabilidade de sofrer agressões (RP=9,0, IC 95%=8,02-10,11; p<0,001) e da ocorrência ser na rua (RP=3,05, IC 95%=2,74-3,39; p<0,001), enquanto pacientes brancos tiveram maior probabilidade de lesões autoprovocadas (RP=10,53, IC 95%=9,39-11,81; p<0,001) e da ocorrência ser na residência (RP=3,64, IC 95%=3,33-3,98; p<0,001). A probabilidade de lesões autoprovocadas aumentou com a idade de forma consistente, atingindo o máximo em pacientes com mais de 80 anos (RP=12,01, IC 95%=7,49-19,23; p<0,001). A pontuação média na escala de coma de Glasgow foi 10 (DP 5,5) e na escala de severidade da lesão foi 18,6 (DP 13,0). A maioria das lesões (53,1%) foi classificada como severa ou muito severa. Dentre os pacientes, 64,6% tiveram lesão cerebral traumática e 16% evoluíram a óbito.
CONCLUSÃO: A maior parte das lesões oculares relacionadas a armas de fogo ocorreu em pacientes jovens, do sexo masculino, brancos e sulistas. Negros foram afetados desproporcionalmente. A maior parte das lesões oculares relacionadas a armas de fogo apresentou riscos à visão e foi associada a lesões cerebrais traumáticas. A maioria dos pacientes sobreviveu, mas com potencial para invalidez no longo prazo. As diferenças demográficas identificadas podem ser potencialmente alvos de ações preventivas.
Keywords: Traumatismos oculares; Ferimentos por armas de fogo; Banco de dados
Abstract
Objetivos: O objetivo do estudo é avaliar o perfil das visitas ao Pronto-Socorro de Oftalmologia (PS) do Hospital São Paulo, serviço público de atendimento terciário aberto 24 horas em São Paulo - Brasil, pertencente à Universidade Federal de São Paulo, nos últimos 11 anos.
Métodos: Foi realizado um estudo transversal retrospectivo, com base em todos os pacientes (n=634.726) admitidos no pronto-socorro de oftalmologia do Hospital São Paulo entre janeiro de 2009 e dezembro de 2019.
Resultados: De 2009 a 2019, houve um aumento no influxo de 39,2% com importante variação nos atendimentos ao longo dos anos, a mediana de idade foi de 38 ± 20,4 anos, o sexo masculino representou 53,3% e os pacientes únicos representaram 53,1%. Verificou-se que 79,5% das visitas ocorreram das 7h às 17h e 80,8% nos dias da semana. Os diagnósticos mais frequentes foram conjuntivite aguda seguida de blefarite, ceratite, hordéolo / calázio e corpo estranho corneano.
Conclusão: Ao longo do período de análise do estudo, houve importante aumento nas apresentações, com predominância de atendimentos não urgentes e baixa proporção de pacientes com uma única visita. Nossos resultados evidenciam o perfil das consultas oftalmológicas, podendo gerar mudanças no sistema público de saúde visando a melhoria da qualidade do atendimento e acesso às emergências oftalmológicas na cidade de São Paulo.
Keywords: Serviço hospitalar de emergência; Epidemiologia; Traumatismos oculares; Oftalmopatias.
Abstract
Objetivos: Descrever as características demográficas e clínicas das vítimas de trauma ocular por fogos de artifício atendidas nas emergências oftalmológicas de dois centros de referência em Pernambuco e identificar fatores relacionados a mau prognóstico visual.
Métodos: Avaliação retrospectiva dos prontuários de pacientes admitidos na emergência oftalmológica com história de trauma por fogos de artifício entre janeiro de 2012 e dezembro de 2018. A coleta de dados incluiu idade, gênero, procedência, mês e ano do acidente, estruturas oculares acometidas e características das lesões, além do tipo de tratamento a que os pacientes foram submetidos. Naqueles pacientes acompanhados por mais de 30 dias, analisou-se a acuidade visual final e a associação com sua procedência.
Resultados: Foram incluídos 370 olhos de 314 pacientes. Destes, 248 (79,0%) vítimas eram do sexo masculino e 160 (51,0%) da região metropolitana do Recife, com uma média de idade de 25.6 ± 18.8 anos. Em 56 (17,8%) dos casos o trauma foi bilateral. No mês de junho ocorreu um total de 152 (48,4%) casos. Os sítios mais acometidos foram pálpebras em 91 (24,6%) olhos e superfície ocular em 252 (68,1%). O tratamento cirúrgico foi necessário em 87 (23,5%) olhos. Após manejo clínico-cirúrgico, 37 (10.0%) olhos desenvolveram visão pior do que 20/400. Destes, 34 (91,9%) olhos eram de pacientes do interior do estado de Pernambuco ou de outro estado. Os pacientes provenientes do interior do estado apresentaram maior chance de desenvolver cegueira quando comparados aos que eram provenientes da região metropolitana (Odds Ratio de 5,46).
Conclusões: As vítimas de trauma ocular por fogos de artificio foram em sua maioria do sexo masculino, procedentes da região metropolitana do estado e das faixas etárias pediátrica e economicamente ativa. Aqueles provenientes do interior ou de outros estados apresentaram maior chance de desenvolver cegueira.
Keywords: Emergências; Queimaduras oculares/epidemiologia; Incêndios;Traumatismos por explosões; Substâncias explosivas
Abstract
OBJETIVO: Esse estudo tem como objetivo criar um modelo de Machine Learning por um oftalmologista sem experiência em programação utilizando auto Machine Learning predizendo influxo de pacientes em serviço de emergência e casos de trauma.
MÉTODOS: Um dataset de 366,610 visitas em Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo de 01 de janeiro de 2014 até 31 de dezembro de 2019 foi incluído no treinamento do modelo, incluindo visitas/dia e código internacional de doenças. O treinamento e predição foram realizados com o Amazon Forecast por dois oftalmologistas sem experiência com programação.
RESULTADOS: O período de previsão estimou um volume de 206,37 pacientes/dia em p90, 180,75 em p50, 140,35 em p10 e média de 7,42 casos de trauma/dia em p90, 3,99 em p50 e 0,56 em p10. Janeiro de 2020 teve um total de 6.604 pacientes e média de 206,37 pacientes/dia, 13,5% menos do que a predição em p50. O período teve um total de 199 casos de trauma e média de 6,21 casos/dia, 55,77% mais casos do que a predição em p50.
CONCLUSÃO: O desenvolvimento de modelos era restrito a cientistas de dados com experiencia em programação, porém a transferência de ensino com a tecnologia de auto Machine Learning permite o desenvolvimento de algoritmos por qualquer pessoa sem experiencia em programação. Esse estudo mostra um modelo com valores preditos próximos ao que ocorreram em janeiro de 2020. Fatores que podem ter influenciados no resultado foram feriados e tamanho do banco de dados. Esse é o primeiro estudo que aplicada auto Machine Learning em predição de visitas hospitalares com resultados próximos aos que ocorreram.
Keywords: Aprendizado de máquina; Serviço hospitalar de emergência; Traumatismos oculares; Modelos estatísticos; Algoritmos
Abstract
PURPOSE: To evaluate the changes in the rates and indications of eye removal procedures during the recent COVID-19 pandemic.
METHODS: The medical records of all patients who underwent eye removal from 2007 to 2022 were retrospectively reviewed. The patient demographic data and indications for surgery were collected. Data from two groups of patients (prepandemic surgery and postpandemic surgery) were compared. Statistical significance was set at p<0.05.
RESULTS: Fifty-nine patients underwent enucleation (69%), evisceration (27%), or exenteration (3%). The mean (SD) age of the patients was 55.9 (19.4) years, and most (69%) of the patients were males. Most (47%) of the study population were Black. The common indications for eye removal were trauma (41%), painful blind eye (34%), and infection/inflammation (24%). The types of trauma were assault (55%), accidental (39%), and self-inflicted (6%). The mean (SD) monthly rates of eye removal increased from 0.25 (0.50) in the prepandemic period to 0.77 (0.91) during the pandemic (p<0.001). These increases were noted in both males (p=0.003) and females (p=0.001) and were the highest among Black patients [0.42 (0.76); p<0.001]. Among the indications of eye removal, painful blind eyes [0.35 (0.75); p<0.001] and ocular trauma [0.31 (0.47); p=0.051] exhibited the greatest increases following the pandemic.
CONCLUSION: The rate of eye removal procedures increased during the recent pandemic. Although delayed care of chronic eye conditions may have contributed to the increased rates of painful blind eyes, the increased trauma-related eye removals may be attributed to the simultaneous spike in violent assaults in New York City.
Keywords: Eye injuries; Eye enucleation; COVID-19; Pandemics; Ethinicity; Inflammation, Trauma centers
Abstract
OBJETIVO: Descrever as características clínicas e os fatores associados à presença de ceratite em pacientes com corpos estranhos na córnea em uma população colombiana.
MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal baseado na revisão dos registros clínicos de pacientes com corpos estranhos na córnea admitidos em um departamento de emergência em Cali, Colômbia, entre junho de 2018 e junho de 2019. O desfecho primário foi a presença de ceratite diagnosticada através de critérios clínicos. Foram utilizados modelos de regressão logística univariada e multivariada para identificar os fatores associados.
RESULTADO: Neste estudo, foi analisado um total de 381 corpos estranhos na córnea em 372 pacientes (idade média: 40,0 anos, intervalo interquartil: 29,0-53,0; sexo masculino: 94,7% [352 casos]). Noventa e cinco casos desenvolveram ceratite (24,9%, intervalo de confiança de 95% — IC 95%: 20,8%-29,5%). Na análise multivariada, para idade ≤30 anos (razão de chances — RC: 2,15, IC 95%: 1,06-4,36), o achado de flare aquoso (RC: 2,81, IC 95%: 1,39-5,66]) e a presença de corpo estranho na periferia da córnea (RC: 2,05, IC 95%: 1,19-3,50) foram associados a um risco aumentado de ceratite. Sexo, tempo entre a lesão e a internação, e edema da córnea não foram relacionados à ceratite (p>0,05).
CONCLUSÃO: Há uma proporção elevada de ceratite em casos de corpos estranhos na córnea em Cali, Colômbia. Os três fatores associados à ceratite foram a idade, o achado de flare aquoso e a presença de corpo estranho na periferia da córnea.
Keywords: Corpos estranhos no olho; Lesões da córnea; Ceratite/epidemiologia; Estudos transversais; Colômbia.
Abstract
OBJETIVO: Este estudo visou avaliar os mecanismos da lesão e os tipos de fraturas orbitárias e sua relação com commotio retinae simultânea.
MÉTODOS: Este estudo retrospectivo avaliou registros de pacientes com fraturas orbitárias cujos diagnósticos foram confirmados por tomografia computadorizada entre julho de 2017 e setembro de 2019. Foram registrados os dados demográficos, circunstâncias da lesão, os resultados do exame oftalmológico e achados radiológicos. A análise estatística dos dados usou os testes de t-Student bicaudal, qui-quadrado e cálculos de odds ratio. O significado estatístico foi fixada em p<0,05.
RESULTADOS: Dos 204 pacientes com fraturas orbitárias incluídos neste estudo, 154 (75,5%) eram sexo masculino (75,5%). A média de idade foi de 42,1 anos. As fraturas orbitárias envolvendo uma parede orbital (58,8%) foram mais comuns do que as que acometeram várias paredes (41,2%). A maioria das fraturas acometeu a parede inferior (60,3%), sendo as paredes mediais as próximas mais frequentemente afetadas (19,6%). A causda mais comum de lesão foi agressão (59,3%), e a segunda mais comum foi queda (24%). A commotio retinae foi observada em 20,1% dos casos de fratura orbital e foi mais associada a lesões causadas por agressão (OR=5,22, p<0,001) e menos associada com aquelas causadas por quedas (OR=0,06, p<0,001). As restrições de movimentos oculares eram mais comuns na comoção central do que na periférica (OR=3,79, p=0,015) e com fraturas da parede medial do que com fraturas de outras paredes orbitais (OR=7,16, p<0,001). As chances de comoção não foram maiores em pacientes com fraturas orbitais de paredes múltiplas do que naqueles com fraturas de parede simples (p=0,967).
CONCLUSÕES: Na população do estudo, a agressão foi a causa mais comum de fraturas orbitais e resultou em commotio retinae mais grave do que qualquer outra causa. Os oftalmologistas devem estar cientes da probabilidade de commotio retinae em pacientes com fraturas orbitais resultantes de agressão, independentemente da extensão das lesões do paciente.
Keywords: Fraturas orbitárias; Movimentos oculares; Retina; Ferimentos e lesões
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