Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (3 )
:203-208
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210034
Abstract
OBJETIVO: Avaliar comparativamente o limiar de sensibilidade macular da microperimetria e a estabilidade de fixação entre o primeiro (direito) e o segundo (esquerdo) olhos testados de indivíduos normais.
MÉTODOS: Trinta pacientes saudáveis foram divididos aleatoriamente em 2 grupos. Os participantes foram submetidos à microperimetria no “fast mode” e no “expert mode” no grupo I e II, respectivamente. Cada participante foi submetido a um único teste e o olho direito foi testado primeiro.
RESULTADOS: No grupo I, o limiar médio de sensibilidade macular (± DP) foi de 24,5 ± 2,3 dB e 25,7 ± 1,1 dB nos olhos direito e esquerdo, respectivamente (p=0,0415). No grupo II foi de 26,7 ± 4,5 dB e 27,3 ± 4,0 dB nos olhos direito e esquerdo, respectivamente (p=0,58). Não houve diferença estatisticamente significativa entre os olhos dos dois grupos (p=0,1512). Em relação à estabilidade de fixação (avaliada no grupo microperimetria no “expert mode”), a média das porcentagens dos pontos de fixação dentro do 1 grau central da mácula (P1) ± DP foi de 87,9 ± 11,5% no olho direito e de 93,8 ± 6,6% no olho esquerdo. O teste t pareado não mostrou diferença estatística entre os olhos (p=0,140). O valor médio de P2 ± DP foi de 95,5 ± 4,9% no olho direito e 98,5 ± 2,1% no olho esquerdo. Foi demonstrado um aumento na porcentagem de pontos de fixação no segundo olho testado quando comparado ao primeiro (teste t pareado= 2,364; p=0,034). Houve correlação negativa entre o limiar de sensibilidade macular do olho direito e a duração do exame nos dois grupos (microperimetria no “expert mode”: r=-0,717; p=0,0026; microperimetria no “fast mode”: r=-0,843; p <0,0001).
CONCLUSÃO: O limiar médio de sensibilidade macular foi maior no segundo olho testado no grupo microperimetria no “fast mode” e foi semelhante nos dois olhos no “expert mode”. Nossos dados sugerem que a compreensão do exame pelo indivíduo pode impactar nos resultados da microperimetria.
Keywords: Macula lutea; Fixação ocular; Viés; Campos visuais; Acuidade visual
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (5 )
:436-441
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210068
Abstract
Objetivo: A Escala Bayley de Desenvolvimento Infantil (Bayley-III) é uma ferramenta que avalia o desenvolvimento de crianças nos 3 primeiros anos de vida, incluindo os domínios cognitivo e motor. Este estudo tem como objetivo correlacionar a acuidade visual de grades e a funcionalidade visual em crianças saudáveis usando a Bayley-III.
Métodos: A acuidade visual binocular de grades foi medida usando o teste dos Cartões de Acuidade de Teller seguido pela Bayley-III em crianças saudáveis com idade entre 1-42 meses. Os escores da acuidade visual (logMAR) e da Bayley-III para habilidades cognitivas e motoras (grossa e fina) foram comparados.
Resultados: Um grupo de 40 crianças (20 meninos) com idades entre 1,2-42,1 meses foi testado e a média da acuidade visual foi de 0,39 ± 0,27 logMAR, sendo que todas estavam dentro dos limites normais para a idade. Houve uma forte correlação negativa e significante entre acuidade visual e idade (r=-0,83; p<0,001). A média do escore cognitivo foi de 49,92 ± 18,93 pontos, com forte correlação positiva e significante entre o escore cognitivo e a idade (r=0,81; p<0,001). A média do escore motor grosso foi de 41,72 ± 16,23 pontos, com forte correlação positiva e significante entre o escore motor grosso e a idade (r=0,75; p<0,001). A média do escore motor fino foi de 39,75 ± 14,63 pontos, com uma forte correlação positiva e significante entre o escore motor fino e a idade (r=0,77; p<0,001). A regressão linear múltipla mostrou que maior idade e melhor acuidade visual foram significantemente associadas à escores cognitivo e motor mais altos.
Conclusões: Neste estudo foi encontrada alta correlação entre a acuidade visual de grades medida pelos cartões de acuidade de Teller e os escores cogninitivo e motor medidos pela Bayley-III em crianças saudáveis. A Bayley-III pode ser uma ferramenta útil para avaliar a repercussão da deficiência visual no desenvolvimento cognitivo e motor de crianças.
Keywords: Desenvolvimento infantil; Acuidade visual; Cognição; Destreza motora; Transtornos da visão; Testes neuropsicológicos; Criança
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (6 )
:1-7
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0130
Abstract
Objetivo: Avaliar a acuidade visual através de potenciais evocados visuais de varredura em crianças saudáveis e ambliópicas, comparando-a com a acuidade visual pelo teste de Snellen.
Métodos: Foram incluídas no estudo 160 crianças com idades entre 6 e 17 anos. Desse total, 104 crianças (65%) estavam entre 7 e 17 anos de idade, eram capazes de comunicação verbal e não tinham nenhuma patologia ocular ou sistêmica (Grupo 1). O grupo 2 incluiu 56 crianças verbais (35%) com idades entre 6 e 17 anos e portadoras de estrabismo ou ambliopia anisometrópica, com a melhor acuidade visual corrigida entre 0,1 e 0,8. Todos os pacientes foram submetidos a um exame oftalmológico detalhado e a uma medição do potencial evocado visual por varredura. Registraram-se as características demográficas, os achados oculares, a melhor acuidade visual corrigida e os resultados do potencial evocado visual por varredura.
Resultados: No Grupo 1, os valores médios e máximos da acuidade visual pelo potencial evocado visual por varredura mostraram-se menores que a melhor acuidade visual corrigida medida através do teste de Snellen (p<0,001 para ambas as medições). Uma análise de Bland-Altman revelou que no grupo 1, a distribuição das diferenças entre a melhor acuidade visual corrigida pelo teste de Snellen e a média do potencial evocado visual por varredura foi de ± 0,11 logMAR, enquanto a distribuição das diferenças entre a melhor acuidade visual corrigida pelo teste de Snellen e o valor máximo do potencial evocado visual por varredura foi de ± 0,023 logMAR. No Grupo 2, os valores médio e máximo do potencial evocado visual por varredura mostraram-se menores que a melhor acuidade visual corrigida pelo teste de Snellen (respectivamente, p<0,001 e p=0,009). A análise de Bland-Altman revelou que a distribuição das diferenças entre a melhor acuidade visual corrigida pelo teste de Snellen e a média do potencial evocado visual por varredura foi de ± 0,16 logMAR, enquanto a distribuição das diferenças entre a melhor acuidade visual corrigida pelo teste de Snellen e o valor máximo do potencial evocado visual por varredura foi de ± 0,19 logMAR.
Conclusões: As medidas da acuidade visual através do potencial evocado visual por varredura mostram resultados comparáveis às medidas da acuidade visual pelo teste de Snellen. Essa técnica é um método objetivo e confiável de se avaliar a acuidade visual em crianças.
Keywords: Ambliopia; Acuidade visual; Potenciais evocados visuais; Testes visuais; Humanos; Criança; Adolescente.
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (4 )
:330-336
| DOI: 10.5935/0004-2749.20230051
Abstract
Objetivo: Avaliar a eficácia das lentes de contato gelatinosas HydroCone, de hidrogel com silicone, em pacientes com microftalmia posterior.
Métodos: Foram revisados retrospectivamente 26 olhos com microftalmia posterior, a partir dos prontuários de 13 pacientes que receberam lentes de contato gelatinosas HydroCone, de hidrogel com silicone. Todos os pacientes foram submetidos ao exame de acuidade visual não corrigida e com melhor correção por óculos e com refração cicloplégica. Todos os pacientes receberam lentes de contato de acordo com os parâmetros obtidos na análise topográfica e foi obtida a melhor acuidade visual corrigida com lentes de contato.
Resultados: O equivalente esférico do olho direito variou de 10,00 a 19,25 dioptrias, e o do olho esquerdo de 11,00 a 21,5 dioptrias. Os comprimentos médios axiais e das câmaras posteriores foram menores do que para a população de mesma idade. No entanto, os valores médios dos parâmetros do segmento anterior, como o diâmetro horizontal visível da íris, a profundidade da câmara anterior central, a espessura da lente e a espessura central da córnea estavam dentro da faixa normal. Os valores médios da ceratometria revelaram curvatura corneana aumentada em relação à população normal. A média da melhor acuidade visual corrigida com lentes de contato foi significativamente maior que a média da melhor acuidade visual corrigida com óculos em ambos os olhos (p=0,045).
Conclusão: As lentes de contato gelatinosas de silicone HydroCone proporcionam melhor acuidade visual que óculos em pacientes com microftalmia posterior.
Keywords: Microftalmia; Lentes de contato hidrofílicas; Silicones; Transtornos da visão/reabilitação; Acuidade visual.
Arq. Bras. Oftalmol. 2025;88 (1 )
:1-4
| DOI: 10.5935/0004-2749.2022-0375
Abstract
PURPOSE: This study aimed to assess grating visual acuity and functional vision in children with congenital Zika syndrome.
METHODS: Initial and final grating visual acuity was measured using Teller acuity cards. Cerebral vision impairment standardized tests were used to assess functional vision. Patients were referred to the early visual intervention program for visually disabled children. Neuroimaging was performed.
RESULTS: In this study, 10 children were included with an age range of 1–37 months. Eight patients presented with macular atrophic scars. Neuroimaging revealed microcephaly and cerebral abnormalities in all patients. Low vision and cerebral vision impairment characteristics were observed in all children. The final grating visual acuity in this group varied from 3.00 to 0.81 logMAR.
CONCLUSIONS: The grating visual acuity test revealed low vision in all children with congenital Zika syndrome. Functional vision evaluation revealed cerebral vision impairment characteristics in all patients, who were referred to the early visual intervention program. Visual acuity improved in six children.
Keywords: Zika virus infection/congenital; Low vision; Vision disorders; Atrophy, Microcephaly; Visual acuity; Child
Arq. Bras. Oftalmol. 2025;88 (4 )
:1-12
| DOI: 10.5935/0004-2749.2023-0263
Abstract
PURPOSE: Amblyopia is a cortical neurological disorder caused by abnormal visual experiences during the critical period for visual development. Recent works have shown that, in addition to the well-known visual alterations, such as changes in visual acuity, several perceptual aspects of vision are affected. This study aims to analyze and compare the effects of different types of amblyopia on visual color processing and determine whether these effects are correlated with visual acuity.
METHODS: Our study sample comprised 42 amblyopic individuals, aged 7-40 years, (strabismus, n=16; anisometropia, n=18; and mixed-cause, n=8) and 33 age-matched controls. Color vision was tested by measuring the chromaticity threshold of each patient on the protan, deutan, and tritan axes using version 02 of the Cambridge Color Test. Spatial stimulation cues were eliminated using spatial noise and luminance.
RESULTS: The color discrimination thresholds on the protan, deutan, and tritan axes were similar between control participants and amblyopic patients (p>0.05). There was no correlation between VA values and color thresholds (p>0.05).
CONCLUSION: Patients with amblyopia have normal color vision in contexts that include luminance and spatial noise. Our results may be indicative of independent neural pathways for spatial and chromatic visual processing.
Keywords: Amblyopia; Anisometropia; Color vision; Strabismus; Vision disorders; Visual acuity
Arq. Bras. Oftalmol. 2026;89 (1 )
:1-6
| DOI: 10.5935/0004-2749.2025-0049
Abstract
PURPOSE: This cross-sectional study compared best-corrected visual acuity obtained using Cloudscaper symbols, a novel optotype developed according to ETDRS specifications for children's virtual screening, with that obtained using LEA symbols.
METHODS: A total of 560 children aged 3-16 yr underwent visual acuity test with both Cloudscaper symbols and LS. The test application was standardized using the EyeSpy algorithm. Additionally, 147 participants were tested with the standard Snellen E paper chart. Paired t tests were performed to assess the clinical significance of logMAR visual acuity differences.
RESULTS: The mean logMAR visual acuity with LEA symbols was 0.12 (standard deviation [SD]=0.18; range, -0.10 to 0.80), while with Cloudscaper symbols it was 0.18 (SD=0.19; range, -0.10 to 0.80). The mean difference between Cloudscaper symbols and LEA symbols was 0.099 logMAR (approximately 0.5 optotypes; SD=0.08; range, 0.0-0.14; p<0.0001). Cloudscaper symbols slightly underestimated visual acuity compared to LEA symbols. Visual acuity measured by both methods was highly correlated (Spearman's r=0.74, p<0.0001). The mean visual acuity difference between Cloudscaper symbols and the Snellen E chart was 0.0045 (p=0.805; 95% confidence interval [95% CI]), whereas the difference between LEA symbols and Snellen E was 0.0883 (p<0.001; 95% CI).
CONCLUSIONS: Cloudscaper symbols provide a reliable tool for visual screening in children. Although they slightly underestimate visual acuity compared to LEA symbols – a finding also reported when comparing ETDRS letters with LEA symbols – Cloudscaper symbols show strong agreement with Snellen E chart measurements. This suggests that Cloudscaper symbols allow precise visual acuity assessment comparable to the gold standard.
Keywords: Vision screening; Vision tests; Visual acuity; Mobile applications; Eye health; Child health; Diagnostic techniques, Ophthalmological; Child; Preschool child; Adolescent