Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (1 )
:7-12
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220002
Abstract
Objetivo: A degeneração macular relacionada à idade é a causa mais comum de cegueira em países desenvolvidos e muitos fatores etiológicos têm-lhe sido atribuídos. O objetivo do presente estudo foi investigar a relação entre os níveis séricos de vitamina D e a degeneração macular relacionada à idade.
Métodos: Os dados de 114 pacientes com degeneração macular relacionada à idade foram analisados retrospectivamente. Foram alocados no Grupo Controle 102 pacientes sem registro de outras doenças além do erro refrativo. A acuidade visual melhor corrigida, os achados do exame de fundo de olho e os da tomografia de coerência óptica de domínio espectral foram analisados. Os pacientes foram alocados em grupos de acordo com a classificação do Age-Related Eye Disease Study (Estudo da Doença Ocular Relacionada à Idade). Os níveis séricos de vitamina D 25(OH) foram medidos. A espessura foveal central e a espessura da coroide subfoveal foram medidas com tomografia de coerência óptica.
Resultados: Os níveis de vitamina D 25(OH) em pacientes com degeneração macular relacionada à idade e em indivíduos saudáveis pareados por idade e sexo foram 14,6 ± 9,8 ng/mL e 29,14 ± 15,1 ng/mL, respectivamente. Os níveis de vitamina D foram significativamente menores no Grupo da Degeneração Macular relacionada à idade em comparação com o Grupo Controle (p>0,001). O valor da espessura da coroide subfoveal foi menor em pacientes com degeneração macular relacionada à idade (p>0,001). Foi encontrada uma fraca correlação positiva entre o nível de vitamina D 25(OH) e a espessura da coroide (r=0,357, p=0,01). O nível de vitamina D 25(OH), quando avaliado de acordo com os estágios da degeneração macular relacionada à idade, revelou ser menor na doença em estágio avançado (p=0,01). Constatou-se um risco aumentado de desenvolvimento de membrana neovascular da coroide e de fibrose sub-retiniana com a diminuição dos níveis de vitamina D.
Conclusões: A diminuição significativa dos níveis de vitamina D 25(OH) na degeneração macular relacionada à idade em estágio avançado sugere a presença de uma correlação significativa entre a deficiência de vitamina D e o desenvolvimento dessa patologia. Mais estudos são necessários para investigar se a suplementação de vitamina D tem ou não influência no desenvolvimento e progressão da degeneração macular relacionada à idade.
Keywords: Membrana neovascular da coroide; Degeneração macular; Tomografia de coerência óptica; Fibrose; Retina; Vitamina D; Deficiência de vitamina D
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (1 )
:13-19
| DOI: 10.5935/0004-2749.20230011
Abstract
Objetivo: Investigar os efeitos da formação de uma membrana epirretiniana nos resultados clínicos da implantação intravítrea de dexametasona para edema macular secundário à oclusão de um ramo da veia retiniana.
Métodos: Esta série retrospectiva de casos intervencionais inclui o tratamento de indivíduos com edema macular secundário à oclusão não isquêmica de um ramo da veia retiniana, sem tratamento prévio e que foram submetidos a implantação intravítrea de dexametasona. Os indivíduos foram divididos em dois grupos: Grupo 1 (n=25), composto por indivíduos com edema macular secundário à oclusão de um ramo da veia retiniana sem a presença de uma membrana epirretiniana, e Grupo 2 (n=16), composto por indivíduos com edema macular secundário à oclusão de um ramo da veia retiniana com a presença de uma membrana epirretiniana. Os valores da acuidade visual corrigida, espessura macular central e volume macular central foram obtidos antes e após o tratamento. Os resultados clínicos dos grupos foram comparados.
Resultados: A média de idade e a proporção entre homens e mulheres foram semelhantes nos dois grupos (p>0,05 para ambos os valores). Os valores iniciais e finais da acuidade visual corrigida, espessura macular central e volume macular central foram semelhantes nos dois grupos (p>0,05 para todos os valores). Todos os parâmetros melhoraram significativamente após o tratamento com implante de dexametasona intravítrea (p<0,001 para todos os parâmetros) e as alterações na espessura macular central e no volume macular central também foram semelhantes (p>0,05 para ambos os valores). O número médio de implantações intravítreas de dexametasona foi 2,1 ± 1,0 (faixa de 1-4) no Grupo 1 e 3,0 ± 1,2 (faixa de 1-5) no Grupo 2 (p=0,043).
Conclusão: A formação de uma membrana epirretiniana não tem efeitos sobre os parâmetros clínicos iniciais e finais, incluindo a acuidade visual corrigida, a espessura macular central e o volume macular central. O único parâmetro afetado pela formação de uma membrana epirretiniana é o número de implantações intravítreas de dexametasona, sendo necessário um número maior de implantações em casos de edema macular secundário à oclusão de um ramo da veia retiniana com a presença de uma membrana epirretiniana.
Keywords: Oclusão da veia retiniana/complicações; Edema macular/etiologia; Tomografia de coerência óptica; Membrana epirretiniana; Dexametasona; Implantes de medicamento; Injeções intravítreas
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (1 )
:1-8
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0208
Abstract
Objetivo: Este estudo tem como objetivo comparar a técnica padrão de peeling da membrana limitadora interna com a técnica de abrasão da membrana limitadora interna com relação aos resultados visuais e à espessura central da retina na cirurgia primária de membrana epirretiniana.
Métodos: Cinquenta e nove olhos de 57 pacientes com membrana epirretiniana foram divididos em dois grupos, incluindo o grupo de remoção padrão da membrana limitante interna e o grupo de remoção da membrana limitante interna com técnica de abrasão. A alteração média da melhor acuidade visual corrigida e da espessura central da retina foram medidas para cada grupo aos 6, 12 e 24 meses de acompanhamento.
Resultados: O estudo incluiu 32 (54%) de padrão de membrana limitante e 27 (46%) de membrana interna com técnica de abrasão. A média de logMar pré-operatório de melhor acuidade visual corrigida foi de 0,73 (±0,29) e 0,61 (±0,3) para os grupos de remoção padrão da membrana limitante interna e de remoção da membrana limitante interna com técnica de abrasão, respectivamente. A melhor acuidade visual corrigida melhorou significativamente em cada grupo aos 6, 12 e 24 meses de acompanhamento. A alteração na melhor acuidade visual corrigida não foi estatisticamente significante (p=0,54, p=0,52, p=0,67) em cada período de observação. Quanto à espessura central da retina, diferenças estatisticamente significativas não foram observadas aos 6 meses (p=0,26) e 24 meses (p=0,06), mas foram estatisticamente diferentes aos 12 meses (p=0,03) quando comparadas às alterações entre os grupos de remoção padrão da membrana limitante interna e de remoção da membrana limitante interna com técnica de abrasão, refletindo uma maior redução da espessura central da retina para o grupo de remoção da membrana limitante interna com técnica de abrasão após um ano.
Conclusão: A abrasão da membrana limitante interna com um raspador de membrana com pó de diamante em cirurgia de membrana epirretiniana demonstra eficácia semelhante com a técnica de remoção padrão de membrana limitante interna. Em relação aos valores de espessura central da retina, o afinamento da retina foi mais significativo em pacientes com remoção da membrana limitante interna com técnica de abrasão aos 12 meses. Assim, pode-se argumentar que a técnica de abrasão da membrana limitante interna remove a membrana limitante interna e as estruturas relacionadas de forma mais eficaz sem causar danos significativos à retina.
Keywords: Membrana epirretiniana; Vitrectomia; Raspador de membrana com pó; de diamante.
Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (5 )
:472-477
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220047
Abstract
Objetivo: Comparar os resultados anatômicos e visuais da cirurgia com peeling da membrana epirretiniana idiopática na presença e ausência de herniação foveal.
Métodos: Estudo retrospectivo, comparativo, de dois centros. Pacientes com membrana epirretiniana idiopática pareados por idade e sexo com herniação foveal (grupo membrana epirretiniana + herniação foveal) e sem herniação foveal (grupo apenas com membrana epirretiniana) foram incluídos. Mudanças na acuidade visual melhor corrigida e espessura foveal central em todos os pontos de acompanhamento foram comparadas entre os grupos. A linha de base da melhor acuidade visual corrigida e a espessura foveal central foram comparadas dentro dos grupos no 1º, 3º, 6º e 12º meses de acompanhamento após a cirurgia.
Resultados: Dezesseis pacientes com membrana epirretiniana + olhos com herniação foveal e 16 pacientes com olhos apenas com membrana epirretiniana foram incluídos no estudo. Não houve diferença significativa entre os grupos na linha de base com melhor acuidade visual corrigida e espessura foveal central (p>0,05), exceto para a melhor acuidade visual corrigida do grupo da membrana epirretiniana após o 1º mês (p> 0,05), a melhor acuidade visual corrigida e a espessura foveal central melhoraram significativamente em ambos os grupos em todos os acompanhamentos em comparação com a linha de base (p<0,05). A média da melhor acuidade visual corrigida melhorou após o 1º mês e a redução média da espessura foveal central após o 1º, 3º e 6º meses foram significativamente melhores no grupo de herniação foveal + membrana epirretiniana do que no grupo com apenas membrana epirretiniana (p<0,05). Não houve diferença significativa na melhor acuidade visual corrigida e nas alterações da espessura foveal central entre os grupos na visita final (p>0,05).
Conclusões: Embora uma melhora anatômica e funcional bem mais precoce tenha sido mostrada no grupo membrana epirretiniana + herniação foveal, a presença de herniação foveal não afetou os resultados cirúrgicos finais em pacientes com membrana epirretiniana idiopática.
Keywords: Membrana epirretiniana; Tomografia de coerência óptica; Fóvea central; Vitrectomia; Acuidade visual