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Arq. Bras. Oftalmol. 2012; 75 (4): 10.1590/S0004-27492012000400004

Total: 1208

Fatores de risco para cegueira em pacientes com glaucoma de ângulo aberto acompanhados por pelo menos 15 anos

Jayter Silva Paula1; João Marcello Furtado1; Arles Silva Santos1; Roberto de Mattos Coelho1; Eduardo Melani Rocha1; Maria de Lourdes Veronese Rodrigues1

DOI: 10.1590/S0004-27492012000400004

RESUMO

OBJETIVOS: Determinar a frequência de cegueira e investigar a relação entre os fatores de risco, com base nas características clínicas e no desenvolvimento da cegueira, em pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) tratados por mais de 15 anos. MÉTODOS: Realizou-se a revisão dos prontuários (estudo retrospectivo, observacional) de 403 pacientes referidos a um hospital de nível terciário, todos com diagnóstico de glaucoma primário de ângulo aberto feito em 1974 ou posteriormente, e tratados por no mínimo 15 anos. Cegueira atribuível ao glaucoma foi definida com base na acuidade visual e/ou exames de campo visual. Variáveis consideradas possíveis fatores de risco para cegueira (uni ou bilateral) foram avaliados usando odds ratio (OR), intervalo de confiança (IC95%) e análises uni e multivariadas. RESULTADOS: Trinta e um pacientes ficaram cegos [13/53 (24,5%) - um olho cego e 18/53 (34%) - cegueira bilateral] durante o período de seguimento (19,5 ± 4,6 anos, variando de 15 a 31 anos). Estatística multivariada com análise de regressão mostrou que persistência com a terapia inicial ≤6 meses está significantemente associada com cegueira, unilateral (OR: 8,4; 95% IC: 1,3-56,4) e bilateral (OR: 7,2; 95% IC: 1,3-39,6). Outros potenciais fatores como raça, idade, gênero ou número de medicações não estiveram associados com cegueira. CONCLUSÃO: Cegueira por glaucoma primário de ângulo aberto não foi incomum na população de pacientes tratados e seguidos por um longo período. As taxas de persistência com a terapia inicial, medidas pela decisão médica de mudar o tratamento, foram baixas. Persistência ≤6 meses foi estatisticamente associada com o desenvolvimento de cegueira uni ou bilateral por glaucoma.

Descritores: Glaucoma de ângulo aberto; Cegueira; Disco óptico; Glaucoma de ângulo aberto; Acuidade visual; Fatores de risco

ABSTRACT

PURPOSE: To determine the proportion of blindness and investigate the relationships between risk factors based on clinical characteristics and development of blindness in patients with primary open-angle glaucoma (POAG) treated for at least 15 years. METHODS: A retrospective observational chart review was performed with 403 patients referred to a tertiary level hospital, each with a diagnosis of primary open-angle glaucoma, treated for at least 15 years. Blindness attributable to glaucoma was defined based on visual acuity and/or visual field tests. Variables considered to be possible risk factors for blindness were evaluated using odds ratio (OR), confidence interval (95% CI), and univariate and multivariate analyses. RESULTS: Thirty-one patients became blind [13/53 (24.5%) - unilaterally and 18/53 (34%) - bilaterally] during the follow-up period of treatment (19.5 ± 4.6 years, range 15-31 years). Multivariate statistics with regression analysis revealed that persistency on initial therapy ≤6 months was significantly associated with blindness, both unilateral (OR: 8.4; 95% CI: 1.3-56.4) and bilateral (OR: 7.2; 95% CI: 1.3-39.6). Other potential factors such as race, age, gender or number of medications were not associated with blindness. CONCLUSION: Blindness from primary open-angle glaucoma was not uncommon in this population of treated patients after the long follow-up period proposed. Persistence rates with the first therapy, as measured by a medical decision to change, were low. Persistence ≤6 months was statistically associated with the development of unilateral and bilateral blindness from glaucoma.

Keywords: Glaucoma, open-angle; Blindness; Optic disk; Glaucoma, open-angle; Visual acuity; Risk Factors


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Paula JS, Furtado JM, Santos AS, Coelho RM, Rocha EM, Rodrigues MLV. Fatores de risco para cegueira em pacientes com glaucoma de ângulo aberto acompanhados por pelo menos 15 anos. Arq. Bras. Oftalmol. 2012;75(4):243-246. 10.1590/S0004-27492012000400004
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