Arq. Bras. Oftalmol. 2016;79 (6 )
:395-399
| DOI: 10.5935/0004-2749.20160111
Abstract
Objetivos: Este estudo visa determinar a origem do retinoblastoma em um número de casos e correlacionar essos achados com fatores prognósticos e histopatológicos conhecidos. Métodos: Trinta e nove casos de retinoblastoma foram diagnosticados e analisados com imuno-histoquímica usando marcadores de anticorpos monoclonais contra as células de retina imaturas (SOX-2: SRY-box containing gene 2), contra as células da retina maturas (MAP2: microtubule -associated protein 2) e contra as células gliais maturas (GFAP: glial fibrillar acidic protein). Foram avaliadas características microscópicas dos casos (grau de diferenciação, presença de semeadura vítrea, invasão de coroide/esclera, nervo óptico e câmara anterior). Duas linhas celulares de retinoblastoma (WERI-1 e Y79) também foram testadas, utilizando os três marcadores. Resultados: A expressão de SOX-2 foi positiva em 97,4% dos casos de retinoblastoma, enquanto MAP2 foi positivo em 59% dos casos. GFAP foi apenas positivo no estroma (astrócitos reativos). Não houve correlação entre preditores histopatológicos e marcadores imunohistoquímicos avaliados. As linhagens celulares mostraram positividade para SOX-2 (90% em WERI-1 e 70% das células Y79). Ambas as linhagens celulares se mostraram fortemente positivas con MAP2 (90%), enquanto não houve expressão de GFAP em nenhuma das linhas celulares estudadas. Conclusões: A maioria das células de retinoblastoma desta série de casos expressa marcadores de células retinianas imaturas, além de marcadores de células maduras. As linhas celulares Y79 e WERI-1 apresentaram imunomarcação para ambos os marcadores neurais em percentagens semelhantes a dos casos avaliados. Portanto, estes resultados confirmam a origem neural do tumor em particular. Alem disso, a ausência de células positivas para GFAP no tumor descarta diferenciação de astrócitos em retinoblastoma.
Keywords: Retinoblastoma/etiologia; Retinoblastoma/patologia; Fenótipo; Prognóstico; Imuno-histoquímica; Anticorpos monclonais
Arq. Bras. Oftalmol. 2018;81 (3 )
:171-176
| DOI: 10.5935/0004-2749.20180037
Abstract
Objetivo: Avaliar o efeito do propranolol oral para hemangioma circunscrito da coroide.
Métodos: O estudo é do tipo prospectivo, quantitativo e descritivo. Propranolol oral na dose de 1.5 mg/kg/dia foi administrada em cinco pacientes com hemangioma circunscrito da coroide. Todos os pacientes foram avaliados com acuidade visual, oftalmoscopia binocular indireta, tomografia de coerência óptica, angiografia com tomografia de coerência óptica, angiografia com fluoresceína e indocianina verde e ultrassonografia ocular.
Resultados: Nenhuma mudança clínica ou no tamanho do hemangioma circunscrito da coroide foi vista através de métodos diagnósticos em qualquer momento do tratamento. Uma atenuação das complicações foi observada nos primeiros quatro meses de tratamento, com manutenção da condição e piora nos meses seguintes.
Conclusão: O estudo mostrou que o propranolol oral na dose de 1.5 mg/kg/dia não se mostrou efetivo como monoterapia no tratamento do hemangioma circunscrito da coroide.
Keywords: Hemangioma; Neoplasia da coroide; Propranolol; Verde de indocianina; Tomografia de coerência óptica
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (2 )
:127-130
| DOI: 10.5935/0004-2749.20230023
Abstract
Objetivo: Avaliar o impacto do isolamento social devido à pandemia COVID-19 sobre o número de casos novos e abordagens terapêuticas.
Métodos: Estudo retrospectivo por revisões de prontuários de novos pacientes tratados antes da pandemia, de março de 2019 a setembro de 2019 (grupo pré-pandemia), e durante a pandemia, de março de 2020 a setembro de 2020 (grupo pandemia). Dados analisados incluíram idade, sexo, etnia, local de origem, diagnóstico clínico, tempo desde o encaminhamento e terapia proposta.
Resultados: Um total de 186 novos casos foram analisados, sendo 122 do grupo pré-Pandemia e 64 do grupo Pandemia, representando uma redução de 47,54%. Não houve alteração estatisticamente significativa quanto a sexo, raça, estado de origem, história do câncer, idade ou tempo de encaminhamento (p>0,05). Observou-se maior frequência de malignidades no grupo pandemia (68%) quando comparado com o grupo pré-pandemia (48,48%). Os tumores benignos foram os casos mais diagnosticados no grupo pré-pandemia (41,80%), enquanto no grupo pandemia o diagnóstico mais frequente foi o carcinoma de células escamosas de conjuntiva (31,25%). Houve tendência (p=0,097) de diminuição no número de cirurgias (-7,63%) e de aumento no tratamento tópico (+10,68%). Houve também uma tendência a diminuição de indicação cirúrgica em tumores benignos e diminuição dos retornos imediatos.
Conclusão: Nossos achados mostram uma diminuição significativa no número de novos casos encaminhados ao setor de Oncologia Ocular. Além disso, a pandemia levou a uma mudança na abordagem terapêutica com preferência a tratamentos não invasivos, a fim de evitar o uso de salas de cirurgia. Um aumento drástico de casos, talvez em estágios avançados, pode ser esperado como resultado da diminuição observada nos primeiros 6 meses de quarentena.
Keywords: Neoplasias oculares; COVID-19; Isolamento social; Quarentena
Arq. Bras. Oftalmol. 2019;82 (1 )
:38-44
| DOI: 10.5935/0004-2749.20190004
Abstract
Objetivo: Avaliar os efeitos do ranibizumabe em associação com o amfenac nas células de melanoma uveal humano e explorar a capacidade desses compostos em sensibilizar as células de melanoma uveal à radioterapia.
Métodos: Células de melanoma uveal humano do tipo 92.1 foram cultivadas e submetidas ao tratamento proposto (ranibizumabe, amfenac e a combinação de ambos). Ensaios de proliferação, migração e invasão com as células de melanoma uveal do tipo 92.1 foram avaliados após tratamento com ranibizumabe (125 µg/ml), amfenac (150 nM) e a combinação de ambos. Além disso, as taxas de proliferação foram avaliadas após tratamento com ranibizumabe e amfenac com subsequente exposição das células a diferentes doses de radiação (0 Gy, 4 Gy e 8 Gy).
Resultados: Ensaio de proliferação: células tratadas com ranibizumabe e amfenac combinados apresentaram taxas de proliferação inferiores em comparação ao grupo controle (p=0,016), do que as tratadas apenas com ranibizumabe (p=0,033). Ensaio de migração: foi observada uma taxa de migração significativamente mais baixa nas células tratadas com amfenac do que no grupo controle (p=0,014) e do que nas tratadas com ranibizumabe (p=0,044). Ensaio de invasão: não houve diferenças significativas entre os grupos estudados. Exposição à irradiação: no grupo da dose de 4 Gy, não houve diferença significante entre os grupos. No grupo da dose de 8 Gy, o tratamento com ranibizumabe, afenac e sua combinação antes da aplicação da radiação de 8 Gy levou a uma redução acentuada nas taxas de proliferação (p=0,009, p=0,01 e p=0,034, respectivamente) em comparação aos grupos controle.
Conclusão: A combinação de ranibizumabe e amfenac reduziu a taxa de proliferação das células de melanoma uveal; no entanto, apenas o amfenac diminuiu significativamente a migração celular. A radiossensibilidade das células de melanoma uveal do tipo 92.1 aumentou após a administração de ranibizumabe, amfenac e sua combinação. Mais investigações são necessárias para determinar se esta é uma estratégia de pré-tratamento viável para tornar grandes tumores passíveis de radioterapia.
Keywords: Melanoma uveal; Ranibizumabe; Inibidor da ciclooxigenase- 2; Radiação; Linhagem celular
Arq. Bras. Oftalmol. 2020;83 (6 )
:505-510
| DOI: 10.5935/0004-2749.20200094
Abstract
Objetivo: Avaliar a segurança e o efeito de 12 meses de tratamento com fotocoagulação pelo pattern scanning laser para neoplasia escamosa da superfície ocular em um ambiente com poucos recursos e acesso extremamente limitado a um tratamento cirúrgico.
Métodos: Pacientes adultos com diagnóstico de neoplasia escamosa de superfície ocular foram submetidos a exame oftalmológico completo. Após anestesia tópica e instilação de azul de toluidina 1%, a lesão foi tratada com laser por um tempo de duração que variou de 20 a 100 ms e potência de 600 a 1800 mW. Os pacientes foram examinados semanalmente durante o primeiro mês e foram retratados semanalmente das lesões restantes, conforme necessário. Os pacientes tiveram um seguimento mínimo de 12 meses.
Resultados: Trinta e oito pacientes (38 olhos) foram incluídos no estudo. Todos os pacientes apresentaram neoplasia escamosa da superfície ocular clínica, confirmada por citologia de impressão. A idade dos pacientes variou entre 40 e 83 anos (média de 65.5 anos) e 28 deles eram do sexo masculino (74%). Os pacientes foram divididos em dois grupos: Grupo I (imunocompetente) e grupo II (imunossuprimido). No grupo I, 23 pacientes (74%) apresentaram resposta completa com o controle da lesão após o tratamento com laser. No grupo II, dois dos sete pacientes (28%) apresentaram resposta ao tratamento durante o acompanhamento. A média de aplicações de laser foi de 2,5 (1 a 6 aplicações). Os procedimentos foram bem tolerados.
Conclusões: Os resultados a curto prazo da abordagem de fotocoagulação a laser para o tratamento das lesões conjuntivais de neoplasia escamosa de superfície ocular foram favoráveis, com uma taxa de sucesso de 74% observada em pacientes imunocompetentes. Essa nova estratégia é uma alternativa menos intensiva em recursos que pode demonstrar sua utilidade em ambientes com escassez de salas cirúrgicas e em casos recorrentes. Estudos com acompanhamentos mais longos e amostras maiores são necessários para confirmar nossos achados e avaliar a eficácia do tratamento a laser associado à quimioterapia tópica.
Keywords: Carcinoma de células escamosas/diagnóstico; Neoplasia da túnica conjuntiva/terapia; Terapia a laser; Fotocoagulação
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (4 )
:1-7
| DOI: 10.5935/0004-2749.2023-0026
Abstract
PURPOSE: To describe cellular alterations detected by impression cytology of the ocular surface in patients with xeroderma pigmentosum. The secondary objective was to assess the reliability of impression cytology in diagnosing ocular surface squamous neoplasia.
METHODS: Patients with xeroderma pigmentosum underwent a single-day complete ophthalmological examination and impression cytology for ocular surface evaluation using 13 mm diameter mixed cellulose esters membrane filters and combined staining with Periodic Acid Schiff, Hematoxylin and Eosin, and Papanicolaou stains followed by microscopic analysis. The cytological findings were correlated with the clinical diagnosis. The impression cytology findings at baseline and one-year follow-up were correlated with the clinical course (no tumor, treated tumor, residual tumor recurrent tumor, new tumor).
RESULTS: Of the 42 patients examined, impression cytology was performed in 62 eyes of 34 participants (65% females). The mean age of patients was 29.6 ± 17 years (range 7-62). Fifteen eyes had a clinical diagnosis of ocular surface squamous neoplasia. Impression cytology showed goblet cells (47, 75%), inflammatory cells (12, 19%), keratinization (5, 8%), and squamous metaplasia (30, 48%). Impression cytology was positive for atypical cells in 18 patients (12 with and 6 without ocular surface squamous neoplasia). The sensitivity, specificity, positive predictive value, and negative predictive value of impression cytology (at baseline) for diagnosis of ocular surface squamous neoplasia were 80%, 87%, 67%, and 93%, respectively, using clinical diagnosis of ocular surface squamous neoplasia as the reference standard.
CONCLUSION: Impression cytology has a moderate positive predictive value for the diagnosis of ocular surface squamous neoplasia in patients with xeroderma pigmentosum. However, the lack of detection of atypical cells on impression cytology has a high negative predictive value for ocular surface squamous neoplasia. Integration of impression cytology in the long-term management of high-risk patients, such as patients with xeroderma pigmentosum, can avoid unnecessary diagnostic biopsies.
Keywords: Xeroderma pigmentosum; Eye neoplasms; Conjunctiva/cytology; Cornea/cytology; Cytological techniques
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (2 )
:1-8
| DOI: 10.5935/0004-2749.2022-0319
Abstract
To assess Meibomian gland dysfunction using meibography in patients with xeroderma pigmentosum and correlate with ocular surface changes. This cross-sectional study evaluated patients with xeroderma pigmentosum. All patients underwent a comprehensive and standardized interview. The best-corrected visual acuity of each eye was determined. Detailed ophthalmic examination was conducted, including biomicroscopy examination of the ocular surface, Schirmer test type I, and meibography, and fundus examination was also performed when possible. Meibomian gland dysfunction was assessed by non-contact meibography using Oculus Keratograph® 5M (OCULUS Inc., Arlington, WA, USA). Saliva samples were collected using the Oragene DNA Self-collection kit (DNA Genotek Inc., Ottawa, Canada), and DNA was extracted as recommended by the manufacturer. Factors associated with abnormal meiboscores were assessed using generalized estimating equation models. A total of 42 participants were enrolled, and 27 patients underwent meibography. The meiboscore was abnormal in the upper eyelid in 8 (29.6%) patients and in the lower eyelid in 17 (62.9%). The likelihood of having abnormal meiboscores in the lower eyelid was 16.3 times greater than that in the upper eyelid.In the final multivariate model, age (p=0.001), mutation profile (p=0.006), and presence of ocular surface malignant tumor (OSMT) (p=0.014) remained significant for abnormal meiboscores. For a 1-year increase in age, the likelihood of abnormal meiboscores increased by 12%. Eyes with OSMT were 58.8 times more likely to have abnormal meiboscores than eyes without ocular surface malignant tumor.In the final model, age, xeroderma pigmentosum profile, previous cancer, and clinical alterations on the eyelid correlated with a meiboscore of ≥2.Meibomian gland dysfunction was common in patients with xeroderma pigmentosum, mainly in the lower eyelid. The severity of Meibomian gland dysfunction increases with age and is associated with severe eyelid changes.
Keywords: Meibomian glands/pathology; Meibomian glands/ diagnostic imaging; Photography; Xeroderma pigmentosum; Eyelid diseases/diagnostic imaging; Dry eye syndromes; DNA repair; Humans; Case report