Arq. Bras. Oftalmol. 2001;64 (1 )
:27-32
| DOI: 10.1590/S0004-27492001000100006
Abstract
Objetivo: O objetivo desse estudo é verificar em indivíduos míopes candidatos à cirurgia refrativa a prevalência dos diferentes tipos de lesões retinianas periféricas degenerativas de acordo com o tipo de miopia. Métodos: De forma prospectiva, no período de um ano, foram examinados os olhos dos pacientes no Setor de Cirurgia Refrativa do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina que durante a sua consulta inicial apresentassem refração com equivalente esférico superior ou igual a -1,00 dioptria esférica, e não tivessem antecedentes pessoais de doença ou cirurgia ocular no período. Foi investigada a existência de lesões e/ou degenerações periféricas predisponentes ao descolamento regmatogênico de retina. Resultados: O grupo foi composto, em sua maioria, por adultos jovens (média de idade de 31 anos). Foram observados olhos com miopia baixa (263 olhos, 31%), moderada (300 olhos, 36%) e alta (277 olhos, 33%); em 35,4% dos pacientes (27% dos olhos) foram encontradas degenerações periféricas, sendo o branco com e sem pressão a alteração mais freqüente (23,4% dos pacientes ou 17,5% dos olhos). Entre as lesões predisponentes ao descolamento regmatogênico da retina, a mais encontrada foi a degeneração em treliça (8,6% dos pacientes ou 6% dos olhos). Conclusões: As alterações periféricas predisponentes ou não ao descolamento regmatogênico de retina apresentaram aumento de prevalência de acordo com o aumento do grau de miopia, com exceção das roturas. Todos os pacientes com miopia alta e candidatos à cirurgia refrativa devem ter a periferia retiniana de ambos os olhos examinada.
Keywords: Descolamento retiniano; Ceratectomia fotorrefrativa por excimer laser; Miopia
Arq. Bras. Oftalmol. 2003;66 (6 )
:771-774
| DOI: 10.1590/S0004-27492003000700007
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a concordância entre tomografia de coerência óptica (OCT) e angiofluoresceinografia (AF) no diagnóstico do edema macular cistóide (EMC) secundário a cirurgia de catarata. MÉTODOS: Estudo retrospectivo observacional comparativo de 25 olhos com provável EMC. Pacientes com baixa de acuidade visual e alterações na biomicroscopia de fundo após cirurgia de catarata foram submetidos aos exames de OCT e AF na mesma visita. O diagnóstico do EMC foi realizado considerando a presença de vazamento de fluoresceína na angiografia e o espessamento retiniano e/ou espaços cistóides e/ou líquido subretiniano pela OCT. RESULTADOS: Vinte e cinco olhos de 25 pacientes foram avaliados. Vinte e dois olhos mostraram resultados semelhantes no OCT e AF, sendo que 15 olhos apresentaram EMC e 7 olhos não apresentaram EMC. Dois olhos com EMC foram diagnosticados apenas pela AF e um olho apenas pelo OCT. A concordância entre os exames foi boa (Kappa = 0,7331; p=0,0001) sem tendência para achados positivos ou negativos (p=1,0). CONCLUSÃO: Conforme este estudo preliminar, OCT parece ser tão efetiva quanto a AF na detecção do EMC com boa concordância entre os dois métodos.
Keywords: Edema macular cistóide; Extração de catarata; Angiofluoresceinografia; Tomografia; Estudo comparativo
Arq. Bras. Oftalmol. 2004;67 (3 )
:441-449
| DOI: 10.1590/S0004-27492004000300014
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a viabilidade da técnica de facoemulsificação para a extração da catarata com implante de lente intra-ocular combinada à vitrectomia via pars plana em olhos com retinopatia diabética proliferativa, em um único procedimento cirúrgico. MÉTODOS: Foram revisados os prontuários de 47 pacientes (53 olhos) com retinopatia diabética proliferativa e catarata que foram submetidos ao procedimento combinado de vitrectomia via pars plana, facoemulsificação e implante de lente intra-ocular no mesmo ato cirúrgico, entre janeiro de 1991 e setembro de 1998 no Bascom Palmer Eye Institute, hospital de olhos filiado à Universidade de Miami. O estudo foi realizado em conjunto com a Universidade Federal de São Paulo. Participaram do estudo 43 olhos de 40 pacientes. RESULTADOS: O tempo de seguimento variou de três a 60 meses com média de 20 meses. A idade dos pacientes variou de 37 a 77 anos com média de 59 anos. A acuidade visual melhorou duas linhas ou mais em relação ao pré-operatório em 26 (60,4%) olhos, permaneceu a mesma em 9 (20,9%) e piorou em 8 (18,6%). Em (23,2%) 10 olhos a acuidade visual aumentou para 20/40. O teste estatístico chamado de "teste do sinal" mostrou-se estatisticamente significante na melhora da acuidade visual final. A complicação mais observada foi a hemorragia vítrea recorrente, ocorrendo em 12 (27,9%) olhos, seguida pela inflamação transitória da câmara anterior em 9 olhos (20,9%). Complicações intra-operatórias relacionadas à extração do cristalino foram raras. No pós-operatório observaram-se captura da lente intra-ocular em 2 (4,6 %) olhos e lente intra-ocular subluxada em 1 (2,3%) olho. CONCLUSÕES: A cirurgia combinada de facoemulsificação, implante de lente intra-ocular e vitrectomia via pars plana em olhos com retinopatia diabética é procedimento bem tolerado e geralmente apresenta bons resultados com relação à acuidade visual. Um único procedimento para remover a catarata e realizar a vitrectomia via pars plana, ao invés de se realizar uma segunda cirurgia, que seria somente para a remoção da catarata após a vitrectomia pars plana, é técnica segura e capaz de promover a melhora da acuidade visual além de ser menos agressiva para o paciente. O potencial para melhora da acuidade visual final é limitado pela gravidade da retinopatia diabética.
Keywords: Retinopatia diabética; Facoemulsificação; Extração de catarata; Lentes intra-oculares; Vitrectomia
Arq. Bras. Oftalmol. 2008;71 (3 )
:311-315
| DOI: 10.1590/S0004-27492008000300002
Abstract
OBJETIVO: Investigar os efeitos da fototrombose mediada por indocianina verde sobre a neovascularização de coróide secundária a estrias angióides. MÉTODOS: Seis olhos de 5 pacientes com média de 70 anos de idade tinham o diagnóstico de neovascularização de coróide secundária a estrias angióides. O tratamento foi indicado para neovascularização de coróide ativa, avaliada pelo vazamento na angiofluoresceinografia e pela presença de fluido intra ou sub-retiniano pela tomografia de coerência óptica. Os pacientes receberam tratamento inicial com indocianina verde, e a seguir foram re-tratados conforme necessário com 3, 6 e 9 meses. Nessas ocasiões avaliava-se o vazamento e a espessura foveal. A angiografia com indocianina verde foi realizada inicialmente e sempre que o re-tratamento era considerado, nos casos em que havia aumento de vazamento pela angiofluoresceinografia nas visitas de seguimento. RESULTADOS: O tempo médio de seguimento foi de 13,3 meses. Todos os olhos atingiram um seguimento de pelo menos 12 meses. Dois olhos foram submetidos a re-tratamento. Três olhos apresentaram melhora e três olhos apresentaram estabilização da acuidade visual. Todos os pacientes apresentaram diminuição final do vazamento e da espessura foveal. CONCLUSÃO: Indocianina verde é procedimento factível para o tratamento de neovascularização de coróide secundária a estrias angióides. A análise das lesões mostrou melhora anatômica na maioria dos casos desta série. Mais estudos são necessários para avaliar os resultados a longo prazo deste tratamento.
Keywords: Estrias angióides; Neovascularização coroidal; Verde de indocianina; Fotoquimioterapia; Agentes fotossensibilizantes; Lasers; Tomografia de coerência óptica