Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (6 )
:558-564
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220073
Abstract
Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico dos casos de evisceração e enucleação no pronto-socorro oftalmológico de um hospital terciário brasileiro.
Métodos: Análise retrospectiva dos casos tratados no pronto-socorro oftalmológico do Hospital São Paulo (Universidade Federal de São Paulo) entre os anos de 2013 a 2018. Os casos urgentes de evisceração e enucleação foram incluídos e os casos eletivos foram excluídos. A análise dos prontuários médicos foi baseada em: dados demográficos, causas imediatas e associadas ao procedimento, acuidade visual informada, duração dos sintomas antes do atendimento oftalmológico, complicações, distância da residência até o hospital e tempo de hospitalização.
Resultados: 61 enucleações e 121 eviscerações foram incluídas no estudo. Os pacientes tinham uma média de idade de 63,27 ± 18,68 anos; 99 eram do sexo masculino (54,50%) e 83 do sexo feminino (45,60%). As indicações de evisceração e enucleação foram: perfuração corneana com (44,50%) e sem (23,63%) sinais infecciosos, endoftalmite (15,38%), trauma ocular (14,29%), neoplasia (0,55%), queimadura (1,10%) e phthisis bulbi (0,55%). A acuidade visual informada foi de ausência de percepção luminosa (87,36%), percepção luminosa (1.10%), ausência de colaboração (3,30%) e sem dados informados (8,24%). A média de tempo até a busca pelo serviço oftalmológico foi de 18,32 dias. Houve 2 casos de oftalmia simpática após evisceração.
Conclusões: Eviscerações foram predominantemente realizadas em comparação a enucleações em todo o período de estudo. As características demográficas mais comuns foram idade >60 anos e sexo masculino. As principais indicações para procedimentos urgentes de evisceração e enucleação foram perfuração corneana com e sem infecção, endoftalmite e trauma ocular. Este estudo poderia guiar medidas preventivas para evitar procedimentos oculares destrutivos.
Keywords: Evisceração do olho; Enucleação ocular; Úlcera da córnea/epidemiologia; Endoftalmite; Traumatismos oculares; Serviços médicos de emergência; Serviços de saúde ocular.
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (6 )
:1-6
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0303
Abstract
Objetivos: Rever características epidemiológicas de crianças submetidas a cirurgia de catarata, em centro de referência no estado de São Paulo, Brasil, e fatos associados a atrasos no tratamento.
Métodos: Um total de 240 olhos submetidos a cirurgia de catarata, em 178 crianças, foram revisados neste estudo transversal observacional. Os seguintes aspectos foram analisados: características clínicas e epidemiológicas, sinais apontados pelos pais, teste do reflexo vermelho, olho operado e idade no diagnóstico e na cirurgia.
Resultados: A média de idades na primeira visita e cirurgia de catarata foi de 48.9 meses (DP=50,0 meses) e 64.5 meses (DP=55.4 meses), respectivamente. O sinal mais importante apontado pelos pais foi a leucocoria. O teste do reflexo vermelho foi realizado em dois terços das crianças com resultados anormais em 28%. Histórico familiar de catarata foi evidente em 30 (20,9%) crianças (n=144). Os achados mais prevalentes em termos de histórico de problemas oculares foram: cirurgias oculares prévias em 37 (16,6%) olhos (n= 223), alterações do segmento anterior em 20 (9,0%) olhos (n=221), estrabismo em 21 (9,5%) olhos (n=220) e nistagmo em 38 (24,4%) crianças (n=156).
Conclusões: Uma das causas para o atraso na admissão pode ter sido a falha em realizar o teste do reflexo vermelho, apesar de não ter sido possível verificar se todas as crianças foram submetidas ao exame. A hereditariedade foi o fator mais importante quanto à causa da catarata nessas crianças. A presença de estrabismo e nistagmo mais uma vez aponta para o diagnóstico tardio. Ausência de programas de referência e centros oftalmológicos especializados em crianças, além do número restrito de profissionais de apoio treinados na área e especialistas em oftalmologia pediátrica, foram as barreiras mais importantes para o tratamento adequado da catarata em crianças.
Keywords: Catarata/ congênito; Extração de catarata; Técnicas de diagnóstico oftalmológico ; Baixa visão; Atenção terciária à saúde; Criança