Arq. Bras. Oftalmol. 2014;77 (6 )
:373-376
| DOI: 10.5935/0004-2749.20140093
Abstract
Objetivo: Avaliar se o implante de uma lente intraocular (LIO) asférica reduz a aberração ocular (alta ordem e esférica), melhora a sensibilidade ao contraste e consequentemente, provoca mudanças nos valores da perimetria de frequência dupla (FDT ). Métodos: Trata-se de um estudo prospectivo envolvendo 25 pacientes com catarata bilateral (50 olhos) que foram randomizados para receberem uma LIO asférica (Akreos AO) em um olho e uma LIO esfércia (Akreos Fit) no olho contralateral. Com 12 meses de pós-operatório a sensibilidade ao contraste (condições fotópicas e mesópicas) e a aberração de alta ordem foram computados. A FDT foi dividida em 4 áreas para análise da variação dos valores em diferentes localizações. Os valores médios dos limiares locais (área média de sensibilidade ao contraste [MACS]) obtidos com essa divisão foram calculados. Resultados: O grupo da Akreos AO apresentou menores valores de aberração de alta ordem e aberração esférica. Houve diferença estatisticamente significativa na sensibilidade ao contraste em condições mesópicas em todas frequências. Não houve diferença estatística nos valores do mean deviation e pattern standard deviation da FDT. A LIO asférica apresentou maiores MACS em todas as áreas, embora diferença estatística foi encontrada apenas na área de 20 graus de campo visual (P=0,043). Conclusões: A lente asférica reduziu significativamente a quantidade de aberração de alta ordem e esférica, melhorando a sensibilidade ao contraste em condições mesópicas. Embora houve uma melhora nos valores da FDT no grupo da LIO asférica, essa diferença não foi estatisticamente significativa.
Keywords: Catarata; Facoemulsificação; Sensibilidade ao contraste; Lentes intraoculares
Arq. Bras. Oftalmol. 2015;78 (3 )
:175-179
| DOI: 10.5935/0004-2749.20150045
Abstract
Objetivo: Investigar a frequência de perda visual (PV) e os possíveis fatores preditivos para perda e para melhora visual em pacientes com a síndrome do pseudotumor cerebral (SPC). Métodos: Foram revisados 50 pacientes com SPC submetidos a exame neuroftalmológico no momento do diagnóstico e após o tratamento. Dados demográficos, índice de massa corpórea (IMC), tempo decorrido entre o início dos sintomas e o diagnóstico (TD), pressão intracraniana máxima (PIM), ocorrência de trombose venosa cerebral (TVC), e as modalidades de tratamento foram revisadas. PV foi graduada em discreta, moderada e grave, baseada na acuidade e no campo visual. Fatores preditivos para perda e melhora visual foram avaliados por análise de regressão linear. Resultados: Quarenta e três pacientes eram do sexo feminino. A média de idade, o IMC e a PIM (± desvio padrão) foram: 35,2 ± 12,7 anos, 32,0 ± 7,5 kg/cm2 e 41,9 ± 14,5 cmH2O, respectivamente. Sintomas visuais estavam presentes em 46 e TVC em 8 pacientes. TD (em meses) foi <1 em 21, 1-6 em 15 e >6 em 14 pacientes. Pacientes receberam tratamento clinico apenas (n=30) ou associado a tratamento cirúrgico (n=20). Na apresentação a PV era discreta em 16, moderada em 12 e grave em 22 pacientes. Vinte e oito pacientes melhoraram e 5 pioraram. PIM, TD e hipertensão arterial correlacionaram significativamente com PV grave. O melhor fator preditivo para PV grave foi o TD>6 meses (p=0,04; razão de chances 5,18). TD entre 1 e 6 meses foi o único fator significativamente associado com melhora visual após tratamento (p=0,042). Conclusões: Perda visual é comum na SPC e quando grave se mostra relacionado a atraso no diagnóstico. É usualmente permanente mas pode haver melhora visual especialmente quando a doença é diagnosticada nos primeiros 6 após o início dos sintomas.
Keywords: Pseudotumor cerebral; Perda visual; Hipertensão intracraniana; Papiledema