Arq. Bras. Oftalmol. 2002;65 (5 )
:579-584
| DOI: 10.1590/S0004-27492002000500016
Abstract
Neste relato é apresentado um caso de coloboma congênito de pálpebra superior reconstruído por meio de retalho de transposição de pálpebra inferior (retalho de Cutler-Beard), com bom resultado estético e funcional. A paciente apresentou como complicação o desenvolvimento de ambliopia por privação de imagem (em função do período de oclusão visual, entre a primeira e a segunda intervenção cirúrgica), que respondeu adequadamente à terapêutica instituída. Realizou-se revisão bibliográfica, comentando-se os princípios que regem a reconstrução de defeitos da pálpebra superior, mostrando vantagens e desvantagens de cada técnica e levantou-se discussão quanto ao melhor método de reconstrução nos recém-nascidos, em função dos riscos da ocorrência de ambliopia.
Keywords: Coloboma; Ambliopia; Pálpebras; Cirurgia plástica; Retalhos cirúrgicos; Relato de caso
Arq. Bras. Oftalmol. 2006;69 (5 )
:701-705
| DOI: 10.1590/S0004-27492006000500016
Abstract
OBJETIVO: Avaliar os custos do tratamento para blefaroespasmo essencial e espasmo hemifacial com toxina botulínica tipo A (Dysport®), correlacionando-os com sua eficácia terapêutica. MÉTODOS: Análise de 50 prontuários de pacientes com blefaroespasmo essencial e espasmo hemifacial, submetidos à terapia com Dysport®, no período de abril de 2002 a maio de 2004 no setor de Óculo-Plástica da Santa Casa de São Paulo. Dos 50 pacientes, 27 apresentavam blefaroespasmo essencial e 23 espasmo hemifacial. Informações sobre grau de satisfação, queixas e custos pessoais foram obtidas mediante questionário. Os custos do medicamento e dos materiais foram pesquisados no almoxarifado e na farmácia da Santa Casa. Quanto ao custo das consultas, utilizou-se a tabela de pagamento do SUS. Para a estatística foram utilizados os testes de Wilcoxon e Mann-Whitney. RESULTADOS: O custo total anual do tratamento foi de R$ 1.239,32 para o blefaroespasmo essencial e R$ 661,72 para o espasmo hemifacial. Para o paciente, o custo anual foi de R$ 145,48 para o blefaroespasmo essencial e R$ 126,07 para o espasmo hemifacial. Para o hospital, o custo anual foi de R$ 1.095,84 para o blefaroespasmo essencial e R$ 535,65 para o espasmo hemifacial. O tratamento com Dysport® promoveu melhora funcional significativa nos dois grupos. CONCLUSÃO: O procedimento tem custo elevado, principalmente devido ao preço da toxina. Entretanto, pela análise econômica da saúde fica demonstrado que o procedimento possui excelente relação custo-benefício.
Keywords: Blefarospasmo; Distonia; Espasmo hemifacial; Toxina botulínica tipo A; Toxina botulínica tipo A; Custos e análise de custo; Espasticidade muscular
Arq. Bras. Oftalmol. 2006;69 (6 )
:857-863
| DOI: 10.1590/S0004-27492006000600014
Abstract
OBJETIVO: O objetivo deste estudo é descrever o traçado eletrorretinográfico no gambá sul-americano (Didelphis aurita) obtido com estímulo cromático de comprimento de onda seletivo. O eletrorretinograma é o registro das variações de voltagem nas células retinianas, desencadeadas por estímulo luminoso. O eletrorretinograma representa a atividade elétrica combinada de diferentes células, e sofre variações dependendo da fisiologia retiniana e do método de exame. MÉTODOS: Foram registrados os eletrorretinogramas de seis animais em adaptação ao escuro utilizando filtros cromáticos Kodak Wratten®, e registrada a sensibilidade espectral para comprimentos de onda específicos nas faixas de cores do azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. RESULTADOS: Os resultados eletrorretinográficos mais consistentes foram obtidos quando o animal foi estimulado por faixas espectrais seletivas, ao invés de luz branca; e são consistentes com a curva de absorbância das opsinas descritas em fotorreceptores de marsupiais. Estudos prévios sugeriram a tricromacia dos marsupiais por microespectrofotometria de opsinas e imuno-histoquímica de retina. Esse fundamento morfológico não tinha demonstração fisiológica eletrorretinográfica, até este estudo. CONCLUSÃO: O gambá sul-americano tem se mostrado interessante como animal experimental no estudo comparativo da fisiologia visual em mamíferos, especialmente no estudo filogenético da visão cromática. Os marsupiais apresentam um modelo retiniano que superpõe os sistemas fotópico e escotópico; e o gênero Didelphis conserva características encontradas em fósseis do período pleoceno. Portanto, o sistema visual de um marsupial resgata características dos primórdios da evolução dos mamíferos, até o desenvolvimento dos padrões retinianos modernos.
Keywords: Percepção de cores; Retina; Eletrorretinografia; Opsina
Arq. Bras. Oftalmol. 2007;70 (2 )
:259-269
| DOI: 10.1590/S0004-27492007000200014
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a freqüência de discromatopsias através da 4ª edição do teste pseudoisocromático HRR (Hardy, Rand and Rittler) entre a população indígena masculina da aldeia Lalima, etnia Terena, na região de Miranda-MS. MÉTODOS: Foram realizadas viagens à aldeia Lalima em Miranda-MS, nos meses de janeiro e fevereiro de 2005. As viagens para realizar os exames só foram iniciadas após o projeto ter sido avaliado e aprovado pelos Comitê de Ética e Pesquisa da UFMS, Comitê Nacional de Ética e Pesquisa, Fundação Nacional do Índio e do cacique da aldeia Lalima. O teste HRR foi aplicado em 226 índios após terem sido submetidos a exame oftalmológico para detecção de anormalidades que pudessem comprometer a aplicabilidade do teste. O teste foi realizado sob luz natural, em dias ensolarados, sem incidência direta de sol. O teste foi aplicado e interpretado pelo mesmo examinador em todos os índios. RESULTADOS: Realizaram-se 226 exames (60,1%) de uma população de 376 homens entre 10 e 45 anos de idade, que vivem na Aldeia Lalima. Não foi encontrado nenhum caso de discromatopsia na população examinada com o teste HRR. CONCLUSÃO: O resultado do presente estudo mostra a baixa prevalência de discromatopsia nesta população indígena de etnia Terena, uma vez que não se detectou nenhum caso de discromatopsia na população estudada, sendo a prevalência de discromatopsia entre homens caucasianos de 6 a 8%. A ausência de discromatopsia na população estudada, no entanto, deve ser mais bem avaliada tentando aumentar o tamanho da amostra, utilização de outros testes e, principalmente, por estudos genéticos para verificar os genes codificadores dos fotopigmentos para melhor compreensão das condições relacionadas à visão de cores dessa comunidade indígena.
Keywords: Defeitos da visão cromática; Percepção de cores; Testes de percepção de cores; Testes visuais; População indígena
Arq. Bras. Oftalmol. 2007;70 (3 )
:423-427
| DOI: 10.1590/S0004-27492007000300007
Abstract
OBJETIVO: Identificar as causas de epífora congênita em pacientes com síndrome de Down. MÉTODOS: Foram analisados os prontuários de 695 pacientes com epífora congênita, atendidos no Ambulatório de Vias Lacrimais da Clínica Oftalmológica da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, de outubro de 1989 a julho de 2005. Todos foram previamente submetidos a exame oftalmológico completo e apresentavam como queixa principal epífora e/ou secreção ocular constante, uni ou bilateral, desde o nascimento. Os pacientes foram divididos em: grupo A, 30 pacientes com síndrome de Down, e grupo B, 665 pacientes controle. A avaliação das vias lacrimais foi realizada com a prova de irrigação sob anestesia geral. RESULTADOS: Os grupos A e B são semelhantes estatisticamente quanto à idade (p=0,07), sexo (p=0,63) e raça (p=0,68). As queixas bilaterais foram mais freqüentes no grupo A (p=0,0008). A obstrução anatômica das vias lacrimais foi encontrada em 32,73% do grupo A e em 85,51% do grupo B (p<0,0001). CONCLUSÃO: A maioria das causas de epífora congênita em pacientes com síndrome de Down é decorrente de bloqueio funcional da bomba lacrimal. A hipotonia da musculatura palpebral e as alterações palpebrais, comuns à síndrome de Down, são as principais hipóteses para essa disfunção, mas são necessários estudos posteriores para confirmação.
Keywords: Doenças do aparelho lacrimal; Obstrução dos ductos lacrimais; Síndrome de Down; Oftalmopatias