Arq. Bras. Oftalmol. 2015;78 (5 )
:295-299
| DOI: 10.5935/0004-2749.20150078
Abstract
RESUMOObjetivo:Avaliar a eficácia do uso tópico do colírio de ciclosporina 1% em dois veículos, óleo de oliva e linhaça, e dos óleos separados, no tratamento da ceratoconjuntivite seca experimentalmente induzida (KCS) em coelhos.Método:Vinte e cinco coelhos Nova Zelândia foram induzidos para KCS com colírio de sulfato de atropina a 1% por sete dias antes e durante o período de tratamento (12 semanas) e foram divididos em 5 grupos, um grupo controle (C), sem indução de KCS e quatro grupos de tratamento tópico com ciclosporina em óleo de oliva (CO), ciclosporina em óleo de linhaça (CL), óleo de oliva (O) e óleo de linhaça (L). Os animais foram avaliados utilizando o teste lacrimal de Schirmer I (STT), teste de fluoresceína (FT), teste de ruptura do filme lacrimal (TBUT), teste de rosa bengala (RBT) e análise histopatológica.Resultados:Os valores de TBUT e STT diminuíram significativamente uma semana pós-indução da KCS (p<0,05) e foram semelhantes aos valores iniciais após a quarta semana de tratamento, em todos os grupos. Após a indução de KCS, houve menor dano na córnea no grupo L em relação ao grupo CL, quando avaliados FT e RBT. A histopatologia demonstrou que os grupos L e CL apresentaram menos edema e congestão da córnea. Não houve diferença significativa na densidade das células caliciformes (células/mm2) entre os grupos (p=0,147).Conclusão:Ciclosporina diluída em óleo de oliva ou linhaça foi eficiente no tratamento da CCS, porém teve uma melhor eficácia quando diluída no óleo de linhaça. O óleo de linhaça, isoladamente ou associado, apresentou melhor eficácia quando comparado ao óleo de oliva. Estes resultados podem contribuir no futuro com novas formulações oftálmicas tópicas no tratamento da CCS.
Keywords: Ciclosporina/administração & dosagem; Óleo de palmeira; Óleo de semente do linho; Ceratoconjuntivite seca; Coelhos
Arq. Bras. Oftalmol. 2016;79 (2 )
:82-84
| DOI: 10.5935/0004-2749.20160025
Abstract
Objetivo: O ceratocone é uma ectasia corneana bilateral e assimétrica que leva a afinamento corneano inferior e protrusão da córnea, não existe consenso sobre qual é o melhor caminho para adaptar lentes de contato em pacientes com ceratocone, considerando seus diferentes padrões topográficos e graus de evolução. O objetivo desse estudo é associar o grau de evolução e padrão topográfico com o tipo/desenho da lente adaptada. Métodos: Análise retrospectiva das lentes de contato adaptadas em 185 pacientes com ceratocone (325 olhos) no Departamento de Lentes de Contato. O ceratocone foi classificado de acordo com a ceratometria em graus I, II, III e IV e de acordo com a morfologia em cone redondo, oval, globoso e indeterminado. Resultados: Foram avaliados 325 olhos. Em 66,1% dos olhos com grau I foi adaptada lente monocurva. Dos 162 olhos classificados como graus I e II foram adaptadas lentes monocurva em 51%, bicurva em 30% e outros em 19%. Em relação aos olhos grau III, em 52,1% foram adaptadas lentes bicurvas e o mesmo aconteceu em 62,2% dos olhos com grau IV. Apenas 26% dos olhos grau III ou IV receberam lentes monocurva, com necessidade de bicurvas em 55%. 45% dos cones ovais foram adaptados com lentes monocurva, 35% com bicurvas e 20% com outros tipos, enquanto 55% dos cones redondos foram adaptados com lentes bicurvas, apenas 30% com monocurvas e 15% com outros desenhos. Conclusão: Lentes de contato rígida gás-permeável (LCRGP) monocurvas são mais frequentemente utilizadas em ceratocones leves e moderados e em ovais, enquanto bicurvas são mais usadas para casos graves e avançados e em cones redondos.
Keywords: Doenças da córnea; Ceratocone; Ceratocone/classificação; Lentes de contato; Desenho de equipamento
Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (2 )
:158-165
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220071
Abstract
OBJETIVOS: o principal objetivo deste estudo foi descrever pacientes com achados vasculares retinianos temporalmente relacionados à vacinação contra COVID-19. Com maior notificação de possíveis eventos adversos similares, esperamos compreender a real dimensão e relevância do que foi apresentado.
MÉTODOS: Onze pacientes com queixas visuais após vacinação contra COVID-19 foram estudados. Os dados analisados foram: idade, gênero, tipo de vacinação, tempo de aparecimento de sintomas, achados sistêmicos, antecedentes pessoais, acuidade visual com melhor correção, biomicroscopia e imagem retiniana multimodal (retinografia colorida, red-free, SD-OCT, OCTA e angiofluoresceinografia). Os critérios de inclusão foram a presença de alterações oftalmológicas ocorridas dentro de 30 dias após a primeira ou segunda dose de qualquer vacina contra COVID-19.
RESULTADOS: Onze pacientes foram incluídos: 5 com oclusão arterial (45,4%), 4 com oclusão venosa (36,4%) e 2 (18,2%) com alterações não específicas vasculares sugestivas de isquemia retiniana como exsudatos algodonosos. A idade média dos pacientes foi de 57 anos (DP=16; com intervalo de 27 a 84 anos). A média de tempo de aparecimento de sintomas após a vacinação foi de 10 dias (DP=5,4; com intervalo de 3 a 16 dias). Nove dos onze pacientes eram do sexo feminino (81,8%). Fatores de risco sistêmicos foram observados em 36,4% dos pacientes. Dois pacientes tiveram sintomas neurológicos e visuais, com oclusão arterial. 36,4% dos pacientes tiveram infecção prévia por COVID-19 no último ano. Sete pacientes (63,6%) receberam a vacina ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222).
CONCLUSÕES: nossos dados sugerem que eventos retinianos temporalmente relacionados à vacinação contra COVID-19 são possíveis, porém raros. A relação entre estes eventos pós-vacinais exigem futura atenção antes de maiores conclusões.
Keywords: COVID-19; Infecções por coronavírus; Vacina; Oclusão arterial; Oclusão venosa; Síndrome de Susac