Arq. Bras. Oftalmol. 2003;66 (3 )
:279-288
| DOI: 10.1590/S0004-27492003000300005
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a toxicidade ocular do colírio de iodo-povidona a 2,5% e a 0,5% sobre a superfície ocular, na regeneração do epitélio corneal e as alterações histopatológicas da córnea. MÉTODOS: Realizaram-se estudos experimentais consecutivos em coelhos albinos, nos quais se fez a ablação do epitélio de uma área circular central da córnea de 6,5 mm de diâmetro. Em cada experimento foram utilizados 20 animais (40 olhos), sendo que no olho direito foi instilado o colírio de iodo-povidona (caso) e no olho esquerdo água destilada (controle), em intervalos de uma hora, durante três dias consecutivos. Durante o experimento, os animais foram submetidos a exames biomicroscópicos diários para avaliação da superfície córneo-conjuntival e realização de fotografias seriadas da área sem epitélio, corada com fluoresceína, para medida da área projetada da lesão com auxílio de analisador de imagem computadorizado. No final do experimento, os animais foram sacrificados para avaliação histopatológica das córneas. RESULTADOS: O colírio de iodo-povidona a 2,5% comprometeu a regeneração epitelial, causou conjuntivite em 100% dos olhos, com produção de secreção de aspecto mucoso em 80%, ceratite ponteada em 40% e edema estrômico leve em 10% dos casos. Os achados histopatológicos foram úlcera de córnea, degeneração hidrópica das células endoteliais e infiltrado inflamatório com predomínio de eosinófilos em 100% dos casos. Nos olhos em que se instilou iodo-povidona a 0,5%, assim como nos controles, observou-se completa regeneração da lesão epitelial (p<0,001) após 72 horas do início do experimento. Do ponto de vista histopatológico, epitelização normal em todos os casos e controles, em apenas um caso observou-se discreto infiltrado de leucócitos perilímbicos. CONCLUSÃO: A toxicidade ocular do colírio de iodo-povidona é dependente da concentração da solução, sendo que o colírio a 2,5% mostrou-se inadequado para utilização em intervalos de uma hora e a 0,5% não causou toxicidade significante.
Keywords: Povidona-iodo; Soluções oftálmicas; Epitélio da córnea; Conjuntiva; Experimentação animal; Coelhos
Arq. Bras. Oftalmol. 2005;68 (4 )
:551-553
| DOI: 10.1590/S0004-27492005000400024
Abstract
O objetivo do caso é descrever a presença de micobactérias viáveis em pacientes com ceratite, 6 meses após tratamento intensivo. A identificação de espécies, foi efetuada usando método PRA (polymerase chain reaction seguida pela restriction endonuclease analysis). Clonalidade foi avaliada pelos métodos RAPD (randomly amplified polymorphic DNA) e ERIC-PCR (enterobacterial repetitive intergenic consensus - polymerase chain reaction). Paciente refere trauma com corpo estranho metálico há 3 semanas. A cultura da córnea revelou Mycobacterium abscessus. Após 6 meses de tratamento tópico e sistêmico, paciente apresentava-se sem inflamação, sendo considerado clinicamente curado. Realizou-se então, uma ceratoplastia penetrante com intuitos ópticos. A cultura da córnea transplantada revelou micobactérias de mesma origem clonal. O achado mais interessante neste relato, foi a positividade da cultura da córnea transplantada após 6 meses de intenso tratamento específico. Ao nosso conhecimento, esse é o primeiro caso relatado na literatura mostrando essa possibilidade em tratamento de ceratites por micobactérias. Assim, os pacientes com ceratite por Mycobacterium abscessus podem apresentar bactérias viáveis após longo tempo de tratamento específico e precisam ser seguidos cuidadosamente por um longo período de tempo.
Keywords: Corpos estranhos no olho; Ceratite; Córnea; Infecções oculares bacterianas; Micobactérias atípicas; Mycobacterium fortuitum; Mycobacterium chelonae; Relato de caso