Arq. Bras. Oftalmol. 2019;82 (2 )
:119-123
| DOI: 10.5935/0004-2749.20190026
Abstract
Objetivo: Avaliar a aderência, a eficácia e segurança do uso prolongado de tacrolimus tópico no controle clínico da ceratoconjuntivite vernal.
Métodos: Um estudo retrospectivo foi desenvolvido através da análise de prontuários de pacientes com ceratoconjuntivite vernal em tratamento prolongado com tacrolimus tópico 0,03%. A duração do tempo de uso do tacrolimus e as causas de descontinuação da medicação foram usadas para avaliar a adesão ao tratamento. Para avaliar a eficácia da droga, a necessidade e o número de vezes em que corticoides tópicos foram utilizados para controlar os sintomas foram registrados. Os efeitos colaterais relacionados ao uso do tacrolimus foram monitorados para determinar a segurança da droga.
Resultados: Vinte e um pacientes preencheram os critérios de eleição e foram incluídos no estudo. A duração média do uso de tacrolimus foi de 41,3 ± 18,5 meses. Quatorze pacientes (66,7%) usaram continuamente o tacrolimus e 3 (14,3%) descontinuaram o tratamento após a remissão completa. Quatro pacientes (19%) não usaram o tacrolimus conforme prescrito ou interromperam o uso da droga isoladamente: 2 (9,5%) por desconforto na aplicação e 2 (9,5%) pela falta de melhora. Dez pacientes (47,6%) mantiveram a doença sob controle sem o uso de corticoides, enquanto 11 (52,4%) necessitaram em média 2,70 ± 1,35 ciclos corticoides para controle dos sintomas. O único efeito adverso relatado foi desconforto na aplicação.
Conclusões: Apesar do pequeno tamanho da amostra e das limitações do desenho do estudo, esses resultados suportam o uso prolongado do tacrolimus tópico como opção eficaz e segura para o tratamento da ceratoconjuntivite vernal, com boa adesão dos pacientes ao tratamento.
Keywords: Ceratoconjuntivite vernal, ceratoconjuntivite primaveril, tacrolimus, conjuntivite alérgica, antialérgicos
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (6 )
:576-581
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210095
Abstract
Objetivo: Comparar a acuidade visual prevista pelo Escore de Trauma Ocular com a acuidade visual final dos pacientes vítimas de trauma ocular aberto atendidos em hospital no sul do Brasil.
Métodos: Foram analisados 120 olhos de 119 vítimas de trauma ocular aberto. Foi realizado um estudo observacional e retrospectivo em hospital universitário. Foram extraídos dados de prontuários relacionados a idade, sexo, olho acometido e mecanismo de trauma, bem como dados para o cálculo do Escore de Trauma Ocular (acuidade visual inicial, presença de ruptura de globo, perfuração, endoftalmite, descolamento de retina, defeito pupilar aferente) e acuidade visual final.
Resultado: Houve concordância entre a acuidade visual prevista pelo Escore de Trauma Ocular e a acuidade visual final prevista no presente estudo. A análise isolada das variáveis demonstrou significância para acuidade visual inicial (p<0,001), para descolamento de retina (p=0,001) e para defeito pupilar aferente (p<0,004). Não houve diferença significativa entre a acuidade visual final do estudo original do Escore de Trauma Ocular. e na população abordada no presente estudo.
Conclusão: O Escore de Trauma Ocular pode ser aplicado à população estudada no presente estudo como ferramenta de determinação do prognóstico visual em vítimas de trauma ocular aberto. As variáveis mais significativas são acuidade visual inicial, descolamento de retina e defeito pupilar aferente. Estudos prospectivos com amostras maiores são necessários para comprovar tal hipótese.
Keywords: Índices de gravidade do trauma; Acuidade visual; Traumatismos oculares; Prognóstico