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Abstract
Objetivo: Verificar a correlação e a correspondência topográfica entre a espessura da camada de fibras nervosas da retina, medidas pelo polarímetro de varredura a laser GDxTM Scanning Laser System® e o campo visual, medido pelo perímetro automatizado Humphrey® ("white-white") em portadores de glaucoma primário de ângulo aberto. Métodos: Foram investigadas as seguintes correlações: 1- Correlação entre a média da sensibilidade dos quadrantes e do ponto de fixação do campo visual, em decibéis, e a média da espessura da camada de fibras nervosas da retina correspondente, em micra, sem classificação dos olhos dos pacientes quanto ao estadio do comprometimento perimétrico. 2- A mesma correlação anterior, porém, com os olhos dos pacientes distribuídos em classes quanto à alteração perimétrica. 3- Correlação entre os índices globais do campo visual e os índices numéricos do analisador de espessura da camada de fibras nervosas da retina. 4- Correlação entre a média dos valores do gráfico "total deviation" do campo visual e o desvio da normalidade da camada de fibras nervosas da região correspondente. 5- Investigou-se a freqüência de correspondência topográfica entre os defeitos perimétricos e as alterações da camada de fibras nervosas da retina. Utilizou-se o coeficiente de correlação de Spearman, sendo o nível de rejeição para a hipótese de nulidade fixado num valor menor ou igual a 0,05 (5%). Resultados: Observou-se as seguintes correlações estatisticamentes significantes, mas de forma muito pouco intensa: 1- GDX total e Campo visual total; GDX superior e Campo visual nasal inferior; GDX inferior e Campo visual nasal superior; GDX nasal e Campo visual temporal; GDX superior e Campo visual inferior; GDX inferior e Campo visual superior. 2- GDX inferior e Campo visual nasal (medial) superior dos pacientes classificados como graves. 3- Nos olhos classificados como normais: PSD e EM; CPSD e SI.Nos olhos classificados como discretos: SF e SN. Nos olhos classificados como moderados: SF e SI. Nos olhos classificados como graves: MD e SN; MD e EM; MD e S; CPSD e EM. 4- DN t e TD t; DN s e TD ni; DN i e TD ns. 5- Encontramos correspondência positiva (+) em 36 olhos (51,43% dos casos) e correspondência negativa (-) em 34 olhos (48,57% dos casos). Conclusões: Concluiu-se que houve poucas correlações significantes entre esses dois exames, e que as existentes foram muito fracas. Conclui-se, também, que houve correspondência topográfica, na análise dos setores mais comprometidos, em 51,43% dos casos.
Keywords: Glaucoma; Fibras nervosas; Topografia; Retina; Campos visuais
Abstract
Objetivo: Comparar os resultados a longo prazo entre a cirurgia extracapsular da catarata combinada à trabeculectomia (FEC/TREC) e a facotrabeculectomia (FACO/TREC). Métodos: Os prontuários de 46 pacientes (53 olhos) submetidos à cirurgia combinada na Santa Casa de São Paulo entre janeiro de 1996 e novembro de 1999 foram revisados; dados relativos à pressão ocular (PO), acuidade visual (AV) e número de medicações foram analisados. Resultados: Em ambos os grupos, após seguimento médio de 18 meses, a acuidade visual melhorou e a pressão ocular diminuiu em relação aos valores pré-operatórios (P<0,05); 55,5% no grupo da facotrabeculectomia e 46,1% no grupo da catarata combinada à trabeculectomia obtiveram a pressão ocular final menor que 22 mmHg sem medicação (P=0,3). Conclusão: Ambas as técnicas são eficazes no tratamento simultâneo do glaucoma e da catarata. Entretanto, a facotrabeculectomia parece promover pressão ocular menor sem a necessidade do uso de medicações hipotensoras oculares em maior número de pacientes.
Keywords: Glaucoma; Catarata; Trabeculectomia; Acuidade visual; Mitomicina; Terapia combinada; Seguimentos; Estudo comparativo
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a evolução da hipermetropia na infância. MÉTODOS: Estudo retrospectivo, pela análise de prontuários de 67 pacientes que tiveram seu primeiro exame refrativo até os 3 anos de idade e tendo um período mínimo de seguimento de 5 anos. A idade média ao primeiro exame foi 18,5 ± 6,9 meses e a idade média final de acompanhamento foi de 8,4 ± 1,7 anos, o que proporcionou um tempo médio de seguimento dos pacientes de 6,8 ± 1,3 anos. RESULTADOS: Houve aumento da hipermetropia quando comparado o 1º com o 3º ano de vida (p<0,05), mantendo após esse período uma curva sem diferenças estatísticas até o 10º ano de vida. Não houve diferença na variação da hipermetropia quando se dividiram as crianças em grupos com baixas e altas ametropias. CONCLUSÃO: O presente estudo demonstra que a hipermetropia apresenta pequena variação nos primeiros anos de vida, porém tende a manter-se estatisticamente inalterada dos 3 aos 10 anos de idade.
Keywords: Hiperopia; Criança; Estudos retrospectivos; Evolução
Abstract
OBJETIVO: Estudar a prevalência de glaucoma, em funcionários da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e analisar a validade da inclusão da perimetria de freqüência dupla junto à tonometria de não-contato e à oftalmoscopia direta, na triagem para glaucoma. MÉTODOS: Foram examinados 612 funcionários voluntários, 438 mulheres e 174 homens, com idade média de 45,05±7,7 anos. Eram 437 da raça branca, 104 mulatos, 43 da raça negra e 28 da raça amarela. Todos os funcionários tiveram ambos os olhos examinados por especialistas em glaucoma, que realizaram os seguintes exames: perimetria de freqüência dupla (FDT), oftalmoscopia direta (FO), tonometria de não-contato (TNC). RESULTADOS: Dos 612 indivíduos triados, 159 (25,98%) apresentaram alguma anormalidade em pelo menos um dos exames: 5 (3,14%) apresentaram pressão intra-ocular elevada (TNC+); 13 (8,17%) apresentaram oftalmoscopia suspeita (FO+); 110 (69,18%) apresentaram perimetria de freqüência dupla alterado (FDT+); 8 (5,03%) TNC+ e FO+; 10 (6,28%) TNC+ e FDT+; 9 (5,66%) FO+ e FDT+; 4 (2,51%) TNC+, FO+ e FDT+. Foram detectados 12 (1,96%) indivíduos com glaucoma, quatro dos quais (0,65%) com glaucoma de pressão normal. CONCLUSÕES: A perimetria de freqüência dupla mostrou-se útil para o rastreamento de glaucoma dentro da amostragem estudada. Do total de 12 indivíduos que tiveram o diagnóstico de glaucoma, 5 (41,6%) não teriam sido detectados se não tivessem sido submetidos a perimetria de freqüência dupla.
Keywords: Glaucoma; Glaucoma; Perimetria; Tonometria ocular; Oftalmoscopia
Abstract
OBJETIVOS:Avaliar os resultados quanto à acuidade visual, de dois procedimentos cirúrgicos para a ectopia lentis. MÉTODOS: Foram operados 51 olhos de 28 pacientes (16 do sexo masculino e 12 do feminino, com média de idade de 16,00±8,5 anos) com ectopia lentis simples (19 casos), ou associada à síndrome de Marfan (nove casos), com diferentes graus de subluxação cristaliniana. Em 21 casos a técnica empregada foi a facectomia com implante de lente intra-ocular (LIO) por fixação escleral e em 30 casos foi utilizada a facectomia com implante da lente intra-ocular no saco capsular, previamente expandido por anel endocapsular (ANEL). Os resultados enfatizaram a acuidade visual pré e pós-operatória em seguimento de seis meses. RESULTADOS:Em ambas as técnicas, a acuidade visual pós-operatória sem e com correção teve aumento significante, que foi maior nos casos operados com fixação escleral da lente intra-ocular. Mais do que a técnica empregada, os graus de subluxação pré-operatórios foram determinantes para os resultados. CONCLUSÕES: Mediante as técnicas operatórias apresentadas, a correção cirúrgica da ectopia lentis simples ou associada à síndrome de Marfan é segura e eficaz, com recuperação significante da acuidade visual, embora os resultados operatórios dependam, intrinsecamente, dos graus pré-operatórios de subluxação do cristalino.
Keywords: Ectopia lentis; Síndrome de Marfan; Lentes intra-oculares; Esclera; Cápsula do cristalino; Próteses e implantes; Acuidade visual; Adolescente
Abstract
OBJETIVO: Caracterizar os defeitos de campo visual nos exames realizados com o perímetro Humphrey®, estratégia SITA - Swedish Interactive Threshold Algorithm - segundo sua freqüência e localização em pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA). MÉTODOS: Realizamos análise retrospectiva de 6.200 prontuários. Avaliamos o exame de campo visual dos pacientes que preenchiam os critérios de inclusão e os dividimos em glaucoma leve, moderado e grave de acordo com a classificação de Hodapp. Definimos os seguintes defeitos glaucomatosos: degrau nasal, escotoma paracentral, escotoma arqueado, escotoma Seidel, defeito temporal em cunha, diminuição generalizada de sensibilidade, escotoma anular e campo tubular. Utilizamos diagrama que correlaciona os pontos do campo visual com as regiões do disco óptico e avaliamos as regiões mais acometidas de acordo com a densidade de pontos comprometidos. A análise estatística foi realizada aplicando-se o teste t de Student. RESULTADOS: Selecionamos 152 pacientes com idade média de 66,5±9,6%, sendo 59,9% do sexo feminino. No glaucoma leve o defeito campimétrico mais freqüente foi o degrau nasal superior, seguido respectivamente pelo escotoma paracentral e degrau nasal inferior. A diminuição generalizada de sensibilidade, apesar de rara, ocorreu em 7,8% desses pacientes. A região superior foi mais acometida que a inferior. CONCLUSÃO: O degrau nasal superior e o escotoma paracentral foram os defeitos mais freqüentemente observados no glaucoma primário de ângulo aberto em fase inicial pela estratégia SITA, e o hemicampo superior foi a região mais acometida. A diminuição generalizada de sensibilidade foi defeito glaucomatoso precoce.
Keywords: Glaucoma; Perimetria; Limiar sensorial; Campos visuais; Sensibilidade e especificidade
Abstract
OBJETIVO: Comparar a sensibilidade e especificidade da perimetria acromática com estímulo de tamanho I (BB-I) com a perimetria acromática convencional (estratégia SITA) e a perimetria azul-amarelo (SWAP) para o diagnóstico precoce do glaucoma. MÉTODOS: Setenta e três olhos de 73 pacientes suspeitos, glaucomatosos e normais foram submetidos às perimetrias SITA 24-2, BB-I e SWAP. Após aplicação de critérios específicos de anormalidade para interpretação dos resultados, calculou-se a sensibilidade, a especificidade e a área sob a curva ROC (Receiver Operating Characteristic) para cada um dos exames. As áreas sob as curvas ROC foram comparadas aos pares com o teste Z univariável e significância 5%. RESULTADOS: O BB-I demonstrou maior sensibilidade (100%) e menor especificidade (75,7%). O SWAP revelou menor sensibilidade (69,4%), porém maior especificidade (89,2%). A comparação pareada entre as curvas ROC não revelou diferença estatisticamente significante entre as três técnicas perimétricas estudadas. CONCLUSÕES: O BB-I revelou-se eficaz na detecção de defeitos precoces de campo visual no glaucoma. Esta técnica soma-se ao armamentário semiológico disponível para o diagnóstico funcional precoce da neuropatia óptica glaucomatosa.
Keywords: Perimetria; Glaucoma; Sensibilidade e especificidade; Campo visual
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OBJETIVO: A crotoxina é a principal toxina do veneno da cobra cascavel sul-americana Crotalus durissus terrificus e causa bloqueio da neurotransmissão na junção neuromuscular. O objetivo deste estudo foi avaliar a ação e aplicabilidade da crotoxina na indução de paralisia da musculatura extrínseca ocular, e comparar seus efeitos com os da toxina botulínica do tipo A (TB-A). MÉTODOS: A crotoxina, com DL50 de 1,5 µg, foi aplicada no músculo reto superior direito de dez coelhos da raça neozelandesa, em concentrações que variaram de 0,015 µg a 150 µg. Em dois coelhos, utilizou-se 2 unidades de toxina botulínica do tipo A para análise comparativa. A avaliação da paralisia foi realizada através de eletromiografia seriada. Após a recuperação, que ocorreu em dois meses, seis coelhos foram sacrificados para estudo anátomopatológico. RESULTADOS: Os animais não apresentaram sinais de intoxicação sistêmica. Ptose palpebral transitória foi observada em quase todos os animais e permaneceu por até 14 dias. As toxinas causaram um bloqueio imediato da captação dos potenciais elétricos. A recuperação foi gradativa no período aproximado de um mês, observando-se sinais evidentes de regeneração no registro eletromiográfico. Os efeitos da crotoxina na paralização do músculo injetado foram proporcionais à concentração. A crotoxina, na concentração de 1,5 µg, induziu alterações semelhantes às da toxina botulínica do tipo A. Os achados anátomo-patológicos foram localizados somente na região em que se aplicou as toxinas, não havendo necrose de fibras musculares em nenhuma amostra analisada. As alterações causadas pela crotoxina também foram proporcionais à concentração utilizada e similares a toxina botulínica do tipo A na concentração de 1,5 µg. CONCLUSÃO: A crotoxina foi capaz de induzir paralisia transitória do músculo reto superior. Este efeito foi caracterizado pela redução na amplitude dos potenciais de ação e sinais inespecíficos de fibrilação. Observou-se que a ação da crotoxina, em concentração de 1,5 µg, proporcionou efeito semelhante ao da toxina botulínica do tipo A.
Keywords: Crotoxina; Venenos de crotalídeos; Serpentes; Toxinas botulínicas tipo A; Proteínas neurotóxicas de elapídeos; Oftalmolplegia; Junção neuromuscular; Estudo comparativo
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OBJETIVO: A crotoxina é a principal neurotoxina da cascavel sul-americana Crotalus durissus terrificus e sua ação neurotóxica caracteriza-se por um bloqueio pré-sináptico. O objetivo da pesquisa é avaliar a capacidade da crotoxina em induzir paralisia transitória de músculos extraoculares e faciais em seres humanos. MÉTODOS: As doses utilizadas de crotoxina foram de 2 a 5 unidades (U), sendo que cada unidade correspondia a uma DL-50. Na primeira etapa, aplicou-se 2U de crotoxina em músculos extraoculares de 3 indivíduos amauróticos, candidatos à evisceração. Na segunda etapa, realizaram-se 12 aplicações de crotoxina em músculos extraoculares de 9 indivíduos estrábicos e amblíopes. Na terceira e última etapa, utilizou-se a crotoxina para o tratamento do blefaroespasmo essencial em 3 indivíduos. RESULTADOS: Nenhum paciente demonstrou qualquer efeito sistêmico ou alteração da visão ou de qualquer estrutura ocular. O único efeito local adverso foi hiperemia conjuntival, que melhorou espontaneamente. Em 2 pacientes não houve alteração do desvio ocular após a aplicação de 2U de crotoxina. Observou-se em 8 das 12 aplicações, limitação do movimento ocular no campo de ação do músculo aplicado. A diminuição do desvio ocular com 2U crotoxina (9 aplicações) foi em média de 15,7 dioptrias prismáticas (DP); na dosagem de 4U (2 aplicações) foi em média de 37,5 DP e na única aplicação de 5U, obteve-se redução de 16 DP no desvio ocular. A alteração do alinhamento ocular manteve-se por 1 a 3 meses. Dois dos 3 pacientes portadores de blefaroespasmo apresentaram melhora dos espasmos hemifacias, os quais voltaram após 2 meses. CONCLUSÕES: Através dos resultados observados neste estudo, acreditamos que a crotoxina possa ser útil no tratamento do estrabismo e do blefaroespasmo. Novos estudos precisam ser realizados para confirmar a eficácia e a segurança da crotoxina como opção terapêutica para diversas áreas da medicina que atualmente utilizam a toxina botulínica.
Keywords: Crotoxina; Crotoxina; Estrabismo; Músculos oculomotores; Blefarospasmo
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