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Abstract
Objetivo: Definir as indicações mais freqüentes de ceratoplastia penetrante no Serviço de Oftalmologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - a verificação da doença corneana mais transplantada bem como as médias etária e de tempo de preservação das córneas utilizadas. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo comparativo entre os pacientes atendidos e que tiveram indicação de transplante de córnea (transplantados e em lista de espera) no período de janeiro de 1988 a dezembro de 1997. Resultado: As principais indicações foram: ceratocone (28,6%), ceratopatia bolhosa (20,9%), leucoma (12,6%) e retransplante (11,0%). A doença mais transplantada foi o ceratocone (95% dos casos). As médias etária e de preservação das córneas utilizadas foram 44 anos e 6,6 dias respectivamente. Conclusão: As principais indicações de ceratoplastia penetratnte em nosso meio são o ceratocone, a ceratopatia bolhosa, os leucomas e o retransplante. A doença mais transplantada foi o ceratocone por ser a doença mais incidente e não pelo fato de termos maior oferta de córneas doadoras idosas como suspeitávamos inicialmente. Quanto às médias etária e de tempo de preservação das córneas utilizadas houve preferência estatisticamente significativa pelo uso de córneas mais jovens nos casos de ceratopatia bolhosa.
Keywords: Transplante de córnea; Doadores de tecidos; Ceratoplastia penetrante; Preservação de órgãos; Estudos retrospectivos
Abstract
Objetivo: Estudar a acuidade visual dos candidatos a condutores de veículos da cidade de Pelotas e sua associação com as características sociodemográficas dos candidatos. Métodos: Foram examinados 1.010 candidatos a condutores em um serviço médico autorizado pelo Detran. Avaliou-se a acuidade visual, com e sem correção, bem como a sua relação com a visão de cores, sexo, idade e profissão dos entrevistados, por meio da análise de freqüências e de teste para associação. Resultados: Deste contingente 73,0% eram do sexo masculino, 65,0% tinham idade entre 18 e 45 anos, 51,4% ocupavam o setor de serviços e 25,0% utilizavam meio de correção visual. Sob o ponto de vista oftalmológico, 0,5% dos entrevistados não poderiam dirigir veículos automotores e 4,7% só poderiam obter habilitação para condução veicular, nas categorias A e B. Mostrou-se associada à acuidade visual baixa a maior longevidade. Conclusão: Baseado nos resultados, sugere-se menor intervalo de tempo para reavaliação visual dos motoristas das categorias C, D e E.
Keywords: Acuidade visual; Testes visuais; Transtornos da visão; Exame para habilitação de motoristas; Percepção de cores; Fatores socioeconômicos; Defeitos da visão de cores; Fatores sexuais
Abstract
OBJETIVO: Estabelecer o perfil clínico-terapêutico e resultados cirúrgicos de crianças submetidas a lensectomia. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de 89 olhos operados de 62 crianças do Setor de Catarata Congênita do Departamento de Oftalmologia da UNIFESP-EPM. RESULTADOS: Entre as 62 crianças, 30,64% apresentaram causa infecciosa, 19,36% genética e 50% idiopática. Estrabismo foi encontrado em 54,83% das crianças e 27,42% apresentaram alterações sistêmicas. Quanto às condições gestacionais, 22,58% das mães não realizaram adequadamente o pré-natal. Consangüinidade foi observada em 17,74% dos casais e catarata congênita em 9,68% dos familiares. A suspeita diagnóstica foi realizada pelas mães em 72,58% dos casos, sendo leucocoria o principal sinal. A idade da suspeita diagnóstica variou de imediatamente após o nascimento até 15 meses (média = 1,34 meses), ao passo que a idade de atendimento no serviço variou de 8 dias a 20 meses (média = 5,84 meses). Opacidade secundária de eixo visual foi a principal complicação cirúrgica, ocorrendo em 19,1% dos olhos operados. Com relação à adesão ao tratamento pós-operatório, 45,16% apresentaram dificuldades quanto ao uso de oclusivo, óculos ou colírios. CONCLUSÃO: A rubéola persiste como uma das principais causas de catarata congênita em nosso meio, sendo necessário maior atenção às medidas preventivas A suspeita diagnóstica inicial da catarata é realizada principalmente pelas mães (72,58%) e até os 3 meses de idade (93,44%) período ideal para a recuperação visual. Há, porém, demora considerável entre a suspeita e o atendimento no serviço especializado. A realização tardia da cirurgia, juntamente com insatisfatória adesão ao tratamento pós-cirúrgico, compromete os resultados visuais finais.
Keywords: Catarata; Catarata; Extração de catarata; Ambliopia; Procedimentos cirúrgicos oftalmológicos; Estudos retrospectivos
Abstract
OBJETIVO: Comparar a influência do tipo de tratamento em diferentes regiões do campo visual glaucomatoso após redução da pressão intra-ocular (Pio). MÉTODOS: Pacientes com glaucoma que obtiveram redução da Pio de pelo menos 20% em um período de 2 meses foram retrospectivamente selecionados e divididos em 2 grupos: 1) após trabeculectomia; 2) após tratamento clínico. Índices do campo visual e os limiares de sensibilidade (totais, e divididos de acordo com a gravidade no gráfico do "Pattern Deviation") foram anotados imediatamente antes e após a redução da Pio, comparados entre os grupos, e dentro dos mesmos. RESULTADOS: Trinta e um olhos de 22 pacientes foram incluídos no estudo (15 no grupo 1, e 16 no grupo 2). Ambos os grupos demonstraram alta habilidade na melhora de regiões do campo visual após a redução da Pio. Apenas a porcentagem da redução da Pio (52,3±18,9% e 37,8±15,2% para os grupos 1 e 2, respectivamente, p=0,02) e a porcentagem de melhora nos pontos lesados a 0,5% (186,0±213,3% e 30,1±35,2% para os grupos 1 e 2, respectivamente, p=0,02) foram diferentes entre os grupos, porém sem significância após correção do erro alfa. CONCLUSÃO: A redução da Pio acima de 20% pode estar associada à melhora em regiões do campo visual glaucomatoso, independente da modalidade de tratamento.
Keywords: Pressão intra-ocular; Glaucoma; Perimetria; Tonometria ocular; Estudos retrospectivos; Resultado de tratamento
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OBJETIVOS: Determinar a micobiota de conjuntiva sadia em indivíduos diabéticos, segundo tipo de diabetes, idade, sexo, tempo de doença, tipo de tratamento e estádio da retinopatia. Estabelecer a micobiota anemófila nas salas de colheita. MÉTODOS: Estudo transversal de 803 diabéticos residentes na zona urbana de São Paulo - SP/Brasil. Foi usado para primo-isolamento o meio de cultivo ágar Sabouraud dextrose com cloranfenicol e para identificação dos fungos filamentosos a chave de De Hoog. RESULTADOS: Dos diabéticos avaliados, 6,6% (53/803) apresentavam diabetes tipo 1 e 93,4% (750/803) tipo 2. Os cultivos positivos para fungos em conjuntiva de diabéticos foi 4,2% (34/803), sendo 1,9% (1/53) nos diabéticos tipo 1 e 4,4% (33/740) nos diabetes tipo 2 (p=0,720). Não foi verificada associação estatisticamente significante quanto à presença ou não de isolamentos de fungos em relação idade (p=0,575), sexo (p=0,517), tempo de doença (p=0,633), tipo de tratamento (p=0,422) e estádio de retinopatia diabética (p=0,655) desses indivíduos. Todos os fungos identificados foram filamentosos: Aspergillus spp. representou 59,5% (25/42) dos isolamentos sendo 47,6% (20/42) Aspergillus niger. Ocorreu crescimento de fungos anemófilos do ar ambiente da sala, observando-se coincidências entre as espécies isoladas no ar e na conjuntiva. CCONCLUSÕES: Foi identificada presença de micobiota em conjuntiva sadia de diabéticos, não havendo associação entre a maior positividade de isolamentos fúngicos e o tipo de diabetes, idade, sexo, tempo de doença, tipo de tratamento e estádio da retinopatia diabética. Nas salas de colheita foi identificada micobiota anemófila.
Keywords: Conjuntiva; Fungos; Diabetes mellitus; Retinopatia diabética; Contagem de colônia microbiana; Aspergillus niger; Aspergillus; População urbana
Abstract
OBJETIVO: Avaliar o desempenho do teste provocativo da ibopamina em pacientes com glaucoma usuários de drogas hipotensoras. MÉTODOS: Pacientes glaucomatosos foram recrutados do Centro de Referência em Oftalmologia (CEROF) da Universidade Federal de Goiás, e suas drogas hipotensoras em uso registradas. Indivíduos normais foram amigos e parentes dos pacientes. A seguir, foram instiladas duas gotas de ibopamina 2% com intervalo de 5 minutos. A pressão intra-ocular (Pio) foi medida previamente, e após 30, 60 e 180 minutos. No nosso estudo, o teste da ibopamina foi considerado positivo quando a pressão intra-ocular excedeu 4 mmHg em pelo menos uma das medidas. RESULTADOS: Cinquenta e oito olhos de 58 indivíduos (38 glaucomatosos e 20 normais) foram incluídos no estudo. O aumento da pressão intra-ocular foi maior nos pacientes com glaucoma aos 30, 60 e 180 minutos (p<0,001 em todas as ocasiões). O aumento da pressão intra-ocular foi estatisticamente maior aos 30 minutos nos indivíduos que não utilizavam análogos das prostaglandinas (p=0,01). A sensibilidade do teste foi de 68% (87% se excluirmos pacientes em uso de análogos das prostaglandinas), e a especificidade de 95%. CONCLUSÃO: O teste provocativo da ibopamina 2% pode ser ferramenta auxiliar no diagnóstico do glaucoma. Apesar da pequena amostra estudada, sugere-se que olhos em uso de análogos das prostaglandinas têm reduzido a sensibilidade do mesmo.
Keywords: Glaucoma; Soluções oftálmicas; Pressão intra-ocular; Agonistas de dopamina; Sensibilidade e especificidade
Abstract
OBJETIVOS: Avaliar a suscetibilidade a fluorquinolonas dos Staphylococcus coagulase-negativo (SCoN) identificados no Laboratório de Microbiologia Ocular da Unifesp. MÉTODOS: Foi determinada a concentração inibitória mínima de 21 cepas de SCoN meticilina-resistentes e 22 meticilina-sensíveis para ciprofloxacina, ofloxacina, gatifloxacina e moxifloxacina, utilizando o E-test estandartizado pelo CLSI/NCCLS. RESULTADOS: Os MIC90 (µg/ml) de 43 SCoN isolados para fluorquinolonas de segunda geração foram maiores do que os de quarta geração, principalmente para o grupo dos meticilina-resistentes. CONCLUSÃO: Nossos resultados indicam que Staphylococcus coagulase-negativo meticilina-sensíveis são mais suscetíveis às quinolonas do que os Staphylococcus coagulase-negativo meticilina-resistentes, fluorquinolonas de quarta geração parecem ser mais potentes, cobrindo inclusive cepas de Staphylococcus coagulase-negativo resistentes à segunda geração de fluorquinolonas.
Keywords: Resistência microbiana a drogas; Infecções oculares bacterianas; Staphylococcus; Coagulase; Fluoroquinolonas; Resistência a meticilina
Abstract
OBJETIVOS: Avaliar os diferentes métodos de suscetibilidade à oxacillina, em isolados oculares, considerando a reação em cadeia da polimerase (PCR) como "padrão-ouro" e comparar a suscetibilidade in vitro para outros antimicrobianos de uso oftalmológico. MÉTODOS: O sistema automatizado Vitek foi utilizado para identificar as diferentes espécies de Staphylococcus coagulase negativo (SCoN). A presença do gene mecA foi determinado pela reação em cadeia da polimerase com a combinação de 2 "primer" sets (mecA e 16S rRNA) em uma única região. Estes resultados foram analisados e comparados com outros métodos de suscetibilidade à oxacilina: detecção da proteína PBP2a pelo teste de aglutinação em látex (SLA); E-test oxacilina; o sistema automatizado Vitek (GPS-105); o teste de triagem em ágar (OSAS) com oxacilina nas concentrações de 6,0, 1,0 e 0,75 µg oxacilina por ml e o teste de disco difusão com cefoxitina (CDD). A suscetibilidade automatizada foi obtida para os seguintes agentes antimicrobianos: fluorquinolonas, penicilina G, amoxicilina-ampicilina, cefazolina, ampicilina-sulbactam, eritromicina, clindamicina, gentamicina, tetraciclina, sulfametoxazol-trimetoprima, vancomicina e rifampicina. RESULTADOS: Dos 69 Staphylococcus coagulase negativo testados, 71% foram mecA-positivos e 29%, mecA-negativos. Todos os métodos testados apresentaram concordância estatisticamente significante com a reação em cadeia da polimerase. Houve tendência à predominância da positividade da reação em cadeia da polimerase entre os S. epidermidis comparado aos não-epidermidis, embora sem significância estatistica (78,3% vs. 56,5%; chi2= 2,54; p=0,11). O teste de triagem em ágar (0,75 µg oxacilina/ml) apresentou a melhor performance com resultados de: 100% de sensibilidade e valor preditivo negativo, 95% de especificidade e 98% de valor preditivo positivo. Os isolados mecA-positivos foram estatisticamente significativavos mais resistentes para ciprofloxacina, ofloxacina, gatifloxacina e moxifloxacina, no E-test (p=0,002; p=0,008; p=0,002 e p=0,003). Houve maior proporção estatisticamente significativa de resistência entre os Staphylococcus coagulase negativo mecA-positivos para: penicilina G, amoxicilina-ampicilina, cefazolina, ampicilina-sulbactam, eritromicina, clindamicina, gentamicina e tetraciclina. (p<=0,05) Todos os Staphylococcus coagulase negativos foram suscetíveis à vancomicina e não houve correlação estatisticamente significativa entre as amostras mecA-positivas e a resistência para sulfametoxazol-trimetoprima e rifampicina. CONCLUSÕES: No presente estudo, foi observado que o E-test e o OSAS (0,75 µg oxacilina por ml), comparado à reação em cadeia da polimerase, foram os métodos fenotípicos mais acurados em detectar a resistência à oxacilina nos Staphylococcus coagulase negativos. Foi demonstrado que os testes de disco difusão com cefoxitina e o método automatizado (Vitek) são boas opções para a triagem da resistência à oxacilina em laboratórios de microbiologia ocular. Destacou-se a importância de métodos acurados para detectar a resistência à meticilina dentre as espécies menos freqüentemente encontradas, considerando a crescente importância destes patógenos oportunistas.
Keywords: Resistência a meticilina; Sensibilidade e especificidade; Testes de fixação do látex; Oxacilina; Testes de sensibilidade microbiana; Staphylococcus; Staphylococcus; Coagulase; Infecções oculares bacterianas; Estudo comparativo
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a suscetibilidade, in vitro, de Staphylococcus coagulase negativa (SCoN), isolados da conjuntiva e córnea, à meticilina, às fluoroquinolonas e aos aminoglicosídeos. MÉTODOS: Foram analisadas retrospectivamente 707 amostras oculares de SCoN quanto à suscetibilidade aos antimicrobianos pelo teste de disco difusão, durante o período de janeiro de 2000 a dezembro de 2003. RESULTADOS: Houve um aumento do número de SCoN em isolados da conjuntiva (n=57, ano de 2000 e n=153, ano de 2003) e da córnea (n=28, ano de 2000 e n=78, ano de 2003). A freqüência de SCoN resistentes à meticilina isolados da conjuntiva e da córnea, aumentou (1,8 a 19,6% e 14,3 a 29,3% respectivamente) durante o período avaliado. Não houve diferença estatisticamente significante nos anos estudados, nos percentuais de SCoN resistentes às fluoroquinolonas, nas conjuntivas (ofloxacina: 1,8 a 7,8% e ciprofloxacina: 3,5 a 9,2%) e nas córneas (ofloxacina: 14,3 a 9,0% e ciprofloxacina:14,3 a 10,3%). Avaliando-se os resultados das amostras isoladas da conjuntiva, observou-se um aumento na resistência à tobramicina: 15,8 a 34,6%; e à gentamicina: 10,5 a 25,5%; mas não houve mudança no perfil de resistência das amostras da córnea à tobramicina: 28,6 a 26,9% e à gentamicina: 21,4 a 23,1%). CONCLUSÃO: Houve diminuição na suscetibilidade in vitro dos SCoN para meticilina, tobramicina e gentamicina. As fluoroquinolonas, representadas pela ofloxacina e ciprofloxacina, demonstraram ter um padrão estável de suscetibilidade in vitro.
Keywords: Resistência microbiana a drogas; Infecções oculares bacterianas; Staphylococcus; Coagulase; Fluoroquinolonas; Aminoglicosídeos; Resistência a meticilina; Conjuntivites; Ceratites
Abstract
Paciente do sexo feminino de 19 anos com pioderma gangrenoso foi encaminhada ao setor de Plástica Ocular para avaliação de ectrópio cicatricial grave da pálpebra inferior direita. O exame evidenciou cicatrização importante na pálpebra inferior e região malar com um ectrópio secundário. Foi realizado liberação do tecido cicatricial e um enxerto de pele total associado a "tarsal strip". A dose de corticóide da paciente foi aumentada para a realização do procedimento e não houve problemas de cicatrização ou formação de úlceras na pálpebra ou no sítio doador após a cirurgia. Como o pioderma gangrenoso é associado ao fenômeno de patergia em até 25% dos casos, o surgimento de novas lesões é uma preocupação relevante ao indicar cirurgia nestes pacientes. Neste caso, a cirurgia foi realizada com segurança sob imunossupressão com corticóide.
Keywords: Pioderma gangrenoso; Ectrópio; Doenças palpebrais; Transplante de pele; Imunossupressão
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a eficácia e segurança da facoemulsificação associada à ciclofotocoagulação endoscópica (CFE) no tratamento cirúrgico primário para catarata e glaucoma coexistentes. MÉTODOS: Trezentos e sessenta e oito olhos de 243 pacientes portadores de glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) e catarata foram incluídos no estudo. Todos os pacientes submetidos à facoemulsificação e CFE, no mesmo ato cirúrgico, no Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos, entre outubro de 1998 e dezembro de 2006 com, no mínimo, dois anos de seguimento, foram retrospectivamente avaliados. As cirurgias foram realizadas por um único cirurgião (FEL). Os pacientes eram excluídos se apresentassem história de qualquer cirurgia ocular ou laserterapia para o glaucoma, prévia ao procedimento. Sucesso qualificado foi definido como 5 mmHg < pressão intraocular (Pio) < 21 mmHg com ou sem medicações antiglaucomatosas tópicas, e sucesso total como 5 mmHg < Pio < 21 mmHg sem o uso de medicações antiglaucomatosas em todas as visitas de acompanhamento. A necessidade de outras intervenções antiglaucomatosas durante qualquer período do acompanhamento caracterizava falência. RESULTADOS: O período médio de seguimento foi de 35,15 + 8,14 meses. A Pio prévia (23,07 + 5,52 mmHg) foi significativamente maior que no primeiro pós-operatório (13,14 + 6,09 mmHg), e meses 1 (11,03 + 2,59 mmHg), 6 (12,33 + 3,01 mmHg), 12 (12,19 + 2,19 mmHg), 24 (12,14 + 2,89 mmHg) e na última consulta (12,29 + 2,44 mmHg) (p<0,001 em todas as ocasiões). O número de medicações pré-operatórias (1,44 + 0,97) foi estatisticamente superior ao número de medicações na última consulta (0,37 + 0,74) (p<0,001). Houve melhora significativa na acuidade visual ao final do seguimento (p=0,01). Sucesso qualificado foi obtido em 334 (90,76%) olhos, e sucesso total em 205 (55,7%) dos 368 olhos operados. Observou-se como complicações Pio > 40 mmHg no pós-operatório imediato em 14,4% (53/368) dos olhos, exsudato inflamatório na câmara anterior em 7,06% (26/368), edema macular cistóide em 4,34% (16/368), hipotonia transitória em 2,17% (8/368), e íris bombé em 1,08% (4/368) dos olhos. CONCLUSÃO: Facoemulsificação associada à ciclofotocoagulação endoscópica é uma alternativa eficaz e segura, a médio prazo, para o tratamento de catarata e glaucoma coexistentes.
Keywords: Glaucoma; Endoscopia; Pressão intraocular; Extração de catarata; Avaliação de eficácia-efetividade de intervenções; Estudos retrospectivos
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Keywords:
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Objetivo: Ceratites bacterianas ocorrem mundialmente e apesar dos novos desenvolvimentos permanece como uma condição que pode levar à cegueira. Avaliar a presença de herpes simples (-1 e -2) e vírus varicella zoster (VZV) por reação em cadeia quantitativa de polimerase em tempo real (qPCR) em raspados corneanos de pacientes com ceratite bacteriana. Métodos: Sessenta e cinco pacientes com ceratite infecciosa foram submetidos a raspados corneanos estudados para gram, Giemsa, cultura e qPCR (grupo de estudo). Foram avaliados fatores de risco e epidemiológicos. O grupo controle foi composto por 25 casos de úlcera dendrítica típica por herpes analisados por qPCR. Resultados: Do grupo de estudo (n=65), nove pacientes (13,8%) apresentaram cultura, qPCR e raspado negativos. Cinquenta e seis (86,2%) pacientes apresentaram cultura positiva, 51 para bacteria, 4 para fungo e 1 para ameba. A qPCR identificou 10 pacientes do grupo de cultura positiva para bactéria que também foram positivos para vírus, um VZV e 9 para HSV-1. Dos 25 pacientes que compunham o grupo controle, 21 apresentaram qPCR positivo para HSV-1. Conclusão: Herpes pode estar presente em pacientes com úlceras de córnea bacterianas e a qPCR pode ser útil na sua detecção.
Keywords: Herpes simples; Infecções por herpesviridae; Ceratite herpética; Reação em cadeia da polimerase
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Objetivo: Desenvolver um aplicativo (TopEye) na plataforma iOS para dispositivos móveis que possibilite a captação e interpretação do mapa de cores gerados por qualquer topógrafo corneano através da inteligência artificial (IA).
Métodos: A execução, acompanhamento e avaliação do projeto foi utilizada a metodologia Scrum, processo de desenvolvimento interativo e incremental para gerenciamento de projetos e desenvolvimento ágil de software. O banco de padrões de diagnóstico gerado consiste em 1172 exemplos, divididos em: 275 padrões esféricos, 302 regulares simétricos, 295 regulares assimétricos e 300 irregulares (ceratocone). Para o desenvolvimento da inteligência artificial do aplicativo, foi estabelecido o treinamento da rede com 240 imagens de cada tipo de padrão, totalizando 960 (81,91%) padrões. O restante das imagens, 212 (18,09%), foram utilizadas para testar o aplicativo e usadas para gerar os resultados. O processo é semiautomático, assim a captação da imagem topográfica é realizada com smartphone, o examinador realiza o contorno do relevo corneano manualmente para em seguida a rede neural realizar o diagnóstico.
Resultados: O aplicativo diagnosticou 201 (94,81%) imagens corretamente. De um total de 212 imagens, o algoritmo errou a classificação de apenas 11 (5,19%). A principal ocorrência de erro foi na distinção das classes simétrica e assimétrica. No rastreio do ceratocone o aplicativo alcançou 95,00% de sensibilidade e 98,68% especificidade.
Conclusão: O trabalho resultou na obtenção de um aplicativo eficiente na captura da imagem topográfica pela câmera do smartphone e na interpretação da mesma através da inteligência artificial aplicada.
Keywords: Dispositivos móveis; Inteligência artificial; Topografia corneana; Astigmatismo
Abstract
Objetivo: A frouxidão palpebral inferior é avaliada classicamente por meio de testes de “snap-back” e “distraction test”. O objetivo deste estudo foi avaliar a reprodutibilidade da técnica utilizada para quantificar indiretamente a tensão horizontal nas pálpebras inferiores através do processamento digital de imagens.
Métodos: Este estudo longitudinal foi realizado para avaliar a reprodutibilidade de uma nova técnica que quantifica a tensão horizontal na pálpebra inferior. O estudo foi realizado no Hospital das Clínicas de Porto Alegre. O protocolo foi estabelecido por dois examinadores oftalmologistas treinados, permitindo análises de concordância intra e interavaliador. A aquisição de imagens foi feita em duas etapas: a primeira imagem foi capturada com a pálpebra na posição primária do olhar e a segunda com pálpebra tracionada. Todas as imagens e medições foram processadas usando o software Image J 1.33µ do National Institute of Health. O método de Bland-Altman, os coeficientes de correlação intraclasses, os coeficientes de correlação de concordância e o erro técnico da medida foram utilizados para avaliar a reprodutibilidade.
Resultados: Os participantes do estudo foram indivíduos saudáveis e sem patologias oftalmológicas. As medidas obtidas na posição neutra mostraram concordância levemente maior do que as obtidas na posição tracionada. A diferença média entre as medidas realizadas na posição tracionada foi de 0,028 ± 0,7mm e 0,014 ± 0,9mm nas análises intra e interobservadores, respectivamente. O método de Bland-Altman demonstrou limites de confiança adequados para ambas as medidas. Os coeficientes de correlação para as medidas variaram entre 0,87 [intervalo de confiança de 95% (IC) 0,68-0,95) e 0,91 (IC 95% 0,77-0,97) na posição neutra e entre 0,72 (IC 95% 0,37-0,89) e 0,76 (IC 95% 0,46-0,91) na posição tracionada.
Conclusão: Observou-se elevada concordância intra e interobservador no método estudado para quantificar a tensão palpebral inferior. O método proposto é simples e facilmente reproduzível, e, do melhor modo possível, este é o primeiro método que quantifica a tensão horizontal da pálpebra inferior com base no processamento digital de imagens. Este teste de distração modificado pode ser útil em estudos que quantifiquem a tensão horizontal da pálpebra inferior.
Keywords: Pálpebras; Doenças palpebrais; Ectrópio; Entrópio; Imagem digital.
Abstract
A natureza sempre se forneceu uma fonte inesgotável compostos biologicamente ativos. Desde o início da humanidade, os homens buscaram recursos na fauna e flora para tratar as doenças oculares. Porém, foi somente após a Revolução Industrial que extratos de plantas e substâncias de origem animal puderam ser utilizados com segurança, como foi determinado por estudos controlados de intervenção. Dois grandes desafios enfrentados pela farmacologia foram: desenvolver drogas capazes de reduzir a cegueira pelo glaucoma; e controlar a dor associada à cirurgia ocular. A busca por uma droga que efetivamente reduza a pressão intraocular e controle a progressão do glaucoma levou ao desenvolvimento de diversos hipotensores oculares, como a physostigmine da planta Physostigma venenosum. As propriedades anestésicas da cocaína, extraídas da Erythroxylon coca, finalmente permitiram procedimentos cirúrgicos no olho. Vários novos compostos naturais foram investigados na tentativa de identificar substâncias com potencial para fornecer benefícios adicionais ao tecido ocular e à visão. Evidências emergentes de propriedades anti-inflamatórias, de cicatrização de feridas, antimicrobianas, antioxidantes, antitumorais e antiangiogênicas atribuídas a extratos de plantas e tecidos animais estimularam mais investimentos em pesquisas nessa área. Apesar dos avanços tecnológicos na síntese de drogas, a indústria farmacêutica ainda busca novos princípios ativos a partir de fontes naturais, bem como revisita drogas derivadas já estabelecidas. Embora um grande número de compostos que ocorrem naturalmente seja conhecido, este artigo de revisão concentra-se nas substâncias bioativas com benefícios cientificamente comprovados para os tecidos oculares.
Keywords: Natureza; Plantas medicinais; Moléculas; História da medicina; Farmacologia; Doenças oculares; Indústria farmacêutica
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