Arq. Bras. Oftalmol. 2007;70 (2 )
:217-220
| DOI: 10.1590/S0004-27492007000200006
Abstract
OBJETIVOS: Comparar a concentração total de proteínas no humor aquoso entre pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto e sem glaucoma. MÉTODOS: Foram coletadas amostras de humor aquoso de 22 pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto (grupo GPAA) no momento da trabeculectomia. Na coleta, 0,1 mL de humor aquoso foi aspirado da câmara anterior através de uma agulha de calibre 26, no início do procedimento cirúrgico. Coleta semelhante foi realizada em 22 pacientes sem glaucoma no início da cirurgia de catarata (grupo controle). A amostra de humor aquoso foi armazenada a -20°C após a coleta. A concentração total de proteínas no humor aquoso foi determinada por meio de um teste colorimétrico. RESULTADOS: A média geométrica da concentração total de proteínas no humor aquoso foi de 32 mg/dL (amplitude: 8-137 mg/dL) no grupo glaucoma primário de ângulo aberto e de 16 mg/dL (amplitude: 2-85 mg/dL) no grupo controle. A razão da concentração total de proteínas no humor aquoso entre estes dois grupos foi de 2,0 (intervalo de confiança de 95%: 1,3 a 3,2; p=0,003). CONCLUSÕES: A concentração total de proteínas no humor aquoso de pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto foi aproximadamente duas vezes maior quando comparada aos pacientes sem glaucoma.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Proteínas; Humor aquoso; Catarata; Pressão intra-ocular; Estudo comparativo
Arq. Bras. Oftalmol. 2008;71 (1 )
:18-21
| DOI: 10.1590/S0004-27492008000100004
Abstract
OBJETIVO: O filme lacrimal pode ser alterado por medicações crônicas, que podem comprometer o equilíbrio responsável pela função da glândula lacrimal e da superfície ocular. O objetivo desse estudo foi determinar se o tratamento crônico com drogas antiglaucomatosas induz alterações no filme lacrimal e superfície ocular. MÉTODOS: Após o consentimento informado, 21 pacientes usando drogas antiglaucomatosas por mais de 8 meses e 20 voluntários com similar distribuição etária e por sexo, não usuários de medicação ocular ou sistêmica (grupo controle) foram incluídos. Os dados do desconforto ocular, coloração com fluoresceína e lissamina verde, tempo de ruptura do filme lacrimal e teste de Schirmer foram colhidos e analisados pelo teste t de Student. A citologia de impressão foi avaliada e comparada pelo teste de qui-quadrado. RESULTADOS: Pacientes usando cronicamente medicação antiglaucomatosa apresentaram ignificativamente maior coloração por fluoresceína (p=0,003), lissamina verde (p=0,02) e menor TRFL (p=0,001). Os outros parâmetros comparados, incluindo a citologia de impressão foram similares entre o grupo tratado e controle (p>0,05). CONCLUSÕES: Esse estudo demonstra que o filme lacrimal e a superfície ocular estão alterados em usuários de medicação antiglaucomatosa. Essas medicações apresentam em comum o cloreto de benzalcônio como conservante. Esforços para minimizar efeitos adversos do uso crônico de drogas antiglaucomatosas devem ser considerados.
Keywords: Compostos de benzalcônio; Compostos de benzalcônico; Timolol; Timolol; Disco óptico; laucoma; Síndrome do olho seco; Indicadores e reagentes
Arq. Bras. Oftalmol. 2011;74 (1 )
:7-12
| DOI: 10.1590/S0004-27492011000100002
Abstract
OBJETIVO: Os objetivos deste estudo foram os seguintes: 1) mostrar epidemiologia da ceratite microbiana (CM) no sudeste do Brasil, 2) para comparar as diferenças epidemiológicas entre ceratites fúngicas (CF) e bacterianas (CB) e 3) avaliar a frequência com que os oftalmologistas distinguem com precisão ceratite fúngica de ceratite bacteriana baseado no diagnóstico clínico. MÉTODOS: Uma análise retrospectiva de todas as ceratites microbianas diagnosticadas clinicamente apresentando entre outubro de 2003 e setembro de 2006 foi realizada. As características demográficas, relativas ocular e de laboratório, e informações aos fatores de risco e evolução clínica foram registrados. RESULTADOS: Dentre 118 pacientes consecutivos com diagnóstico clínico de ceratite microbiana, a taxa de cultura positiva foi de 61%. Os patógenos predominantes de bactérias e fungos isolados foram S. epidermidis e Fusarium spp. O trauma de córnea foi mais frequente entre os casos de ceratite fúngica do que ceratite bacteriana (p<0,0001). A coexistência de doenças sistêmicas, doenças oculares e cirurgia ocular prévia foram mais frequentes entre os casos de ceratite bacteriana (p=0,001, p=0,001, p=0,004, respectivamente). Os seguintes achados clínicos foram mais frequentes em ceratite bacteriana: hipópio, vascularização periférica da córnea superficial e área de ulceração >20 mm² (p<0,05). O diagnóstico foi corretamente estimado em 81,6% dos casos de CB e em 48,1% dos casos de CF. CONCLUSÃO: A presunção clínica do agente da ceratite microbiana é possível baseada em dados clínicos e epidemiológicos, mas é mais difícil para infecção fúngica. Assim, esses dados não podem ser a única base para o diagnóstico de suspeita de ceratite microbiana, mas a suspeita clínica orientada com base nesses dados pode ser benéfica para orientar o tratamento antimicrobiano e terapia precoce.
Keywords: Infecções oculares bacterianas; Infecções oculares bacterianas; Infecções oculares bacterianas; Infecções oculares fúngicas; Infecções oculares fúngicas; Infecções oculares fúngicas; Fatores de risco
Arq. Bras. Oftalmol. 2013;76 (3 )
:195-196
| DOI: 10.1590/S0004-27492013000300014
Abstract
O ceratocone é descrito como uma doença bilateral porém assimétrica e vários dados na literatura comprovam que a ectasia corneana é uma das complicações de longo prazo da cirurgia refrativa moderna, especialmente do laser in situ keratomileusis (LASIK). Nós descrevemos um caso de uma paciente com ceratocone no olho direito e que foi submetida à ceratotomia radial no olho esquerdo há 19 anos, desde então sem sinais de progressão da ectasia corneana nem de complicações relativas à cirurgia refrativa. Como o ceratocone unilateral é raro, acreditamos que a cirurgia refrativa tenha sido realizada num olho com ectasia corneana não detectada clinicamente ou com ceratocone frustro. Entretanto, a ectasia do olho direito não progrediu e também não houve sinais de ectasia no olho submetido à cirurgia refrativa nesse período de 19 anos de acompanhamento.
Keywords: Córnea; Doenças da córnea; Topografia da córnea; Ceratomileuse assistida por excimer laser in situ; Humanos; Feminino; Relato de caso
Arq. Bras. Oftalmol. 2013;76 (6 )
:350-353
| DOI: 10.1590/S0004-27492013000600006
Abstract
OBJETIVO: Estudar a prevalência do Staphylococcus aureus resistente à meticilina nas infecções oculares causadas por S. aureus em um centro de saúde terciário no Brasil e comparar o perfil de suscetibilidade antimicrobiana entre as cepas de Staphylococcus aureus resistente à meticilina e S. aureus susceptível à meticilina MÉTODOS: Foi realizada uma análise retrospectiva dos arquivos do laboratório de microbiologia ocular da Universidade Federal de São Paulo e selecionados todos os casos de conjuntivite, ceratite e endoftalmite com cultivo positivo para S. aureus, durante um período de 10 anos (entre janeiro de 2000 e dezembro de 2009). Foi avaliada a prevalência de Staphylococcus aureus resistente à meticilina e comparado o perfil de susceptibilidade antimicrobiano dos Staphylococcus aureus resistente à meticilina e S. aureus susceptível à meticilina. RESULTADOS: Quinhentos e sessenta e seis isolados de S. aureus foram identificados. Desses, 56 (9,9%) apresentaram resistência à meticilina. Durante o período de 10 anos estudado, Staphylococcus aureus resistente à meticilina mostrou uma tendência significante de aumento de 7,6% para 16,2% entre as infecções oculares causadas por S. aureus em geral (p=0,001) e de 3,7% para 13,2% nas conjuntivites (p=0,001). A mesma tendência não foi observada entre as amostras de ceratite (p=0,38). Os isolados de Staphylococcus aureus resistente à meticilina mostraram maiores taxas de resistência à tobramicina, gentamicina, ciprofloxacino, gatifloxacino e moxifloxacino em comparação com os isolados de S. aureus susceptível à meticilina (p<0,001). Todos os casos foram susceptíveis à vancomicina. CONCLUSÃO:Foi observada uma tendência de aumento na prevalência do Staphylococcus aureus resistente à meticilina nas infecções oculares causadas por S. aureus, bem como taxas de resistência significantemente maiores aos antibióticos comumente utilizados na prática oftalmológica. Nossos dados alertam para a necessidade de constante vigilância de resistência bacteriana a antimicrobianos e devem ser considerados na eleição do tratamento empírico das infecções oculares.
Keywords: Conjuntivites; Ceratites; Endoftalmites; Staphylococcus aureus resistente à meticilina; Fluoroquinolonas