Arq. Bras. Oftalmol. 2001;64 (3 )
:203-206
| DOI: 10.1590/S0004-27492001000300008
Abstract
Objetivo: Estudar retrospectivamente aspectos clínicos e terapêuticos em crianças portadoras de celulite orbitária e pré-septal. Métodos: Foram analisados 52 prontuários de pacientes com idades variando de um mês a doze anos, internados no período compreendido entre 1990 e 1998, com quadro de celulite orbitária ou pré-septal. Resultados: Trauma foi o fator predisponente mais freqüente das celulites orbitárias e pré-septais na infância, seguido pela sinusite e causas não-definidas. As infecções, na grande maioria, tiveram localização pré-septal (94,2%). As hemoculturas, realizadas em 21 pacientes, resultaram em 71% de negatividade, seguido por positividade para S. aureus (19%), H. influenzae (4,7%) e flora mista (4,7%). Todos os pacientes foram tratados e curados com antibioticoterapia utilizando 16 quimioterápicos em 25 diferentes esquemas terapêuticos. A drenagem cirúrgica foi realizada em apenas 7 pacientes. Conclusão: A despeito da falta de uniformidade e diversidade de esquemas terapêuticos empregados nos casos estudados e da falta de avaliação oftalmológica na maioria dos casos, os pacientes foram curados sem complicações. Tal fato indica a necessidade de estudos prospectivos que visem a elaboração de protocolo terapêutico para as celulites da região orbitária na infância, que leve em consideração a relação custo-benefício positiva.
Keywords: Doenças orbitárias; Celulite; Criança; Pré-escolar
Arq. Bras. Oftalmol. 2002;65 (6 )
:675-678
| DOI: 10.1590/S0004-27492002000600015
Abstract
Objetivo: Relatar um caso de doença de Erdheim-Chester com envolvimento orbital bilateral e informar os oftalmologistas a respeito dessa condição incomum. Métodos: Relato de caso. Paciente do sexo masculino, 41 anos de idade, apresentou com proptose, xantelasmas, edema do disco óptico e restrição dos músculos extraoculares. A suspeita diagnóstica era de linfoma com envolvimento sistêmico e já havia sido submetido à biópsia do retroperitônio, mas o diagnóstico ainda era inconclusivo. Resultados: O paciente foi submetido a exame de tomografia computadorizada e imagem por ressonância magnética da órbita. Foi feita a suspeita de pseudotumor orbitário e biópsia orbital foi realizada. Esta não revelou o diagnóstico correto que foi feito apenas após análise detalhada dos dados clínicos e de imagem e após revisão dos exames histopatológicos. O diagnóstico sistêmico só foi feito após o diagnóstico da afecção orbitária embora o paciente já estivesse sendo investigado do ponto de vista clínico por mais de um ano. Conclusão: A doença de Erdheim-Chester é condição sistêmica idiopática caracterizada por processo xantogranulomatoso envolvendo o retroperitônio, coração, pulmões, ossos e outros tecidos. A condição freqüentemente é fatal devido a complicações renais e cardiovasculares. Os achados oculares são incomuns e podem auxiliar no diagnóstico. Os oftalmologistas devem, portanto, conhecer as manifestações clínicas e os achados de imagem dessa doença e auxiliar no seu diagnóstico precoce.
Keywords: Histiocitose de células de Langerhans; Doenças orbitárias; Xantomatose; Órbita; Tomografia computadorizada por raios x; Imagem por ressonância magnética; Relato de caso