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Abstract
Objetivo: Determinar a eficácia do laser de diodo e suas complicações no tratamento da retinopatia da prematuridade, estágio 3 limiar. Métodos: De 348 crianças pré-termo examinadas na Clínica Oftalmológica do Hospital Getúlio Vargas e Instituto de Olhos do Piauí, em Teresina, Piauí, no período de julho/89 a março/99, 152 (43,7%) apresentaram retinopatia da prematuridade. As crianças com retinopatia da prematuridade no estágio 3 limiar foram submetidas a laserablação retiniana com laser de diodo indireto, no centro cirúrgico, sob anestesia geral. Resultados: Vinte crianças (38 olhos) foram submetidas a laserablação retiniana. Doze pacientes (80,0%) tiveram regressão da retinopatia e três (20,0%) evoluíram para o estágio 5. Cinco crianças não retornaram para controle, sendo excluídas do estudo quanto aos resultados do laser. Não foram observadas complicações oculares. Cinco crianças apresentaram apnéia relacionada à anestesia. Conclusões: Neste grupo de crianças, o laser de diodo foi eficaz em 80,0% dos pacientes tratados. As complicações encontradas (cinco casos de apnéia) se relacionaram possivelmente à anestesia geral.
Keywords: Retinopatia da prematuridade; Fotocoagulação; Lasers; Recém-nascido; Prematuro
Abstract
Os autores relatam o caso de uma paciente que apresentou quadro reincidente de esotropia aguda e diplopia durante o período gestacional. Não havia história de trauma ou qualquer alteração sistêmica, excetuando-se a gravidez. Tratamento oclusivo alternado foi instituído, e após o parto houve remissão espontânea dos sinais e sintomas.
Keywords: Estrabismo; Esotropia; Complicações na gravidez; Diplopia; Relatos de casos
Abstract
OBJETIVO: Determinar as concentrações plasmáticas e eritrocitárias de zinco em idosos portadores e não-portadores de catarata senil em um serviço oftalmológico especializado, em Teresina-Piauí. MÉTODOS: Estudo quantitativo, transversal e controlado, realizado no Hospital de Olhos Francisco Vilar, Piauí, Brasil. Participaram 56 idosos (37 mulheres, 19 homens) sem condições associadas a modificações nos níveis de zinco ou aumento do risco de catarata. Escore > II foi utilizado para definir a presença de catarata, de acordo com o Lens Opacities Classification System II. As concentrações de zinco foram determinadas por espectrometria de absorção atômica em chama. Análise estatística incluiu os testes t de Student e qui-quadrado e 0,05 como nível de significância. RESULTADOS: Catarata senil foi identificada em 58,9% dos participantes, predominando o tipo nuclear (51,8%), seguido pelo cortical (26,8%) e subcapsular posterior (8,9%). Deficiência de zinco no plasma (<70 μg/dL) e no eritrócito (<40 μg/gHb) foi constatada em 49,1% e 30,4% dos idosos, respectivamente. Não houve diferenças significativas entre portadores e não-portadores de catarata, independente do tipo, quanto às concentrações de zinco plasmático (p=0,165) ou eritrocitário (p=0,426). CONCLUSÃO: Deficiência de zinco no plasma ou eritrócito foi comum entre os idosos; porém, os dados indicam não haver diferenças significativas nos referidos parâmetros quanto à presença de catarata senil, independente do tipo.
Keywords: Zinco; Deficiência de zinco; Catarata; Estado nutricional; Idoso
Abstract
INTRODUÇÃO: Esclerite é uma doença grave, rara e progressiva, que envolve inflamação e edema dos tecidos episcleral superficial, profundo e escleral e está associada com doenças sistêmicas reumatológicas em muitos casos. OBJETIVOS: Realizar um estudo prospectivo comparativo entre as manifestações oftalmológicas, achados sorológicos e resposta terapêutica de pacientes com esclerite isolada e com esclerite associada a doenças sistêmicas reumatológicas. MÉTODOS: Trinta e dois pacientes com esclerite não infecciosa participaram do estudo, de março de 2006 a março de 2008. O tratamento realizado baseou-se no uso de colírios de corticoides associados aos anti-inflamatórios não-hormonais, seguidos de corticoides sistêmicos e imunossupressores, se necessário. O sucesso do tratamento foi considerado como seis meses sem crises de esclerite. RESULTADOS: Quatorze dos 32 pacientes apresentaram esclerite associada à doença sistêmica, dos quais nove com artrite reumatóide, dois com lúpus eritematoso sistêmico, um com doença de Crohn, um com doença de Behçet e um com gota. Não houve diferenças em relação ao envolvimento ocular e suas complicações, predominando a esclerite anterior nodular e o afinamento escleral, respectivamente. O grupo com esclerite associada a doenças sistêmicas apresentou 64,3% de positividade de autoanticorpos contra 27,8% no grupo com esclerite isolada, sendo tal diferença estatisticamente significante. No grupo com esclerite isolada, 16,7% fez uso de apenas anti-inflamatórios, 33,3% de corticoide sistêmico, 27,8% de corticoide com um imunossupressor, 5,5% dois imunossupressores, 16,7% corticoide com dois imunossupressores e 33,3% pulsoterapia com imunossupressor; sendo que houve sucesso do tratamento em 88,9%. No grupo com esclerite associada à doença sistêmica, 7,1% fez uso de anti-inflamatórios, 7,1% corticoide sistêmico, 50% corticoide com um imunossupressor, 7,1% dois imunossupressores e 22,2% pulsoterapia com imunossupressor; com 100% de sucesso no tratamento nesse grupo. CONCLUSÃO: Em ambos os grupos houve predomínio da esclerite nodular unilateral e o grupo com esclerite associada a doença sistêmica apresentou taxas maiores de todos os autoanticorpos testados. Não houve diferença entre os grupos em relação ao uso de imunossupressores e à resposta terapêutica, a qual foi totalmente satisfatória no grupo com esclerite associada à doença sistêmica e satisfatória no grupo com esclerite isolada.
Keywords: Esclerite; Doenças reumáticas; Autoanticorpos; Inflamação; Imunossupressores
Abstract
O ceratocone é descrito como uma doença bilateral porém assimétrica e vários dados na literatura comprovam que a ectasia corneana é uma das complicações de longo prazo da cirurgia refrativa moderna, especialmente do laser in situ keratomileusis (LASIK). Nós descrevemos um caso de uma paciente com ceratocone no olho direito e que foi submetida à ceratotomia radial no olho esquerdo há 19 anos, desde então sem sinais de progressão da ectasia corneana nem de complicações relativas à cirurgia refrativa. Como o ceratocone unilateral é raro, acreditamos que a cirurgia refrativa tenha sido realizada num olho com ectasia corneana não detectada clinicamente ou com ceratocone frustro. Entretanto, a ectasia do olho direito não progrediu e também não houve sinais de ectasia no olho submetido à cirurgia refrativa nesse período de 19 anos de acompanhamento.
Keywords: Córnea; Doenças da córnea; Topografia da córnea; Ceratomileuse assistida por excimer laser in situ; Humanos; Feminino; Relato de caso
Abstract
O objetivo desse estudo é descrever uma criança com lipossarcoma periorbital, caracterizando seus aspectos clínico-epidemiológicos e terapêuticos. Menina de 6 meses de idade com tumoração crescente há dois meses em região fronto-zigomática direita, a qual foi submetida à exérese e cujas análises anatomopatológica (AP) e imuno-histoquímica (IH) observaram achados típicos de lipoblastoma. Após isso, apresentou mais três recidivas tumorais com diagnósticos similares. Um ano depois da última cirurgia, houve nova recorrência, porém, dessa vez, o resultado dos exames análises anatomopatológica e imuno-histoquímica foi de lipossarcoma, sendo, então, encaminhada para complementar o tratamento com radio e quimioterapia, sem novas lesões até o momento. Devido a sua raridade, geralmente o lipossarcoma não entra no diagnóstico diferencial em pacientes com massas orbitais, porém, por ser localmente agressivo, torna-se vital a pronta identificação e tratamento de forma a oferecer melhores resultados terapêuticos e influência sobre a qualidade de vida do paciente.
Keywords: Lipossarcoma; Lipossarcoma; Neoplasias orbitárias; Lipoblastoma; Marcadores biológicos de tumor; Humanos; Feminino; Lactente; Relato de caso
Abstract
OBJETIVO: Descrever a taxa de complicações e os tipos de complicações intraoperatórias e pós-operatórias da ceratoplastia endotelial com desnudamento da Descemet (DSEK). MÉTODOS: Revisão retrospectiva de prontuários de pacientes submetidos à DSEK de 2008 a 2010 no Hospital Oftalmológico de Sorocaba. O estudo teve caráter descritivo, com abordagem quantitativa. RESULTADOS: Cento e dezenove olhos de 118 pacientes foram avaliados. Segundo a doença ocular de base, a maior parte dos pacientes eram portadores da distrofia de Fuchs (60 olhos, 50,4%), seguidos dos portadores de ceratopatia bolhosa do pseudofácico com 55 olhos (46,2%). A cirurgia mais comumente realizada foi o transplante endotelial isoladamente (DSEK), realizado em 65 olhos (54,6%), seguida do DSEK associado à facoemulsificação de cristalino (PHACO-DSEK) em 47 olhos (39,5%) e DSEK associado a outras cirurgias (7 olhos, 5,9%). Oito pacientes foram excluídos do trabalho devido informações cirúrgicas insuficientes em prontuário médico. Em relação às complicações cirúrgicas transoperatórias, foram observados casos isolados de bloqueio pupilar, dissecção irregular do botão, implante reverso do botão, "button-holing" e ruptura de cápsula posterior. Entre as complicações precoces, observou-se descolamento de botão em 21,5% dos olhos no grupo do DSEK, 34,0% no grupo PHACO-DSEK e 57,1% no grupo DSEK associado a outras técnicas cirúrgicas. No que se refere às complicações tardias, observou-se "haze" (opacidade) em interface em 16,9%, 8,5% e 14,2% e glaucoma foi observado em 4,6%, 2,1% e 14,2% dos olhos nos grupos DSEK, PHACO-DSEK e DSEK associado a outras técnicas, respectivamente. Falência pós-rejeição foi observada em 15,3% e 12,7% dos grupos DSEK e PHACO-DSEK, respectivamente. CONCLUSÃO: O transplante endotelial de córnea realizado nesta amostra teve uma taxa de complicações considerada alta se comparado aos transplantes penetrantes convencionais. As complicações mais frequentes foram aquelas relacionadas ao descolamento de botão e à falência pós-rejeição.
Keywords: Complicações pós-operatórias; Ceratoplastia endotelial com remoção da membrana de Descemet; Membrana de Descemet; Transplante de córnea; Doenças da córnea
Abstract
Descrevemos um raro caso de miosite do músculo reto medial como forma atípica de apresentação de linfoma não-Hodgkin de células B tipo MALT. A anatomia patológica e imuno-histoquímica do músculo afetado confirmaram o diagnóstico definitivo do caráter neoplásico da doença. As miosites orbitárias têm como principal etiologia a oftalmopatia de Graves, porém diversas outras causas podem apresentar-se dessa forma. Sendo assim, as causas neoplásicas devem ser descartadas. O linfoma não-Hodgkin de células B tipo MALT é o tipo histológico mais comum de linfoma orbitário, as regiões mais frequentemente acometidas são a conjuntiva e glândula lacrimal. No entanto, pode apresentar-se com formas clínicas atípicas, acometendo outras regiões e tecidos.
Keywords: Neoplasias orbitárias; Miosite orbital; Músculos oculomotores; Neoplasias musculares; Linfoma de zona marginal tipo células B; Humanos; Masculino; Adulto; Meia-idade; Relato de caso
Abstract
Síndrome DRESS (drug reaction with eosinophilia and systemic symptoms) é uma reação adversa a medicamentos rara e potencialmente fatal, associada à rash cutâneo, febre, eosinofilia e lesão de múltiplos órgãos. Algumas drogas podem desencadeá-la, como: alopurinol, anticonvulsivantes, vancomicina, sulfametoxazol-trimetoprim, sulfadiazina-pirimetamina, entre outras. Descrevemos dois casos que desenvolverem DRESS síndrome durante tratamento ocular. O primeiro caso apresentou os sintomas durante tratamento para endoftalmite pós-operatória tardia com antibióticos tópicos, cefalotina e meropenem intravenosos e injeção intravítrea de vancomicina e ceftazidima; não podemos identificar a droga causadora, pois múltiplas medicações foram utilizadas. O segundo caso desenvolveu os sintomas durante tratamento clássico para toxoplasmose ocular, então a associação com sulfadiazina-pirimetamina foi mais clara. Como muitos oftalmologistas prescrevem regularmente drogas que podem desencadear a síndrome DRESS, esse diagnóstico deve ser lembrado já que pode levar a sérias complicações.
Keywords: Eosinofilia/quimicamente inducida; Erupção por droga; Síndrome; Efeitos colaterais e reações adversas relacionados a medicamentos; Hipersensibilidade a drogas
Abstract
Relatamos um caso de sarcoidose ocular com IgM e IgG positivos para toxoplasmose. Mulher jovem com quadro ocular bilateral de dor, vermelhidão, edema palpebral e panuveíte com periflebite. Os testes laboratoriais mostraram IgM e IgG positivos para toxoplasmose, teste tuberculínico anérgico. Realizou-se tratamento tópico da uveíte anterior e antibióticos orais para toxoplasmose, sem melhora. Tomografia de órbita mostrou aumento das glândulas lacrimais bilaterais e radiografia de tórax foi consistente com sarcoidose pulmonar, auxiliando no diagnóstico de sarcoidose ocular presumida. Iniciou-se prednisona e metotrexato orais, sem antibióticos, com melhora clínica e oftalmológica, sem recidivas em 1 ano de follow-up. Sarcoidose ocular é um importante diagnóstico diferencial que exige anamnese e exame oftalmológico cuidadosos. Exames complementares, como raio-X, tomografia computadorizada e avaliação clínica e laboratorial ajudam na avaliação e exclusão de outras causas. O tratamento consiste principalmente no uso de corticosteróide e imunossupressores.
Keywords: Sarcoidose; Toxoplasmose ocular; Uveíte posterior; Oftalmopatias
Abstract
Objetivos: Avaliar a eficácia e eficiência de um novo corante à base de luteína para coloração da cápsula anterior durante cirurgia de facoemulsificação em humanos. Métodos: Vinte e cinco olhos de 25 pacientes foram operados por 25 cirurgiões diferentes que realizaram capsulorrexis circular contínua e facoemulsificação após coloração da cápsula anterior com corante à base de luteína. Um questionário avaliou a opinião dos cirurgiões sobre a eficácia do corante. Exames pós-operatórios foram realizados nos dias 1, 7 e 30 por meio de exame oftalmológico completo, topografia/ paquimetria e contagem de células endoteliais. Resultados: De acordo com o questionário aplicado, o corante facilitou a cirurgia em todos os olhos. A classificação da catarata de acordo com o LOCS III foi de 3,24 ± 1,12. A acuidade visual pré-operatória com melhor correção foi de 0,89 ± 0,59 (logMAR), passando a 0,23 ± 0,22 no pós-operatório. A pressão intraocular (PIO) permaneceu estável e houve reação de câmara leve que desapareceu em todos os casos durante os primeiros 7 dias de pós-operatório. Não houve significância estatística comparando a paquimetria e PIO pré e pós-operatórios. Conclusão: O novo corante se mostrou eficiente e sem sinais de toxicidade ou efeitos adversos, após 30 dias, quando usado para auxiliar a cirurgia de facoemulsificação.
Keywords: Extração de catarata/métodos; Luteína; Facoemulsificação; Capsulorrexe; Lentes intraoculares
Abstract
Objetivo: Testar a hipótese de que a doença de Chagas predispõe a alterações no nervo óptico e camada de fibras nervosas peripapilar.
Métodos: Foi realizado um estudo transversal com 41 pacientes diagnosticados com doença de Chagas e 41 controles, pareados por sexo e idade. Os pacientes foram submetidos a exames oftalmológicos, incluindo medida da pressão intraocular, avaliação do nervo óptico e camada de fibras nervosas através de retinografia, tomografia de coerência óptica e perimetria automatizada padrão.
Resultados: Todos os pacientes com doença de Chagas apresentavam estudo cardiológico recente; 15 pacientes (36,6%) apresentavam insuficiência cardíaca; 14 (34,1%) forma cardíaca sem disfunção de ventrículo esquerdo e 12 (29,3%), forma indeterminada. Alterações do nervo óptico/camada de fibras nervosas foram observadas em 24 pacientes (58,5%) do grupo com doença de Chagas e 07 controles (17,1%)
(p≤0,01). Dentre estas, palidez do nervo óptico, alterações do nervo óptico sugestivas de glaucoma, entalhe, hemorragia peripapilar e defeito da camada de fibras localizado foram detectados. As alterações foram mais proeminentes nos pacientes com doença de Chagas e insuficiência cardíaca (11 pacientes) embora também ocorressem naqueles com doença de Chagas sem disfunção de ventrículo esquerdo (7 pacientes) e com forma indeterminada (6 pacientes). A tomografia de coerência óptica mostrou que a média da espessura da camada de fibras nervosas da retina mediu 89 ± 9,7 µm), e a média da espessura da camada de fibras nervosas superior e inferior mediu 109 ± 17,5 e 113 ± 16,8 µm, respectivamente, foi menor em pacientes com doença de Chagas. Nos controles, esses valores foram de 94 ± 10,6 µm (p=0,02); 117 ± 18,1 (p=0,04) e 122 ± 18,4 µm (p=0,03).
Conclusão: Alterações do nervo óptico/camada de fibras nervosas da retina foram mais prevalentes nos pacientes com doença de Chagas.
Keywords: Doença de Chagas, Oftalmopatias; Nervo óptico; Insuficiência cardíaca
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