Arq. Bras. Oftalmol. 1999;62 (6 )
:735-737
| DOI: 10.1590/S0004-27491999000600015
Abstract
Objetivo: Avaliar a prevalência de retinopatia diabética (RD) em uma associação de diabéticos, bem como o nível de informação dos pacientes a respeito desta doença. Métodos: O estudo avaliou, aleatoriamente, 46 pacientes de uma associação de diabéticos que responderam a perguntas sobre conhecimento da RD e avaliação oftalmoscópica prévia e foram submetidos à exame de fundo de olho por oftalmoscopia binocular indireta. Resultados: Entre os diabéticos tipo 1, o estudo encontrou 44,44% dos pacientes com RD e um caso de RD proliferativa; entre os diabéticos tipo 2, 24,3% possuíam RD; 65,22% dos indivíduos avaliados nunca haviam feito exame de oftalmoscopia, embora 80,43% já haviam tido alguma informação sobre RD. Conclusões: Concluímos que há baixa cobertura em termos de prevenção e detecção da RD nesta associação de diabéticos, o que contrasta com o nível de informação dos pacientes sobre a doença e com o fato de ser uma entidade voltada exclusivamente para o tratamento do diabete.
Keywords: Diabete melito; Retinopatia
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (3 )
:209-213
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210035
Abstract
OBJETIVOS: Identificar vasos linfáticos em espécimes orbitários de cadáveres humanos através de microscopia óptica e análise imunohistoquímica.
MÉTODOS: Um estudo postmortem incluiu dez espécimes orbitários provenientes de dez cadáveres humanos. Todos os espécimes orbitários foram obtidos até 12 horas após a morte com uma técnica cirúrgica de exenteração orbitária e dissecados em glândula lacrimal, nervo óptico, gordura órbitária e músculos extraoculares. Para classificar como um vaso linfático, os critérios histológicos incluíram vasos endoteliais de parede única sem membrana basal bem desenvolvida, irregulares e lúmen sem hemácias, e os critérios imunohistoquímicos incluíram vasos endoteliais de parede única, com formato irregular e lúmen sem hemácias e reagentes a podoplanina D2-40.
RESULTADOS: As lâminas histológicas de glândula lacrimal, nervo óptico, tecido adiposo e músculos extraoculares reagiram positivamente a podoplanina D2-40.
CONCLUSÃO: Este estudo demonstrou vasos linfáticos na órbita humana, mais exatamente, na glândula lacrimal, no nervo óptico, na gordura orbitária e nos músculos extrínsecos extraoculares via microscopia óptica e imunohistoquímica.
Keywords: Vasos linfáticos; Órbita; Nervo óptico; Aparelho lacrimal; Músculos oculomotores; Tecido adiposo; Microscopia
Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (1 )
:19-24
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220004
Abstract
Objetivo: Comparar os efeitos da ciclosporina tópica 0,1% e do bevacizumabe na neovascularização da córnea produzida experimentalmente em um modelo com ratos.
Métodos: Trinta ratos Sprague-Dawley adultos foram usados neste estudo experimental. A córnea central dos ratos foi cauterizada quimicamente. Os ratos foram distribuídos aleatoriamente em três grupos. O grupo 1 recebeu bevacizumabe a 1%, o grupo 2 recebeu ciclosporina tópica a 0,1% e o grupo 3 recebeu solução salina isotônica duas vezes ao dia durante 28 dias. O exame de lâmpada de fenda de todos os ratos foi realizado no terceiro e no vigésimo oitavo dias. Os ratos foram então sacrificados e as córneas excisadas. Nos cortes da córnea, o número de vasos sanguíneos, o estado de inflamação e a formação de colágeno foram avaliados em uma análise anatomopatológica.
Resultados: No Grupo 2, os graus de opacidade e de edema da córnea foram significativamente menores que no Grupo 3 (p=0,04 e 0,00, respectivamente). No exame histopatológico, o Grupo 2 apresentou um número significativamente menor de vasos sanguíneos do que o Grupo 3 (p=0,001). Em relação à avaliação da formação de colágeno, esta mostrou-se mais regular no Grupo 2 que no Grupo 1 e no Grupo 3 (p=0,03). Os graus de inflamação foram significativamente menores no Grupo 1 e no Grupo 2 em comparação com o Grupo 3 (p=0,014 e 0,001, respectivamente).
Conclusão: O bevacizumabe tópico é eficaz na inibição da neovascularização da córnea recém-formada. O tratamento tópico com ciclosporina a 0,1% parece ser mais eficaz em comparação ao tratamento tópico com bevacizumabe.
Keywords: Neovascularização da córnea; Bevacizumabe; Cyclosporina A; Ratos
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (1 )
:1-7
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0328
Abstract
Objetivo: O objetivo deste estudo foi investigar o efeito protetor do cilostazol no desenvolvimento e na evolução da retinopatia diabética em ratos.
Métodos: Sessenta ratos machos foram divididos em 4 grupos: ratos não-diabéticos não-tratados, ratos diabéticos não-tratados, ratos não-diabéticos tratados com cilostazol e ratos diabéticos tratados com cilostazol. A espessura da membrana limitante interna à membrana limitante externa, a camada plexiforme interna, a camada nuclear interna e a camada nuclear externa foram medidas. Para quantificar o grau de perda de células da retina, foi contado o número de núcleos de células por 50 µm de comprimento em secções retinianas.
Resultados: O número de núcleos no GCL foi significativamente maior em Ratos não-diabéticos não-tratados com cilostazol (p<0,05). O número médio de núcleos em Ratos não-diabéticos tratados com cilostazol foi significativamente maior do que em Ratos diabéticos tratados com cilostazol (p<0,05). A contagem média de núcleos em camada nuclear interna e camada plexiforme interna de ratos não-diabéticos tratados com cilostazol foi significativamente maior do que nos outros grupos (p<0,05). A espessura retiniana média total de Ratos não-diabéticos tratados com cilostazol foi significativamente maior do que em Ratos diabéticos tratados com cilostazol e Ratos diabéticos não-tratados (p<0,05).
Conclusão: Os resultados demonstraram que o cilostazol teve um efeito protetor contra as alterações causadas pela retinopatia diabética em ratos diabéticos, diminuindo a perda de células ganglionares e reduzindo a atrofia neurossensorial nas camadas retinianas internas.
Keywords: Cilostazol; Células ganglionares; Retinopatia diabética; Retina; Ratos Wistar.
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (1 )
:46-51
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220084
Abstract
Objetivo: Uma das desvantagens mais importantes do uso de stents Mini Monoka no reparo de lacerações canaliculares pediátricas é a perda prematura do stent. Neste estudo, objetivamos comparar os resultados clínicos dos stents monocanaliculares Mini Monoka e Masterka em crianças e discutir as possíveis causas da perda prematura do stent.
Métodos: Foram incluídos nesta revisão retrospectiva 36 pacientes <18 anos de idade que se submeteram ao reparo cirúrgico de uma laceração canalicular com um stent Mini Monoka ou Masterka e tiveram pelo menos 6 meses de acompanhamento após a remoção do stent. Foram analisados os dados demográficos, o mecanismo da lesão, o tipo de stent utilizado, a ocorrência de perda prematura de stent e o sucesso da intervenção. O sucesso foi definido como a ausência de epífora após a remoção do stent, sem a perda prematura deste.
Resultados: Vinte e sete pacientes preencheram os critérios do presente estudo e foram incluídos nas análises. O stent Mini Monoka foi usado em 14 pacientes (51,9%), enquanto o Masterka foi usado em 13 pacientes (48,1%). As características clínicas pré-operatórias, incluindo idade, sexo e mecanismo de lesão, foram semelhantes entre os dois grupos. A média de idade foi de 8,3 ± 5,5 anos no grupo Mini Monoka e de 7,8 ± 5,9 anos no grupo Masterka (p=0,61). Três pacientes do grupo Mini-Monoka (21,4%) tiveram que ser operados novamente por perda prematura do stent. Nenhuma perda prematura do stent foi observada no grupo Masterka. Como resultado, a taxa de sucesso foi de 78,6% no grupo Mini Monoka e de 100% no grupo Masterka (p=0,22).
Conclusões: Embora nenhuma diferença estatisticamente significativa tenha sido detectada entre os dois grupos em termos de taxas de sucesso, não observamos nenhuma perda prematura de stent no grupo Masterka. São necessários mais estudos, com séries maiores e randomizadas, para chegar a maiores conclusões sobre esses achados.
Keywords: Traumatismos oculares; Aparelho lacrimal/lesões; Ducto nasolacrimal; Lacerações; Stents; Microcirurgia; Intubação/métodos; Laceração canalicular; Criança; Estudo comparativo
Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (1 )
:59-67
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220008
Abstract
Objetivo: O nosso objetivo neste estudo foi comparar as alterações na unidade funcional lacrimal em dois modelos de síndrome do olho seco neurogênica: desnervação sensorial da córnea versus desnervação autonômica da glândula lacrimal.
Métodos: A rede neural é um importante suporte para a unidade funcional lacrimal. Pode ser dividido em vias aferentes (sensoriais) e eferentes (autonômicas), sujeitas a doenças graves que comprometem a unidade funcional lacrimal. Ratos Wistar machos, com 8 semanas de idade, foram divididos em três grupos: 1) Controle naïve (n=16 animais); 2) Desnervação autonômica: onde os ratos foram submetidos à ablação do nervo da glândula lacrimal direita e avaliados após um e dois meses (1 M a 2 M) do procedimento (n=7 animais por subgrupo, desnervação autonômica 1M e desnervação autonômica 2M, respectivamente); 3) Desnervação sensorial induzida por colírio a 0,2% de cloreto de benzalcônio, duas vezes ao dia por 7 dias no olho direito (n=10 animais). A sensibilidade da córnea foi medida pelo teste de movimento pata-olho com capsaicina (10 μM). A PCR quantitativa em tempo real foi aplicada para comparar a expressão relativa de mRNA de citocinas pró-inflamatórias: Il1b, Il6, Tnf, Mmp9, na córnea, gânglio trigêmio e glândula lacrimal. O mRNA dos agentes pró-mitóticos Bmp7, Runx1, Runx3, Fgf10 e Smad1 foram comparados na glândula lacrimal.
Resultados: A desnervação sensorial induziu hiperalgesia da córnea (p=0,001). Desnervação sensorial e desnervação autonômica aumentaram o mRNA de citocinas pró-inflamatórias no córnea e glândula lacrimal (p<0,05), mas apenas desnervação sensorial aumentou o mRNA de Il1b e Tnf no gânglio trigêmio (p<0,05) quando comparado ao controle naïve.
Conclusões: Os modelos de desnervação autonômica e desnervação sensorial podem ter características comuns, como inflamação de diferentes partes da unidade funcional lacrimal. No entanto, a hiperestesia e os marcadores inflamatórios no gânglio trigêmio de desnervação sensorial e a expressão de mediadores regenerativos na glândula lacrimal na desnervação autonômica são características que distinguem essas doenças, podendo ser investigadas em estudos futuros que abordam o olho seco secundário ao dano neural da unidade funcional lacrimal.
Keywords: Córnea; Unidade functional lacrimal; Aparelho lacrimal; Hipersensibilidade; Ratos Wistar; Síndrome do olho seco
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (4 )
:359-364
| DOI: 10.5935/0004-2749.20230056
Abstract
Objetivo: Comparar as características radiológicas e clínicas do adenoma pleomórfico primário e do carcinoma adenoide cístico da glândula lacrimal.
Métodos: Este estudo revisou retrospectivamente os achados de imagem e os prontuários médicos de casos de adenoma pleomórfico e carcinoma adenoide cístico da glândula lacrimal.
Resultados: Foram avaliados 11 pacientes com adenoma pleomórfico e 16 pacientes com carcinoma adenoide cístico. Não houve diferenças estatisticamente significativas em relação à idade e sexo. Proptose foi o sintoma de apresentação mais comum em ambos os grupos. Os carcinomas adenoides císticos foram mais propensos que os adenomas pleomórficos a apresentarem massas palpáveis, diplopia, dor e perda sensorial, mas essa diferença entre os grupos não foi estatisticamente significativa. Não houve diferenças estatísticas em termos de homogeneidade e indentação do globo ocular entre os dois tipos de tumores em imagens de tomografia computadorizada (p>0,05). Também à tomografia computadorizada, a invasão óssea, a calcificação do tumor e o sinal em cunha foram mais frequentes nos carcinomas adenoides císticos, enquanto a remodelação óssea foi mais frequente nos adenomas pleomórficos, com significância estatística para todas essas manifestações (p<0,05). À ressonância magnética, os adenomas pleomórficos foram significativamente mais propensos a terem margens bem definidas, contornos lobulados, realce heterogêneo pelo contraste e hiperintensidade na ressonância magnética ponderada em T2 (p<0,05).
Conclusão: Ao se diferenciar o adenoma pleomórfico e o carcinoma adenoide cístico da glândula lacrimal, é muito importante avaliar as características radiológicas juntamente com as características clínicas. Os contornos lobulados podem ser uma característica radiológica significativamente distinta em favor do adenoma pleomórfico.
Keywords: Aparelho lacrimal/patologia; Adenoma pleomorfo; Carcinoma adenoide cístico; Tomografia computadorizada por raios x; Imagem por ressonância magnética.
Arq. Bras. Oftalmol. 2025;88 (1 )
:1-63
| DOI: 10.5935/0004-2749.2023-0037
Abstract
PURPOSE: To characterize the extracellular vesicle protein cargo in the aqueous humor and plasma of patients with ocular toxoplasmosis.
METHODS: Aqueous humor and plasma were collected from six patients with active ocular toxoplasmosis and six patients with cataract. Extracellular vesicles were isolated, and western blotting and mass spectrometry were performed for protein analysis.
RESULTS: All plasma samples from patients with ocular toxoplasmosis and cataract were positive for the tetraspanins CD63 and TSG101. However, the aqueous humor from patients with ocular toxoplasmosis was positive only for CD63. Sixty-seven new unreported proteins were identified in the aqueous humor and plasma of patients with the ocular toxoplasmosis and cataract. Of the 67 proteins, 10 and 7 were found only in the cataract and ocular toxoplasmosis groups, respectively. In general, these proteins were involved in immune system activation and retina homeostasis and were related to infections and retina-associated diseases. Conclusion: The distinct protein signatures between ocular toxoplasmosis and cataract may be helpful in the differential diagnosis of ocular toxoplasmosis. However, more studies are needed to better understand the role of these proteins in the pathogenesis of ocular toxoplasmosis.
Keywords: Extracellular vesicles; Proteomics; Toxoplasma gondii; Ocular toxoplasmosis, Aqueous humor; Plasma; Liquid biopsy
Arq. Bras. Oftalmol. 2025;88 (2 )
:1-5
| DOI: 10.5935/0004-2749.2024-0113
Abstract
This study aimed to evaluate the morphometric and volumetric dimensions of the lacrimal gland in patients with inactive thyroid eye disease and compare them with the values reported in the literature. This case series evaluated consecutive patients with inactive thyroid eye disease treated at a tertiary eye hospital from 2015 to 2020. The patients' baseline demographics and clinical characteristics were obtained. The axial and coronal length, width, and volume of the lacrimal gland were measured on computed tomography scan images, and the results were statistically analyzed. A total of 21 patients (42 orbits) with inactive thyroid eye disease were evaluated. Their mean age was 49.0 ± 14.6 years, and 12 (57.1%) of them were men. The main complaint was dryness, and the majority of the patients had good vision and mild proptosis. The mean axial length and width of the lacrimal gland were 19.3 ± 3.9 mm and 7.5 ± 2.1 mm, respectively; coronal length and width, 20.4 ± 4.5 mm and 7.5 ± 2.1 mm, respectively; and lacrimal gland volume, 0.825 ± 0.326 mm3. Age, sex, or laterality were not found to be determinants of lacrimal gland enlargement. Patients with thyroid eye disease have enlarged lacrimal gland even in the nonactive phase of the disease multifactorial aspects influence the lacrimal gland in thyroid eye disease, making it difficult to establish a clear correlation with predisposing factors. Further studies are warranted to better understand the association between thyroid eye disease and the lacrimal gland.
Keywords: Graves' ophthalmology; Graves' disease; Lacrimal apparatus; Lacrimal apparatus diseases; X-ray computed tomography
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (4 )
:1-5
| DOI: 10.5935/0004-2749.2023-0143
Abstract
PURPOSE: The purpose of this study is to assess the long-term outcomes of modified transcanalicular diode laser dacryocys torhinostomy in a large cohort of patients affected by primary acquired nasolacrimal duct obstruction.
METHODS: This study, conducted from January 17 to June 2022, encompassed 141 patients (159 procedures) who underwent modified transcanalicular diode laser dacryocystorhinostomy (MT-DCR). The procedure employed an 810-nm diode laser. Patients were monitored for at least a year after the intervention. Anatomical success was determined by ostium patency upon irrigation, while functional success referred to epiphora resolution. Parameters studied included patient demographics, procedure duration, complications, and both anatomical and functional success. Statistical analysis was performed using the Statistical Package for the Social Sciences software, with results considered significant at a 95% confidence interval (p≤0.05).
RESULTS: A total of 159 lacrimal drainage systems (141 patients: 112 women and 29 men) were included in this study. Among them, 18 underwent bilateral procedures. The average patient age was 58 years (range: 34-91 years), and the average surgical duration was 24 minutes (range: 18-35 minutes). One year after the surgery, MT-DCR exhibited anatomical and functional success rates of 84.9% (135/159) and 83% (132/159), respectively.
CONCLUSION: MT-DCR achieved an anatomical success rate of 84.9%, reflecting an excellent outcome. However, further extensive studies with larger sample sizes and longer follow-up periods are necessary to substantiate these findings.
Keywords: Lacrimal duct obstruction; Nasolacrimal duct/surgery; Dacryocystorhinostomy; Lacrimal apparatus diseases; Laser therapy/methods; Lasers, semiconductor/therapeutic use; Regeneration