Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (5 )
:517-519
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220063
Abstract
Reportamos o caso de homem previamente hígido, 48 anos, com paralisia isolada do nervo abducente 18 dias após infecção pelo novo coronavírus (COVID-19) confirmada por reação cadeia polimerase de transcriptase reversa. A principal queixa do paciente na admissão era diplopia. O exame ocular revelou paralisia do sexto nervo craniano do olho esquerdo. Esotropia incomitante no exame inicial media 30 dioptrias prismáticas. Abdução estava limitada com adução completa no olho esquerdo. O paciente foi submetido a investigação clínica e neurológica com exame de neuroimagem, incluindo análise de amostra do líquido cefalorraquidiano para descartar causas infecciosas. Optou-se por abordagem conservadora com terapia ortóptica e prisma de Fresnel. Oito meses após a infecção pelo COVID-19, o paciente evoluiu com regressão do estrabismo e informou recuperação completa do quadro. Este relato sugere que paralisia isolada do nervo abducente causada por SARS-CoV-2 pode melhorar com abordagem conservadora.
Keywords: Infecções por coronavirus; Doenças do nervo abducente; Estrabismo; Vírus da SARS; Transtornos da motilidade ocular; Humanos; Relatos de casos
Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (3 )
:301-305
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220043
Abstract
A sífilis é uma doença reemergente e potencialmente grave. Por sua onipresença e pleomorfismo, é denominada “grande imitadora”. Relatamos caso de paciente jovem com sífilis secundária, que se apresentou com coriorretinopatia placóide sifilítica posterior aguda bilateral, simultaneamente a periostite craniana sifilítica. A despeito de realce paquimeníngeo observado na ressonância magnética, acreditamos que este tenha sido uma extensão do processo ósseo e não, uma meningite em si, uma vez que o exame do líquido cefalorraquidiano estava completamente normal. Tratamento com penicilina cristalina intravenosa resultou em completa resolução dos sinais, sintomas e achados de imagem. A sífilis secundária é o estágio de maior bacteremia e maior transmissibilidade da doença, apresentando-se principalmente com quadros mucocutâneos, mas também, menos frequentemente, com envolvimento de outros órgãos. Elevada suspeição e uma abordagem pragmática são necessárias para o diagnóstico, uma vez que essa doença pode afetar vários órgãos, como no caso relatado, em que foram acometidos olhos, ossos e pele.
Keywords: Sífilis/complicações; Neurossífilis; Infecções oculares bacterianas; Uveíte posterior; Coriorretinite; Periostite; Relato de caso
Arq. Bras. Oftalmol. 2023;86 (4 )
:380-383
| DOI: 10.5935/0004-2749.20230028
Abstract
Relatamos dois casos de doença de Coats em estágio 3A unilateral em pacientes pediátricos. Em ambos os casos, o controle da doença foi obtido com implante intravítreo de dexametasona, além de outros tratamentos, com melhora da acuidade visual em um caso e sem piora da visão no outro, durante um período de acompanhamento de 7 e 3 anos. Um dos casos apresentou elevação da pressão intraocular controlada com medicação antiglaucoma tópica e desenvolveu catarata que exigiu cirurgia. Em conclusão, o implante intravítreo de dexametasona pode ser um tratamento adjuvante útil a ser considerado em alguns casos pediátricos com doença de Coats.
Keywords: Telangiectasia retiniana; Descolamento retiniano; Crioterapia; Dexametasona; Implante de medicamento; Humano; Relato de caso
Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (4 )
:406-410
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220056
Abstract
O objetivo é relatar um caso de associação entre disfunção de glândulas de meibomius (DGM) e ceratocone, assim como ressaltar a importância do tratamento do olho seco evaporativo em casos de ectasia corneana. Paciente do sexo masculino de 45 anos com ceratocone e queixas de ardência, lacrimejamento, prurido e olho vermelho. O mesmo tem histórico de transplante de córnea penetrante e uso de lentes de contato rígidas. A meibografia revelou severa perda de glândulas de meibomius e menisco lacrimal normal em ambos os olhos. Testes propedêuticos objetivos são importantes ferramentas para diagnóstico de olho seco e apropriada avaliação da superfície ocular e filme lacrimal. Em pacientes mais velhos, os sinais clássicos de atopia não estão sempre presentes e investigações adicionais das causas de prurido crônico são necessárias. O tratamento da inflamação crônica subjacente como olho seco, disfunção de glândulas de meibomius e blefarite podem ser importantes para prevenir a progressão do ceratocone e garantir alívio dos sintomas.
Keywords: Ceratocone; Disfunção da glândula tarsal; Blefarite; Síndromes dos olho seco; Humanos; Relatos de casos
Arq. Bras. Oftalmol. 2020;83 (4 )
:338-341
| DOI: 10.5935/0004-2749.20200071
Abstract
O hemangioma infantil é a causa mais comum de tumor benigno na infância e usualmente é uma condição isolada podendo ocorrer em diferentes regiões do corpo. No entanto, hemangiomas infantil extensos podem ser associados com outras malformações sistêmicas incluindo anomalias no sistema nervoso central, cerebrovasculares, cardíacas e oftalmológicas, uma condição denominada síndrome PHACE. Neste trabalho, descrevemos o caso de um paciente com síndrome PHACE que se apresentou com um extenso hemangioma facial e anomalia de “morning glory”.
Keywords: Hemangioma; Anormalidades do olho; Coartação aórtica; Síndromes neurocutâneas; Imagem por ressonância magnética; Humanos; Relatos de casos
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (4 )
:1-3
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0495
Abstract
A falência primária do enxerto é uma complicação conhecida que pode ocorrer após o transplante penetrante de córnea. O tratamento usual dessa complicação é com um novo transplante penetrante. Apresentamos um caso em que foi usado o transplante endotelial de membrana de Descemet (DMEK - do inglês Descemet membrane endothelial keratoplasty) para o tratamento da falência primária após o transplante penetrante. Uma paciente submetida a transplante penetrante evoluiu com falência primária do enxerto a despeito do uso intenso de corticoide tópico e uma prova terapêutica de antivirais. Três meses após a cirurgia inicial, foi optado pela realização do transplante endotelial de membrana de Descemet sob o transplante penetrante. Houve um clareamento precoce e progressivo do enxerto com melhora importante da visão. Após um mês, a visão sem correção era de 20/40 melhorando para 20/20 com refração. O transplante endotelial de membrana de Descemet pode ser uma alternativa a um novo transplante penetrante como tratamento da falência primária.
Keywords: Doenças da córnea; Transplante da córnea/efeitos adversos; Rejeição do enxerto; Ceratoplastia penetrante; Lâmina limitante posterior; Ceratoplastia endotelial com remoção da lâmina limitante posterior; Infecções oculares virais; Humanos; Relatos de casos
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (4 )
:1-4
| DOI: 10.5935/0004-2749.2022-0107
Abstract
Neonato de 7 semanas, do sexo masculino, nascido de parto cesárea, apresentou sorologia positiva para dengue com hemorragias retinianas e pré-retinianas, opacidades vítreas e manchas algodonosas. O paciente e sua mãe haviam apresentado sorologias positivas para Non Structural Protein 1 através de ELISA. Achados na retina e no vítreo melhoraram em um período de dezesseis semanas. O exame de tomografia de coerência óptica de domínio espectral demonstrou arquitetura macular preservada. Neste relato de caso, sugerimos que alterações na retina e no vítreo podem ser os achados oculares aparentes em neonatos com infecção vertical por dengue, e que estes podem se resolver sem maiores sequelas estruturais.
Keywords: Dengue; Complicações infecciosas na gravidez; Transmissão vertical de doenças infecciosas; Manifestações oculares; Hemorragia retiniana; Hemorragia vítrea; Humanos; Doenças do recém-nascido; Relatos de casos