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Abstract
OBJETIVO: Analisar a freqüência e a etiologia das doenças oculares micóticas diagnosticadas por cultura no Laboratório de Doenças Externas Oculares da Universidade Federal de São Paulo (LOFT-UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil e os fatores associados às ceratites fúngicas. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de 14.391 solicitações de exames laboratoriais de doenças infecciosas oculares no período compreendido entre 1975 e maio de 2003. Nas comprovações por cultura de micoses oculares foram observados o tipo morfológico do fungo isolado, o sexo e a idade dos pacientes, o local de acometimento da infecção ocular, os anos de identificação e os fatores associados nos casos de ceratite fúngica, conforme o agente etiológico identificado. Considerou-se significante p<0,05. RESULTADOS: Foram verificadas 296 (2,05%) comprovações por cultura de infecção ocular micótica, sendo 265 (89,5%) identificadas como agente etiológico de ceratites, 27 de infecções intra-oculares (9,1%) e 4 de outros locais (1,3%). Fungos filamentosos foram identificados em 233 casos (78,7%), sendo 74,7% dos pacientes do sexo masculino (n=174) e 25,3% do sexo feminino (n=59). Em 63 exames (21,3%) foram isolados fungos leveduriformes, sendo 49,2% dos casos do sexo masculino (n=31) e 50,8% do sexo feminino (n=32).As idades variaram entre 2 e 99 anos no grupo dos fungos filamentosos e entre 14 e 88 anos no grupo dos fungos leveduriformes. Os fungos filamentosos mais freqüentemente encontrados foram Fusarium (n=137 ou 58,8%), Aspergillus (n=28 ou 12,0%) e Penicillium (n=12 ou 5,2%). Entre as leveduras, o gênero mais freqüente foi a Candida (n=59 ou 93,7%). Em relação às ceratites, 95,1% das solicitações apresentadas tiveram pelo menos um fator associado. Trauma ocular foi significativamente associado às ceratites por fungos filamentosos (p=0,0002); e, cirurgias (p=0,0002), doenças oculares prévias (p=0,0002) e sistêmicas (p=0,0002) às infecções por fungos leveduriformes. O uso de antibióticos tópicos mostrou associação com infecção por fungos filamentosos, com menor significância estatística (p=0,0224). CONCLUSÕES: A análise laboratorial mostrou predomínio de infecções por fungos filamentosos sobre os leveduriformes, destacando-se a ceratite micótica como a principal doença verificada. A maioria das ceratites fúngicas apresentou pelo menos um fator associado.
Keywords: Ceratite; Ceratite; Infecções oculares fúngicas; Infecções oculares fúngicas; Infecções oculares fúngicas
Abstract
Relato de um caso atípico de infecção fúngica da córnea causada pelo microrganismo Fonsecaea pedrosoi após trauma ocular. Paciente, masculino, estudante de 18 anos, apresentou-se ao Setor de Doenças Externas Oculares do Departamento de Oftalmologia da UNIFESP com úlcera de córnea paracentral de 3,5 x 3,5 mm e aspecto branco-acinzentado com bordas infiltradas, 28 dias após trauma em ocular por vidro. Foi realizado raspado da córnea e o material enviado para análise microbiológica. Foi observado crescimento de colônias em meio de cultura e posteriormente colocadas em solução de lactofenol-azul de algodão. Verificou-se a presença de hifas dermáceas de pigmento escuro, identificado como Fonsecaea pedrosoi. Tratamento foi iniciado com natamicina 5% tópica a cada hora e cetoconazol 200 mg por dia. Subseqüentemente foi substituído pela combinação cetoconazol e anfotericina B. Fonsecaea pedrosoi é uma das principais causas em humanos de micose crônica cutânea, cromoblastomicose, em regiões úmidas tropicais. A combinação de antimicóticos sistêmicos e tópicos pode ser a melhor opção para pacientes no tratamento de cromoblastomicose da córnea.
Keywords: Doenças da córnea; Ceratite; Traumatismos oculares; Infecções oculares fúngicas; Antimicóticos; Fungos mitospóricos; Relato de caso
Abstract
OBJETIVOS: Determinar a micobiota de conjuntiva sadia em indivíduos diabéticos, segundo tipo de diabetes, idade, sexo, tempo de doença, tipo de tratamento e estádio da retinopatia. Estabelecer a micobiota anemófila nas salas de colheita. MÉTODOS: Estudo transversal de 803 diabéticos residentes na zona urbana de São Paulo - SP/Brasil. Foi usado para primo-isolamento o meio de cultivo ágar Sabouraud dextrose com cloranfenicol e para identificação dos fungos filamentosos a chave de De Hoog. RESULTADOS: Dos diabéticos avaliados, 6,6% (53/803) apresentavam diabetes tipo 1 e 93,4% (750/803) tipo 2. Os cultivos positivos para fungos em conjuntiva de diabéticos foi 4,2% (34/803), sendo 1,9% (1/53) nos diabéticos tipo 1 e 4,4% (33/740) nos diabetes tipo 2 (p=0,720). Não foi verificada associação estatisticamente significante quanto à presença ou não de isolamentos de fungos em relação idade (p=0,575), sexo (p=0,517), tempo de doença (p=0,633), tipo de tratamento (p=0,422) e estádio de retinopatia diabética (p=0,655) desses indivíduos. Todos os fungos identificados foram filamentosos: Aspergillus spp. representou 59,5% (25/42) dos isolamentos sendo 47,6% (20/42) Aspergillus niger. Ocorreu crescimento de fungos anemófilos do ar ambiente da sala, observando-se coincidências entre as espécies isoladas no ar e na conjuntiva. CCONCLUSÕES: Foi identificada presença de micobiota em conjuntiva sadia de diabéticos, não havendo associação entre a maior positividade de isolamentos fúngicos e o tipo de diabetes, idade, sexo, tempo de doença, tipo de tratamento e estádio da retinopatia diabética. Nas salas de colheita foi identificada micobiota anemófila.
Keywords: Conjuntiva; Fungos; Diabetes mellitus; Retinopatia diabética; Contagem de colônia microbiana; Aspergillus niger; Aspergillus; População urbana
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