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Abstract
INTRODUÇÃO: A ceratite fúngica é uma importante causa de infecção corneana, principalmente em países tropicais. Com alta morbidade devido à demora no diagnóstico, o exame laboratorial torna-se obrigatório nesses casos. Dificuldades técnicas na obtenção das amostras, porém, geram um grande número de exames falso-negativos. Nesses casos, uma detalhada avaliação do paciente em busca de características específicas dessa entidade pode auxiliar na elucidação diagnóstica. OBJETIVOS: Formar um perfil epidemiológico dos portadores de ceratomicose para auxiliar no diagnóstico e tratamento precoces. MÉTODOS: Realizou-se estudo retrospectivo em base de dados de portadores de úlceras corneanas em busca de pacientes com diagnóstico de ceratomicose. Foram coletadas informações a respeito de sexo, situação do domicílio, grau de instrução, profissão, idade, fatores desencadeantes e predisponentes (oculares e sistêmicos), hipótese etiológica inicial, resultado laboratorial, tempo de cicatrização, complicações e tratamentos adjuvantes. RESULTADOS: Dos 599 pacientes atendidos por úlcera de córnea, 150 (25%) foram diagnosticados como de etiologia fúngica. Houve maior prevalência em homens em idade produtiva e baixo nível de escolaridade. Trauma com material vegetal esteve presente em 74 (49,33%) casos. Demais fatores identificados como trabalhadores e moradores de áreas rurais também suportam o trauma vegetal como principal fator de risco identificado no estudo. CONCLUSÕES: Com base nos dados do estudo foi possível formar um perfil dos portadores de úlceras fúngicas atendidos pelo HC-UNICAMP.
Keywords: Infecções oculares fúngicas; Micoses; Ceratite; Úlcera da córnea
Abstract
Objetivo: Avaliar a aderência, a eficácia e segurança do uso prolongado de tacrolimus tópico no controle clínico da ceratoconjuntivite vernal.
Métodos: Um estudo retrospectivo foi desenvolvido através da análise de prontuários de pacientes com ceratoconjuntivite vernal em tratamento prolongado com tacrolimus tópico 0,03%. A duração do tempo de uso do tacrolimus e as causas de descontinuação da medicação foram usadas para avaliar a adesão ao tratamento. Para avaliar a eficácia da droga, a necessidade e o número de vezes em que corticoides tópicos foram utilizados para controlar os sintomas foram registrados. Os efeitos colaterais relacionados ao uso do tacrolimus foram monitorados para determinar a segurança da droga.
Resultados: Vinte e um pacientes preencheram os critérios de eleição e foram incluídos no estudo. A duração média do uso de tacrolimus foi de 41,3 ± 18,5 meses. Quatorze pacientes (66,7%) usaram continuamente o tacrolimus e 3 (14,3%) descontinuaram o tratamento após a remissão completa. Quatro pacientes (19%) não usaram o tacrolimus conforme prescrito ou interromperam o uso da droga isoladamente: 2 (9,5%) por desconforto na aplicação e 2 (9,5%) pela falta de melhora. Dez pacientes (47,6%) mantiveram a doença sob controle sem o uso de corticoides, enquanto 11 (52,4%) necessitaram em média 2,70 ± 1,35 ciclos corticoides para controle dos sintomas. O único efeito adverso relatado foi desconforto na aplicação.
Conclusões: Apesar do pequeno tamanho da amostra e das limitações do desenho do estudo, esses resultados suportam o uso prolongado do tacrolimus tópico como opção eficaz e segura para o tratamento da ceratoconjuntivite vernal, com boa adesão dos pacientes ao tratamento.
Keywords: Ceratoconjuntivite vernal, ceratoconjuntivite primaveril, tacrolimus, conjuntivite alérgica, antialérgicos
Abstract
Objetivo: Comparar a acuidade visual prevista pelo Escore de Trauma Ocular com a acuidade visual final dos pacientes vítimas de trauma ocular aberto atendidos em hospital no sul do Brasil.
Métodos: Foram analisados 120 olhos de 119 vítimas de trauma ocular aberto. Foi realizado um estudo observacional e retrospectivo em hospital universitário. Foram extraídos dados de prontuários relacionados a idade, sexo, olho acometido e mecanismo de trauma, bem como dados para o cálculo do Escore de Trauma Ocular (acuidade visual inicial, presença de ruptura de globo, perfuração, endoftalmite, descolamento de retina, defeito pupilar aferente) e acuidade visual final.
Resultado: Houve concordância entre a acuidade visual prevista pelo Escore de Trauma Ocular e a acuidade visual final prevista no presente estudo. A análise isolada das variáveis demonstrou significância para acuidade visual inicial (p<0,001), para descolamento de retina (p=0,001) e para defeito pupilar aferente (p<0,004). Não houve diferença significativa entre a acuidade visual final do estudo original do Escore de Trauma Ocular. e na população abordada no presente estudo.
Conclusão: O Escore de Trauma Ocular pode ser aplicado à população estudada no presente estudo como ferramenta de determinação do prognóstico visual em vítimas de trauma ocular aberto. As variáveis mais significativas são acuidade visual inicial, descolamento de retina e defeito pupilar aferente. Estudos prospectivos com amostras maiores são necessários para comprovar tal hipótese.
Keywords: Índices de gravidade do trauma; Acuidade visual; Traumatismos oculares; Prognóstico
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