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Abstract
OBJETIVO: Comparar a influência do tipo de tratamento em diferentes regiões do campo visual glaucomatoso após redução da pressão intra-ocular (Pio). MÉTODOS: Pacientes com glaucoma que obtiveram redução da Pio de pelo menos 20% em um período de 2 meses foram retrospectivamente selecionados e divididos em 2 grupos: 1) após trabeculectomia; 2) após tratamento clínico. Índices do campo visual e os limiares de sensibilidade (totais, e divididos de acordo com a gravidade no gráfico do "Pattern Deviation") foram anotados imediatamente antes e após a redução da Pio, comparados entre os grupos, e dentro dos mesmos. RESULTADOS: Trinta e um olhos de 22 pacientes foram incluídos no estudo (15 no grupo 1, e 16 no grupo 2). Ambos os grupos demonstraram alta habilidade na melhora de regiões do campo visual após a redução da Pio. Apenas a porcentagem da redução da Pio (52,3±18,9% e 37,8±15,2% para os grupos 1 e 2, respectivamente, p=0,02) e a porcentagem de melhora nos pontos lesados a 0,5% (186,0±213,3% e 30,1±35,2% para os grupos 1 e 2, respectivamente, p=0,02) foram diferentes entre os grupos, porém sem significância após correção do erro alfa. CONCLUSÃO: A redução da Pio acima de 20% pode estar associada à melhora em regiões do campo visual glaucomatoso, independente da modalidade de tratamento.
Keywords: Pressão intra-ocular; Glaucoma; Perimetria; Tonometria ocular; Estudos retrospectivos; Resultado de tratamento
Abstract
OBJETIVO: Avaliar o desempenho do teste provocativo da ibopamina em pacientes com glaucoma usuários de drogas hipotensoras. MÉTODOS: Pacientes glaucomatosos foram recrutados do Centro de Referência em Oftalmologia (CEROF) da Universidade Federal de Goiás, e suas drogas hipotensoras em uso registradas. Indivíduos normais foram amigos e parentes dos pacientes. A seguir, foram instiladas duas gotas de ibopamina 2% com intervalo de 5 minutos. A pressão intra-ocular (Pio) foi medida previamente, e após 30, 60 e 180 minutos. No nosso estudo, o teste da ibopamina foi considerado positivo quando a pressão intra-ocular excedeu 4 mmHg em pelo menos uma das medidas. RESULTADOS: Cinquenta e oito olhos de 58 indivíduos (38 glaucomatosos e 20 normais) foram incluídos no estudo. O aumento da pressão intra-ocular foi maior nos pacientes com glaucoma aos 30, 60 e 180 minutos (p<0,001 em todas as ocasiões). O aumento da pressão intra-ocular foi estatisticamente maior aos 30 minutos nos indivíduos que não utilizavam análogos das prostaglandinas (p=0,01). A sensibilidade do teste foi de 68% (87% se excluirmos pacientes em uso de análogos das prostaglandinas), e a especificidade de 95%. CONCLUSÃO: O teste provocativo da ibopamina 2% pode ser ferramenta auxiliar no diagnóstico do glaucoma. Apesar da pequena amostra estudada, sugere-se que olhos em uso de análogos das prostaglandinas têm reduzido a sensibilidade do mesmo.
Keywords: Glaucoma; Soluções oftálmicas; Pressão intra-ocular; Agonistas de dopamina; Sensibilidade e especificidade
Abstract
Paciente do sexo feminino de 19 anos com pioderma gangrenoso foi encaminhada ao setor de Plástica Ocular para avaliação de ectrópio cicatricial grave da pálpebra inferior direita. O exame evidenciou cicatrização importante na pálpebra inferior e região malar com um ectrópio secundário. Foi realizado liberação do tecido cicatricial e um enxerto de pele total associado a "tarsal strip". A dose de corticóide da paciente foi aumentada para a realização do procedimento e não houve problemas de cicatrização ou formação de úlceras na pálpebra ou no sítio doador após a cirurgia. Como o pioderma gangrenoso é associado ao fenômeno de patergia em até 25% dos casos, o surgimento de novas lesões é uma preocupação relevante ao indicar cirurgia nestes pacientes. Neste caso, a cirurgia foi realizada com segurança sob imunossupressão com corticóide.
Keywords: Pioderma gangrenoso; Ectrópio; Doenças palpebrais; Transplante de pele; Imunossupressão
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a eficácia e segurança da facoemulsificação associada à ciclofotocoagulação endoscópica (CFE) no tratamento cirúrgico primário para catarata e glaucoma coexistentes. MÉTODOS: Trezentos e sessenta e oito olhos de 243 pacientes portadores de glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) e catarata foram incluídos no estudo. Todos os pacientes submetidos à facoemulsificação e CFE, no mesmo ato cirúrgico, no Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos, entre outubro de 1998 e dezembro de 2006 com, no mínimo, dois anos de seguimento, foram retrospectivamente avaliados. As cirurgias foram realizadas por um único cirurgião (FEL). Os pacientes eram excluídos se apresentassem história de qualquer cirurgia ocular ou laserterapia para o glaucoma, prévia ao procedimento. Sucesso qualificado foi definido como 5 mmHg < pressão intraocular (Pio) < 21 mmHg com ou sem medicações antiglaucomatosas tópicas, e sucesso total como 5 mmHg < Pio < 21 mmHg sem o uso de medicações antiglaucomatosas em todas as visitas de acompanhamento. A necessidade de outras intervenções antiglaucomatosas durante qualquer período do acompanhamento caracterizava falência. RESULTADOS: O período médio de seguimento foi de 35,15 + 8,14 meses. A Pio prévia (23,07 + 5,52 mmHg) foi significativamente maior que no primeiro pós-operatório (13,14 + 6,09 mmHg), e meses 1 (11,03 + 2,59 mmHg), 6 (12,33 + 3,01 mmHg), 12 (12,19 + 2,19 mmHg), 24 (12,14 + 2,89 mmHg) e na última consulta (12,29 + 2,44 mmHg) (p<0,001 em todas as ocasiões). O número de medicações pré-operatórias (1,44 + 0,97) foi estatisticamente superior ao número de medicações na última consulta (0,37 + 0,74) (p<0,001). Houve melhora significativa na acuidade visual ao final do seguimento (p=0,01). Sucesso qualificado foi obtido em 334 (90,76%) olhos, e sucesso total em 205 (55,7%) dos 368 olhos operados. Observou-se como complicações Pio > 40 mmHg no pós-operatório imediato em 14,4% (53/368) dos olhos, exsudato inflamatório na câmara anterior em 7,06% (26/368), edema macular cistóide em 4,34% (16/368), hipotonia transitória em 2,17% (8/368), e íris bombé em 1,08% (4/368) dos olhos. CONCLUSÃO: Facoemulsificação associada à ciclofotocoagulação endoscópica é uma alternativa eficaz e segura, a médio prazo, para o tratamento de catarata e glaucoma coexistentes.
Keywords: Glaucoma; Endoscopia; Pressão intraocular; Extração de catarata; Avaliação de eficácia-efetividade de intervenções; Estudos retrospectivos
Abstract
A natureza sempre se forneceu uma fonte inesgotável compostos biologicamente ativos. Desde o início da humanidade, os homens buscaram recursos na fauna e flora para tratar as doenças oculares. Porém, foi somente após a Revolução Industrial que extratos de plantas e substâncias de origem animal puderam ser utilizados com segurança, como foi determinado por estudos controlados de intervenção. Dois grandes desafios enfrentados pela farmacologia foram: desenvolver drogas capazes de reduzir a cegueira pelo glaucoma; e controlar a dor associada à cirurgia ocular. A busca por uma droga que efetivamente reduza a pressão intraocular e controle a progressão do glaucoma levou ao desenvolvimento de diversos hipotensores oculares, como a physostigmine da planta Physostigma venenosum. As propriedades anestésicas da cocaína, extraídas da Erythroxylon coca, finalmente permitiram procedimentos cirúrgicos no olho. Vários novos compostos naturais foram investigados na tentativa de identificar substâncias com potencial para fornecer benefícios adicionais ao tecido ocular e à visão. Evidências emergentes de propriedades anti-inflamatórias, de cicatrização de feridas, antimicrobianas, antioxidantes, antitumorais e antiangiogênicas atribuídas a extratos de plantas e tecidos animais estimularam mais investimentos em pesquisas nessa área. Apesar dos avanços tecnológicos na síntese de drogas, a indústria farmacêutica ainda busca novos princípios ativos a partir de fontes naturais, bem como revisita drogas derivadas já estabelecidas. Embora um grande número de compostos que ocorrem naturalmente seja conhecido, este artigo de revisão concentra-se nas substâncias bioativas com benefícios cientificamente comprovados para os tecidos oculares.
Keywords: Natureza; Plantas medicinais; Moléculas; História da medicina; Farmacologia; Doenças oculares; Indústria farmacêutica
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