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Artigo Original

Lesões oculares relacionadas a armas de fogo: análise de dados nacionais de traumas nos EUA

Firearm-associated ocular injuries: analysis of national trauma data

Timothy Truong1,2; Catherine Hua He2; David Michael Poulsen3; Afshin Parsikia4,5; Joyce Nanjinga Mbekeani6,7

DOI: 10.5935/0004-2749.20210055

RESUMO

OBJETIVO: Os Estados Unidos têm a maior taxa de posse de armas de fogo de todos os países de alta renda e essas armas foram identificados como uma das maiores causas de trauma ocular e deficiência visual. O objetivo deste estudo foi caracterizar as lesões oculares associadas a armas de fogo e identificar grupos de risco.
MÉTODOS: Foram identificados pacientes hospitalizados com lesões oculares associadas a armas de fogo no período de 2008 a 2014, a partir do Banco de Dados Nacional de Trauma (National Trauma Data Bank), usando os códigos de diagnósticos da CID9MC e códigos “E” para causas externas. A análise estatística foi efetuada usando o programa SPSS. O nível de significância considerado foi de p<0,05.
RESULTADOS: De um total de 235.254 pacientes hospitalizados com trauma associado a armas de fogo, 8.715 (3,7%) tinham lesões oculares. A média de idade foi de 33,8 (DP 16,9) anos. A maioria foi de homens (85,7%), brancos (46,6%) e da região Sul (42,9%); 35% dos pacientes eram negros. As lesões mais comuns foram fraturas de órbita (38,6%) e lesões de globo aberto (34,7%). Os locais mais frequentes foram a residência (43,8%) e a rua (21,4%). Pacientes negros tiveram maior probabilidade de sofrer agressões (RP=9,0, IC 95%=8,02-10,11; p<0,001) e da ocorrência ser na rua (RP=3,05, IC 95%=2,74-3,39; p<0,001), enquanto pacientes brancos tiveram maior probabilidade de lesões autoprovocadas (RP=10,53, IC 95%=9,39-11,81; p<0,001) e da ocorrência ser na residência (RP=3,64, IC 95%=3,33-3,98; p<0,001). A probabilidade de lesões autoprovocadas aumentou com a idade de forma consistente, atingindo o máximo em pacientes com mais de 80 anos (RP=12,01, IC 95%=7,49-19,23; p<0,001). A pontuação média na escala de coma de Glasgow foi 10 (DP 5,5) e na escala de severidade da lesão foi 18,6 (DP 13,0). A maioria das lesões (53,1%) foi classificada como severa ou muito severa. Dentre os pacientes, 64,6% tiveram lesão cerebral traumática e 16% evoluíram a óbito.
CONCLUSÃO: A maior parte das lesões oculares relacionadas a armas de fogo ocorreu em pacientes jovens, do sexo masculino, brancos e sulistas. Negros foram afetados desproporcionalmente. A maior parte das lesões oculares relacionadas a armas de fogo apresentou riscos à visão e foi associada a lesões cerebrais traumáticas. A maioria dos pacientes sobreviveu, mas com potencial para invalidez no longo prazo. As diferenças demográficas identificadas podem ser potencialmente alvos de ações preventivas.

Descritores: Traumatismos oculares; Ferimentos por armas de fogo; Banco de dados

ABSTRACT

PURPOSE: The United States of America has the highest gun ownership rate of all high-income nations, and firearms have been identified as a leading cause of ocular trauma and visual impairment. The purpose of this study was to characterize firearm-associated ocular injury and identify at-risk groups.
METHODS: Patients admitted with firearm-associated ocular injury were identified from the National Trauma Data Bank (2008-2014) using the International Classification of Diseases, Ninth Revision, Clinical Modification diagnostic codes and E-codes for external causes. Statistical analysis was performed using the SPSS 24 software. Significance was set at p<0.05.
RESULTS: Of the 235,254 patients, 8,715 (3.7%) admitted with firearm-associated trauma had ocular injuries. Mean (standard deviation) age was 33.8 (16.9) years. Most were males (85.7%), White (46.6%), and from the South (42.9%). Black patients comprised 35% of cases. Common injuries were orbital fractures (38.6%) and open globe injuries (34.7%). Frequent locations of injury were at home (43.8%) and on the street (21.4%). Black patients had the highest risk of experiencing assault (odds ratio [OR]: 9.0; 95% confidence interval [CI]: 8.02-10.11; p<0.001) and street location of injury (OR: 3.05; 95% CI: 2.74-3.39; p<0.001), while White patients had the highest risk of self-inflicted injury (OR: 10.53; 95% CI: 9.39-11.81; p<0.001) and home location of injury (OR: 3.64; 95% CI: 3.33-3.98; p<0.001). There was a steadily increasing risk of self-inflicted injuries with age peaking in those >80 years (OR: 12.01; 95% CI: 7.49-19.23; p<0.001). Mean (standard deviation) Glasgow Coma Scale and injury severity scores were 10 (5.5) and 18.6 (13.0), respectively. Most injuries (53.1%) were classified as severe or very severe injury, 64.6% had traumatic brain injury, and mortality occurred in 16% of cases.
CONCLUSION: Most firearm-associated ocular injuries occurred in young, male, White, and Southern patients. Blacks were disproportionally affected. Most firearm-associated ocular injuries were sight-threatening and associated with traumatic brain injury. The majority survived, with potential long-term disabilities. The demographic differences identified in this study may represent potential targets for prevention.

Keywords: Eye injuries; Firearms; Database; demographic disparity


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